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Pode-se vender a alma ao diabo?

B”H

 

(Atenção:
Nas palavras transliteradas, o “ch” tem som de “RR”. Exemplos: Chabád; Chagigá; Tanách; Sichót, etc.

Nas palavras transliteradas, o “sh” tem som de “CH”. Exemplos: Moshé; Yeshayáhu; Hashém; Shemót, etc.)

 

Pode-se vender a alma ao diabo?

 

Por Rav Baruch S. Davidson (Chabad)

 

Pergunta:
Os judeus e os noaítas acreditam que uma pessoa pode vender a alma dela ao diabo?

 

Resposta:
A idéia de “uma pessoa vender a alma dela ao diabo” — isto é, tornar-se escrava do diabo em troca do provimento de favores — não existe na Torá. Obras éticas judaicas descrevem casos em que alguém pode ser “possuído” (dominado) de alguma forma pelos impulsos do mal. Mas mesmo esse estado é sempre reversível.

Antes de abordar isto, aqui está um pouco sobre a natureza de Satán no pensamento judaico/noaítico:

Satán é um verbo hebraico que significa “provocar” ou “opor-se” e é usado várias vezes na Bíblia (Tanách) como um verbo. O primeiro exemplo está na história de Bilám (Balaão), quando Bilám decide assumir a missão de amaldiçoar o povo judeu:

“A ira de D’us SE acendeu porque ele se ia; e pôs-se um anjo de Hashém no caminho para opor-se a ele (tradução de ‘lesatán lo’), e ele viajava na sua jumenta, e seus dois servos estavam com ele.” (Bamidbár/Números 22:22)

Em outros casos, a palavra aparece como um substantivo, “um provocador”. Geralmente, o título aparece com o artigo definido — “o satán” — o que significa que não é um nome próprio, apenas uma descrição do trabalho. Por exemplo, no livro de Jó, o satán aparece como um promotor diante de D’us:

“Certo dia, os anjos vieram se apresentar perante Hashém, e com eles veio também o satán.

E disse Hashém para o satán: ‘De onde vens?’ E o satán respondeu para Hashém: ‘De ir e vir e de caminhar de um lado para o outro por toda a terra.’

E Hashém perguntou para o satán: ‘Viste o Meu servo Iyóv, que não há ninguém igual a ele na terra por ser íntegro, justo, temente a MIM e distanciado de todo o mal?’

Ao que o satán contestou Hashém, e disse: ‘Temerá Iyóv a Hashém, sem motivo? Não o envolveste com uma cerca protetora, sua casa e tudo o que lhe pertence? Abençoaste o trabalho de suas mãos e (por isto) cresceram seus bens sobre toda a terra. Mas se estenderes TUA mão contra tudo que ele possui, verás como TE amaldiçoará frente a frente!’

E respondeu Hashém para o satán: ‘Concedo-te poder para destruir tudo que ele tem; somente a ele, pessoalmente, não deves tocar!’ E o satán retirou-se da presença de Hashém.” (Iyóv/Jó 1:6-12)

Desta passagem, vemos que D’us criou um anjo para desempenhar o papel de provocador; que ele é um mensageiro de, e subordinado a, D’us. Ele não é um anjo caído nem foi enviado para o inferno, onde começou a lutar contra D’us; ele foi criado para ser Satán. Tampouco Satán passa seus dias alimentando as chamas do inferno com seu tridente. É uma presença na terra com uma missão: provocar as pessoas a desobedecerem a vontade de D’us.

De fato, a noção [pagã] dualista de uma poderosa figura anti-D’us que luta com D’us pelo destino da raça humana é incompatível com a crença judaica/noaítica. Não existe poder do mal independente de D’us; do contrário, isto implicaria uma falta de controle e poder abrangentes de D’us. Para citar o livro de Isaías:

“… para que todos, do leste e do oeste, soubessem que nada há além de MIM. EU, somente, sou Hashém (O D’us), não há mais nada. Sou EU QUEM forma a luz e cria a escuridão; EU faço a paz e Sou EU QUEM cria o mal; EU sou Hashém que tudo faz.” (Yeshayáhu/Isaías 45:6-7)

Obviamente, então, o satán não é uma força autônoma que se opõe a D’us e recruta pessoas para sua milícia. Em vez disso, o satán é uma entidade espiritual que é completamente fiel ao seu criador. Por exemplo, em relação à história bíblica da tentativa particularmente agressiva do satán de seduzir Iyóv a blasfemar, o rav Leví declara no Talmúd (Bavá Batrá 16a):

“O Satán agiu por causa de D’us. Quando ele viu como D’us estava inclinado a favor de (i.e., tão focado em) Iyóv, ele disse: ‘O Céu não permita que D’us esqueça o amor de Avrahám (o antepassado do povo judeu).'”

O Zôhar (vol. 2, página 163a) compara o satán a uma prostituta que é contratada por um rei para tentar seduzir seu filho, porque o rei quer testar a moralidade e a dignidade de seu filho. Tanto o rei como a prostituta (que é dedicada ao rei) realmente querem que o filho permaneça firme e rejeite os avanços da prostituta. Da mesma forma, o satán é apenas mais um dos muitos mensageiros espirituais (anjos) que D’us envia para realizar SEU propósito na criação do homem (veja também os capítulos 9 e 29 do Tania).

Esta não é a descrição completa do trabalho do satán. O Talmúd (Bavá Batrá, ibidem) resume dizendo que o satán, a má inclinação (“iêtser hará”) e o Anjo da Morte são uma e a mesma personalidade. Ele desce do céu e induz ao erro, depois ascende e apresenta acusações contra a humanidade, e então cumpre o veredito.

No entanto, a passagem acima mencionada no Zôhar conclui que se uma pessoa sucumbe à insistência da má inclinação, ela “dá energia para o outro lado”. Isto significa que um ato de desafio à vontade de D’us concede àquelas forças que ocultam a presença de D’us — pela Vontade DELE — força adicional para ocultar D’us ainda mais de nós. Isto se apresenta como desafios internos e externos ainda maiores para a pessoa experimentar e se identificar com as verdades de D’us e SUA Torá.

Um exemplo extremo disto seria o Faraó, que escravizou o povo judeu no Egito. Apesar de D’us ter pedido a Moshé que mandasse o Faraó libertar os israelitas, ELE declarou: “EU fiz seu coração e o coração de seus servos endurecer” (Shemót/Êxodo 10:1) a fim de finalmente punir os egípcios com as dez pragas. Como consequência de sua opressão anterior e abuso da nação judaica, sua capacidade de abandonar seus maus caminhos foi dificultada ainda mais até o ponto em que parecia que ele havia perdido a liberdade de escolha, e sua visão de arrependimento e capacidade de senti-lo ficaram completamente prejudicadas (Maimônides, Leis do Arrependimento 6:2).

Em última análise, não há nada que possa impedir alguém que realmente se esforça para retornar (Talmúd Yerushalmí, Peáh 1:1). Portanto, mesmo o Faraó ainda tinha a capacidade de superar este bloqueio e finalmente arrepender-se (baseado em Likutêi Sichót vol. 6, páginas 65-66. Veja também Maharshá sobre Chagigá 15a). Assim, mesmo quando uma pessoa parece estar completamente dominada pelo satán – como retribuição divina por seus erros anteriores, não pela escolha de negociação com o diabo – ela nunca está vendida, e pode superar seu instinto e impulso de agir satanicamente. Estar completamente vendido sem esperança de redenção seria contraproducente ao propósito de D’us e seria inconcebível.

Independentemente de onde você tenha caído, você nunca está vendido a estas forças impuras, e sua alma pode lutar livremente e voltar a se comprometer a servir D’us com sinceridade e paixão. O machado do arrependimento sincero pode derrubar qualquer parede, seja preexistente ou criado por suas ações, abrindo o caminho para que você volte para casa, para o seu verdadeiro eu.

 

Rav Baruch S. Davidson (Chabad)

 

Veja também

E ouça o áudio em

Existe diabo no Judaísmo? O que é o satan do Tanach?

 

© Chabad.org
© Noahidebr 2015-2018

Traduzido do inglês por Noahidebr/Bnei Noach do Brasil
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Nova página do site noahidebr.com

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No mês de aniversário do site noahidebr.com, uma nova página, Graças a D’us.

 

Confira:

 

https://noahidebr.com/palavras-do-rebe-a-toda-a-humanidade-a-todos-os-nao-judeus-do-mundo/

 

 

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Os nomes de Moisés / Batiá

B”H

 

Os nomes de Moisés / Quem é Batiá?

 

Atenção: na transliteração dos termos hebraicos o “sh” tem som de “CH”.
Exemplos: “Hashém”, “Moshé”, etc.

Atenção: na transliteração dos termos hebraicos o “ch” tem som de “RR”.
Exemplos: “Chavér”, etc.

 

Por Noahidebr

 

“E um homem da casa de Leví (- Amrám, filho de Kehat, filho de Leví – Amrám é neto de Leví e bisneto de Yaacóv -) foi e se casou (novamente com a sua ex-esposa, Yochéved,) filha de Leví (- irmã de Kehat, neta de Yaacóv, e tia de seu marido Amrám -). (Eles se divorciaram porque não quiseram ter mais filhos – já tinham dois, Miriám e Aharón – devido o decreto do Paróh (Faraó).) E engravidou a mulher e deu à luz um filho; e vendo que ele era bom (i.e., especial), escondeu-o por 3 meses.”

Yochéved/Joquebede trouxe o menino para a Princesa Batiá, “a filha do Paróh (Faraó)”, e Batiá “chamou seu nome Moshé (Moisés), e disse: porque das águas (do Suf Ieór (Rio Nilo)) o tirei.”

Shemót/Êxodo 1:22-2:10

 

Por que a Torá não menciona qual nome os pais de Moshé deram para ele? Será que eles não lhe deram nome? E por que a Torá menciona que a filha do Faraó o chamou Moshé?

 

Apesar da Torá (escrita) carecer destas informações, a tradição judaica nos fornece as respostas.

 

De acordo com a tradição judaica, quando Yochéved levou o menino – o seu próprio filho – para a filha do Faraó, a Princesa egípcia Batiá, a própria Princesa perguntou para Yochéved: “Como vocês chamam-no?” Portanto, o menino tinha um nome, sim. Interessante e curioso é o fato de que, segundo a tradição judaica, o menino não apenas tinha um nome, mas tinha vários nomes (entre outros que ele ganhou no decorrer da vida).

 

Os (outros) 12 nomes de Moshé

 

▪Chavér (חבר) (ou, Chever).
Significa “Amigo; Companheiro”, ou ainda “Conector”.
Seu pai, Amrám, lhe deu esse nome (pois Amrám e Yochéved haviam se desconectado – divorciado – para evitarem ter mais filhos, além dos que já tinham, por causa do decreto infanticida do Paróh. Por fim, deixaram o temor pelo decreto de lado e casaram-se novamente – voltaram a estar conectados – e tiverem “Moshé”).
“Conector” ainda alude a Moshé conectar o povo judeu com SEU “PAI CELESTIAL” ou a ele impedir (העביר, fonéticamente semelhante a חבר) a retribuição celestial pelos pecados deles.

▪Avigdor (אבי גדור) (ou, Aviguedor).
Significa “Mestre da Cerca”.
Segundo o Me’am Loez, o avô de Moshé, Kehat, lhe deu esse nome porque “desde o nascimento de Moshé, D’us (como que) colocou uma cerca em torno do faraó impedindo-o de continuar com seu decreto de afogamento dos meninos judeus*”.

* Segundo o Rashí, a Torá não específica que o decreto era para os meninos judeus, o que significa que era um decreto geral, válido tanto para os meninos judeus quanto para os meninos egípcios (Shemót/Êxodo 1:22).

 

▪Avi-Socho (אבי סוכו).
Significa “Pai dos Videntes”.
Seu avô, Kehat, lhe deu esse nome (ou talvez (quem lhe deu esse nome) foi a babá que ajudou a mãe de Moshé a criá-lo) porque Moshé se tornaria o “pai” ou “mestre” (avi) de todos os videntes (sochim) e profetas.

▪Yekutiel (יקותיאל) (ou, Jekutiel, Iecutiel).
Da raiz cavê (קוה), “esperança”.
Significa “D’us Reúne” ou também “Fé em D’us (Espera por D’us; Confia em D’us)”.
Sua mãe, Yochéved, lhe deu esse nome porque tinha esperança e confiava que (mesmo com o evento do Rio Nilo, por fim,) D’us os reuniria. Moshé também induziu os judeus a depositarem sua “fé em D’us”.

▪Yéred (ירד).
Significa “Descenso; Descida”.
Sua irmã, Miriám, lhe deu esse nome porque, por causa dele, ela teve de descer (yarad) até o Nilo para ver o que seria dele.
Além disso, foi Moshé quem como que desceu do céu com a Torá para entregá-la para o povo judeu, fazendo também a Presença Divina descer de volta para o mundo físico.

▪Avi-Zanôach (אבי זנוח).
Significa “Mestre da Rejeição”.
Seu irmão, Aharón, lhe deu esse nome, dizendo: “Meu pai rejeitou minha mãe (i.e., divorciou-se dela), mas (por fim ele) a recebeu novamente por causa deste menino (i.e., casou-se de novo com ela porque ainda era para eles terem Moshé)”.
Outra explicação é que Moshé faria Israel rejeitar ídolos.

▪Leví (לוי).
Nome da tribo a que pertencia.

▪Tov (טוב).
Significa “Bom”.
Segundo o Midrash Shemót Rabá 18:3.

▪Toviyáh (טוביה) (Toviá, ou Tobias, ou Tuviá).
Significa “(Pela) Bondade de Havayah” ou “Havayah é Bom”.
Segundo o Talmúd, esse foi, de fato, o nome que Amrám e Yochéved deram para Moshé quando ele nasceu.

▪Ben Netanel (בן נתנאל) (Nethanel, ou Natanel, ou Nesanel).
Ben significa “Filho de”, e, Netanel significa “D’us Deu”.
Netanel é a junção das duas palavras, natán (deu) + El (D’us). Portanto, Ben Netanel alude ao fato de que Moshé foi “a pessoa (literalmente, “o filho” (do povo judeu)) para quem D’us deu a Torá”.

▪Ben Eviatar (בן אביתר).
Significa “Filho do Perdão”.
Alude ao fato de que Moshé foi o filho do povo judeu que solicitou o perdão de D’us (ויתר) pelo pecado do bezerro de ouro (o ídolo feito pelos judeus quando lhes pareceu que Moshé não iria descer do Monte Sinai).

▪Shemayáh (שמעיה) (Shemaiá).
Significa “Havayah Ouve”.
O povo judeu lhe deu esse nome porque eles previam que em seus dias D’us ouviria (שמע) as orações deles.

 

Apesar de ter seu nome primordial – Toviá – e de ter todos esses nomes, em toda a Torá ele é referido somente como Moshé. Além do mais, O PRÓPRIO D’us se dirige a Moshé somente com esse nome. Foi a Princesa Batiá* quem disse para Yochéved: “Eu lhe darei (ao menino) mais um nome. Eu o chamarei Moshé (משה) (Moisés) porque eu mesma o tirei das águas” do Rio Nilo. Moshé significa “Tirar; Retirar”, querendo dizer que ele foi “tirado”, isto é, “salvo” do rio.
Então Hashém declarou: “Devido a que Batiá foi tão amável e misericordiosa, o menino será chamado pelo nome dado por ela.”
Nossos Sábios nos dizem que isto nos ensina a importância da criação de um filho, especialmente quando isso requer um sacrifício pessoal especial.

* Bat-Yáh (בתיה) (Batiá, ou Bitia, ou Basya). Significa “Filha de Havayah” (Bat = “Filha de”; Yáh = “Havayah”). O PRÓPRIO Hashém deu esse nome para ela por ela ter arriscado a própria vida ao desobedecer o decreto real e salvar e adotar o bebê que se tornaria o maior de todos os profetas, Moshé:

“Rav Yehoshúa disse em nome do Rav Leví que D’us disse para a filha do Paróh: ‘Moshé não era seu filho, contudo você (o salvou e o adotou e) o chamou de seu filho. EU farei o mesmo: embora você não seja Minha filha, EU (a salvarei e a adotarei e) a chamarei de Minha Filha’ ” (Midrash Vayicrá Rabá 1:3).

Ela se converteu ao judaísmo.

No evento chamado Dez Pragas, só um egípcio não foi atingido por elas, Batiá.
No evento da décima praga, a morte dos bechorót ou primogênitos, houve um único bechor (primogênito) – além do próprio Paróh (Faraó) – que não morreu, Batiá. Sim, Batiá era a primogênita do Paróh.

Foi para ela que o rei Shelomô (Salomão) compôs o famoso poema Éshet Cháyil (Mishlê/Provérbios 31:10-31).

Quando o povo judeu foi libertado do Egito (Mitsráyim), ela saiu com eles.

Os místicos judeus ensinam que Batiá foi uma das 9 pessoas (alguns dizem que são 7, outros dizem que são 13) a adentrarem o Mundo Vindouro* sem ter falecido fisicamente (sim, isso mesmo, segundo o judaísmo existem algumas pouquíssimas pessoas que triunfaram sobre a morte).

* Viver no Mundo Vindouro (Gán Éden) não faz referência à vida como a conhecemos. Na realidade, é uma forma de existência desconhecida para nós.

 

Por Noahidebr

Baseado em chabad.org (ing.), em jabad.org.ar e em jabad.org (esp.), no Rav Eliezer Danzinger (ing. e esp.), e no Instituto Morashá de Cultura.

© Noahidebr 2015-2018

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Três comentários sobre a Porção Semanal Vaierá

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Três comentários sobre a Porção Semanal Vaierá (Bereshít/Gênesis 18-22)

 

Por Rav Uri Cherki

 

Quem tem razão: Maimônides (Rambám), Nachmânides (Rambán) ou Gersônides (Ralbág)?

Uma importante disputa aparece entre dois grandes comentaristas, o Rambám (Maimônides) e o Rambán (Nachmânides), sobre o mesmo assunto da Porção Semanal Vaierá.

Segundo Maimônides, nesta Porção da Torá, toda a história de Avrahám acolhendo seus convidados, e a promessa do nascimento de Yitzchák, incluindo a posterior defesa de Sedom e Amorá (Sodoma e Gomorra), aconteceu na verdade como uma visão divina, sem nenhum efeito no plano físico – concreto. Sua prova é a frase que abre todo o evento: “E Hashém lhe apareceu (a Avrahám)“ [Bereshít/Gênesis 18:1], que indica que foi uma revelação profética e serve como preâmbulo a tudo o que vem a seguir. Nachmânides não só não aceita esta abordagem, quanto a rejeita de forma muito forte e incomum, com duros termos: “Estas palavras (de Maimônides) contradizem o texto, e não nos é permitido escutá-las, e muito menos acreditar nelas!“ Por que Nachmânides acha que o comentário de Maimônides, que apresenta alguma dificuldade, pode tornar-se herético do ponto de vista da fé?

O Rabino David Cohen (um discípulo do Rav Kook, conhecido como o “Nazir”, o Asceta) explicou que Nachmânides morava entre cristãos e era muito sensível à possibilidade de que a explicação de Maimônides pudesse ser explotada por eles e usada ​​contra os judeus. Eles poderiam descobrir que um destacado comentarista judeu explica que D’us apareceu na forma de três homens, e usar isto para justificar a sua doutrina da Trindade. Maimônides, por outro lado, vivia em um ambiente muçulmano, onde este medo não existia, e estava mais envolvido na luta contra as crenças populares que vêem assuntos espirituais em termos materialistas, como demônios ou espíritos. Isto o levou a enfatizar o significado abstrato do encontro de Avrahám com os anjos.

É importante considerar a dificuldade que teve Nachmânides com a abordagem de Maimônides, porque não podemos aceitar a suposição de que Maimônides não viu esta dificuldade. Ou seja, se dissermos que toda a revelação dos anjos era meramente uma visão profética, como os habitantes de Sodoma poderiam ter tentado prejudicar os anjos? Poderia o povo de Sodoma também participar de uma visão profética?

A verdade é que uma leitura direta da passagem implica que Maimônides tinha razão. Leiamos atentamente os versículos relacionados com Sodoma:

“E Hashém fez chover sobre Sedom e Amorá enxofre e fogo vindos de Hashém, desde os céus. E destruiu estas cidades, e toda a planície, e todos os moradores das cidades e as plantas da terra. E olhou sua esposa (de Lot) por trás dele, e converteu-se num pilar de sal (montículo). E acordou de manhã cedo Avrahám“. [Bereshít/Gênesis 19:24-27].

Este é um final surpreendente! Parece que todo o evento da destruição de Sodoma, a visita dos anjos, a salvação de Lot, aconteceu em um sonho profético de Avrahám, ao mesmo tempo em que as cidades eram fisicamente destruídas.

Com base nisto, podemos entender melhor a abordagem de Maimônides. A visão da ida dos anjos a Sedom agora pode ser vista como uma tentativa de D’us de permitir que Avrahám participe do decreto contra Sodoma, quando, em seu sonho, viu como as pessoas dali teriam tratado os anjos se eles realmente tivessem ido fisicamente à cidade.

 

[O comentarista Abarbanel diz: “O significado desta visão e sua finalidade é, em última instância, fazer Avrahám conhecer a perversidade dos habitantes de Sedom e a destruição futura que pesa sobre eles… ; e também para que ensine a seus descendentes e às pessoas de seu Pacto o “caminho de Hashém”, para que não lhes ocorra o que ocorrerá a Sedom e Amorá; portanto, começa o capítulo dizendo: ‘Apareceu-lhe Hashém…’,” e termina o capítulo dizendo: ‘Foi-SE Hashém quando concluiu de falar a Avrahám…’.]

 

Devemos também adicionar uma nota sobre a abordagem notável de outro importante comentarista desta história, o Ralbag (Gersônides). Na opinião dele, em princípio, nenhum milagre pode acontecer sem a participação de um profeta, portanto, de um humano. Por isso, ele explica que os três homens que visitaram Avrahám eram… homens! Quer dizer, profetas, que vieram para contar as notícias da gravidez de Saráh e do julgamento contra o povo de Sodoma. (…)

 

[A palavra hebraica usada para estes três visitantes é “malachím”, que significa literalmente “emissários (de D’us)”.]

 

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A NÃO-espiritualidade de D’us

B”H

 

Na transliteração dos termos hebraicos o “sh” tem som de “CH”: “Hashém”; “Moshé”; “Mishná”; “Yeshayáhu”; “Bereshít”.

 

A NÃO-espiritualidade de D’us

 

D’us NÃO é espírito, espiritual ou espiritualidade

 

Muitas pessoas pensam que se D’us não é material, ELE só pode ser espiritual. “O que mais D’us poderia ser se não espiritual?” O fato é que o judaísmo e o noaísmo tem enfatizado muito a questão da imaterialidade de D’us mas enfatizado pouco a questão da NÃO-ESPIRITUALIDADE de D’us, quer dizer, pouquíssimas vezes é abordado a Verdade de que D’us NÃO é espírito, de que D’us NÃO é um ser espiritual, de que D’us NÃO é espiritualidade. Quando dizemos que D’us não é físico, não estamos dizendo que ELE é espírito. Na verdade, D’us está além de ambos, do material e do espiritual, porque ambos são SUAS criações.

 

O texto abaixo é extraído de “The Jewish Understanding of God” (O Entendimento Judaico de Deus), © Morasha Syllabus project.

Traduzido por Noahidebr

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▪D’us é INCORPÓREO (NÃO-material/NÃO-físico)

 

1. Maimônides (Rav Moshé Ben Maimon), Comentário sobre a Mishná, Ao Capítulo 10 do Tratado de Sanhedrin, Terceiro Princípio – Incorporeidade de D’us: ELE não é físico de forma alguma.

 

“D’us é totalmente imaterial. Isto significa que esta UNIDADE [que denominamos D’us] não é nem um corpo nem uma força física. Não podemos dizer que D’us se movimenta, está parado, ou existe em determinado lugar. Coisas assim não podem acontecer-LHE. Nossos Sábios ensinam que quando nossas sagradas Escrituras falam de D’us em termos físicos, tais como andar, estar de pé, sentar, falar – bem como todas as outras expressões similares – devem ser entendidas no sentido figurativo pois ELE não é um ser e nem uma força física. Não podemos conceber que D’us possua qualquer imagem ou forma[*].”

 

[* Que D’us criou o homem à SUA imagem (Bereshít {Gênesis} 1:27) significa que o homem compartilha das mesmas qualidades espirituais (atributos) que D’us emprega ao interagir com o mundo. Somente neste sentido é possível dizer que o homem parece-se com D’us.]

 

2. Rav Yaakov Weinberg, Fundamentos e Fé, páginas 43-44 – O fato de que D’us não é físico significa que não podemos eludir SUA consciência.

 

“É necessário compreender e estar ciente da incorporeidade ou imaterialidade de D’us (da não-fisicalidade de D’us) porque se D’us habita no espaço, o homem pode ver-se livre DELE. Se D’us habita no espaço, ELE é limitado – ELE tem limites – [e é finito]. Um ser material não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo. Se O Onipotente está limitado no espaço, o homem pode eludir SUA consciência. Se o homem pode eludir SUA consciência, então D’us [não é D’us, e D’us] já não pode mais dizer à humanidade como agir. Quando alguém quiser fazer algo errado poderá certificar-se de que está escondido e de que assim escapará, convencido de que D’us nunca o saberá ou nunca irá encontrá-lo.

Se uma pessoa acredita que D’us é material, ela vai sentir-se capaz de escapar DELE. O raciocínio para essa conclusão é lógico: o ser humano procede naturalmente em concordância com suas crenças. Se uma pessoa assume a crença de que D’us é corpóreo, de que ELE habita no espaço [(quer dizer, de que D’us tem corpo e de que já que ELE tem corpo e obviamente não vive aqui na Terra, então, ELE reside no espaço]), então ela vai concluir intuitivamente que pode esconder-se DELE.”

Quando dizemos que D’us não é físico – que D’us não é um ser material – não estamos querendo dizer que D’us é, então, espírito – um ser espiritual. Na verdade, D’us está além de ambos, do material e do espiritual, porque ambos são SUAS criações. [D’us é O Criador de toda a existência, material e espiritual.]

 

3. Ibid. – D’us está além do espaço e do tempo.

 

“Embora o conceito da incorporeidade de D’us seja geralmente entendido, o conceito paralelo da SUA não-espiritualidade não é bem conhecido. Embora [(até mesmo dentro do próprio judaísmo)] D’us seja frequentemente referido como um “ser espiritual”[*], esse termo é aplicado indevidamente, por falta de outra palavra. Se um objeto material é definido como sendo limitado no tempo e no espaço, enquanto algo espiritual é limitado em termos de tempo mas não em termos de espaço, deve-se concluir que D’us não é nem material nem espiritual. O Onipotente não está limitado nem no espaço nem no tempo. Todos os seres materiais e espirituais foram criados por ELE, como está escrito: “No princípio D’us criou os céus e a terra” (Bereshít {Gênesis} 1:1).

 

[* Um texto judaico, por exemplo, diz: “D’us, que é todo espiritual”.]

 

Nossos Sábios aprenderam que “os céus” são uma referência às criações espirituais, como os anjos e o “Trono Celeste” [(os Ofanim e os Chaiot)], enquanto “a Terra” se refere a toda existência material. As almas dos seres humanos, também entidades espirituais, também foram criadas. Portanto, é errado descrever D’us em termos espirituais. D’us é único[ – singular –], nem físico nem espírito, O Criador tanto do mundo material quanto do mundo espiritual.

O versículo que Maimônides cita como prova da incorporeidade de D’us também pode ser aplicado à SUA não-espiritualidade. Ele cita o profeta judeu Yeshayáhu (Isaías 40:18, 25): “A quem, pois, podeis comparar Hashém (D’us)? Ou a que O podeis assemelhar?” Se D’us fosse material, ELE poderia ser comparado com tudo o que é material na criação. Da mesma forma, se ELE fosse espiritual, então ELE poderia ser comparado com qualquer coisa espiritual na criação. Nenhuma comparação pode ser feita, porque não existe nenhuma relação de qualquer tipo que possa descrever A Essência dO Criador. Nós podemos compreendê-LO somente em termos do relacionamento Criador-criação.”

 

[Portanto, como D’us é O Criador de tudo o que é matéria, obviamente ELE não é matéria. E do mesmo modo, como D’us é O Criador de tudo o que é espírito, obviamente ELE não é espírito. D’us está tão além de toda a espiritualidade quanto está de toda a fisicalidade. A Essência de D’us é tão incompreensível e inimaginável para as criaturas celestiais mais elevadas quanto o é para o homem. É totalmente impossível – tanto para os seres espirituais quanto para o homem – imaginar D’us. D’us está totalmente além da imaginação – nossa (humana), e mesmo da de todos os seres espirituais. D’us é absolutamente INIMAGINÁVEL – para todos os seres existentes, tanto espirituais quanto materiais. Assim como os humanos não sabem como D’us é, os seres espirituais também não sabem como D’us é. E assim como D’us em SI não reside no mundo físico, da mesma forma D’us em SI não reside no mundo espiritual. (Na verdade, D’us está em todos os lugares e simultaneamente em lugar algum.) E além de tudo isso, é fato também que não há, em toda a criação – em todo o mundo material e, inclusive, em todo o mundo espiritual – nenhum poder independente de D’us.

D’us, e SÓ D’us, é D’us – O Todo Infinito*.

 

* Quando dizemos que SÓ D’us é D’us, estamos dizendo que SÓ D’us sabe o que é D’us, isto é, SÓ ELE conhece a SI MESMO.

 

Tehilím (Salmos) 89: 7-9, 12:

“Quem, nos céus (nos mundos espirituais), pode comparar-se a Hashém? Quem, entre os seres celestes, é semelhante a Hashém? D’us é reverenciado entre (todos) os anjos (sem exceção alguma, sim,) temido por todos os que estão à SUA volta. Ó Hashém, D’us das Hostes, quem é poderoso como TU? TEUS são os céus (os mundos espirituais) e a terra, o mundo (material) e tudo o que ele contém, pois TU os fizeste.”

 

Yeshayáhu (o Profeta judeu Isaías) 46:5, 9:

“A quem ME assemelhareis, ou igualareis, ou comparareis, para considerar MEU equivalente? … EU sou D’us, e não há nenhum outro; somente EU sou D’us, e ninguém a MIM se compara.”

 

Devarím (Deuteronômio) 4:39:

“Saberás hoje, e considerarás no teu coração, que Hashém – ELE é O D’US, acima nos céus (isto é, acima nos mundos espirituais) e embaixo na terra (isto é, e embaixo no mundo material); não há nenhum outro.”

O seu deus é espírito? O seu deus é um ser espiritual? O D’us Único de Israel, Hashém, não é espírito, não é espiritual, não é espiritualidade. O D’us Único de Israel, Hashém, é O Criador da matéria e do espírito – O Criador da fisicalidade e da espiritualidade.]

 

 

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Salmos para serem recitados pelos Bnei Noah

B”H

 

(Atenção: na transliteração dos termos hebraicos o “sh” tem som de “CH”. Por exemplo: “Hashém*”.

Atenção: na transliteração dos termos hebraicos o “ch” tem som de “RR”. Por exemplo: “Nôach”.

 

“Saibam (todos os povos) que Hashém é Deus” – Tehilím/Salmos 100:3.

 

Gostaria de saber um salmo específico que um Bnei Nôach (noaíta/Filho de Noé) possa recitar todos os dias de manhã.

 

Você pode recitar todos os dias de manhã os Tehilím (Salmos) 15, 67 e 100. Você também pode recitar todos os dias de tarde os Tehilím (Salmos) 145 e 23. E você também pode recitar todos os dias de noite os Tehilím (Salmos) 91, 121 e 134.

Veja estes Salmos em

https://noahidebr.com/2017/09/09/guia-de-bencaos-e-oracoes-diarias-para-os-bnei-noach/#

 

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Salmo de arrependimento para todos os dias

B”H

 

Gostaria de saber de um Salmo de arrependimento que eu pudesse rezá-lo todos os dias.

 

Veja este Salmo em

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