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Nova página do site noahidebr.com

B”H

 

No mês de aniversário do site noahidebr.com, uma nova página, Graças a D’us.

 

Confira:

 

https://noahidebr.com/palavras-do-rebe-a-toda-a-humanidade-a-todos-os-nao-judeus-do-mundo/

 

 

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Guia de Bênçãos e Orações Diárias para os Bnei Nôach

 

Bênçãos e Orações Diárias dos Noaítas

 

Bendito seja Hashém.

 

“Quanto
a mim, na
proximidade
de Hashém
está a
felicidade
a que aspiro”

Berachót & Tefilót (Bênçãos & Orações) dos noaítas (Bnei Nôach/Filhos de Noé) para serem recitadas dia a dia

Noahidebr.com

 

“Para nos aproximarmos de Deus e servi-LO, é necessário conhecê-LO. Não basta apenas acreditar.” – A Luz Infinita – Um livro sobre Deus, páginas 7, 37.

 

“Toda vez que dizemos uma oração, estamos falando com Deus ELE MESMO*.” – Encontros entre o céu e a terra, página 36.

 

“A oração é o homem se relacionando e comunicando-se com” o seu CRIADOR*. Assim, o homem “não necessita de intermediários entre ele e Deus – como seres humanos, [espíritos,] anjos, “santos” ou imagens.” – Torá – A Lei de Moisés, página 229.

 

* Com O ABSOLUTAMENTE INFINITO E INFINDÁVEL (veja abaixo Os Princípios da Torá).

 

Guia de Bênçãos e Orações Diárias para os Bnei Nôach

Por noahidebr.com

Tradução, produção, organização, edição e adaptação em Língua Portuguesa (Brasil) por noahidebr.com

© Noahidebr 2015-2018
https://noahidebr.com/copyright/

 

Esta obra não deve ser comercializada.

O site noahidebr.com não comercializa esta obra. Em nosso site, disponibilizamo-la gratuitamente.

 

Textos por Noahidebr, Oklahoma B’nai Noah Society, Ask Noah International, Rav Yoel Schwartz/Rav Yechiel Sitzman, Rav Dr. Jacob Immanuel Schochet, Aish.com, Chabad.org, Rav Tzvi Freeman, Rav Chaim Clorfene e Rav Yakov Rogalsky.

 

© Noahidebr 2015-2018
© 1996-2007 Oklahoma B’nai Noah Society
© Rav Yoel Schwartz (Israel)/Rav Yechiel Sitzman (Israel)
© 2002-2018 Ask Noah International
© Rav Dr. Jacob Immanuel Schochet
© 1995-2018 Aish.com
© 1993-2018 Chabad.org
© Rav Tzvi Freeman
© Rav Chaim Clorfene e Rav Yakov Rogalsky

 

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Atenção: na transliteração dos termos hebraicos o “sh” tem som de “CH”. Exemplos: “Hashém”, “Shemá”, etc.

 

Atenção: na transliteração dos termos hebraicos o “ch” tem som de “RR”. Exemplos: “Nôach”, “Barúch”, “Berachót”, etc.

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Obras utilizadas e consultadas:

 The Path of the Righteous Gentile, por Rabino Chaim Clorfene e Rabino Yakov Rogalsky.

Livros de rezas:

• Sidúr Tehilat Hashem para Dias de Semana, Shabát e Yom Tov, Editora Beith Lubavitch;

• Service From The Heart – Renewing the Ancient Path of Biblical Prayer and Service, Oklahoma B’nai Noah Society;

• Oraciones, Bendiciones, Principios de Fe, y Servicio Divino para Noajidas, por Rabino Moshe Weiner y Rabino J. I. Schochet, Ask Noah International;

• Sidúr Sucat David Edição Mekor Haim;

• Sidúr Completo com Tradução e Transliteração, Jairo Fridlin, Editora e Livraria Sêfer;

• Manual de Bênçãos, Editora Chabad.

Bíblias:

• Bíblia Hebraica, por David Gorodovits e Jairo Fridlin, Editora e Livraria Sêfer;

• O Livro dos Salmos Ôhel Yossêf Yitschák, Editora Beith Lubavitch.

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Conteúdo

→ Algumas considerações;

● Bênçãos da Manhã

→ Imediatamente após acordar, antes de levantar-se;

→ Depois de vestir-se e estando pronto para iniciar seu dia;

● Bênçãos no Decorrer do Dia

→ Bênção do Lar;

→ Bênção do Trabalho;

→ Para todas as vezes em que fazemos nossas necessidades fisiológicas;

→ Lavagem das mãos;

→ Antes de comer pão;

→ Ao aspirar o cheiro de fragrâncias diversas (cravo, canela, pó de café, temperos, perfumes);

→ Antes de comer arroz, macarrão, bolo, torta, cereais, bolinhos e biscoitos;

→ Antes de alimentos como chocolate, carne, peixe, ovo, mel, doces, etc.;

→ Ao aspirar o cheiro de plantas condimentares ou “cheiros-verdes” (salsinha, cebolinha, coentro, hortelã, manjericão, orégano, etc.);

→ Antes de qualquer tipo de bebida (água, leite, suco, chá, café, etc.) exceto vinho e suco de uva;

→ Antes de beber vinho ou suco de uva;

→ Ao aspirar o cheiro de uma fruta;

→ Ao aspirar o cheiro de rosas ou de árvores ou de uma flor ou folha que cresce num pé ou árvore;

→ Antes de comer de todas as frutas que crescem em árvores;

→ Antes de comer produtos que crescem diretamente da terra (▪verduras;▪legumes;▪raízes (cenoura, beterraba, etc.);▪leguminosas (feijão, ervilha, milho, soja, amendoim, etc.);▪mandioca e batatas;▪as frutas: banana, melão, melancia, abacaxi, morango, mamão e papaia;▪e, Pipoca);

→ Bênção longa para após as refeições;

→ Bênção curta para após as refeições;

→ Ao ver belas e bem formadas criações ou árvores de aspecto agradável;

→ Em agradecimento por qualquer coisa nova ou por alguma alegria, como: comprar uma roupa nova, receber um presente importante ou fazer uma compra importante para usufruto individual, e, rever um amigo ou um parente a quem não se via há 30 dias;

→ Quando se põe roupas novas pela primeira vez;

→ Ao escutar boas notícias, relativas a si próprio ou aos outros, e, em agradecimento por alguma alegria, como: receber um presente importante ou fazer uma compra importante para usufruto coletivo (mais de uma pessoa: casal, família, etc.);

→ Ao escutar más notícias, Deus nos livre;

→ Ao ver relâmpagos ou um fenômeno astronômico;

→ Ao escutar um trovão ou ver/sentir um terremoto;

→ Ao ver mares, rios, desertos e altas montanhas;

→ Ao ver um oceano;

→ Ao ver um arco-íris;

● Orações no Decorrer do Dia

→ Meditação;

→ (Oração para ser recitada somente no período da MANHÃ, antes de qualquer outra oração): “Amo do universo”;

→ Salmos diários para de manhã, para de tarde, e para de noite;

→ “Nosso PAI, nosso REI”, para de manhã;

→ “Nosso PAI, nosso REI”, para de tarde;

→ “Realiza meus pedidos para o bem”;

→ “Bendito é AQUELE que falou”;

→ “Aceitação Verbal da Unidade e Majestade de Deus”;

→ “É nosso dever”;

→ “Não há [ninguém] como o nosso Deus”;

→ Oração pela Paz;

→ Oração pelos Pais;

→ Bênção do(s) e Oração pelo(s) Filho(s);

→ Oração por uma pessoa enferma;

→ Oração por um recém-nascido noaíta;

→ “A Oração Devota” ou “A Oração de Devoção dos Noaítas” (Amidá Noaítica);

→ VEHÚ – ELE…;

→ “Shemá” (“Ouve [Israel]”) – dos noaítas;

→ Os Treze Princípios da Torá;

→ O Credo de Noé (Texto e Declaração Noaítica);

→ Com relação a leitura dos Tehilím (Salmos);

→ Tehilím/Salmos 128;

→ Tehilím/Salmos 96;

→ Tehilím/Salmos 1;

→ Tehilím/Salmos 103;

→ O Salmo de Arrependimento para todos os dias;

→ Shir Shél Ióm/Cântico do Dia;

● Bênção e Oração da Noite

→ Antes de dormir;

● “O Sétimo Dia”

(Considerações gerais)

→ O Shabát foi instituído no nascimento de Am Yisrael;

→ Texto: “Segundo a Halachá, os Bnei Nôach são proibidos de fazer Shabát”;

→ Mitsvót PERMITIDAS para os Bnei Nôach e Mitsvót PROIBIDAS para os Bnei Nôach;

→ Pode-se – voluntariamente –, depois do anoitecer DA SEXTA, acender uma vela;

→ Oração para ser recitada – voluntariamente – depois do anoitecer DO SÁBADO;

● Orações para Yamím Tovím (Os Dias Festivos Judaicos) (para Os Dias das Festividades Judaicas)

→ Para Pêssach, Sucót e Shavuót: “Que ascenda, venha”;

→ Para Pêssach, Sucót, Shavuót, Chanucá e Purím, e também para o Sétimo Dia: “Que a alma de todo ser vivo”.

● Amên.

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Não se recita bênçãos ou orações estando-se nu.
Não se recita bênçãos ou orações no banheiro ou próximo a ele.

 

>> As Berachót e Tefilót (Bênçãos e Orações) podem ser recitadas pelos noaítas (Bnei Nôach/Filhos de Noé) individualmente ou em grupo todos os dias ou em qualquer dia, e em qualquer horário, uma vez ou quantas vezes desejarem, DESDE QUE não haja indicações – havendo indicações, é óbvio que estas deverão ser respectivamente obedecidas.

 

É apropriado recitar as bênçãos e as orações em voz audível.

 

Somente as Bênçãos e Orações em Hebraico Serão Ouvidas?

O primeiro tratado do Talmúd, intitulado Bênçãos, traz a clara permissão para [nós judeus] recitarmos bênçãos e orações no idioma que nos seja mais cômodo, mais conhecido, mais familiar.”

Se é assim para os próprios judeus, tanto mais para nós, Bnei Nôach.
Portanto, Bnei Nôach não são obrigados a recitarem bênçãos e orações em hebraico. Deve-se recitá-las no idioma que lhes é conhecido, familiar.

“Há uma noção popular segundo a qual as bênçãos e as orações não proferidas em hebraico constituiriam uma grande heresia. Pois heresia é justamente esta noção oriunda da falta de informação.”

Herman Wouk, judeu ortodoxo, neto do Rav Mendel Leib Levine.


 

● Bênçãos da Manhã

 

→ Imediatamente após acordar, antes de levantar-se:

Dou graças a TI, Rei vivo e eterno, pois TU misericordiosamente devolveste minha alma dentro de mim. Tua fidelidade é grande.

 

→ Depois de vestir-se e estando pronto para iniciar seu dia:

Meu Deus, a alma que TU me deste dentro de mim é pura. TU a criaste, TU a formaste, TU a sopraste em mim, e TU a preservas dentro de mim. E TU a tomarás de mim, finalmente, e a devolverás dentro de mim no Tempo Vindouro, na ressurreição dos mortos. Enquanto a alma estiver em mim, dou graças a TI, Hashém meu Deus, Mestre de todas as obras, Senhor de todas as almas. Bendito és TU, Hashém, que devolve almas aos corpos mortos.

Bendito és TU, Hashém, nosso Deus, Rei do universo, que remove o sono dos meus olhos e a sonolência das minhas pálpebras.

E que seja a TUA vontade, Hashém, nosso Deus, nos acostumarmos a (estudar) TUA Palavra, A Torá, e fazer-nos apegar aos TEUS mandamentos. Não nos leves ao pecado, nem à transgressão ou iniquidade, nem à tentação ou ao desprezo; que a má inclinação não tenha domínio sobre nós. Faze com que nos apeguemos à boa inclinação e às boas ações; e fórça nossa inclinação a ser subserviente a TI. Concede-nos hoje e todo dia graça, benevolência e misericórdia em TEUS olhos e nos olhos de todos que nos contemplam.

Que seja a TUA vontade, Hashém meu Deus, proteger-me hoje e todo dia dos homens insolentes e do despudor; de um homem perverso, de uma má companhia, de um mau vizinho e de uma má ocorrência; de um olho mau (inveja), de uma língua maliciosa, da difamação, do falso testemunho, do ódio dos homens, de acusações caluniosas, da morte não natural, das severas doenças e do infortúnio; do adversário destrutivo (Satán), de um julgamento severo, de um oponente implacável, e da retribuição do Guehinom.

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● Bênçãos no Decorrer do Dia

 

→ Bênção do Lar

Nesta casa haverá abundantes bênçãos dos Céus. Amor, saúde, alegria e regozijo nela habitarão, prosperidade e sucesso sempre estarão presentes. Deus a abençoará e a guardará, iluminará com SUA luz seus recintos e sobre seu(s) habitante(s) reinará a paz.

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→ Bênção do Trabalho

Nesta porta o sucesso está garantido.
Nesta entrada haverá prosperidade e sustento.
Nesta atividade recairá a bênção.
Neste recanto repousará a Presença Divina.
Neste local fluirão bênção e paz.

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→ Para todas as vezes em que fazemos nossas necessidades fisiológicas:

Bendito és TU, Hashém, nosso Deus, Rei do universo, que formou o homem com sabedoria, e nele criou muitos orifícios e cavidades. É revelado e conhecido diante do Trono da TUA glória que se apenas um deles fosse bloqueado, ou um deles fosse aberto, seria impossível existir mesmo por um curto momento. Bendito és TU, Hashém, que cura todo ser vivo e faz maravilhas.

 

→ Lavagem das mãos

É necessário lavar as mãos antes e depois das necessidades fisiológicas e antes e depois das refeições por questão de higiene, contudo, o Rav Yoel Schwartz tem dito que não é necessário que o noaíta recite uma benção antes de lavar as mãos, mas, caso o noaíta queira voluntariamente recitar uma benção:

Bendito és TU, Hashém, nosso Deus, Rei do universo, por causa da lavagem das mãos.

 

Atenção

Em uma refeição com várias bênçãos (por exemplo: um prato com arroz, mistura, verdura ou legume), deve-se recitar integralmente cada bênção sobre o seu respectivo alimento e/ou bebida provando-o logo em seguida. A ordem das bênçãos segue a ordem dos alimentos que se deseja consumir.

 

→ Antes de comer pão:

Bendito és TU, Hashém, nosso Deus, Rei do universo, que faz sair o pão da terra.

(Esta bênção exclue qualquer outra bênção de qualquer alimento ou bebida que for ser consumido junto com o pão (exceto a bênção do vinho ou suco de uva). Além disso, em qualquer refeição em que o pão for incluído, recita-se apenas esta bênção.)

 

→ ¹Ao aspirar o cheiro de fragrâncias diversas (cravo, canela, pó de café, temperos, perfumes):

Bendito és TU, Hashém, nosso Deus, Rei do universo, que cria diferentes tipos de especiarias.

 

→ Antes de comer arroz, macarrão, bolo, torta, cereais, bolinhos e biscoitos:

Bendito és TU, Hashém, nosso Deus, Rei do universo, que cria diversas espécies de alimentos.

 

→ ¹Antes de alimentos como chocolate, carne, peixe, ovo, queijo, gelatina, sorvete, mel, doces, etc.:

Bendito és TU, Hashém, nosso Deus, Rei do universo, por cuja palavra tudo veio a existir.

 

→ Ao aspirar o cheiro de plantas condimentares ou “cheiros-verdes” (salsinha, cebolinha, coentro, hortelã, manjericão, orégano, etc.):

Bendito és TU, Hashém, nosso Deus, Rei do universo, que cria ervas aromáticas.

 

→ Antes de qualquer tipo de bebida (água, leite, suco, chá, café, etc.) exceto vinho e suco de uva:

Bendito és TU, Hashém, nosso Deus, Rei do universo, por cuja palavra tudo veio a existir.

 

→ Antes de beber vinho ou suco de uva:

Bendito és TU, Hashém, nosso Deus, Rei do universo, que cria o fruto da vinha.

 

→ Ao aspirar o cheiro de uma fruta:

Bendito és TU, Hashém, nosso Deus, Rei do universo, que deu boa fragrância às frutas.

 

→ Ao aspirar o cheiro de rosas ou de árvores ou de uma flor ou folha que cresce num pé ou árvore:

Bendito és TU, Hashém, nosso Deus, Rei do universo, que cria árvores aromáticas.

 

→ Antes de comer de todas as frutas que crescem em árvores:

Bendito és TU, Hashém, nosso Deus, Rei do universo, que cria o fruto da árvore.

 

→ Antes de comer produtos que crescem diretamente da terra

▪verduras;

▪legumes;

▪raízes (cenoura, beterraba, etc.);

▪leguminosas (feijão, ervilha, milho, soja, amendoim, etc.);

▪mandioca e batatas;

▪as frutas: banana, melão, melancia, abacaxi, morango, mamão e papaia;

▪e, Pipoca:

Bendito és TU, Hashém, nosso Deus, Rei do universo, que cria o fruto da terra.

 

→ Bênção longa para após as refeições:

Bendito és TU, Hashém, nosso Deus, Rei do universo, que alimenta o mundo inteiro com a SUA bondade, com graça, benevolência e com misericórdia; ELE dá alimento a toda carne, pois a SUA benevolência dura para sempre. Pela SUA grande bondade, que está sempre conosco, nunca nos falta e que não nos falte alimento para todo o sempre, por SEU grande NOME. Pois ELE é um Deus bondoso que nutre e sustenta a todos e faz bem a todos e providencia alimento para todas as SUAS criaturas as quais criou. Como está dito: “TU abres a mão e satisfazes toda coisa viva com favor.” Bendito és TU, Hashém, que provê alimento a todos.

Que O MISERICORDIOSO reine sobre nós para todo o sempre. Que O MISERICORDIOSO seja bendito no céu e na terra. Que O MISERICORDIOSO envie uma bênção abundante a esta casa e sobre esta mesa na qual comemos. Que O MISERICORDIOSO abençoe o Rebe, nosso mestre. Que O MISERICORDIOSO abençoe meu pai, e minha mãe, a eles, seu lar, seus filhos e tudo que é seu; a nós e a tudo o que é nosso. Que O MISERICORDIOSO nos conceda o privilégio de alcançar os dias de Mashíach e a vida do Mundo Vindouro.

 

→ Bênção curta para após as refeições:

Bendito és TU, Hashém, nosso Deus, Rei do universo, que por SUA generosidade nós comemos e graças à SUA bondade nós vivemos.

 

▶▶▶▶Em seu livro Mishnê Torá, em Berachót capítulo 10, Halachá (Lei Judaica) 1, Maimônides, ou Rambám – Rabino Moshê ben Maimón, 1135-1204 –, explica que os Sábios instituíram outras bênçãos e muitas outras declarações que não começam ou terminam com a frase: “Bendito és TU, …, nosso Deus, Rei do universo.” Tratam-se de todas as bênçãos a seguir. Entretanto, ao mesmo tempo, no capítulo 1, Halachót 3 e 4, o próprio Maimônides explica, exatamente sobre estas bênçãos, que os Sábios instituíram muitas bênçãos como expressões de louvor e reconhecimento de Deus para que as pessoas sempre se lembrem do Criador independentemente de se virão a receber algum benefício (de tais situações) – como recebem, por exemplo, de se alimentarem –, ou de se virão a cumprir uma mitsvá (mandamento divino). “Assim, todas as bênçãos podem ser divididas em três categorias:
a) bênçãos sobre o benefício [uma vantagem ou lucro obtido de alguma coisa];
b) bênçãos sobre mitsvót (mandamentos divinos);
c) bênçãos recitadas como expressões de louvor e graças a Deus, para que em todos os momentos nos lembremos do Criador e temamo-LO.” É por isso que Maimônides transcreve a cada uma delas com ‘Bendito és TU, …, nosso Deus, Rei do universo’, porque, para ele, mesmo uma bênção curta tem de começar ou terminar com “uma expressão de louvor e reconhecimento do Santo, Bendito seja.”◀◀◀◀

 

→ ¹Ao ver belas e bem formadas criações ou árvores de aspecto agradável:

Bendito és TU, Hashém, nosso Deus, Rei do universo, cujo mundo é assim mesmo.

 

→ Em agradecimento por qualquer coisa nova ou por alguma alegria, como: comprar uma roupa nova, receber um presente importante ou fazer uma compra importante para usufruto individual, e, rever um amigo ou um parente a quem não se via há 30 dias:

Bendito és TU, Hashém, nosso Deus, Rei do universo, que nos deu vida e nos manteve e nos possibilitou chegar a esta ocasião.

 

→ Quando se põe roupas novas pela primeira vez:

Bendito és TU, Hashém, nosso Deus, Rei do universo, que veste os desnudos.

 

→ ¹Ao escutar boas notícias, relativas a si próprio ou aos outros, e, em agradecimento por alguma alegria, como: receber um presente importante ou fazer uma compra importante para usufruto coletivo (mais de uma pessoa: casal, família, etc.):

Bendito és TU, Hashém, nosso Deus, Rei do universo, que é bom e faz o bem.

 

→ Ao escutar más notícias, Deus nos livre:

Bendito és TU, Hashém, nosso Deus, Rei do universo, o verdadeiro Juiz.

 

→ ¹Ao ver relâmpagos ou um fenômeno astronômico:

(Esta bênção deve ser recitada somente uma vez ao dia, e imediatamente após o testemunho do fenômeno.)

 

Bendito és TU, Hashém, nosso Deus, Rei do universo, que renova a obra da Criação.

(Se você ver relâmpagos e ouvir trovões simultaneamente, recite apenas esta bênção.)

(Observação: Nenhuma bênção é recitada ao ver um eclipse.)

 

→ Ao escutar um trovão ou ver/sentir um terremoto:

(Esta bênção deve ser recitada somente uma vez ao dia, e imediatamente após o testemunho do fenômeno.)

 

Bendito és TU, Hashém, nosso Deus, Rei do universo, cujo poder e força preenchem o mundo.

 

→ ¹Ao ver mares, rios, desertos e altas montanhas:

Bendito és TU, Hashém, nosso Deus, Rei do universo, que renova a obra da Criação.

(Observação: Nenhuma bênção é recitada ao ver uma cachoeira.)

 

→ Ao ver um oceano:

Bendito és TU, Hashém, nosso Deus, Rei do universo, que cria o oceano.

 

→ Ao ver um arco-íris:

Bendito és TU, Hashém, nosso Deus, Rei do universo, que recorda o Pacto, é fiel ao SEU Pacto, e guarda SUA promessa.

 

▶▶▶▶Se você deseja bendizer a Deus por qualquer coisa pela qual você se sente grato mas você tem dúvidas sobre qual bênção utilizar, recite a bênção mais geral naquele aspecto¹ e NÃO pronuncie o(s) NOME(S) de Deus (Bendito és TU que…..).◀◀◀◀

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● Orações no Decorrer do Dia

 

→ Meditação

“O que é o ser humano para que dele TE lembres? E o filho do homem, para que o consideres? Entretanto, pouco menos que os anjos o fizeste e de glória e esplendor o coroaste.”*

* Tehilím/Salmos 8:5-6

“E David bendisse Hashém, e David disse: “São TEUS, Hashém, a eternidade e a majestade, e tudo o que existe nos céus e na terra; Hashém, TEU é o reinado, e TU és exaltado acima de tudo. A riqueza e a honra procedem de TI, e TU governas sobre tudo. E agora, nosso Deus, rendemos-TE graças e louvores ao TEU glorioso NOME.” [Divrê Hayamím I/1 Crônicas 29:10-13] Somente TU és Hashém; TU fizeste os céus, os céus dos céus, e todas suas hostes, a terra e tudo o que há nela; os mares e tudo o que há neles; TU dás vida a todos eles. Não temos outro REI, além de TI, DEUS de todas as coisas criadas, AMO de todos os acontecimentos. Hashém, TU livraste TEU povo Israel do Egito, os redimiste da casa da escravidão; TU, Hashém, nunca os abandonarás. Nosso REI, O GRANDE e SANTO REI, no céu e na terra, do mundo mais elevado ao mais baixo, TU és DEUS, Hashém, O Deus Todopoderoso, CRIADOR de todas as almas, MESTRE de todas as criaturas; TU és o único REI, a Vida de (todos) os mundos. Que todas SUAS criaturas glorifiquem e abençoem ao Deus Todopoderoso; que rendam louvor, honra, grandeza e glória ao Deus Todopoderoso, O REI, CRIADOR de tudo. ELE cria seres sagrados – anjos servidores. Todos eles são amados, todos são puros, todos são sagrados, e todos realizam a vontade de seu CRIADOR, com temor e reverência◆. E todos eles abrem suas bocas em santidade e pureza, e abençoam e adoram, glorificam e reverenciam, santificam e atribuem soberania ao NOME de Deus Todopoderoso; eles cantam louvores ao REI, O Deus vivo e eterno, que em SUA bondade renova a cada dia, continuamente, a obra da criação.”*

◆ O Sidúr Sucat David Edição Mekor Haim explica que: “Não há nem inveja nem ressentimento entre eles.” E que: “Nada pode impedi-los de cumprir a vontade Divina.”

* Sidúr

“Rendei a Hashém a glória devida ao SEU NOME; prostrai-vos ante Hashém que é pleno de esplendor e santidade.”*

* Tehilím/Salmos 29:2

“Ó Hashém, nosso Deus! Quão majestoso é o TEU NOME em toda a terra!”*

* Tehilím/Salmos 8:10

“Quão preciosa é a TUA benignidade, ó Deus; à sombra das TUAS asas se refugiam os homens. Pois de TI provém a fonte da vida e de TUA luz recebemos luz.”*

*Tehilím/Salmos 36:8, 10

“Ó Hashém, meu Deus, em TI eu busco refúgio … . Hashém julgará as nações … . Faz chegar ao fim o mal dos ímpios, e dá firmeza ao justo, TU que perscrutas as emoções e pensamentos de cada um, ó Deus justo.”*

* Tehilím/Salmos 7:2, 9-10

“E Deus disse: Este (arco-íris) é o sinal da aliança que EU faço entre MIM e vós, e entre toda alma viva que esteja convosco, para perpétuas gerações.”*

* Bereshít/Gênesis 9:12

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→ Oração para ser recitada somente no período da MANHÃ, antes de qualquer outra oração:

▪Adón Olám

(Extraída do Sidúr)

Amo do universo, que já reinava antes da criação de qualquer criatura; quando, por SUA vontade, todas as coisas foram feitas, somente então SEU nome foi proclamado REI. E [se] todas as coisas cessarem de existir, sozinho O REVERENCIADO reinará. ELE foi, ELE é, e ELE será em glória. ELE é Um e Único, e não há outro que a ELE se compare, que se associe com ELE. Sem princípio e sem fim; poder e domínio pertencem a ELE. ELE é meu Deus e meu sempre vivo Redentor, uma fortaleza em tempos de aflição. ELE é meu estandarte e meu refúgio, minha porção no dia que eu O chamo. Em SUA mão eu confio o meu espírito, quando eu durmo e quando eu acordo. E com minha alma, meu corpo também, Hashém está comigo, eu não temerei.

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→ Salmos diários para de manhã, para de tarde, e para de noite

(▪Para de manhã, os Tehilím 15, 67 e 100)

● Tehilím/Salmos 15:

Um salmo de David. Hashém, quem pode habitar em TEU Tabernáculo (o Bêt Hamicdásh – Templo Sagrado)? Quem pode ascender a TEU Sagrado Monte (Tsión)? Aquele cujo caminho é de retidão, que pratica o que é direito, cujo coração se rende à verdade (isto é, que não é hipócrita {literalmente, um na boca e um no coração}). Aquele que não tem nenhuma calúnia em sua língua, que jamais praticou o mal contra seu amigo nem causou vergonha (por suas ações) a seus parentes. O malévolo lhe é repulsivo, mas ele honra aos que temem a Hashém; aquele que não anula um juramento mesmo quando lhe é danoso. Aquele que nunca empresta seu dinheiro a juros, nem aceita suborno contra o inocente. Aquele que desta forma se comporta, mesmo que sucumbe, isso não será para sempre, pois se erguerá e continuará firme sobre seus pés.

 

● Tehilím/Salmos 67:

Ao mestre do canto, sobre instrumentos de cordas (neguinót), um Salmo (de David), um cântico. Que (Hashém) Deus nos conceda SUA graça e nos abençoe, e que faça sobre nós resplandecer SEU semblante para sempre, para que na terra seja conhecido SEU caminho, e entre todas as nações, SUA salvação. Então todos os povos (TE reconhecerão e) TE agradecerão, ó Deus; todos os povos (TE reconhecerão e) TE agradecerão. Todas as nações se alegrarão e cantarão louvores, porque com equidade as julgarás, e as governarás para sempre (isto é, pelo caminho reto as guiarás para sempre). (E, portanto,) todos os povos (TE reconhecerão e) TE agradecerão, ó Deus; todos os povos (TE reconhecerão e) TE agradecerão. Então a terra produzirá em abundância seus frutos; e (Hashém) Deus, nosso Deus, nos abençoará. Sim, Deus nos abençoará e será reverenciado e temido até os confins da terra.

 

● Tehilím/Salmos 100:

Um salmo de agradecimento.  (Por Moshé.) Habitantes de toda a terra, aclamai com regozijo a Hashém. Sirvam a Hashém com alegria e apresentai-vos com cânticos alegres diante DELE. Proclamai que Hashém é Deus; ELE nos fez e nós (judeus*) somos SEU povo e o rebanho que ELE pastoreia – somente a ELE pertencemos. Com agradecimento atravessai SEUS portões (do Bêt Hamicdásh – Templo Sagrado) e erguei louvores em SEUS pátios; rendei-LHE graças e bendizei SEU NOME. Porque pleno de bondade é Hashém; SUA misericórdia é eterna e SUA fidelidade e dedicação se estendem por todas as gerações.

(* Isto é, saiba toda a humanidade que Hashém, O D’us de Israel, é que é Deus – O CRIADOR –, e saiba também toda a humanidade que os Bnei Yisrael (os Filhos de Israel) – os judeus – são o povo criado pelo PRÓPRIO Deus para servi-LO, e para ensinar à humanidade a Verdade sobre ELE (Yeshayáhu/Isaías 43:1, 11-12, 15, 21; 44:1-2, 6-8, 21).)

 

(▪Para de tarde, os Tehilím 145 e 23)

● Tehilím/Salmos 145:

Salmo de louvor de David. Exaltar-TE-ei, meu Deus, O REI, e bendirei sempre TEU NOME. Sim, louvar-TE-ei a cada dia, e TEU NOME hei de eternamente abençoar. Grande é Hashém e digno de todos os louvores, pois incomensurável é SUA grandeza. Cada geração transmitirá à seguinte o louvor de TUAS obras, e narrará a grandeza de TEUS poderosos feitos. Meus pensamentos se voltarão para o esplendor de TUA Majestade, e sobre as maravilhas de TUAS realizações, falarei sempre. Sobre TEU poder temível e sobre a abundância de TUA generosidade não deixarei de me pronunciar, e sobre TUA permanente retidão cantarei exultante. Gracioso e pleno de bondade é Hashém, tardio em irar-SE, e sempre pronto a ser generoso. ELE é bom para com todos e o manifesta através de todos os SEUS feitos. Hão de agradecer-TE todas as TUAS obras, e abençoar-TE todos os que TE são devotados. Sobre TEU reinado de glória falarão e sobre TEU poder narrarão, para dar a conhecer a todos os seres humanos TEUS atos poderosos e o glorioso esplendor de TEU reino. TEU Reinado (é um Reinado sobre todos os mundos e) se mantém por toda a eternidade e sobre todas as gerações manifesta seu domínio. Hashém reergue todos os caídos, e dá apoio a todos os abatidos. Os olhos de todos se voltam para TI com esperança, e o alimento de que precisam lhes proporciona no tempo apropriado. Abres TUAS mãos e satisfazes os anseios de todos os seres. Justos são todos os caminhos de Hashém e repletos de magnanimidade todos os SEUS atos. Hashém está sempre próximo de todos que O invocam, de todos que por ELE clamam com sinceridade. Atenderá o desejo dos que O temem; seu clamor há de escutar e lhes trará a salvação. Hashém protege todos os que O amam, mas certamente destruirá todos os malévolos. Minha boca proclamará o louvor de Hashém, e toda criatura bendirá SEU Santo NOME por todo o sempre!

 

● Tehilím/Salmos 23:

Um Salmo de David. Hashém é meu pastor e por isto nada me pode faltar. ELE me faz repousar em campos verdejantes, conduz-me a águas tranquilas. ELE restaura minha alma; guia-me por veredas da justiça por amor de SEU NOME. Ainda que eu caminhe no vale das sombras da morte (ie., em todos os lugares perigosos), nada temerei, pois TU estarás comigo; TEU bastão e TEU cajado me darão apoio e conforto(, pois eles me mostram que minha existência não está dirigida pelo acaso). TU me preparas uma mesa de delícias na presença de meus inimigos. TU unges com óleo minha cabeça, meu cálice transborda. Certamente a bondade e misericórdia me acompanharão por todos os dias de minha existência. E, por todo o sempre, habitarei na Casa de Hashém (o Bêt Hamicdásh – Templo Sagrado).

 

(▪Para de noite, os Tehilím 91, 121 e 134)

● Tehilím/Salmos 91:

(Salmo de Moshé.) Quem quer que encontre refúgio no abrigo do Altíssimo (isto é, que medite sobre o serviço de Deus e estude SUA Torá) estará sempre sob SUA proteção. Sobre Hashém declarei (e todos aprenderão de mim): “ELE é meu refúgio e minha fortaleza, meu Deus, em QUEM deposito toda a minha confiança.” Porque ELE te livrará do laço do caçador traiçoeiro e da peste que assola tenebrosamente. ELE te cobrirá com SUAS asas e sob elas encontrarás abrigo seguro; SUA Verdade (isto é, a Torá) é um escudo abrangente. (Por isso,) não temas o terror que campeia durante a noite, nem a flecha que busca seu alvo durante o dia, nem a peste que se propaga nas trevas, nem tampouco o destruidor que ataca ao meio-dia. Ainda que tombem mil ao teu lado (esquerdo) e dez mil à tua direita, tu não serás atingido (por essas pragas). Somente com teus olhos contemplarás e verás a retribuição proporcionada aos ímpios. Porque tu disseste: “Hashém é meu refúgio”, e fizeste do Altíssimo teu abrigo (isto é, e fizeste com que o Altíssimo seja seu abrigo), nenhum desastre se abaterá sobre ti e nenhuma calamidade se aproximará de tua tenda. Pois ELE encarrega SEUS anjos cuidarem de ti e de te protegerem por todos os caminhos. Tomar-te-ão nas suas mãos para que não tropece teu pé em alguma pedra. Poderás pisar sobre o leão e a víbora, sobre o filhote do leão e a serpente, sem perigo (isto é, nem animais selvagens nem cobras te prejudicarão).
“Porque ele se uniu a MIM, EU o protegerei; mantê-lo-ei a salvo, porque ME ama. Quando ME chamar, hei de responder-lhe; estarei com ele quando enfrentar atribulações; resgatá-lo-ei e farei com que seja honrado. Contemplá-lo-ei com uma longa vida e o farei ver MEU poder salvador”( – disse Hashém aos anjos celestes).

 

● Tehilím/Salmos 121:

Um cântico (de David) para ascensão. Ergo meus olhos para o alto de onde virá meu auxílio. Meu socorro vem de Hashém, O CRIADOR dos céus e da terra. ELE não permitirá que resvale teu pé, pois jamais se omite AQUELE que te guarda. O Guardião de Israel jamais descuida, jamais dorme. Hashém é TUA proteção. Como uma sombra, te acompanha a SUA Destra. De dia não te molestará o (calor do) sol e nem (te molestará a friagem d)a lua à noite. Hashém te guardará de todo mal; ELE preservará tua alma. Estarás sob a proteção de Hashém ao saires e ao voltares, desde agora e para todo o sempre.

 

● Tehilím/Salmos 134:

Cântico de ascensão. (Por David.) Bendizei a Hashém, todos vós, servos de Hashém, que estais na Casa de Hashém (o Bêt Hamicdásh – Templo Sagrado) à noite (para louvá-LO). Ergam suas mãos em santidade e bendizei a Hashém. E que de Tsión vos abençoe Hashém, que criou os céus e a terra.

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→ “Nosso PAI, nosso REI”, para de manhã

(Extraída do Sidúr)

 

Nosso PAI, nosso REI, TU és nosso PAI. Nosso PAI, nosso REI, não temos REI, a não ser TU. Nosso PAI, nosso REI, tem piedade de nós. Nosso PAI, nosso REI, mostra-nos TUA graça e responde-nos, pois não há em nós atos meritórios; pelo TEU grande NOME, faz conosco caridade e bondade e salva-nos.

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→ “Nosso PAI, nosso REI”, para de tarde

(Extraída do Sidúr)

 

Nosso PAI, nosso REI, TU és nosso PAI. Nosso PAI, nosso REI, não temos REI, a não ser TU. Nosso PAI, nosso REI, tem piedade de nós. Nosso PAI, nosso REI, mostra-nos TUA graça e responde-nos, pois não há em nós atos meritórios; pelo TEU grande NOME, faz conosco caridade e bondade e salva-nos. Ouve nossa voz, Hashém, nosso Deus; misericordioso PAI, tem compaixão de nós e aceita nossas preces com misericórdia e favor, pois TU és Deus que ouve as preces e as súplicas; não nos faças voltar de TI com as mãos vazias, nosso REI, pois TU escutas a prece de todos. Bendito és TU, Hashém, que ouve a prece.

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→ Malê Mish’alotai Letová

(Extraída do Sidúr)

 

Soberano do mundo, realiza meus pedidos para o bem, satisfaz meu desejo, e concede minha solicitação, recorda-me favoravelmente diante de TI e tem-me presente para salvação e misericórdia. Recorda-me para uma vida longa, para uma vida boa e pacífica, bom sustento e meios de subsistência, alimento para comer e roupas para vestir, riqueza, honra e longevidade (na qual esteja ocupado) com TUA Palavra, A Torá, e com Tuas Mitsvót, e inteligência e entendimento para perceber e compreender as profundezas de TEUS mistérios. Concede cura total a todas as nossas dores, e abençoa toda a obra de nossas mãos. Promulga sobre nós decretos favoráveis, salvações e consolos; anula todos os decretos severos e malignos contra nós; e direciona o coração do governo, seus conselheiros e ministros, favoravelmente em relação a nós. Assim seja a TUA vontade.

Que seja a TUA vontade prolongar nossa vida em bem-estar. Que eu seja contado entre os justos, para que TU tenhas piedade de mim e me protejas, assim como tudo o que me pertence e a TEU povo Israel; és TU QUEM alimenta e sustenta a todos. És TU QUEM governa tudo; és TU QUEM governa reis, e é TUA A Soberania. Eu sou o servo do Santo, bendito seja, diante de QUEM e diante de cuja gloriosa Torá (Ensinamentos) eu me prostro a todo o momento. Eu não deposito minha confiança no ser humano, nem tampouco me apóio em um ser criado (anjo, espírito), mas somente em Deus que está no mais elevado céu dos céus (isto é, que se encontra além – muito acima – até mesmo das criaturas celestiais mais elevadas), Hashém, que é O Verdadeiro Deus, cuja Torá é A Verdade e cujos profetas são Profetas da Verdade, e que realiza numerosos atos de bondade e verdade. NELE eu deposito minha confiança, e a SEU Santo e Glorioso NOME pronuncio louvores. Que seja a TUA vontade cumprir os desejos do meu coração e dos corações de todo TEU povo Israel para o bem, para a vida e para a paz. Que ELE ajude, proteja e salve a todos que confiam NELE.

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→ Barúch Sheamár

(Extraída do Sidúr)

 

Bendito é AQUELE que falou e o mundo surgiu; bendito é ELE; bendito é AQUELE que diz e faz; bendito é AQUELE que decreta e cumpre; bendito é AQUELE que cria (mantém) o universo; bendito é AQUELE que SE compadece da terra; bendito é AQUELE que SE compadece das criaturas; bendito é AQUELE que recompensa com abundância àqueles que O temem; bendito é AQUELE que vive para sempre e existe eternamente; bendito é AQUELE que redime e salva. Bendito seja O SEU NOME. Bendito és TU, Hashém, nosso Deus, Rei do universo, Deus benevolente, PAI misericordioso, que é louvado pela boca de SEU povo Israel, exaltado e glorificado pela língua de SEUS devotos e SEUS servos e pelos Salmos de David, TEU servo. Nós TE enalteceremos, Hashém, nosso Deus, com louvores e cânticos; TE exaltaremos, louvaremos e glorificaremos, TE proclamaremos REI, e mencionaremos TEU NOME, nosso REI, nosso Deus. TU és O ÚNICO – A VIDA de todos os mundos, ó REI; louvado e glorificado é SEU grande NOME para todo sempre. Bendito és TU, Hashém, REI enaltecido com louvores.

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→ Aceitação Verbal da Unidade e Majestade de Deus

 

(Oração composta pelo Rav Dr. Jacob Immanuel Schochet – Chabad)

 

Deus Todopoderoso, aceitamos o que está escrito em TUA Palavra, A Torá: “E saberás hoje, e considerarás no teu coração, que Hashém – ELE é O Deus, em cima nos céus e embaixo na terra; não há nenhum outro.”(*) Aceitamos os preceitos de: “Amarás a Hashém, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda as tuas posses”(◆); e “a Teu Deus, temerás, a ELE servirás e (somente) pelo SEU NOME jurarás”(□); e “teme a Deus e guarda SEUS mandamentos, pois nisto consiste todo o dever do homem.”(▲

* Devarím/Deuteronômio 4:39
◆ Devarím/Deuteronômio 6:5
□ Devarím/Deuteronômio 6:13
▲ Kohélet/Eclesiastes 12:13)

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→ Alênu

(Extraída do Sidúr)

 

É nosso dever louvar ao SENHOR de tudo, atribuir grandeza ao CRIADOR de toda existência; que não nos tem feito como as outras pessoas das nações, nem nos tem causado ser iguais às outras famílias da terra; que não tem determinado nossa porção como a deles, nem nosso quinhão como aquele das suas multidões, pois eles se prostram à futilidade e à nulidade. Mas nós nos curvamos, nos ajoelhamos e oferecemos louvores diante do SUPREMO REI dos Reis, O SANTO, bendito seja, que expande os céus e estabelece a terra, cujo assento de glória está nos céus acima e cuja majestosa moradia encontra-se nas alturas sublimes. ELE é nosso Deus; não há nenhum outro. Em verdade, ELE é nosso REI, nada há além DELE, como está escrito em SUA Torá [em Devarím/Deuteronômio 4:39]: “Saiba, pois, este dia e leve ao teu coração, que Hashém é Deus; nos céus acima e sobre a terra abaixo, não há nenhum outro.”

TU tens TE mostrado para que se saiba que Hashém é O Deus; não há mais nada além DELE. Ouve, Israel, Hashém é nosso Deus, Hashém é Um Só. Pois os céus e o céu dos céus pertencem a Hashém, seu Deus, a terra e tudo que ela contém. Pois Hashém seu Deus é o Deus dos seres superiores e o SENHOR das hostes celestiais, o grande, o poderoso e o reverencialmente temido Deus, que não favorece nem aceita suborno. Quando proclamo o NOME de Hashém, atribuam grandeza ao nosso Deus. Que o NOME de Hashém seja abençoado desde agora para toda a eternidade.

E portanto nós aspiramos a TI, Hashém, nosso Deus, ver em breve o esplendor do TEU poder, para banir idolatria da terra – e os deuses falsos serão totalmente destruídos; para aperfeiçoar o mundo sob a soberania do Todopoderoso. Toda a humanidade invocará o TEU NOME, e retornarão a TI todos os ímpios da terra. Então todos os habitantes do mundo reconhecerão e saberão que diante de TI deve ajoelhar-se todo joelho, e toda língua deve jurar (por TEU NOME). Perante TI, Hashém, nosso Deus, eles curvar-se-ão e prostrar-se-ão e darão honra à glória do TEU NOME; e todos assumirão sobre si o jugo do TEU reinado. Que em breve TU reines sobre eles, para todo o sempre, pois a realeza é TUA e por toda a eternidade TU reinarás gloriosamente, conforme está escrito na TUA Torá [em Shemót/Êxodo 15:18]: “Hashém reinará para sempre.”

E está dito [em Bamidbár/Números 23:21]: “ELE não olha a iniquidade em Yaacóv nem vê a perversidade em Israel: Hashém seu Deus está com ele e o amor do REI está nele.” E está dito [em Devarím/Deuteronômio 33:5]: “E Hashém foi REI em Yeshurún (Israel), quando os chefes do povo se reuniram, as tribos de Israel foram unidas.” E em TUAS sagradas Escrituras está escrito assim [em Tehilím/Salmos 22:29]: “Pois a soberania é só de Hashém, e ELE governa sobre todas as nações.” E está dito [em Tehilím/Salmos 93:1]: “Hashém é REI; ELE vestiu-SE de majestade; sim, Hashém vestiu-SE, cingiu-SE de força e majestade; também estabeleceu o mundo firmemente para que este não vacile.” E está dito [em Tehilím/Salmos 24:7-10]: “Ergam, portões, seus batentes, e sejam erguidas, eternas portas, para que o glorioso REI possa entrar. Quem é o glorioso REI? Hashém, forte e poderoso; Hashém, poderoso na batalha. Ergam, portões, seus batentes; ergam-nas, eternas portas, para que o glorioso REI possa entrar. Quem é o glorioso REI? Hashém das hostes, ELE é o glorioso REI por toda a eternidade.”

E por TEUS servos, os Profetas, está escrito o seguinte [em Yeshayáhu/Isaías 44:6]: “Assim disse Hashém, o REI de Israel e seu Redentor, Hashém das hostes: EU sou o primeiro e EU sou o último, e além de MIM não há Deus.” E está dito [em Ovadiá/Obadias 1:21]: “Salvadores subirão ao Monte Tsión para julgar o monte de Essáv, e de Hashém será o reinado.” E está dito [em Zechariá/Zacarias 14:9]: “Hashém será REI sobre toda a terra; nesse dia Hashém será Um e o SEU NOME Um.” E em TUA Torá está escrito assim [em Devarím/Deuteronômio 6:4]: “Ouve Israel, Hashém é nosso Deus, Hashém é Um Só.”

Nosso Deus, reina sobre o mundo inteiro em TUA glória, sê exaltado sobre toda a terra em TEU esplendor, e revela-TE na majestade de TEU glorioso poder sobre todos os habitantes de TEU mundo terrestre. Que tudo o que foi feito saiba que TU o fizeste; tudo o que foi criado compreenda que TU o criaste; e declare todo aquele que possua alento (de vida) em suas narinas que Hashém, Deus de Israel, é REI, e SEU reinado tem domínio sobre tudo. Purifica nosso coração para servir-TE com sinceridade, pois TU és o verdadeiro Deus, e TUA palavra, nosso REI, é verdadeira e perdura para sempre.

Decerto, os justos exaltarão TEU NOME; os corretos residirão na TUA presença.

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→ Ên k’Elohênu

(Extraída do Sidúr)

 

Confia em Hashém, sê forte e encoraja teu coração, e confia em Hashém. Ninguém é santo como Hashém, pois não há ninguém além de TI; nem há ninguém tão poderoso como nosso Deus. Pois quem é Deus, a não ser Hashém, e quem é poderoso além do nosso Deus?

Não há [ninguém] como o nosso Deus; não há [ninguém] como o nosso Senhor; não há [ninguém] como o nosso Rei; não há [ninguém] como o nosso Salvador. Quem é como o nosso Deus? Quem é como o nosso Senhor? Quem é como o nosso Rei? Quem é como o nosso Salvador? (Reconheçamos e) agradeçamos ao nosso Deus; (reconheçamos e) agradeçamos ao nosso Senhor; (reconheçamos e) agradeçamos ao nosso Rei; (reconheçamos e) agradeçamos ao nosso Salvador. Bendito é o nosso Deus; bendito é o nosso Senhor; bendito é o nosso Rei; bendito é o nosso Salvador. TU és o nosso Deus; TU és o nosso Senhor; TU és o nosso Rei; TU és o nosso Salvador; TU nos salvarás. TU TE levantarás e terás piedade de Tsión, pois é hora de ser misericordioso com ela; chegou a hora estabelecida.

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→ Oração pela Paz

(Extraída do Sidúr)

 

Concede a paz, bondade e bênção, vida, graça, benevolência e misericórdia, sobre nós Bnei Nôach e sobre todo TEU povo Israel. Abençoa-nos, nosso PAI, a todos nós como um, com a luz do TEU semblante. Pois com a luz do TEU semblante nos deste, Hashém, nosso Deus, a Torá e as Sete Mitsvót, vida, amor, bondade, retidão, misericórdia, bênção e paz. E que todos os seres vivos TE agradeçam para sempre e louvem TEU grande NOME eternamente, pois TU és bom. Deus, TU és nossa salvação e ajuda perpétua, ó Deus benevolente. Bendito és TU, Hashém, “[Deus] Benéfico” é TEU NOME e a TI é adequado agradecer. “Hashém orientará as causas entre as nações e ensinará aos povos poderosos que eles deverão transformar suas espadas em arados e suas lanças em foices, para que nenhum povo erga contra outro sua espada, e que eles não mais aprendam a guerrear.”(*) Bendito és TU, Hashém, que abençoa a humanidade com a paz.

(* Yeshayáhu/Isaías 2:4)

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→ Oração pelos Pais

Que O DEUS que abençoou a Nôach e sua família, abençoe a meu pai (nome) e a minha mãe (nome). Que o Rei do universo conceda a eles uma vida longa, paz, amplo sustento, ajuda celestial, saúde corporal, riqueza e honra com amor pela TUA Palavra, A Torá, e as Sete Mitsvót. Que seja a TUA vontade cumprir os desejos dos seus corações, porque eles são os pilares do nosso lar.

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→ Bênção do(s) e Oração pelo(s) Filho(s)

 

(Na bênção, normalmente o pai (ou o pai e a mãe) coloca uma mão, a direita, sobre a cabeça de seu(s) filho(s) enquanto recita o seguinte.)

 

Que Hashém te abençoe e te guarde. Que Hashém faça resplandecer SEU semblante sobre ti e seja gracioso contigo. Que Hashém volte SEU semblante para ti e te conceda paz. Que o/a (nome do/a filho/a) ande com Hashém entre os justos das nações agora e para sempre.

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→ Oração por uma pessoa enferma

Nas mãos de Hashém estão a força e o poder para curar todas as doenças de todas as pessoas.

Que AQUELE que abençoou a nosso pai Nôach e a sua família, cure a pessoa enferma (menciona-se seu nome) filho/a de (menciona-se o nome de sua mãe). Que o Santo, bendito seja, apiede-SE dele/a para restabelecer sua saúde e o/a cure, o/a fortaleça e lhe dê vigor. E que ELE SE apresse a enviar-lhe uma total recuperação a todas as partes de seu corpo e veias – entre as demais pessoas enfermas da humanidade e do TEU Povo Israel – cura de espírito e cura do corpo.

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→ Oração por um recém-nascido noaíta

Que AQUELE que abençoou a Nôach e a sua família, abençoe a mulher que deu à luz (menciona-se o nome dela), junto com o/a filho/a dela que acaba de nascer (menciona-se o nome do/a recém-nascido/a). Que criem-no/a para A TUA Palavra, A Torá, e as Sete Mitsvót, o matrimônio e as boas ações.

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→ A Oração Devota ou A Oração de Devoção dos Noaítas

(Nome alternativo: “Amidá” Noaítica)

 

(Contendo a base do modelo fornecido pelo Rav Dr. Jacob Immanuel Schochet, do Chabad)

 

“Hashém, abre meus lábios e minha boca dirá o TEU louvor.”(*

* Tehilím/Salmos 51:17)

Bendito és TU, Hashém, nosso Deus, Criador dos céus e da terra, que outorga generosas bondades. “Agradeçam a Hashém, pois ELE é bom, pois SUA bondade é eterna. Que o Povo de Israel declare que SUA bondade é eterna. (…) Que aqueles que temem Hashém declarem que SUA bondade é eterna. Na angústia eu clamei a Hashém e Hashém me ouviu e me livrou das dificuldades. Hashém está comigo, por isso nada temerei; o que me pode fazer o ser humano? Hashém está comigo através daqueles que me ajudam, por isso posso enfrentar meus adversários. É melhor contar com Hashém do que confiar nos seres humanos. É melhor contar com Hashém do que confiar nos nobres. Hashém é minha força e meu cântico e ELE tem sido uma ajuda para mim. Quero agradecer-TE porque TU me escutaste, e TU tens sido minha salvação. Agradeçam a Hashém, pois ELE é bom, pois SUA bondade é eterna.”(*

* Tehilím/Salmos 118:1-9, 14, 21, 29)

Concede-nos, graciosamente, de TI, sabedoria, compreensão e conhecimento. Nosso PAI, misericordioso PAI, que é compassivo, tem piedade de nós, e põe em nosso coração entendimento para compreender e discernir, para perceber, para aprender e ensinar, para cuidar, para praticar e cumprir todos os ensinamentos de TUA Palavra, A Torá, com amor. Tua Torá é A Verdade.

Nosso Deus, não somos tão atrevidos para declarar diante de TI, Hashém nosso Deus, que somos retos e não pecamos. Realmente, nós pecamos. Nós pecamos, nossa ROCHA; perdoa-nos, nosso CRIADOR. Perdoa nossas iniquidades e nossos pecados. TU reconheces os pecados deliberados ou inadvertidos, a (transgressão) voluntária ou por compulsão, abertamente ou em segredo – diante de TI são reveladas e conhecidas. TU conheces todas as coisas ocultas e reveladas. TU conheces os segredos ocultos de todo ser vivo. TU exploras todos os (nossos) pensamentos mais íntimos e sondas (nossa) mente e coração; nada se oculta de TI, nada se esconde de TUA vista. Perdoa-nos, nosso PAI, pois pecamos; desculpa-nos, nosso REI, pois transgredimos. Nosso Deus, apaga e remove nossas transgressões e pecados da frente de TEUS olhos, como está escrito [em Yeshayáhu/Isaías 43:25]: “EU, somente EU, sou AQUELE que apaga tuas transgressões, por MIM; teus pecados não recordarei.”

“Abençoa a Hashém (pois) ELE é QUEM perdoa todas as tuas transgressões e QUEM cura todas as tuas doenças” [Tehilím/Salmos 103:1-3]. “EU, Hashém, faço morrer e faço viver; EU firo e EU saro” [Devarím/Deuteronômio 32:39]. ‘Cura-nos, Hashém, e seremos curados, salva-nos e seremos salvos; pois TU és nosso louvor e nossa glória.’(*) Concede cura e remédio total a todas as nossas doenças, todas as nossas dores e todas as nossas feridas, pois TU, REI Todopoderoso, és AQUELE que cura, fidedigno e misericordioso.

(* Alusão à Yirmiyáhu/Jeremias 17:14)

Nosso Deus, nosso PAI, nosso PASTOR, nutre-nos, sustenta-nos, alimenta-nos e provê-nos com abundância. Hashém, nosso Deus, por favor não nos faças depender das dádivas dos mortais ou dos seus empréstimos, e sim somente de TUA mão. Que O MISERICORDIOSO providencie nosso sustento com honra.

Bendito és TU, Hashém, nosso Deus, Rei do universo, Deus benevolente, nosso PAI, nosso REI, nossa FORÇA, nosso CRIADOR, nosso REDENTOR, nosso FAZEDOR, nosso SAGRADO, nosso PASTOR, o REI que é bondoso e faz o bem a todos, dia a dia. ELE nos fez o bem, ELE nos faz o bem, ELE nos fará o bem; ELE nos concedeu, nos concede e nos concederá sempre graça, bondade, misericórdia, alívio, salvação e êxito, bênção, redenção, consolo, subsistência e sustento, compaixão, vida, paz e todo bem; e que ELE nunca nos faça carecer de nenhum bem.

TU és Hashém Deus no céu e na terra, e no mais elevado céu dos céus. Na verdade, TU és o primeiro e TU és o último, e além de TI não há Deus. Que toda a humanidade reconheça e saiba que somente TU és Deus sobre todos os reinos da terra. TU fizeste os céus, a terra, o mar e tudo o que há neles. Quem, dentre todas as obras de TUAS mãos, celestiais ou terrestres, pode TE dizer “O que TU estás fazendo? O que TU estás realizando?” Realiza, Hashém, nosso Deus, breve em nossos dias, o que TU asseguraste através de TEUS Profetas, como foi dito [em Zechariá/Zacarias 14:9]: “Hashém será REI sobre toda a terra; nesse dia Hashém será Um e o SEU NOME Um”; e como foi dito [em Tsefaniá/Sofonias 3:9]: “Farei então com que os povos voltem a conhecer uma língua pura, com a qual todos possam invocar (do mesmo modo) o NOME de Hashém, para servi-LO com seus sentimentos unidos”; e como foi dito [por Yeshayáhu ben Amóts – em Yeshayáhu/Isaías 2:1-3, 17-18 –] ‘a respeito de Yehudá e Yerushaláyim: E ocorrerá nos dias derradeiros (acharít hayamím), que ao Monte da Casa de Hashém afluirão todos os povos. E a ele grandes nações chegarão e dirão: ‘Vinde e ascenderemos à montanha de Hashém, (ao Bêt Hamicdásh – a) Casa do Deus de Yaacóv! ELE nos ensinará SEUS Caminhos e por eles seguiremos, pois de Tsión virá o ensinamento da Torá e de Yerushaláyim a Palavra de Hashém!’ Neste dia somente Hashém será exaltado. Os deuses falsos serão totalmente destruídos’; e como foi dito [em Yeshayáhu/Isaías 11:9]: “Não causarão dano e nada destruirão em Meu santo Monte, porque a terra estará repleta do conhecimento de Hashém, como as águas cobrem o mar.” Através de todas as gerações proclamem o reinado de Deus, pois somente ELE é exaltado e santo. E assim o TEU NOME, Hashém Nosso Deus, será santificado sobre Israel, TEU povo, sobre Yerushaláyim, TUA cidade, sobre Tsión, a morada de TUA glória, sobre o reinado da casa de David, TEU ungido, e sobre TUA morada e TEU santuário.

Ouve nossa voz, Hashém nosso Deus, tem piedade e compaixão de nós, e aceita nossa prece com misericórdia e favor, pois TU escutas as preces de todos. A glória de Hashém será revelada e todas as criaturas juntamente a verão, pois assim o determinou Hashém.(*) Ó OUVINTE de prece, a TI toda carne virá (para rezar).(**

* Yeshayáhu/Isaías 40:5;
** Tehilím/Salmos 65:3)

Reconhecemos com gratidão que TU és Hashém, nosso Deus, Deus de toda carne, nosso Criador e Criador de toda existência. Nós oferecemos bênçãos e graças ao TEU grande e santo NOME, pois TU nos deste vida e nos sustentaste; que TU continues a conceder-nos vida e a nos sustentar. Nós TE agradecemos, Hashém, nosso Deus, pela vida, graça e bondade que nos concedeste graciosamente e pelo alimento com o qual nos nutre e sustenta todo dia, a todo momento e a toda hora. Bendito é Deus, que é digno de agradecimentos.

“A TI, Hashém, virão as nações desde as extremidades da terra e dirão: ‘Nossos pais herdaram somente mentiras e coisas vãs em que não há proveito.’” [Yirmiyáhu/Jeremias 16:19] “Assim disse Hashém das hostes: Naqueles dias, dez homens de diferentes línguas e de todas as nações segurarão a orla das vestes do judeu, dizendo: ‘Iremos contigo, porque sabemos que Deus está contigo!’” [Zechariá/Zacarias 8:20-23] E assim, Hashém nosso Deus, impõe medo a TI sobre tudo que TU fizeste, e temor a TI sobre tudo que TU criaste; e (então) todas as obras TE reverenciarão, todos os seres criados se prostrarão diante de TI, e todos eles formarão uma única união para cumprir TUA vontade com um coração perfeito. Pois sabemos, Hashém nosso Deus, que o domínio é TEU, a força está em TUA mão (esquerda), o poder em TUA destra, e TEU NOME é reverenciado sobre tudo que TU criaste.

TU és Criador de tudo, A VIDA de todos os mundos, Deus de todas as coisas criadas, Senhor de todos os acontecimentos. Somente a TI damos graças. Hashém nosso Deus, TU és AQUELE que reinarás único sobre todas as TUAS obras, no Monte Tsión, a morada de TUA glória, em Yerushaláyim, TUA cidade santa, como está escrito em TUAS sagradas Escrituras [em Tehilím/Salmos 146:10]: “Reina Hashém para sempre; teu Deus, Tsión, através de todas as gerações! Louvem a Hashém!”

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→ VEHÚ – ELE, O MISERICORDIOSO, perdoa a iniquidade e não destrói. Frequentemente ELE retém SUA ira, não despertando toda a SUA raiva.(*) Que TU, Hashém, não retires TUA misericórdia de mim; que TUA bondade e fidelidade sempre me protejam.(**) Lembra-TE de TUAS misericórdias e de TUAS bondades, Hashém, pois elas têm existido por todo tempo.(◇) A salvação provém de Hashém; que TUA bênção esteja sobre TEU povo (Israel) para sempre.(◇◇) Hashém das hostes está conosco, O Deus de (Nôach e) Yaacóv é nossa eterna fortaleza.(¤) Hashém das hostes, feliz é o homem que confia somente em TI. (¤¤) Hashém, salva-nos! Que O REI nos responda no dia em que clamarmos.(□) Salva TEU povo (Israel) e abençoa TEU patrimônio; zela por eles e exalta-os para sempre.(□□) Mostra-nos TUA benevolência, ó Hashém, e concede-nos TUA (imediata) salvação.(▲) Levanta-TE, ajuda-nos, e redime-nos por TUA bondade.(▲▲

* Tehilím/Salmos 78:38;
** Tehilím/Salmos 40:12;
◇ Tehilím/Salmos 25:6;
◇◇ Tehilím/Salmos 3:9;
¤ Tehilím/Salmos 46:8;
¤¤ Tehilím/Salmos 84:13;
□ Tehilím/Salmos 20:10;
□□ Tehilím/Salmos 28:9;
▲ Tehilím/Salmos 85:8;
▲▲ Tehilím/Salmos 44:27)

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→ Shemá (noaítica)

 

(Na oração “Shemá Yisrael” está proibido aos noaítas substituir “Israel” por “Nôach” (“Noé”).)

 

(O Rav Chaim Yosef David Azulai – Rav Azulai ou Chida – orienta que o Shemá seja recitado todos os dias por duas vezes, uma de manhã após levantar-se e a outra de noite antes de deitar-se para dormir.)

 

SHEMÁ YISRAEL, HASHÉM ELOHÊNU, HASHÉM ECHÁD.

OUVE ISRAEL, HASHÉM É NOSSO DEUS, HASHÉM É UM SÓ.

(Recite em voz baixa: )
Bendito seja o Nome da glória de SEU reinado para todo o sempre.

E amarás a Hashém, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda as tuas posses. E estas palavras que EU te ordeno hoje estarão sobre o teu coração, e as inculcarás a teus filhos, e delas falarás sentado em tua casa e andando pelo caminho, ao deitar-te e ao levantar-te.(*

* Devarím/Deuteronômio 6:4-7)

E Hashém Deus ordenou ao homem, dizendo: “De toda árvore do jardim podes comer.”(*

* Bereshít/Gênesis 2:16)

Porém, a carne com sua alma estando com vida e seu sangue, não comereis.(*

* Bereshít/Gênesis 9:4)

A Torá de Hashém é completa, dando respostas para a alma sedenta; somente o testemunho de Hashém é eternamente confiável, dando conhecimento aos mais simples. Os preceitos de Hashém são justos, dando alegria ao coração; as mitsvót de Hashém são claras, iluminando os olhos. O temor de Hashém é puro e, portanto, dura para a eternidade; os julgamentos de Hashém são verdadeiros, inteiramente justos. São mais desejáveis do que o ouro e outros ornamentos, mais doces que o mel que se forma nos favos. TEU servo se esmera em cumpri-los e sei que guardá-los é o grande caminho da vida! Mas quem consegue discernir seus próprios erros? Purifica-me das faltas involuntárias que não percebo. Preserva-me também dos pecados conscientes, para que não me dominem; serei então plenamente íntegro e estarei inocente de grandes transgressões. Possam as palavras de minha boca e a prece de meu coração serem aceitas por TI, ó Hashém, minha Rocha e meu Redentor.(*

* Tehilím/Salmos 19:8-15)

Bendito sejas TU, ó Hashém, que me ensinas TEUS Preceitos. Concede-me discernimento e sabedoria, pois creio plenamente em TEUS Mandamentos. Antes de estudar TUA Torá, eu andava em erro, mas agora TUA Palavra tenho guardado. TUA Palavra (A Torá) é uma lâmpada para os meus pés e uma luz para o meu caminho. Rejeitas os que de TEUS Ensinamentos se afastam, porque vivem em mentira e falsidade. TU és meu Deus e eu TE exaltarei; meu Deus és TU e sempre TE louvarei.(*

* Tehilím/Salmos 119:12, 66-67, 105, 118; 118:28)

Louvai a Hashém, ó vós, todas as nações! Louvado seja ELE por todos os povos! Porque imensa é SUA constante bondade para conosco, e para sempre durará SUA fidelidade. Louvem a Hashém!(*

* Tehilím/Salmos 117)

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→ Os Treze Princípios da Torá
(Shelosh-Esrê Icarim leHatorá)

 

Eu creio com plena fé nos treze princípios da Torá

1. Eu creio com plena fé que O INFINITO-CRIADOR (Hashém) é O CRIADOR de toda a existência, física e espiritual. ELE é O SOBERANO de todas as coisas terrenas e celestiais. Apenas ELE fez, faz e fará tudo.

2. Eu creio com plena fé que O INFINITO-CRIADOR (Hashém) é UM e ÚNICO (não-dual). Não há unicidade igual à DELE. Apenas ELE é nosso Deus; ELE sempre existiu, existe e existirá.

3. Eu creio com plena fé que O INFINITO-CRIADOR (Hashém) está em toda parte, em todos os lugares. O INFINITO-CRIADOR (Hashém) é Ein Sof (O Todo-Infinito). O INFINITO-CRIADOR (Hashém) não é fisicalidade nem espiritualidade (Deus não é um ser físico nem um ser espiritual)(*). Qualidades da fisicalidade e espiritualidade não se aplicam a Deus de forma alguma. O INFINITO-CRIADOR (Hashém) não é masculino nem feminino, não é uma pessoa e não se parece com uma pessoa. Não há absolutamente nada material ou espiritual que se assemelhe a ELE.

(* Como Hashém é O CRIADOR de tudo o que é matéria e espírito, obviamente ELE não é matéria nem espírito.)

4. Eu creio com plena fé que O INFINITO-CRIADOR (Hashém) é transcendental (incognoscível) (envolve todos os mundos) e imanente (onipresente) (preenche todos os mundos).

5. Eu creio com plena fé ser adequado orar somente ao INFINITO-CRIADOR (Hashém). Não se deve rezar a mais ninguém nem a mais nada. Somente ELE (Hashém) deve ser devotado (servido) e louvado, somente SUA grandeza proclamada e somente SUAS mitsvót obedecidas.

6. Eu creio com plena fé que O INFINITO-CRIADOR (Hashém) se comunica com o ser humano. Estes homens e mulheres são denominados profetas. Todas as palavras dos profetas (judeus) são autênticas. Um (verdadeiro) profeta não vem para iniciar uma nova religião, nem para ab-rogar, modificar ou anular qualquer uma das 613 Mitsvót da Torá.

7. Eu creio com plena fé que a profecia de Moshé Rabênu é absolutamente verdadeira. Ele foi o mais importante de todos os profetas, antes e depois dele.

8. Eu creio com plena fé que toda a Torá que temos hoje é exatamente a mesma que foi dada pelo INFINITO-CRIADOR (Hashém) a Moshé Rabênu no Monte Sinai. Não houve nenhuma alteração, adição ou subtração. Os cinco livros da Torá foram escritos pelo INFINITO-CRIADOR (Hashém) e transmitidos, letra por letra, a Moshé Rabênu.

9. Eu creio com plena fé que esta Torá não será alterada, e que nunca haverá outra Torá dada pelo INFINITO-CRIADOR (Hashém).

10. Creio com plena fé que O INFINITO-CRIADOR (Hashém) conhece todos os atos, palavras e pensamentos dos seres humanos.

11. Creio com plena fé que fui criado para servir ao INFINITO-CRIADOR (Hashém) conforme é explicado na Torá. O INFINITO-CRIADOR (Hashém) recompensa aqueles que cumprem SUAS Mitsvót e pune aqueles que transgridem SUAS Mitsvót.

12. Creio com plena fé na vinda de Mashíach. Mesmo que demore, esperarei por sua vinda a cada dia. O Mashíach (o verdadeiro messias) será um indivíduo imerso no estudo da Torá e suas Mitsvót, como David, seu ancestral. Ele irá seguir meticulosamente a Torá Escrita (Torá Shebichtav) e a Torá Oral (Torá Shebeal Pê). Ele irá conduzir os judeus de volta ao caminho do judaísmo e fortalecerá a observância da Torá e suas Mitsvót. Ele, e só ele, irá trazer toda a humanidade à observância das Mitsvót Bnei Nôach(*). Todas as nações retornarão à religião verdadeira (i.e., à Fé Original). “Ki maleá haárets deá et Hashém camáyim laiám mechassim” – “A terra estará repleta do conhecimento de Hashém (O INFINITO-CRIADOR), assim como as águas cobrem o oceano.” (Yeshayáhu/Isaías 11:9

* Mandamentos Divinos para todos os Descendentes de Noé.)

13. Creio com plena fé que os mortos serão trazidos de volta à vida(*) quando O INFINITO-CRIADOR (Hashém) quiser que isto aconteça.

(* Techyiát hametím=ressurreição dos mortos.)

Estes treze são Os Princípios, eles são a base da Religião de Deus e de SUA Torá.

Que seja a TUA vontade, Hashém, nosso Deus, submeter as nossas inclinações ao TEU serviço todos os dias de nossas vidas, sempre. Que assim seja a TUA vontade.

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→ O Credo de Noé

(Texto e Declaração Noaítica)

Sobre as Sete Leis Universais da Torá da Vida

 

Por Rav Tzvi Freeman, do Chabad.org.

Tradução: Noahidebr
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No Monte Sinai, D’us incubiu os Filhos de Israel (Bnei Yisrael) de serem “Luz para as nações”, de trazerem toda a humanidade para o reconhecimento de seu CRIADOR e para a aceitação de SUAS Leis Universais*. Durante a maior parte da história judaica, as circunstâncias não permitiram que nosso povo disseminasse esses princípios, a não ser por meios indiretos. Quando o Rebe de Lubavitch – Rav Menachem Mendel Schneerson – começou a falar sobre anunciá-los como preparação para uma nova era, ele estava revivendo uma tradição quase perdida.

Quem vive segundo essas regras, reconhecendo que elas são o que D’us quer de nós, é considerado por nossa tradição como um justo (o “gentio justo”). Essa pessoa é uma edificadora, com uma parte no mundo como ele deve ser.

O Credo de Noé é uma herança sagrada de todos os Filhos de Noé (Bnei Nôach), uma herança que cada pessoa na face da terra pode recitar todos os dias. E se um número suficiente de nós começar a dizer essas mesmas palavras todos os dias, rapidamente veremos um mundo diferente. Mais cedo do que podemos imaginar.

Aqui está o Credo de Noé, de acordo com a tradição antiga, com alguns esclarecimentos adicionais:

 

(Declaração Noaítica)

 

Eu, (…), filho (ben)/filha (bat) de Nôach,
zelante de nosso precioso Planeta Terra,
aceito sobre mim a responsabilidade pela paz e unidade em nosso mundo, como foi aceita por Adám e por Nôach, transmitida por Moshé e SEU povo através dos tempos:

1. Não vou adorar ninguém nem nenhuma outra coisa exceto O ÚNICO CRIADOR (Hashém, O D’us da Torá), que cuida das criaturas de nosso mundo, renovando o Ato da Criação em cada momento com infinita sabedoria, sendo vida para cada coisa.
Neste princípio está incluído o abendiçoar, a oração, o estudo e a meditação.

2. Não vou demonstrar falta de respeito pelo CRIADOR de maneira alguma.
Neste princípio está incluído ter respeito por qualquer ser ou coisa criada.

3. Não vou matar.
Cada ser humano, da mesma forma que Adám e Chavá, é um mundo inteiro. Salvar uma vida é salvar todo um mundo. Destruir uma vida é destruir todo um mundo. Ajudar outros a viver é um corolário desse princípio. Cada ser humano que D’us tem criado está obrigado a ajudar os necessitados.

4. Vou respeitar a instituição do matrimônio.
O matrimônio é um ato Divino. O matrimônio de um homem e uma mulher é um reflexo da Unidade de D’us e SUA criação. A desonestidade no matrimônio é um ataque a essa Unidade.

5. Não vou tomar o que não me pertence por direito.
Vou comportar-me honestamente em todas as minhas atividades. Apoiando-nos em D’us em vez de em nossa própria autossuficiência, demonstramos nossa confiança NELE como Provedor de Vida.

6. Não vou causar nenhum dano a nenhuma coisa viva.
No início de sua criação, o homem era o jardineiro no Jardim do Éden para “tomar conta dele e protegê-lo”. A princípio, o homem foi proibido de tirar a vida de qualquer animal. Após o Grande Dilúvio permitiu-se-lhe consumir carne — mas com uma advertência: Não cause sofrimentos desnecessários a qualquer criatura.

7. Vou defender tribunais de verdade e justiça em meu país.
A justiça é assunto de D’us, mas nos é dada a incumbência de estabelecer as leis necessárias e fazer cumpri-las sempre que pudermos. Quando corrigimos os erros da sociedade, estamos agindo como parceiros no ato de sustentar a criação.

Que as nações convertam suas espadas em arados.
Que o lobo habite com o cordeiro.
Que a terra se encha da sabedoria Divina, como as águas cobrem o mar.
E que tudo isso seja em breve, durante a vida de todos nós, mais cedo do que imaginamos.

 

(Fim da Declaração)

 

O caminho dos Bnei Nôach está integralmente ligado ao povo judeu, mas nós judeus não queremos criar uma nova religião. Tampouco queremos que os Bnei Nôach estejam imitando as práticas que são específicas para o povo judeu.

 

Por Rav Tzvi Freeman, do Chabad.org.

 

* “Com respeito aos Mandamentos de D’us, toda a humanidade está dividida em dois grupos: os Filhos de Israel (Bnei Yisrael) e os Filhos de Noé (Bnei Nôach).

Os Filhos de Israel são os judeus, os descendentes de Abrahão, Isaac e Jacob. Eles têm o dever de cumprir com os 613 Mandamentos da Torá (Mitsvót).

Os Filhos de Noé [são as nações do mundo]. Eles têm o dever de cumprir as Sete Leis Universais, também conhecidas como as Sete Leis dos Filhos de Noé ou as Sete Leis Noaíticas:
não venerar ídolos, não maldizer D’us, não assassinar, não roubar, não envolver-se em imoralidade sexual, não comer o membro de um animal vivo e estabelecer tribunais de justiça que fortaleçam estas leis.

Homens e mulheres são iguais em sua responsabilidade por observar os Sete Mandamentos.

As Sagradas Escrituras (Tanách) chamam aquele que aceita o jugo do cumprimento cabal das Sete Leis Universais um guer tosháv.

Se um Noaíta quer assumir a plena responsabilidade da Torá e dos 613 Mandamentos, ele ou ela pode optar pela conversão e então tornar-se judeu em todos os aspectos. Aquele que opta por este caminho é conhecido (no Tanách) como um guer tsédec.”

— The Path of the Righteous Gentile (“O Caminho do Gentio Justo”), Rav Chaim Clorfene e Rav Yakov Rogalsky;

— Jabad.com (texto transcrito também no site do Chabad).

 

Traduzido do inglês e do espanhol por Noahidebr/Bnei Noach do Brasil © Noahidebr 2015-2018

 

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→ Com relação a leitura dos Tehilím (Salmos), o Tsemach Tsédec (Rabino Menachem M.), o terceiro Rebe de Chabad, disse:

“Se vocês conhecessem o poder dos versículos dos Salmos e seus efeitos nas mais supremas alturas (espirituais), usariam TODOS OS MOMENTOS POSSÍVEIS RECITANDO-OS. Saibam, então, que os capítulos dos Salmos rompem todas as barreiras e elevam mais alto aqueles que costumam recitá-los para, sem interferência, prostrarem-se diante do SENHOR de todos, e realizar o desejado efeito com benevolência e misericórdia.”

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→ Tehilím/Salmos 128

(Salmo de David.) Cântico de ascensão. Feliz é todo aquele que teme Hashém, que anda nos SEUS caminhos. O trabalho de suas mãos proverá seu sustento, feliz será e tudo lhe correrá bem. Sua esposa será como uma videira frutífera em seu lar; seus filhos serão como ramos de oliveira em volta de sua mesa. Eis que assim será abençoado o homem que teme Hashém. (E lhe dirão:) Que de Tsión te abençoe Hashém e que tu possas contemplar (e se alegrar com) a prosperidade de Yerushaláyim por todos os dias de tua vida. E que tu alcances a felicidade dos filhos de teus filhos e a paz sobre Israel.

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→ Tehilím/Salmos 96

(Salmo de Moshé.) Cantai a Hashém uma nova canção (nova porque, na era messiânica, o mundo inteiro reconhecerá e servirá Hashém), cantai a Hashém toda a terra. Cantai a Hashém, bendizei SEU NOME, proclamai dia a dia a salvação que DELE provém. Que (nós judeus) relatemos SUA glória entre as nações e SEUS feitos maravilhosos entre todos os povos, porque Hashém é grande e digno dos mais altos louvores. ELE é temível acima de todos os poderes (ie., acima de todas as SUAS criações celestes – tanto os astros quanto os anjos celestiais), pois todos os “deuses” das nações são literalmente nada, enquanto Hashém é O CRIADOR dos céus (universo). A honra e a majestade estão diante DELE; glória e beleza resplandecem de SEU Santuário. Rendei a Hashém, ó famílias dos povos, rendei a Hashém honra e majestade. Rendei a Hashém a honra devida ao SEU NOME; vinde a SEUS átrios (do Bêt Hamicdásh – Templo Sagrado) portando oferendas. Prostrai-vos ante Hashém em SUA Sagrada Morada; tremam diante DELE todos na terra. Proclamai entre as nações: “Hashém reina!” ELE firmou o mundo de forma a não ser abalado. ELE julgará os povos com equidade. Os céus se alegrarão e a terra se regozijará, bramará o mar em toda a sua plenitude. Os campos com tudo que neles há exultarão, e todas as árvores da floresta cantarão em júbilo diante de Hashém, pois eis que ELE vem para julgar a terra. ELE julgará o mundo com SUA justiça, e os povos com a SUA verdade.

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→ Tehilím/Salmos 1

Feliz é o homem que não segue os conselhos dos ímpios, não trilha o caminho dos pecadores e nem participa da reunião dos insolentes; mas, ao contrário, se volta para a Torá de Hashém, SUA Palavra, e, dia e noite, A estuda. Ele será como a árvore plantada junto ao riacho que produz seu fruto na estação apropriada e cujas folhagens nunca secam; e tudo o que ele faz prosperará. Mas não os ímpios! Eles são como o feno que o vento espalha. Nem eles prevalecerão em julgamentos, nem os pecadores na assembléia dos justos; pois Hashém favorece o caminho dos justos, enquanto o dos ímpios os conduz à sua ruína.

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→ Tehilím/Salmos 103

(Um Salmo.) Por David. Ó minha alma, abençoa Hashém; e todo o meu ser abençoa SEU Santo NOME. Sim, abençoa Hashém, ó minha alma, e não te esqueças de todas as SUAS generosidades. ELE (SOZINHO) é QUEM perdoa todos os teus pecados e QUEM cura todas as tuas doenças. ELE (SOZINHO) é QUEM(, na Ressurreição dos mortos,) redime a tua vida do túmulo e QUEM(, então,) te coroa (envolve) com amor e misericórdia constantes. (Nesse Tempo Vindouro) ELE é QUEM te satisfaz com coisas boas na plenitude da vida, de modo que a tua juventude se renova como a plumagem da águia. (Com essas maravilhas,) Hashém faz a justiça e restabelece a honra de todos os oprimidos. ELE fez conhecidos SEUS caminhos (atributos) a Moshé, e SUAS realizações aos Bnei Israel. MISERICORDIOSO e CLEMENTE é Hashém; Lento em irar-SE e Abundantemente BENEVOLENTE. ELE não contende (com os pecadores) continuamente e nem fica com raiva o tempo todo. ELE não nos tratou de acordo com os nossos pecados, nem nos retribuiu de acordo com as nossas iniquidades. Pois tão alto como está o céu acima da terra, assim SUA benevolência tem se intensificado para aqueles que O temem. Tão distante quanto o Leste do Oeste, assim ELE tem distanciado nossas transgressões de nós. Como um pai tem compaixão de seus filhos, assim Hashém tem misericórdia daqueles que O temem. Pois ELE conhece nosso instinto, ELE lembra que do pó fomos feitos (isto é, ELE sabe que não podemos nos desligar completamente do nosso materialismo. E ELE sabe que) como a relva que seca sob o sol, e como a flor no campo, que floresce e rapidamente seca; assim é o homem. Se um vento passa por ela, ela se esvai, e não mais se sabe em que lugar ela existiu. No entanto, a benevolência de Hashém para com aqueles que O temem é de mundo a mundo (isto é, SUA benevolência é para todo o sempre e ELE recompensa a pessoa mesmo após a sua morte), e SUA integridade é para com os filhos dos filhos; aos que guardam SUA aliança e se lembram de observar os SEUS Mandamentos. Hashém firmou nos céus (nos mundos espirituais) o SEU (simbólico) Trono, e o SEU Reino rege tudo. Abençoai Hashém, ó vós, SEUS anjos, criaturas poderosas que cumprem a SUA Palavra com a intenção de ouvir a SUA Voz, e não por qualquer ganho ou realização pessoal. Abençoai Hashém, ó vós, todas as SUAS hostes, SEUS servos (no céu físico), cumpridores de SUA Vontade. Abençoai Hashém, ó vós, todas as SUAS obras que estão em todos os lugares do SEU Reinado (terrestre). E tu, ó minha alma, abençoa Hashém.

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→ O Salmo de Arrependimento para todos os dias

(O Salmo 51 é chamado de “O Capítulo do Arrependimento” porque contém os princípios do arrependimento. O texto é a oração adequada para qualquer pessoa que deseja se arrepender de seus pecados.)

▪Tehilím/Salmos 51:

Ao mestre do canto, um Salmo de David, composto quando Natán, o profeta, veio para adverti-lo após sua união com Bat-Shéva. Concede-me TUA graça, ó Deus, conforme TUA benevolência, e por TUA imensa misericórdia apaga minhas transgressões. Limpa-me completamente da minha iniquidade e purifica-me do meu pecado. Pois eu reconheço minhas transgressões e ante mim está sempre meu pecado. Contra TI eu pequei e ante TEUS olhos pratiquei o mal; portanto, fundamentadas são TUAS palavras e justificada TUA sentença. Em iniquidade nasci e em pecado me concebeu minha mãe. TU buscas a verdade que se esconde no íntimo; traz-me sabedoria ao âmago de meu coração. Asperge-me com hissopo até que eu me purifique; limpa-me até que eu me torne mais branco que a neve. Faz-me novamente ouvir sons de alegria e regozijo para que possa exultar meu corpo alquebrado. Volta TUA face dos meus pecados (que estão de pé para acusar-me) e apaga todas as minhas iniquidades. Ó Deus, cria em mim um coração puro e renova a integridade no interior de meu espírito. Não me afastes da TUA Presença, nem retires de mim TEU espírito de Santidade. Rejubila-me novamente com TUA redenção e sustenta-me com TUA generosidade. Aos ímpios ensinarei TEUS caminhos e como pecadores podem retornar a TI. Livra-me do pecado de sangue derramado, ó Deus, Deus da minha salvação; então minha língua cantará exaltando TUA justiça. Hashém, abre meus lábios e minha boca dirá o TEU louvor. Pois TU não desejas que eu traga sacrifícios, nem queres oferendas (isto é, para uma transgressão intencional). A oferenda desejável para Deus é o coração contrito; um coração angustiado e pleno de arrependimento, ó Deus, TU jamais desprezarás. Em TUA boa vontade, faze o bem a Tsión e edifique as muralhas de Yerushaláim (isto é, reconstrua TEU Templo). Então comprazer-TE-ás com sacrifícios sinceros, e oferendas trazidas a TEU altar (no Bêt Hamicdásh reconstruído).

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→ Shir Shél Ióm/Cântico do Dia

DOMINGO

(Os Levitas costumavam cantar, de manhã, este Salmo no Bêt Hamicdásh em Yerushaláyim)

Salmo de David. A Hashém pertence a terra e tudo que nela existe, o mundo e os que nele habitam. Pois ELE a assentou sobre os mares e sobre os rios a consolidou. Quem subirá ao monte de Hashém? E quem estará no SEU Santo Lugar? Aquele cujas mãos são limpas e cujo coração é puro, que não jurou em MEU NOME em vão e não prometeu falsamente, de Hashém receberá bênçãos, uma justa recompensa do Deus de sua salvação. Tal é a geração dos que a ELE se voltam, dos que buscam a TUA Presença, ó Deus de Yaacóv. Erguei, ó portas (do Bêt Hamicdásh – Templo Sagrado), os vossos batentes; ampliai-vos, ó portais eternos◇, e entrará o Rei da Glória (para ouvir os cânticos e louvores daqueles que lá estão). Quem é o Rei da Glória? Hashém, forte e poderoso, Hashém, poderoso na batalha. Erguei, ó portas, os vossos batentes; sim, ampliai-vos, ó portais eternos◇, e entrará o Rei da Glória. Quem é este Rei da Glória? Hashém das hostes (ou, Hashém, que reina sobre as hostes celestes e anjos também), ELE é o Rei da Glória por toda a eternidade.(*

* Tehilím/Salmos 24)

◇ “Ó portais eternos”: eternos porque os portões do Templo não foram destruídos por seus conquistadores, mas foram engolidos inteiros pelo chão. No tempo do terceiro (e eterno) Bêt Hamicdásh, os portões ascenderão das profundezas da Terra.

Hashém (foi QUEM) escolheu (os filhos de) Israel para SI, (o povo de) Israel como SEU tesouro entre todos os povos.(*) Salva-os, Hashém, nosso Deus; junta os filhos de Israel dentre as nações, para que possam dar graças a TEU santo NOME e glorificar em TEU louvor. Bendito és Hashém, O Deus de Israel, por toda a eternidade; e que todo o povo diga: Amên, louvem a Hashém!(**) Bendito és Hashém de Tsión, que mora em Yerushaláyim; louvem a Hashém!(***) Bendito és Hashém Deus, O Deus de Israel, que faz maravilhas sozinho. Bendito és SEU glorioso NOME para sempre, e que toda a terra se encha de SUA glória. Amên e Amên.(****

* Tehilím/Salmos 135:4;
** Tehilím/Salmos 106:47-48;
*** Tehilím/Salmos 135:21;
**** Tehilím/Salmos 72:18-19)

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→ Shir Shél Ióm/Cântico do Dia

SEGUNDA

(Os Levitas costumavam cantar, de manhã, este Salmo no Bêt Hamicdásh em Yerushaláyim)

Um cântico. Um Salmo composto pelos coraítas (os filhos de Côrach). Grande é Hashém e digno de ser excessivamente louvado em (Yerushaláyim,) a cidade do nosso Deus, e em SEU santo monte. O monte Tsión é o mais formoso dos lugares, a alegria de toda terra. Ele está no norte (de Yerushaláyim,) a cidade do grande rei (David. Na época do terceiro Bêt Hamicdásh, dirão:) Deus está em seus palácios; ELE é conhecido como sua fortaleza. Porque eis que os reis se reuniram e marcharam juntos (para invadir Yerushaláyim). Mas ao vê-LO, ficaram pasmados, ficaram apavorados e fugiram às pressas. Um tremor se apoderou deles ali (em Yerushaláyim), dores iguais às de uma mulher em trabalho de parto. Com o vento oriental( – este é o vento que Deus pune os malvados –), TU(, Deus,) quebraste seus navios (que vieram) de Tarshísh. Como ouvimos (de TEUS profetas), assim pudemos isto ver na cidade de Hashém das hostes, na cidade de nosso Deus, que Deus a consolide por toda a eternidade. Sobre TUA benevolência meditamos em TEU Templo (reconstruído). Assim como TEU NOME, ó Deus, é grande, assim também é TEU louvor (grande) até os confins da terra; TUA mão direita está cheia de justiça. Então alegrar-se-á o monte Tsión, rejubilar-se-ão as (outras) filhas (cidades) de Yehudá, por causa dos TEUS julgamentos. Percorrei toda Tsión (vós que reconstruí-la), andai à sua volta, contai suas torres. Contemplai suas muralhas, examinai seus palácios, para relatar (sua majestade e beleza) às outras gerações. Porque ESTE Deus (O DEUS de Israel, O DEUS da Torá, Hashém,) é o nosso Deus para todo o sempre; e é ELE que nos guiará (como um pai a seu filho) eternamente.(*

* Tehilím/Salmos 48)

Hashém (foi QUEM) escolheu (os filhos de) Israel para SI, (o povo de) Israel como SEU tesouro entre todos os povos.(*) Salva-os, Hashém, nosso Deus; junta os filhos de Israel dentre as nações, para que possam dar graças a TEU santo NOME e glorificar em TEU louvor. Bendito és Hashém, O Deus de Israel, por toda a eternidade; e que todo o povo diga: Amên, louvem a Hashém!(**) Bendito és Hashém de Tsión, que mora em Yerushaláyim; louvem a Hashém!(***) Bendito és Hashém Deus, O Deus de Israel, que faz maravilhas sozinho. Bendito és SEU glorioso NOME para sempre, e que toda a terra se encha de SUA glória. Amên e Amên.(****

* Tehilím/Salmos 135:4;
** Tehilím/Salmos 106:47-48;
*** Tehilím/Salmos 135:21;
**** Tehilím/Salmos 72:18-19)

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TERÇA

(Os Levitas costumavam cantar, de manhã, este Salmo no Bêt Hamicdásh em Yerushaláyim)

Um Salmo. Por Assáf. Deus está presente numa assembléia de juízes (para ver se eles julgam com justiça); entre os juízes ELE promulga SUA sentença. Vós, porém, ó juízes, até quando sentenciareis perversamente, favorecendo os malévolos? Fazei justiça ao necessitado e ao órfão; procedei corretamente para com o pobre e o empobrecido. Livrai o necessitado e o indigente, salvai-os das mãos dos malvados. Eles, os juízes, porém, nada sabem e nada querem compreender; nas trevas da ignorância e da insensibilidade eles andam, e assim abalam os fundamentos que sustentam a terra. Eu disse: “Vós, ó juízes, sois como os anjos, todos vós sois filhos do Altíssimo!” Contudo, como Adám, também haveis de morrer (pois corrompestes vossos caminhos, assim como ele), e como qualquer príncipe haveis de sucumbir. Levanta-TE, ó Deus, e julga o mundo TU MESMO, pois a TI pertencem todas as nações!(*

* Tehilím/Salmos 82)

Hashém (foi QUEM) escolheu (os filhos de) Israel para SI, (o povo de) Israel como SEU tesouro entre todos os povos.(*) Salva-os, Hashém, nosso Deus; junta os filhos de Israel dentre as nações, para que possam dar graças a TEU santo NOME e glorificar em TEU louvor. Bendito és Hashém, O Deus de Israel, por toda a eternidade; e que todo o povo diga: Amên, louvem a Hashém!(**) Bendito és Hashém de Tsión, que mora em Yerushaláyim; louvem a Hashém!(***) Bendito és Hashém Deus, O Deus de Israel, que faz maravilhas sozinho. Bendito és SEU glorioso NOME para sempre, e que toda a terra se encha de SUA glória. Amên e Amên.(****

* Tehilím/Salmos 135:4;
** Tehilím/Salmos 106:47-48;
*** Tehilím/Salmos 135:21;
**** Tehilím/Salmos 72:18-19)

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QUARTA

(Os Levitas costumavam cantar, de manhã, este Salmo no Bêt Hamicdásh em Yerushaláyim)

(Salmo de Moshé.) Hashém é um Deus de retribuição; ó Deus de retribuição, revela-TE! Ergue-TE, ó Juiz da terra, e retribui aos soberbos como merecem. Até quando, Hashém, até quando exultarão os perversos? E (até quando) se expressarão, falarão arrogantemente e se vangloriarão os malfeitores? Eles esmagam TEU povo, Hashém, e afligem TEU patrimônio. Assassinam a viúva, o estrangeiro e o órfão. Eles murmuram: “Hashém nada verá nem o saberá o Deus de Yaacóv.” Tentai compreender, ignorantes dentre o povo, e vós, insensatos, quando havereis de perceber? QUEM inplantou os ouvidos certamente escutará. QUEM criou os olhos certamente enxergará. Não haverá de punir QUEM educou as nações, e trouxe aos homens o saber? Hashém conhece os pensamentos do homem, que são fúteis. Feliz o homem que, repreendido por Hashém, DELE recebe o ensinamento pela SUA Torá, pois então dá-lhe tranquilidade na época da adversidade, enquanto para o perverso prepara uma cova. Hashém não rejeitará SEU povo nem desamparará o SEU patrimônio. Justiça será feita aos íntegros e será obedecida por todos os retos de coração. Quem se levantará a meu favor contra os perversos? Quem estará por mim contra os malfeitores? Se Hashém não tivesse me ajudado, minha alma teria cedo habitado no silêncio (da sepultura). Quando eu disse “meu pé vacilou”, TUA bondade, ó Hashém, me susteve. Quando dúvidas se multiplicavam em meu coração, TEU conforto alegrava minha alma. Pode o trono (o tribunal) da perversidade estar CONTIGO associado? Ou (estar CONTIGO associado) aquele que, sob a aparência da lei, perpetra maldades? Estes se reúnem para tramar contra a vida do justo e condenar o sangue inocente. Mas Hashém é meu baluarte, meu Deus, a Rocha do meu refúgio. ELE faz voltar sobre os malfeitores sua própria violência, e com sua própria maldade os exterminará. Sim, Hashém, nosso Deus, os exterminará.(*

* Tehilím/Salmos 94)

Hashém (foi QUEM) escolheu (os filhos de) Israel para SI, (o povo de) Israel como SEU tesouro entre todos os povos.(*) Salva-os, Hashém, nosso Deus; junta os filhos de Israel dentre as nações, para que possam dar graças a TEU santo NOME e glorificar em TEU louvor. Bendito és Hashém, O Deus de Israel, por toda a eternidade; e que todo o povo diga: Amên, louvem a Hashém!(**) Bendito és Hashém de Tsión, que mora em Yerushaláyim; louvem a Hashém!(***) Bendito és Hashém Deus, O Deus de Israel, que faz maravilhas sozinho. Bendito és SEU glorioso NOME para sempre, e que toda a terra se encha de SUA glória. Amên e Amên.(****

* Tehilím/Salmos 135:4;
** Tehilím/Salmos 106:47-48;
*** Tehilím/Salmos 135:21;
**** Tehilím/Salmos 72:18-19)

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QUINTA

(Os Levitas costumavam cantar, de manhã, este Salmo no Bêt Hamicdásh em Yerushaláyim)

Ao mestre do canto, sobre (o instrumento musical) “Guitít”, um Salmo de Assáf. Cantai com alegria a Deus, que é a nossa fortaleza; aceitai a Soberania do Deus de Yaacóv (Jacob) (em Rósh Hashaná). Entoai um salmo e fazei ressoar o pandeiro, a agradável harpa e o saltério. Soprai (vós judeus) o Shofár na lua nova (de Rósh Hashaná), no dia determinado como dia da nossa festividade. Porque (soprar o Shofár em Rósh Hashaná) é um decreto (Divino – como está registrado na frase anterior –) para Israel (para despertá-los para retornarem a D’us, pois este é) um dia de julgamento para o Deus de Yaacóv. ELE o estabeleceu para Yossêf (José) como testemunho, quando este saiu para governar na terra do Egito (isto é, Yossêf foi libertado da prisão em Rósh Hashaná e tornou-se vice-rei do Egito nesse mesmo dia), onde entendeu uma língua que não conhecia. Deus disse: “Livrei seu ombro (de Israel) da carga, e do caldeirão da servidão retirei suas mãos (isto é, a escravidão dos Filhos de Israel no Egito terminou em Rósh Hashaná). Na angústia clamaste e EU te livrei; com voz de trovão te respondi e provei-te junto às águas de Merivá. Ouve, povo MEU, EU te advertirei, ó Israel, se ME escutares! Não haverá deuses estranhos em teu meio nem adoração a ídolos. EU sou Hashém, teu Deus, que te fez subir da terra do Egito; abre bem a tua boca (exponha todos os teus desejos) e EU os concederei. Mas o MEU povo não ouviu a MINHA voz, e Israel não ME quis (escutar). Assim, deixei-os seguir segundo a obstinação dos seus corações, para que atendessem seus próprios conselhos. Ah, se ME escutasse o MEU povo, se Israel trilhasse MEUS caminhos! Num instante EU abateria os seus inimigos, e contra os seus adversários alçaria MINHA mão.” Os inimigos de Israel que odeiam Hashém murchariam diante DELE, e seu castigo duraria para sempre (ie., e essa época de bênção para Israel seria para sempre). Mas a Israel ELE nutriria com o melhor dos alimentos, e com o mel que emana da rocha o saciaria.(*

* Tehilím/Salmos 81)

Hashém (foi QUEM) escolheu (os filhos de) Israel para SI, (o povo de) Israel como SEU tesouro entre todos os povos.(*) Salva-os, Hashém, nosso Deus; junta os filhos de Israel dentre as nações, para que possam dar graças a TEU santo NOME e glorificar em TEU louvor. Bendito és Hashém, O Deus de Israel, por toda a eternidade; e que todo o povo diga: Amên, louvem a Hashém!(**) Bendito és Hashém de Tsión, que mora em Yerushaláyim; louvem a Hashém!(***) Bendito és Hashém Deus, O Deus de Israel, que faz maravilhas sozinho. Bendito és SEU glorioso NOME para sempre, e que toda a terra se encha de SUA glória. Amên e Amên.(****

* Tehilím/Salmos 135:4;
** Tehilím/Salmos 106:47-48;
*** Tehilím/Salmos 135:21;
**** Tehilím/Salmos 72:18-19)

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SEXTA

(Os Levitas costumavam cantar, de manhã, este Salmo no Bêt Hamicdásh em Yerushaláyim)

(Salmo de Moshé. Na era messiânica, todos declararão: ) Hashém é REI; (pois) ELE vestiu-SE de majestade; sim, Hashém vestiu-SE, cingiu-SE de força e majestade (e as nações reconheceram que ELE estabeleceu o universo). Firme e inabalado está o mundo por ELE criado. Firme está o TEU trono desde a mais remota antiguidade; TU és eterno (sem começo nem fim). Os rios elevaram, ó Hashém, os rios elevaram a voz de suas águas fragorosas. Acima, porém, do bramido das águas mais volumosas, acima do quebrado das vagas do mar, está Hashém, que é poderoso nas alturas! Fidelíssimos são os TEUS testemunhos; santidade embelezará TUA Casa (o Bêt Hamicdásh – Templo Sagrado), ó Hashém, agora e para todo o sempre.(*

* Tehilím/Salmos 93)

Hashém (foi QUEM) escolheu (os filhos de) Israel para SI, (o povo de) Israel como SEU tesouro entre todos os povos.(*) Salva-os, Hashém, nosso Deus; junta os filhos de Israel dentre as nações, para que possam dar graças a TEU santo NOME e glorificar em TEU louvor. Bendito és Hashém, O Deus de Israel, por toda a eternidade; e que todo o povo diga: Amên, louvem a Hashém!(**) Bendito és Hashém de Tsión, que mora em Yerushaláyim; louvem a Hashém!(***) Bendito és Hashém Deus, O Deus de Israel, que faz maravilhas sozinho. Bendito és SEU glorioso NOME para sempre, e que toda a terra se encha de SUA glória. Amên e Amên.(****

* Tehilím/Salmos 135:4;
** Tehilím/Salmos 106:47-48;
*** Tehilím/Salmos 135:21;
**** Tehilím/Salmos 72:18-19)

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SÁBADO

(Os Levitas costumavam cantar, de manhã, este Salmo no Bêt Hamicdásh em Yerushaláyim)

Um Salmo (de Moshé). Um cântico para (os Levitas entoarem aos sábados,) o Sétimo Dia. É bom louvar Hashém e cantar louvores ao TEU NOME, ó ALTÍSSIMO! Proclamar TUA bondade toda manhã e TUA fidelidade todas as noites com uma variedade de instrumentos e com cântico. Pois TU, ó Hashém, me alegraste com TEUS feitos; com as obras das TUAS mãos me regozijarei. Quão magníficas elas são, ó Hashém, e quão insondáveis são TEUS pensamentos! Um insensato não sabe e um tolo não entende que quando os iníquos brotam como erva e os malévolos florescem (ie., quando pessoas más prosperam), é para serem destruídos para sempre. Porém TU, Hashém, permaneces eternamente exaltado, pois eis que TEUS inimigos, Hashém, pois eis que, certamente, TEUS inimigos perecerão, e todos os que praticam iniquidades desaparecerão. Exaltaste minha força como a dos chifres do (animal) “rem” e me ungiste com óleo puro (ie., e me abençoaste com grande prazer: ) Meus olhos viram a queda de meus inimigos, e meus ouvidos escutaram (a condenação) dos malfeitores que se levantam contra mim. Os justos, porém, florescerão como palmeiras e crescerão como os cedros no Líbano. Plantados na Casa de Hashém (o Bêt Hamicdásh – Templo Sagrado), florescerão nos átrios do nosso Deus. Mesmo na velhice serão vigorosos e fortes (em sua aderência à Torá e suas mitsvót) e produzirão frutos (ie., prosperarão) para declarar que Hashém é íntegro; minha FORTALEZA, em QUEM não há nenhuma falha.(*

* Tehilím/Salmos 92)

Hashém (foi QUEM) escolheu (os filhos de) Israel para SI, (o povo de) Israel como SEU tesouro entre todos os povos.(*) Salva-os, Hashém, nosso Deus; junta os filhos de Israel dentre as nações, para que possam dar graças a TEU santo NOME e glorificar em TEU louvor. Bendito és Hashém, O Deus de Israel, por toda a eternidade; e que todo o povo diga: Amên, louvem a Hashém!(**) Bendito és Hashém de Tsión, que mora em Yerushaláyim; louvem a Hashém!(***) Bendito és Hashém Deus, O Deus de Israel, que faz maravilhas sozinho. Bendito és SEU glorioso NOME para sempre, e que toda a terra se encha de SUA glória. Amên e Amên.(****

* Tehilím/Salmos 135:4;
** Tehilím/Salmos 106:47-48;
*** Tehilím/Salmos 135:21;
**** Tehilím/Salmos 72:18-19)

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● Bênção e Oração da Noite

→ Antes de dormir:

Bendito és TU, Hashém, nosso Deus, Rei do universo, que com SUA palavra faz com que as tardes escureçam. Com sabedoria abre as portas (do céu); com discernimento altera os períodos (do dia), varia os tempos e ordena as estrelas em suas posições no céu conforme SUA vontade. ELE cria o dia e a noite; envolve a luz perante a escuridão e a escuridão perante a luz; faz com que transcorra o dia e traz a noite, e separa entre o dia e a noite; Hashém das hostes é SEU NOME. Bendito és TU, Hashém, que faz com que as tardes escureçam.

Rendo graças a TI, Hashém, por todo o bem que TU tens feito a nós, e especialmente por – (mencionar as coisas específicas) – que TU fizeste a mim hoje.

Senhor do universo! Eu perdoo quem quer que tenha me enfurecido ou irritado, ou que me prejudicou, e peço a TI, Hashém, que TU abras os corações daqueles a quem eu possa ter prejudicado para que também me perdoem. E, ao mesmo tempo, peço, Hashém, TEU perdão se tenho pecado ou cometido qualquer transgressão contra TI.

“Concede-me TUA graça, ó Deus, conforme TUA benevolência, e por TUA imensa misericórdia apaga minhas transgressões. Limpa-me completamente da minha iniquidade e purifica-me do meu pecado. Pois eu reconheço minhas transgressões e ante mim está sempre meu pecado. Volta TUA face dos meus pecados (que estão de pé para acusar-me) e apaga todas as minhas iniquidades. Ó Deus, cria em mim um coração puro e renova a integridade no interior de meu espírito. Não me afastes da TUA Presença. Hashém, abre meus lábios e minha boca dirá o TEU louvor. Um coração angustiado e pleno de arrependimento, ó Deus, TU jamais desprezarás.”(*

* Extraído de Tehilím/Salmos 51)

Dá-me a minha porção na TUA Torá das Sete Mitsvót; ajuda-me a ser observante delas e não me permitas cometer transgressões.

Ouve Israel, Hashém é nosso Deus, Hashém é Um Só.

Quando te deitares, não sentirás temor; te deitarás e teu sono será doce.

Que durma bem; que desperte com misericórdia.

Bendito és TU, Hashém, nosso Deus, Rei do universo, que faz cair os laços de sono sobre meus olhos e sonolência sobre minhas pálpebras e que dá luz à pupila do olho. Seja a TUA vontade, Hashém, meu Deus, fazer-me deitar em paz e levantar-me para uma boa vida e paz. Não permitas que meus pensamentos me perturbem, nem sonhos ruins nem as fantasias pecaminosas, e que minha progenie seja perfeita perante TI. Ilumina meus olhos, para que eu não durma o sono da morte. Bendito és TU, Hashém, que em SUA glória ilumina a todo o mundo.

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● “O Sétimo Dia”

 

O “Shabát” é dos judeus.

“Vede (filhos de Israel – os judeus): HaVaYaH vos deu o Shabát.” – Shemót/Êxodo 16:29

 

“Os Bnei Nôach/Filhos de Noé não devem chamar a este dia o Shabát, mas o sétimo dia como está escrito em Gênesis.” – Rav Yoel Schwartz da Yeshivat Dvar Yerushalayim.

 

Fato é que, para começo de conversa, a palavra Shabát sequer aparece no primeiro livro da Torá, Bereshít/Gênesis. Sim, no primeiro livro da Torá, que é o livro da humanidade, que é o livro de todos os povos, o livro do Pacto Universal, o Pacto Noaítico, o livro da história dos Bnei Nôach, nem sequer existe a palavra Shabát.
Alguns então mencionam (Gên.) 2:1-3 querendo argumentar algo relacionado ao Shabát. Porém, observe que interessante, o texto chama o dia de SÉTIMO dia e não de Shabát. Por que? Porque o povo judeu ainda não existe (para receber o Shabát para lembrá-lo, guardá-lo e honrá-lo). E mais. Aqui, Hashém não está falando com ninguém, não está comandando a ninguém. O texto está apenas clarificando que, sim, D’us podia ter feito tudo de uma única vez num único instante, mas ELE escolheu não fazer assim (foi fazendo gradativamente), e que, D’us podia ainda estar criando, mas ELE também escolheu não fazer assim (chegou um momento, o sétimo dia, em que ELE literalmente cessou por completo o processo da Criação).

De qualquer maneira, mesmo que o texto de Bereshít/Gênesis 2:1-3 estivesse nos apresentando o dia do Shabát, isto só se dá em conexão, não com Bnei Nôach mas, com Bnei Yisrael, o povo judeu, como está explicado no Midrásh Bereshít Rabá Capítulo 11:

““E Elohím [D’us] abençoou o sétimo dia e santificou-o”. Disse o Rabino Yishmael: “ELE o abençoou” com maná “e santificou-o” com maná. ELE abençoou o sétimo dia com maná: por todos os dias da semana uma [porção de maná] caiu [por pessoa], [mas] na sexta-feira duas [porções de maná] caíram [por pessoa]. ELE santificou o sétimo dia com maná: porque [no Shabát] não caiu [maná] em absoluto.
(…)
O Rabino Shimón bar Yochái ensinou: O Shabát disse ao Santo, bendito seja: “Todos os outros [dias] têm um parceiro, mas eu não tenho nada!” D’us disse [ao Shabát]: “A comunidade de Israel será seu parceiro”. E D’us continuou dizendo-lhe [ao Shabát]: “No monte Sinai direi aos israelitas: ‘Lembrem-se do que EU disse ao Shabát, que a comunidade de Israel é seu parceiro'”, [ou, nas palavras das escrituras:] “Lembra-te do dia do Shabát para santificá-lo” (Shemót/Êxodo 20:8).”

A primeira vez em que a palavra Shabát ocorre na bíblia (Torá/Tanách) é só em Shemót/Êxodo (o livro da história do nascimento da nação judaica). O Shabát foi instituído apenas quando surgiu o povo de Israel, os judeus. O Shabát foi instituído no nascimento do povo judeu, em sua saída do Egito, por ocasião do milagre do man (maná) (Shemót/Êxodo 16:1, 4-7, 11-19, 21-35). O Shabát foi a primeira Festividade JUDAICA, a primeira Festividade estabelecida por Hashém para o povo judeu, celebrada pelo recém-nascido povo judeu libertado da escravidão no Egito. O Shabát é a primeira de todas as Festividades Judaicas, a primeira a ser mencionada na Torá – sendo o Shabát uma Festividade semanal, a única, enquanto as outras Festividades são anuais (Vaicrá/Levítico 23).

Portanto, os Bnei Nôach devem estar cientes de que o Shabát é o sinal (semanal) para as nações do Pacto feito no Har Sinai entre D’us e o Povo Judeu.

“E falou Havayah a Moshé, dizendo: “E tu fala aos Bnei Yisrael (Filhos de Israel) dizendo: certamente meus shabatót havereis de observar, pois este é um sinal entre MIM e vós (judeus – o povo de Israel) por vossas gerações, para (as nações saberem) que EU (vos escolhi, e que EU) sou Havayah, AQUELE que vos faz santos. E havereis de observar o Shabát, porque é santo para vós; … Seis dias será feito o trabalho (da construção do Mishcán ou Tabernáculo), e no 7° dia é o Shabát para descanso, santificado para Havayah; … E os Bnei Yisrael (Filhos de Israel) observarão o Shabát, para fazer do Shabát uma aliança perpétua por suas gerações. Ele é um sinal entre MIM e os Bnei Yisrael (Filhos de Israel) para sempre, de que em 6 dias Havayah fez os céus e a terra, e no 7° dia cessou e descansou.”” (Shemót/Êxodo 31:12-17)

O Rav Marcos Edery explica: “São três as mitsvót principais denominadas pela própria Torá como אות “ot” ou “sinal” [entre Hashém e Bnei Yisrael], a saber: שבת “Shabát”, ברית מילה “Berít Milá” (“Circuncisão”) e תפלין “Tefilín” (“filactérios”). Com efeito, estas mitsvót caracterizam o judeu observante até os dias de hoje.” E especificamente sobre o Shabát, ele diz: “Com efeito, a observância do Shabát caracteriza o povo de Israel até os dias de hoje.”

Pode-se – voluntariamente – acender  uma vela (ou mesmo velas, 7) para consagrar o Sétimo Dia em reconhecimento deste fato (de que é através de Israel que sabemos – não apenas que existe um CRIADOR, mas  – QUEM é O CRIADOR e que ELE criou todas as coisas em 7 dias).

Enquanto os judeus acendem suas velas antes do anoitecer DA SEXTA, os noaítas fazem-no depois em reconhecimento de que há uma distinção divinamente estabelecida entre Israel e as outras nações.

Tradicionalmente, a vela é acesa, e a oração a seguir é recitada, pela mulher da casa. Na sua ausência, a vela pode ser acesa, e a oração pode ser recitada, por qualquer membro da família.

 

Texto:

“Segundo a Halachá, os Bnei Nôach são proibidos de fazer Shabát”

 

Textos por Comunidad Noájida Breslev e por Rav Naftalí Espinoza

 

“Ao ler Bereshít (Gên.) 2:1-3, entendemos que o Sétimo Dia é um dia especial, e buscamos a maneira de honrá-lo, recordá-lo, e ao não encontrarmos informação referente a como um não-judeu reconhece o Sétimo Dia, tendemos a seguir o ritual judaico do Shabát, o que não é correto, visto que HaShém nos deu um caminho especial que consta de Sete [categorias de] Leis e em nenhuma destas se fala de observar ou recordar o Shabát, pelo que ensinam os sábios de Israel que um não-judeu não deve manter ou observar Shabát.

Os Noaítas não podem observar (honrar, recordar) o Shabát em qualquer caso, abstendo-se de trabalho por um período de 24 horas ou mediante o uso – a adoção – de rituais judaicos. Apenas a Israel D’us pediu que guardasse o Shabát. Um Noaíta que faz Shabát está impondo sua vontade a D’us. Uma pessoa que busca ir mais além da lei, como uma questão de devoção, se absterá de qualquer observância do Shabát. Um piedoso ou devoto, temeroso de D’us, Noaíta Religioso, não intencionará observar o Shabát de modo algum. Um Noaíta que imita a observância judaica do Shabát é um Noaíta menos religioso que um que não reconhece o Sétimo Dia.

Como vimos, os Noaítas não podem observar o Shabát, mas sem dúvida podem reconhecer e consagrar o Sétimo Dia. De que maneira? Diz-nos o Rav Yitzchak Ginsburgh, do Chabad (em Cabalá e Meditação para as Nações): Podem dedicar este dia ao estudo da Torá e a realizar orações. Podem aprofundar-se em temas sobre o verdadeiro Mashíach, assim como desejar e clamar para que rapidamente venha a redenção de Israel e a paz ao mundo inteiro.”

 

Por Comunidad Noájida Breslev
© Comunidad Noájida Breslev

Traduzido por Noahidebr
© 2015-2018 Noahidebr

 

“Alguns têm estimulado os Bnei Nôach a manterem uma forma de observância do Shabát apesar de o Talmúd afirmar – em Sanhedrín – que os não-judeus não podem observar o Shabát.

[Mas, não podem observar o Shabát os não-judeus em geral ou apenas aqueles que não são Bnei Nôach?]

O Maimônides (Rambám, Hilchot Shabat 20:14), o Shulchán Aruch (Orach Chaim 304), o Tosafot D. H. Zeh, e todos os outros codificadores da lei (Beit Yosef) decidiram (que) até mesmo um Ben Nôach (o “Guer Tosháv” do Tanách) está incluído na proibição de os gentios observarem o Shabát.

Antes da entrega da Torá, o descanso de Shabát era privilégio só de D’us – não foi permitido para o homem participar dele. O mandamento de observar o Shabát, o dia de descanso divino, foi dado apenas aos Judeus como parte de sua aliança única com D’us.”

 

Por Rav Naftalí Espinoza, da Yeshivá Pirchei Shoshanim.
© Rav Naftalí Espinoza

Traduzido por Noahidebr
© 2015-2018 Noahidebr


 

O Rav Naftali Silberberg, do Chabad, ressalta:
“Um não-judeu pode fazer a maioria das mitsvót(*), mas não todas elas. Aquelas mitsvót que constituem um sinal entre D’us e os judeus – como Tefilín, Mezuzá e Shabát(**) – não devem ser observadas por um não-judeu.
O Rav Naftali Silberberg é autor no site Chabad.org.

(* Ou seja, o não-judeu pode fazer todas as mitsvót conhecidas como “Mishpatím“, “leis racionais, leis sociais”, “baseia[m]-se na igualdade entre todos os homens”, “seus deveres em relação à humanidade”. Veja, por exemplo,

https://noahidebr.com/2015/09/25/e-permitido-a-um-nao-judeu-estudar-a-tora/

https://noahidebr.com/2018/04/02/o-modo-de-vida-dos-bnei-noach/

 

** Estas mitsvót (PROIBIDAS para os Bnei Nôach) são aquelas conhecidas como “Edót” (literalmente, “testemunhos”), ou seja, são os mandamentos de identidade – A Identidade Judaica -, mandamentos especificamente judaicos. “Testemunham e representam algo específico em nossa [dos judeus] história ou em nosso [dos judeus] relacionamento com D’us. São exemplos [de Edót] a mitsvá de observar o Shabát; observar as Festas (Yom Tov); as mitsvót de tsitsít e tefilín.” – Chabad.org.

Algumas delas são:

“Bechór” (a santificação do primogênito), “Chalá” (a doação de uma fração da massa do pão), “Orlá” (proibição do consumo da fruta ainda não madura), “Chadásh” (a proibição do uso do cereal sem que se ofereça a porção prescrita de cevada em Pêssach), “Milá” (circuncisão), “Tefilín” (filactérios), “Tsitsít” (franjas nas vestes), “Talít”, “Mezuzá” (o escrito sagrado presente nos umbrais das portas), “Guid Hanashê” (a proibição de ingerir o nervo ciático), “Micvê”, Festividades e seus dias intermediários (“Chol Hamoêd”), “Pêssach”, “Chamêts” (levedura) e “Matsá” (pão ázimo) e o “Sêder” no Pêssach, “Sefirát Haômer” (contagem dos 49 dias entre Pêssach e Shavuót), “Shavuót”, “Sucót”, a “Sucá” (a cabana simbólica) e a Bênção das Espécies (“Luláv” – ramo de tamareira/palmeira, “Etróg” – cidra, mirtas e galhos de salgueiro) em Sucót e “Sheminí Atséret” (o 8° dia de assembléia solene após Sucót), “Chanucá”, as velas de Chanucá, “Purím”, “Taaniót” (dias de jejum), “Rósh Chódesh” (a Lua Nova ou novo mês), o “Shofár” em Rósh Hashaná, o jejum do Ióm Kipúr, e, “o mandamento de D’us de honrar o dia do Shabát” (Yeshayáhu/Isaías 58:13), o ‘mandamento semanal’ “em lembrança da saída do Egito”.
No tema de “Shabát”, está proibido aos Bnei Nôach, por exemplo:
Kidúsh◇, as duas velas antes do pôr do sol da sexta-feira, as duas chalót nas refeições do Shabát (léchem mishnê), a cerimônia da Havdalá.

◇ (em inglês)
https://www.chabad.org/library/article_cdo/aid/260252/jewish/What-Is-Kiddush.htm

Nas próprias palavras de um judeu:
“Essas Leis colocam-nos à parte dos umót haolám, os povos do mundo. Tratam-se de mandamentos que não foram dados aos outros povos do mundo e a que somente nós [judeus] temos o privilégio de poder obedecer.
Agradecemos a Deus por haver-nos ordenado fazer algo que ninguém mais faz, tal como colocar uma mezuzá, usar tsitsít, sentar-se na sucá ou acender as velas do Shabát. Quando [nós judeus] acendemos as velas do Shabát, a bênção diz: “Bendito … que nos santificou com SEUS mandamentos e nos ordenou acender a vela do Shabát Sagrado.” O que [nós judeus] estamos dizendo, com efeito, é: “Grato, Deus, por nos haveres ordenado fazer isto. Não disseste aos gentios para fazê-lo, mas SOMENTE A NÓS [judeus.”] Noutras palavras, [nós judeus] estamos agradecendo a Deus por haver-nos escolhido como o SEU povo, o que é, afinal de contas, do que trata o judaísmo.”

Referências

• Dezenove Cartas sobre Judaísmo, Rav Shimshom Raphael Hirsch;
• O Caminho de DEUS, Rav Moshé Chaim Luzzatto;
• O Judaísmo Vivo, Michael Asheri (escritor e antropólogo);
• Ensaios sobre a Torá, Moré Ruben Rosenberg;
• O Cuzarí, Rav Iehudá Haleví;
• Shabát, dia de eternidade, Rav Aryeh Kaplan;
• Chabad.org. )

 

→ Acendimento de Vela

ATENÇÃO
Nenhuma das atividades descritas aqui são necessárias ou obrigatórias aos noaítas. Os noaítas que desejarem realizá-las devem fazê-lo voluntariamente, conscientes de que HaVaYaH (D’us) não lhes ordenou realizá-las. Além disso, os noaítas não devem impor quaisquer proibições a si mesmos.

 

→ Oração

Bendito e louvado és TU, Hashém, nosso Deus, Rei do universo, que cria o dia e a noite e faz com que as tardes escureçam, que cria as chamas do fogo, que ilumina o mundo e o torna santo por proporcionar à humanidade Mitsvót para guiá-la e elevá-la. Seja TUA vontade, DEUS, que a luz de TUAS Mitsvót ilumine todo o mundo e que se reconstrua o Bêt Hamicdásh em breve, em nossos dias, e que o mundo inteiro conheça TUA Torá para que todos TE sirvam com reverência.

Que seja a TUA vontade, Hashém, Deus de Israel e de toda a humanidade, mostrar TEU favor a todos os TEUS servos e em particular a mim (nome), a meu marido (nome), ao(s) meu(s) filho(s) (nome(s)), à(s) minha(s) filha(s) (nome(s)), ao meu pai (nome), à minha mãe (nome), e a todos os meus parentes; e concede-nos uma vida longa e boa em serviço a TI; recorda-nos com bênção e boa memória; tem-nos presentes para salvação e misericórdia; outorga-nos grandes bênçãos; e que TU completes nosso lar e faças com que TUA Divina Presença repouse dentro de nós.

Concede-me o privilégio de criar filhos e netos que sejam sábios e compreensivos, que TE amem e TE temam, DEUS, que possam crescer para serem pessoas honestas, unidas a TI, Hashém, nosso Deus e Redentor, que possam iluminar o mundo com obras boas e justas, e que cada um de seus esforços seja em serviço a TI, nosso Deus, CRIADOR do céu e da terra. Ouve, por favor, nossas súplicas neste tempo e que o TEU semblante brilhe sobre nós.

(Fim da Oração)

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→ No Sétimo Dia os noaítas podem recitar a oração Nishmát Col Chái (veja esta oração abaixo, em Orações para Yamím Tovím).

→ E também podem recitar o Shir Shél Ióm/Cântico do Dia (SÁBADO).

 

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Oração de Havdalá quanto à semana que termina e a que começa

 

(Pode-se – voluntariamente – recitar a oração a seguir. Esta oração deve ser recitada depois do anoitecer DO SÁBADO.)

 

Bendito és TU, Hashém, nosso Deus, Rei do universo, que distingue entre a luz e a escuridão, entre o dia e a noite, entre a semana que termina e a que começa, entre Israel e as nações, que juntos são parceiros em um único propósito sagrado, disseminar “O Conhecimento de Hashém” e ‘fazer que Hashém, O Deus de Israel, seja O ÚNICO Deus em toda a terra e que Deus tenha UM SÓ MESMO NOME (O SEU PRÓPRIO NOME, Hashém) em toda a terra.’ [Yeshayáhu/Isaías 11:9; Zechariá/Zacarias 14:9] “Cântico de ascensão. Bendizei a Hashém, todos vós, servos de Hashém, que estais na Casa de Hashém (o Bêt Hamicdásh – Templo Sagrado) à noite (para louvá-LO). Ergam suas mãos em santidade e bendizei a Hashém. E que de Tsión vos abençoe Hashém, que criou os céus e a terra.”(*

* Tehilím/Salmos 134)

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● Orações para Yamím Tovím (Os Dias Festivos Judaicos) (para Os Dias das Festividades Judaicas)

(No dia em que os judeus celebram as Festividades:

Pêssach, Sucót e Shavuót,

os noaítas podem recitar a seguinte oração)

 

→ Yaalé Veiavó

(Extraída do Sidúr)

 

Nosso Deus, que ascenda, venha e alcance, seja vista, aceita, e ouvida, trazida à memória e lembrada diante de TI a nossa lembrança e recordação, a lembrança de Mashíach, o filho (descendente) de David, TEU servo, a lembrança de Yerushaláyim, TUA cidade sagrada, e a lembrança de todo TEU povo, a Casa de Israel, para salvação, bem-estar, graça, bondade, misericórdia, boa vida e paz, neste dia de convocação santa que TU deste aos Bnei Yisrael (Filhos de Israel), TEU povo. Lembra-nos neste (dia), Hashém nosso Deus, para o bem; tem-nos presente neste (dia) para bênção; ajuda-nos neste (dia) para a boa vida. Com a promessa de salvação e compaixão, compadece-TE e sê benigno conosco; tem piedade de nós e salva-nos; pois nossos olhos estão dirigidos a TI, pois TU, Deus, és um REI gracioso e misericordioso.

Nosso Deus, reina sobre o mundo inteiro em TUA glória, sê exaltado sobre toda a terra em TEU esplendor, e revela-TE na majestade de TEU glorioso poder sobre todos os habitantes de TEU mundo terrestre. Que tudo o que foi feito saiba que TU o fizeste; tudo o que foi criado compreenda que TU o criaste; e declare todo aquele que possua alento (de vida) em suas narinas que Hashém, Deus de Israel, é REI, e SEU reinado tem domínio sobre tudo. Purifica nosso coração para servir-TE com sinceridade, pois TU és o verdadeiro Deus, e TUA palavra, nosso REI, é verdadeira e perdura para sempre.

TU tens TE mostrado para que se saiba que Hashém é O Deus; não há mais nada fora ELE. TEU Reinado é um reinado sobre todos os mundos, e o TEU domínio está através de todas as gerações. Hashém é REI, Hashém foi REI, Hashém será REI para todo o sempre. Hashém dará força a nós Bnei Nôach e ao SEU povo Israel; Hashém abençoará os Bnei Nôach e o SEU povo Israel com a paz.

Hashém, nosso Deus, todas as TUAS obras TE louvarão, e TEUS devotos, os justos que cumprem a Tua vontade, e todo o TEU povo, a Casa de Israel, com canto jubiloso louvarão e abençoarão, enaltecerão e glorificarão, exaltarão e adorarão, consagrarão e proclamarão a soberania de TEU NOME, nosso REI. Pois é bom louvar-TE, e apropriado cantar a TEU NOME, pois do mundo mais elevado ao mais baixo TU és Deus. Bendito és TU, Hashém, REI enaltecido com louvores.

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(No dia em que os judeus celebram as Festividades:

Pêssach, Sucót, Shavuót, Chanucá e Purím,

e também a cada Sétimo Dia (a partir do anoitecer da sexta a antes do anoitecer do sábado), 

os noaítas podem recitar a seguinte oração)

 

→ Nishmát Col Chái

(Extraída do Sidúr)

 

Que a alma de todo ser vivo abençoe TEU NOME, Hashém, nosso Deus, e o espírito de toda criatura glorifique e exalte a TUA lembrança, REI nosso, permanentemente. Desde o mundo mais elevado até o mais baixo, TU és O Deus Todopoderoso; e fora de TI não temos REI, Redentor e Salvador que liberta, resgata, sustenta, responde e SE apieda em todo momento de aflição e tribulação; não temos outro REI, além de TI. (TU és) O Deus das primeiras e das últimas (gerações), Deus de todas as coisas criadas, Senhor de todos os acontecimentos, que é exaltado com múltiplos louvores, que dirige SEU mundo com bondade, e as SUAS criaturas com compaixão. Na verdade, Hashém não cochila nem dorme. É ELE QUEM anima os que dormem, QUEM desperta os que cochilam, QUEM faz o mudo falar, QUEM liberta os presos, QUEM sustenta os que caem, e QUEM endireita os encurvados. Somente a TI damos graças. Ainda que a nossa boca estivesse tão cheia de cântico como o mar (está cheio de água), a nossa língua de melodia como o bramido das suas ondas, e nossos lábios de louvor como a expansão do firmamento; e nossos olhos resplandecessem como o sol e a lua, nossas mãos estivessem estendidas como (as asas das) águias do céu, e nossos pés fossem ligeiros como o cervo – ainda assim não seria o suficiente para TE agradecer, Hashém, nosso Deus, e para bendizer TEU NOME. Os membros que TU dispuseste dentro de nós, o espírito e alma que TU insuflaste em nossas narinas, e a língua que TU puseste em nossa boca – todos eles hão de agradecer, abençoar, louvar e glorificar, exaltar e adorar, santificar e proclamar a soberania de TEU NOME, nosso REI. Porque toda boca TE agradecerá, toda língua há de jurar com TEU NOME, todo olho TE observará, todo joelho se ajoelhará diante de TI, todos aqueles que estão erguidos haverão de prostrar-se diante de TI, todos os corações haverão de temer a TI, e cada uma das partes mais internas cantarão ao TEU NOME, como está escrito [em Tehilím/Salmos 35:10]: “Declare todo meu ser: Hashém, quem é como TU? Que salva o pobre do mais forte, ao pobre e ao destituído do que ia roubar-lhe!” Quem pode assemelhar-se a TI, quem pode igualar-se a TI, quem pode comparar-se a TI, O grande, poderoso e temido Deus, Deus enaltecido, CRIADOR do céu e da terra! TE louvaremos, exaltaremos e glorificaremos, e abençoaremos TEU Santo NOME, como está dito [em Tehilím/Salmos 103:1: “Um Salmo] por David: abençoe a Hashém, minha alma, e todo meu ser – a SEU Santo NOME.” Todos TE reconhecerão e todos TE louvarão e todos dirão: “Não há santo como Hashém!” Todos TE exaltarão para sempre, Hashém, CRIADOR de tudo, Deus que a cada dia faz com que o sol e a lua iluminem o mundo inteiro e seus habitantes, os quais criou de acordo com o atributo da misericórdia, que com misericórdia ilumina a terra e os que a habitam, e em SUA bondade renova a cada dia, permanentemente, a obra da criação. Quão abundantes são TUAS obras, Hashém! TU as fizeste todas com sabedoria, a terra está cheia das TUAS criações. REI, que por SI só já é elevado desde antes dos tempos, louvado, glorificado e enaltecido desde o momento da criação; Hashém, Deus do universo, em TUAS abundantes misericórdias apieda-TE de nós. Não há ninguém comparável a TI, e ninguém além de TI; não há nada sem TI, e quem é como TU? Não há ninguém que se compare a TI, Hashém, nosso Deus – neste mundo; e ninguém fora de TI, nosso REI – na vida do Mundo Vindouro; não há nada sem TI, nosso Redentor – nos dias de Mashíach; e não há ninguém como TU, nosso Salvador – na era da ressurreição dos mortos.

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● Amên

O significado de Amên é “é verdade”. Você deve dizer Amên apenas a uma bênção ou oração que outra pessoa fez, não à sua própria bênção ou oração. Nós respondemos Amên como uma confirmação de que o que foi declarado por aquela pessoa naquela bênção ou oração é verdadeiro, e não faz sentido validarmos nossa própria declaração. Você deve esperar até que a pessoa tenha completado a bênção ou oração antes de dizer Amên. Você deve dizer Amên assim que a pessoa tiver terminado a bênção ou oração, pelo menos dentro de 3 segundos. Você não deve dizer Amên mais alto do que a própria bênção ou oração. Você não deve dizer Amên a uma bênção ou oração inválida. Por exemplo, se você viu alguém erroneamente dizendo a bênção do pão sobre uma maçã, não diga Amên. Se você está em um lugar onde você não poderia fazer uma bênção ou oração (por exemplo, no banheiro), você também não pode dizer Amên. Se você falar (qualquer coisa, a qualquer um) depois que a pessoa tiver terminado a bênção ou oração, você perdeu a oportunidade de dizer Amên. Você não deve dizer Amên a uma bênção ou oração feita em uma gravação.

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Com relação a leitura da Bíblia, leia-a no seu contexto original. Adquira a Bíblia Hebraica em português

 

 

https://sefer.com.br/

 

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“Quanto a mim, na proximidade de Hashém está a felicidade a que aspiro”

Berachót & Tefilót (Bênçãos & Orações) dos noaítas (Bnei Nôach) para serem recitadas dia a dia

 

Por noahidebr.com

Tradução, produção, organização, edição e adaptação em Língua Portuguesa (Brasil) por noahidebr.com

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Dedicado a M., S., N., E., F., e, S.

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OS TREZE PRINCÍPIOS DA FÉ JUDAICA

Noaísmo e A TORÁ E OS JUDEUS E O JUDAÍSMO


 

“Assim disse HaVaYaH dos Exércitos: ‘Naqueles dias, dez homens de diferentes línguas e de todas as nações segurarão a orla das vestes do judeu, dizendo: Iremos contigo, porque sabemos que D’us está contigo!’” – Zechariá (Zacarias) 8:23

 

1° A VERDADE HISTÓRICA DA REVELAÇÃO DIVINA NO SINAI

2° A AUTORIA DA TORÁ

3° CONHECIMENTO E FÉ

4° OS FUNDAMENTOS DO JUDAÍSMO

5° A TORÁ ORAL

6° OS TREZE PRINCÍPIOS DA FÉ JUDAICA


 

OS TREZE PRINCÍPIOS DA FÉ JUDAICA

 

Os Treze Princípios de Fé Judaica do Rav Maimônides são uma das declarações mais claras e concisas da crença judaica. São, de fato, sua pedra fundamental. Maimônides foi o maior codificador e filósofo na História Judaica. Também conhecido como Rambám (Rabênu Moshé ben Maimon), Maimônides estudou a totalidade da literatura judaica sagrada e codificou os princípios do judaísmo. O Povo Judeu aceitou esses princípios como a crença clara e inequívoca do judaísmo.

Nosso propósito aqui é apresentar e discutir brevemente cada um dos Treze Princípios de Fé de Maimônides. Esses treze enunciados são a essência da crença judaica. Ao estudá-los, aprendemos sobre o que torna único o judaísmo: aquilo no que nós, judeus, cremos; por que cremos no que cremos; e porque não é possível para o Povo Judeu adotar as crenças e práticas de outras religiões.

Os Treze Princípios de Fé Judaica

Primeiro Princípio:

“Creio com plena fé que D’us é O CRIADOR de todas as criaturas e as dirige. Só ELE fez, faz e fará tudo”.

O Primeiro Princípio de Maimônides é a crença na existência de D’us. Este é o princípio fundamental do judaísmo, o pilar de todos os demais. O judaísmo se  inicia e termina em D’us. Como escreve Maimônides: “A base fundamental e pilar da sabedoria é a compreensão de que há uma EXISTÊNCIA inicial que fez todo o restante existir”. Tudo o mais nos Céus e na terra apenas existe como resultado da realidade de SUA existência (Yad, Yesodey HaTorah 1:1).

Segundo o judaísmo, D’us é a origem, essência e vida de tudo. D’us não é apenas um conceito religioso, mas a Realidade Absoluta. O judaísmo ensina que somente D’us é real, e a existência de tudo é tênue e condicionada à Vontade d’ELE. Muitas pessoas têm certeza de sua própria existência, mas questionam a existência Divina.

O judaísmo nos ensina que a existência Divina é certa e absoluta, ao passo que a de todo o restante é questionável. Ademais, o judaísmo afirma que D’us é completamente independente de toda a Sua criação, ao passo que tudo o que existe é completa e incessantemente dependente d’ELE. Isto significa que D’us não apenas criou tudo o que existe, mas ELE também o mantém, constantemente.  Nos livros sagrados judaicos encontramos com frequência que um dos nomes de D’us é HaMakom – “O Lugar”.  A razão para essa denominação, segundo o Midrash, é que “D’us é o lugar do mundo, mas o mundo não é o lugar de D’us”. Isso significa que o mundo existe dentro de D’us, e não que há um D’us nos reinos espirituais e um universo físico que existe fora d’ELE.

A Cabalá ensina que o maior milagre de todos, possibilitado por um D’us onipotente, é que um mundo finito existe dentro d’O INFINITO sem se tornar inexistente pela infinitude.  O mandamento de acreditar em D’us é o primeiro dos Dez Mandamentos: “Eu sou HaVaYaH, teu D’us…”.

Segundo Princípio:

“Creio com plena fé que O CRIADOR é Único. Não há unicidade igual à d’ELE. Só ELE é nosso D’us; ELE sempre existiu, existe e existirá”.

A proclamação fundamental da fé judaica, que os judeus devem recitar diariamente, duas vezes ao dia, é o Shemá Israel, “Escuta, Israel! HaVaYaH é nosso D’us, HaVaYaH é um só!” (Deuteronômio, 6:4). Ao recitar o Shemá, afirmamos nossa fé em D’us e proclamamos SUA unicidade.

A unicidade Divina é um princípio central do judaísmo. A existência e a unidade de D’us andam lado a lado. O judeu que não crê na unidade absoluta de D’us, na verdade não crê em D’us, ou melhor, crê em um deus que não existe.

A unicidade de D’us é um tema complexo, muito além do escopo deste trabalho; mas é essencial observar o seguinte. Crer na unidade Divina significa não atribuir poder a nada ou ninguém a não ser a D’us. ELE é o único MESTRE do Universo. Não podemos sequer atribuir poder independente a anjos (quaisquer que sejam), muito menos a objetos inanimados, tais como  os corpos celestiais, ou a seres humanos.

Muitas religiões creem em D’us, mas também em outras forças independentes no universo, ou possuem um conceito diferente da unidade Divina. Cada nação tem seu próprio caminho (não-judaico) para chegar a D’us e sua própria maneira (não-judaica) de se relacionar com ELE. Contudo, como D’us SE revelou a todo o Povo Judeu no Monte Sinai e lhes deu a SUA Torá, ELE exige do Povo Judeu que acredite em SUA unicidade absoluta e incomparável[*.

* Mas não nos esqueçamos de que ESTE MESMO D’us, O D’us de Israel, O D’us da Torá, é O CRIADOR de todas as coisas, O ÚNICO CRIADOR de tudo, O REI do universo, que SE revelou a Adám e Chavá (Adão e Eva) e a Nôach e Naamá e sua família, dando lhes mitsvót universais. Isto é o Noaísmo. E, portanto, o Noaísmo também requer que se acredite na unicidade absoluta e incomparável de Hashém.]

 

O judaísmo ensina que a unidade de D’us não é como a de uma espécie, que engloba muitos indivíduos. Para um judeu atribuir a D’us qualquer tipo de divisão – mesmo entre as Sefirot – é pura idolatria. E este é um dos poucos pecados que um judeu não pode cometer nem ao custo de sua própria vida.

A unicidade de D’us significa que ELE é uno, singular e indivisível. Significa que ELE é a única Realidade e fonte de poder no mundo. Nada se compara a ELE, nem o anjo mais elevado nem o mais santo entre os humanos. Um judeu que questiona a unidade Divina viola o segundo dos Dez Mandamentos: “Não terás outros deuses diante de MIM” (Êxodo, 20:3).

Terceiro Princípio:

“Creio com plena fé que O CRIADOR não possui um corpo. Conceitos físicos não se aplicam a ELE.  Não há nada que se assemelhe a ELE”.

O Terceiro Princípio é que D’us não é físico, não tem corpo. Como D’us é infinito, os conceitos de fisicalidade(*) não se aplicam a ELE, em hipótese alguma, pois tudo o que é físico é, por definição, finito. O universo, por exemplo, em sua imensidão, é finito. O conceito de infinitude, portanto, apenas se aplica a D’us.

(* Aqui inclue-se a questão de gênero.)

 

É importante observar que a Torá fala, com frequência, de D’us como se ELE tivesse atributos físicos (como “os olhos de D’us”) e como se ELE tivesse reações humanas (D’us “se recorda”, ou “se zanga”). Quando se refere a D’us, a Torá emprega metáforas para que até mesmo uma criança possa relacionar-se com seus ensinamentos. Se, em vez de dizer, “D’us se zangou”, a Torá dissesse que “o Atributo de Guevurá Divina foi despertado”, muitos de nós não entenderíamos o que a Torá estava a nos transmitir.

Podemos perguntar: “Se D’us  é Onipotente, o que O impede  de assumir forma física ou humana?” (*) Na verdade, o princípio de que a fisicalidade não se aplica a D’us parece desafiar o conceito de que D’us é onipotente. Diante de tais paradoxos, devemos ter em mente que, pelo fato de D’us estar acima de quaisquer limitações, não podemos empregar a lógica humana para  O entender. Isso não significa que a crença em D’us é ilógica. Significa que como um ser finito não pode entender O INFINITO, tudo o que podemos conhecer acerca de D’us é o que ELE nos fez conhecer através de SUA Torá. Quanto a questionar  se D’us pode assumir forma física ou humana, isso não é nada diferente do que perguntar se D’us pode cometer suicídio ou criar uma divindade mais forte do que ELE ou mesmo uma pedra que ELE mesmo não consiga levantar. Esses paradoxos não se aplicam a uma EXISTÊNCIA Onipotente e, de fato, são insolúveis e intermináveis. Considerem o seguinte: como D’us é Onipotente, ELE pode, sim, criar uma pedra que ELE PRÓPRIO não consiga levantar, mas, como ELE é Onipotente, após ter criado essa tal pedra, ele consegue levantá-la.

(* Na verdade, sendo D’us O INFINITO, SUA INFINITUDE já SE encontra dentro mesmo de toda a fisicalidade. Portanto, este entendimento nada tem a ver com a falsa crença de uma encarnação.)

 

A mente humana, finita e falível, conhece apenas uma parte infinitesimal acerca do universo finito em que habitamos. Muito menos é o que sabemos sobre D’us.

O pouco que sabemos é o que D’us nos revelou através de SUA Torá. Na Torá, ELE nos diz que ELE não muda. Isso é fácil de entender: como D’us é atemporal, e a mudança é uma função do tempo, o conceito de mudança não se aplica a D’us. Portanto, ELE, por definição, não faz nada que possa causar uma mudança em SI MESMO. SUA infinitude, SUA onipotência, SUA unicidade, SUA eternidade e SUA não-fisicalidade, entre todos os SEUS demais atributos, são atemporais e, portanto, eternos e imutáveis.

Quarto Princípio:

“Creio com plena fé que O CRIADOR é o primeiro e o último”.

O Quarto Princípio envolve a eternidade absoluta de D’us. Nada mais compartilha SUA qualidade Eterna. A Torá discute esse ponto repetidamente.

No Terceiro Princípio acima, vimos que D’us é uma EXISTÊNCIA atemporal: os conceitos de tempo não se aplicam a ELE. ELE é o primeiro e o último, no sentido de que como ELE está além do tempo, os conceitos de antes, durante e depois não se aplicam a ELE. ELE não teve começo e não tem fim.

Muitas pessoas perguntam: “D’us criou tudo, mas quem O criou?”.  A resposta, obviamente, é: ninguém. A criação implica em um início, que é uma função de tempo. E D’us é atemporal, eterno: ELE sempre existiu e sempre existirá. Portanto, D’us não teve origem nem criador. O universo, no entanto, teve um início, e sua origem é D’us.

A Teoria da Relatividade nos ensina que o espaço e o tempo são atributos da matéria. Isso significa que quando D’us criou um universo físico, ELE também criou o espaço e o tempo. Como D’us precede a SUA criação, os conceitos de matéria, espaço e tempo não se aplicam a ELE, de forma alguma. Muitos perguntam: “Quanto tempo D’us esperou  antes de criar o universo?”.  A resposta, novamente, é que antes da criação do universo, o conceito  de tempo não existia. Não se pode falar de tempo antes da Criação. D’us criou tudo o que existe, inclusive o conceito de tempo, e continua a manter toda a Criação, incessantemente.

Quinto Princípio:

“Creio com plena fé ser adequado orar somente aO CRIADOR. Não se deve rezar para ninguém ou nada mais”.

O Quinto Princípio nos ensina que é absolutamente proibido orar a qualquer outro que não seja D’us. Para o judeu, é pura idolatria orar até mesmo aos mais elevados anjos Divinos. Como D’us é A Realidade Absoluta – pois ELE é uno, ilimitado e eterno – não há lugar para qualquer outro poder independente no universo. Como D’us é O INFINITO, está em toda parte e prontamente acessível a qualquer um (judeu ou não-judeu). Por ser a única Realidade no universo, não apenas seria profano, mas também ilógico orar a qualquer outro que não ELE.

O judaísmo proíbe totalmente que haja um intermediário entre um judeu e D’us (e por extensão, também o noaísmo, entre um noaíta e D’us). Podemos pedir que alguém nos abençoe e mesmo que ore por nós, mas não oramos a nenhum intermediário – nem a um anjo, nem a outro ser humano, independentemente de quão santificado possa ser. Podemos pedir a outros que orem por nós, mas isso também não nos isenta de nossa obrigação diária de orar a D’us.

Sexto Princípio:

“Creio com plena fé que todas as palavras dos profetas (judeus) são autênticas”.

O Sexto Princípio refere-se à profecia.

A profecia é um elemento necessário da religião, porque para que D’us INFINITO e o homem finito tenham um relacionamento significativo, há que haver alguma forma de comunicação entre os mesmos. O homem não pode viver de acordo com a Vontade Divina a menos que D’us a revele a ele. A função do profeta é transmitir as mensagens Divinas, seja ao indivíduo seja às nações.

É importante observar que uma pessoa que realiza milagres ou prevê com precisão o futuro não é, necessariamente, um profeta. Os feiticeiros do Faraó também conseguiam realizar milagres – fazer a água virar sangue, entre outros – e, com certeza, não eram profetas de D’us. Um verdadeiro profeta judeu não é simplesmente alguém que consegue realizar milagres – mas um servo de D’us, totalmente devotado à Torá e a seus mandamentos.

A função de um profeta judeu é fortalecer a fé do povo no Todo Poderoso e em SUA Torá. Se alguém alegando ser profeta se opõe à Torá de qualquer maneira que seja, ele é um falso profeta, não importa quantos milagres consiga realizar.

Sétimo Princípio:

“Creio com plena fé que a profecia de Moshé Rabênu é verdadeira. Ele foi o mais importante de todos os profetas, antes e depois dele”.

Diferentemente das demais religiões, o judaísmo não atribui poder divino algum a seus patriarcas, profetas e líderes. A Torá ensina que Moshé, o maior de todos os profetas, era um simples ser humano, nascido de pais humanos como qualquer um de nós. Ele era o mais humilde dos homens e chegou ao mais elevado nível espiritual que um ser humano pode atingir. Ele soube compreender a Divindade em um grau que superou qualquer ser que existiu.

Diferentemente dos demais profetas, antes e depois dele, Moshé falou com D’us “face a face”, como amigos que conversam entre si. Ele foi, portanto, o canal usado por D’us para transmitir SUA Torá ao Povo Judeu. Moshé apenas repetiu o que D’us lhe disse, e, portanto, qualquer profeta que contradissesse suas palavras, estaria contradizendo as palavras do Altíssimo.

É fundamental observar, como ensina Maimônides, que o Povo Judeu não acredita em Moshé por causa dos milagres que realizou. Milagres não comprovam nada: feiticeiros e idólatras também conseguem realizar atos sobrenaturais. Acreditamos em Moshé não por causa das 10 Pragas e da Divisão do Mar, mas pelo ocorrido no Monte Sinai. A Revelação Divina no Sinai é a única prova real de que a profecia de Moshé foi verdadeira. A Torá ensina que D’us disse a Moshé: “Eis que EU venho a ti, na espessura da nuvem, para que o povo ouça enquanto EU falo contigo, e também em ti crerão para sempre” (Êxodo, 19:9). (Três) milhões de judeus testemunharam essa Revelação Divina, que finalmente consolidou a alegação de Moshé de que ele era emissário de D’us.

Como ele foi o maior de todos os profetas – nem mesmo o Mashiach será um profeta de seu calibre – não aceitamos que qualquer pessoa que alegue ser profeta tente refutar sua profecia. Não o aceitaríamos, independentemente de quão grandes fossem seus milagres. Como cremos em Moshé devido à Revelação Divina no Sinai, e não devido aos milagres que realizou, os milagres realizados por outra pessoa não têm precedência sobre a Torá, em hipótese alguma.

Oitavo Princípio:

“Creio com plena fé que toda a Torá que se encontra em nosso poder foi dada a Moshé Rabênu”.

O Oitavo Princípio significa que a Torá que nos foi entregue por Moshé foi originada por D’us. A Torá é a “Palavra de D’us”, não de Moshé. D’us transmitiu a Torá a Moshé, letra por letra, e ele meramente as escreveu como um secretário que ouve um ditado. Ele foi o “secretário” de D’us.

Segundo o judaísmo, a Torá é a Sabedoria Divina. Como seu Autor é perfeito e eterno, assim é a Torá. Se um ser humano tivesse escrito a Torá, até alguém tão sagrado quanto Moshé, estaria sujeita a correções e mudanças. Como foi escrita por D’us, é imutável. É por isto que, segundo a Lei Judaica, um pergaminho de Torá não pode conter erro algum: se apenas uma única letra estiver faltando ou incorreta, todo o Sêfer Torá fica invalidado.

Cada letra, palavra ou versículo da Torá são igualmente sagrados. O judeu que diz que D’us deu a Torá toda à exceção de uma única palavra, que foi composta por Moshé e não por D’us, é um cético da pior espécie.

Cada mandamento dado a Moshé no Monte Sinai foi entregue juntamente com uma explicação. Pois está escrito: (Sobe a MIM, ao monte…); e dar-te-ei as tábuas de pedra, a Torá e instruções” (Êxodo, 24:12). “Torá” refere-se à Torá Escrita, enquanto “instruções” são sua interpretação. A Torá Escrita não pode ser entendida sem sua interpretação. Essa interpretação é o que chamamos de Torá Oral.

Nono Princípio:

“Creio com plena fé que esta Torá não será alterada, e que nunca haverá outra dada pelo CRIADOR”.

O Nono Princípio é o que verdadeiramente diferencia o judaísmo de todas as demais religiões. Esse princípio ensina que a Torá é permanente e imutável. Por esta razão os judeus não se podem converter a nenhuma outra religião – porque o judaísmo não aceita que se mude a Torá – Escrita e Oral – de forma alguma. D’us nos diz em Sua Torá: … “Não acrescentareis nem subtraireis nada disso” (Deuteronômio, 13:1).

A Torá tem 613 mandamentos (para o povo judeu). Nenhum ser humano, nem mesmo um grande profeta pode agregar, subtrair ou mudar qualquer um deles. Todas as leis rabínicas instituídas por nossos Sábios têm que ser uma ramificação de um desses 613 mandamentos  – não um novo mandamento em si mesmo. A Torá e seus mandamentos são a Constituição do Povo Judeu. Nossos sábios e juízes podem interpretar a Lei e reforçá-la. Contudo, não podem adulterá-la. Por exemplo, ninguém – nem um rabino nem mesmo um profeta – pode decretar que as leis de cashrut não mais se aplicam ou então mudar o dia em que guardamos o Shabát.  É permissível decretar leis rabínicas para fortalecer as leis bíblicas, mas está além do poder de qualquer ser humano modificar lei alguma da Torá.

D’us deu a Torá (das 613 Leis) apenas ao Povo Judeu. Outras religiões adaptaram-na ou a modificaram. Isso pode ser aceitável para eles, mas certamente não para o Povo Judeu. Alguém (judeu ou não-judeu) que alega ser profeta e tente mudar um pingo da Torá para o Povo Judeu, é um falso profeta. O mesmo se aplica se essa pessoa tentasse ensinar que os mandamentos dados ao Povo de Israel são temporários, e não perpétuos.

A Torá – Sabedoria e Vontade de D’us – é inalterável e intocável. Tentar encontrar falhas nela – mudá-la de alguma forma – é buscar falhas em seu AUTOR. Assim como D’us é Eterno e Imutável, também  o é a Torá. As circunstâncias que determinam as leis da Torá podem mudar – por exemplo, na ausência do Templo Sagrado, somos incapazes de cumprir muitos dos mandamentos da Torá. Da mesma forma, durante a Era Messiânica – uma era de paz e prosperidade universal – muitas das leis da Torá, tais como as relativas ao roubo e homicídio, deixarão de ser válidas. Mas isso não significa que a Torá mudará, e sim, que algumas de suas leis não mais serão aplicáveis.

Há uma declaração no Livro de Isaías sobre a entrega de uma nova Torá, no futuro. Isso significa que na Era Messiânica, nossa compreensão da Torá será tão mais profunda do que é hoje – já que a Sabedoria Divina cobrirá a Terra – que aparentará ser uma nova Torá. No entanto, será a mesma Torá, porque, apesar de ter mudado o mundo, D’us e SUA Sabedoria não mudarão.

Décimo Princípio:

“Creio com plena fé que O CRIADOR conhece todos os atos e pensamentos do ser humano. Como está escrito (Salmos, 33:15), “ELE analisa os corações de todos e perscruta todas as suas obras”.

O Décimo Princípio diz que D’us é Onisciente: ELE sabe tudo o que ocorre no universo e tudo o que os homens fazem. Esse princípio nega a opinião daqueles que alegam que… “HaVaYaH abandonou o Seu mundo…” (Ezequiel 9:9).

Esse princípio é fundamental não apenas para o judaísmo, mas para qualquer religião, pois um D’us que não é onisciente não é D’us. Não conhecer todos os atos e pensamentos humanos implica em falibilidade e limitações, e D’us é infalível e ilimitado. Para poder julgar o homem com justiça, D’us precisa conhecer seus pensamentos, palavras e atos.

Décimo-primeiro Princípio:

“Creio com plena fé que O CRIADOR recompensa aqueles que cumprem SEUS preceitos e pune quem os transgride”.

O Décimo-primeiro Princípio nos ensina que D’us não é apenas O CRIADOR do Universo e seu Legislador, mas também seu Juiz. O judaísmo rejeita, com veemência, o conceito do Deísmo – de que D’us criou o mundo e depois o abandonou. Sabemos perfeitamente que a justiça humana falha – vemos pessoas justas sofrerem e pessoas más prosperarem – mas o judaísmo nos ensina que, no fim das contas, nesta vida ou na outra, D’us aplica a justiça. É importante notar que como D’us é infinito e eterno, atemporal, também o são Suas recompensas e punições.

A maior recompensa Divina possível é o Mundo Vindouro, ao passo que o maior castigo possível é ser banido do mesmo. Portanto, D’us pode recompensar alguém com júbilo infinito ou sofrimento. Aqueles que perpetram a maldade neste mundo devem saber que, um dia, D’us os responsabilizará por seus atos e os punirá, de acordo. É importante que não interpretemos o conceito de recompensa e castigo do judaísmo de maneira infantil. Recompensa é a consequência direta de se ligar à Origem de Toda a Vida, ao passo que a punição é o sofrimento que se segue ao distanciamento da pessoa de D’us. Cada vez que um ser humano realiza um ato de bondade, de nobreza ou de santidade, ele fortalece sua conexão com D’us. Por outro lado, cada vez que ele comete uma ação reprovável ou viola a Vontade Divina, ele enfraquece essa conexão. O propósito dos mandamentos da Torá é fortalecer nosso vínculo com D’us.

Décimo-segundo Princípio:

“Creio com plena fé na vinda de Mashíach (o verdadeiro messias). Mesmo que demore, esperarei por sua vinda a cada dia”.

A crença na vinda do Mashiach é um dos princípios fundamentais do judaísmo. Infelizmente, esse conceito criou muitas divisões e disputas entre indivíduos, nações e religiões. Cada pessoa e cada grupo religioso têm direito a ter suas próprias opiniões, inclusive sobre a identidade do Messias, sobre quando ele virá e sobre o que ocorrerá na Era Messiânica.

No entanto, é importante observar o seguinte: o judaísmo apresentou ao mundo o conceito do Mashiach. Portanto, se buscamos conhecer objetivamente o assunto, temos que procurar em sua fonte original.

Segundo o judaísmo, para que um homem seja o Messias, é necessário que preencha as seguintes condições: seus pais precisam ter sido judeus e ele precisa ser descendente da Casa de David. Portanto, o Messias e todos os seus antepassados paternos têm que pertencer à tribo de Yehudá. Um Cohen ou Levi, por exemplo, não pode ser o Messias.

O Mashiach será um grande  líder e um profeta, um Tzadík e um Sábio que irá seguir meticulosamente a Torá Escrita e a Torá Oral. Ele irá liderar todos os judeus de volta ao caminho do judaísmo e fortalecerá o cumprimento de suas leis.

Além de possuir tais qualidades, há certas coisas que o Messias precisa fazer (durante o decorrer da era messiânica) para comprovar ser quem é. Precisa construir o Templo Sagrado de Jerusalém e reunir todos os judeus que vivem na Diáspora e levá-los à Terra de Israel. Ele, então trará uma era de paz para todo o mundo. Liderará este mundo à sua perfeição e levará todos os seres humanos – judeus ou não – a servirem a D’us em unidade.

Na Era Messiânica, não haverá idolatria, roubo nem injustiça. Não haverá guerras nem fome.  A inveja e a competição deixarão de existir, pois todas as coisas boas abundarão e todos os tipos de delícias serão comuns como o pó da terra. A principal ocupação da humanidade será conhecer D’us. Nas palavras do profeta Isaías:  “… porque a Terra estará repleta do conhecimento de HaVaYaH, como as águas cobrem o mar” (Isaías, 11:9).

Décimo-terceiro Princípio:

“Creio com plena fé na Ressurreição dos Mortos que ocorrerá quando for do agrado dO CRIADOR”.

O Décimo-terceiro Princípio envolve a ressurreição dos mortos. A importância desse conceito é nos ensinar que na Era Messiânica D’us aperfeiçoará o mundo, mesmo retroativamente. Além de ninguém morrer, mesmo os já falecidos voltarão à vida.

A ressurreição dos mortos é um dos fundamentos do judaísmo.  O Décimo-terceiro Princípio nos ensina que apesar do histórico de guerras e sofrimento do mundo, tudo terminará com um final feliz. D’us recompensará os justos do mundo, judeus ou não, com uma recompensa eterna.

Conclusão

Neste trabalho, explicamos muito brevemente os Treze Princípios de Fé de Maimônides. Eles constituem os pilares do judaísmo (e por extensão, do noaísmo).

Antes de concluir, temos de fazer a seguinte observação. O judaísmo pertence exclusivamente ao Povo Judeu. Os Treze Princípios de Fé de Maimônides, portanto, apenas têm relevância para os judeus (e por extenção, para os Bnei Noach, enquanto exatamente Princípios de Fé). Outras religiões têm seus próprios profetas, livros sagrados e ideias sobre D’us.

O judaísmo ensina que não é necessário ser judeu para conseguir ligar-se a D’us, receber a recompensa Divina e ter um lugar no Mundo (Espiritual). Basta ser uma pessoa justa e viver uma vida de integridade, justiça e bondade. [E isto independe da Fé (religião). Por outro lado, para verdadeiramente conhecer D’us e servi-LO corretamente, em outras palavras, para ser um Devoto de Hashém entre as nações, é preciso abandonar as religiões e retornar às suas origens, às suas raízes, espirituais: o Noaísmo.] D’us tem muitos filhos, e ELE tem diferentes expectativas de Seus filhos (judeus e não-judeus. Enquanto o) cristianismo é, no pensamento cristão,  o caminho certo para os cristãos, e o Islã é, no pensamento maometista, o caminho certo para os muçulmanos, o judaísmo é o único caminho para os judeus. É fundamental para todos os judeus entenderem e praticarem o judaísmo. Os Treze Princípios de Fé de Maimônides resumem a sua essência: aquilo em que nós, judeus, cremos, e por que o Povo Judeu deve permanecer fiel, para sempre, à Torá e a seus mandamentos.

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Para verificar a importância dos Treze Princípios para os Noaítas:

MANDAMENTOS DIVINOS PARA TODOS OS DESCENDENTES DE NOÉ

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A TORÁ ORAL

Noaísmo e A TORÁ E OS JUDEUS E O JUDAÍSMO


“Assim disse HaVaYaH dos Exércitos: ‘Naqueles dias, dez homens de diferentes línguas e de todas as nações segurarão a orla das vestes do judeu, dizendo: Iremos contigo, porque sabemos que D’us está contigo!’” – Zechariá (Zacarias) 8:23

 

1° A VERDADE HISTÓRICA DA REVELAÇÃO DIVINA NO SINAI

2° A AUTORIA DA TORÁ

3° CONHECIMENTO E FÉ

4° OS FUNDAMENTOS DO JUDAÍSMO

5° A TORÁ ORAL

6° OS TREZE PRINCÍPIOS DA FÉ JUDAICA


 

A Torá Oral

Muitas pessoas fazem uma pergunta aparentemente legítima: se a Torá Oral se originou de D’us, por que houve a necessidade de ser a mesma contestada, discutida e esclarecida?

O judaísmo se diferencia de todas as outras religiões pelo fato de não se ter originado de uma pessoa que alegava ter recebido uma mensagem das Alturas. Todas as outras começaram a partir de um indivíduo que, através de seus ensinamentos, arregimentava adeptos e convertidos. Apenas o judaísmo foi criado por D’us, ao reunir três milhões de pessoas no sopé do Monte Sinai, ocasião em que, pela primeira e única vez, revelou-SE abertamenteA veracidade da Torá é, pois, irrefutável, sendo esta a razão para que nem mesmo as demais religiões* fundadas a partir do judaísmo tenham sequer ousado negar sua origem Divina. Essa Revelação Divina, que se seguiu ao Êxodo do Egito, forjou um vínculo entre D’us e o povo judeu em todas as gerações. Este vínculo foi estabelecido pela Torá. Portanto, é claro que a Torá é o pilar do judaísmo, e que sem a mesma não haveria religião judaica.

(* Cristianismo, Islamismo, Kardecismo, etc.)

Apesar de o termo Torá abranger todos os fundamentos, leis e ensinamentos do judaísmo, literalmente refere-se aos 5 livros que nos foram transmitidos por D’us – letra por letra – a Moisés no Monte Sinai. Os cinco livros de Moisés – Bereshít (Gênese), Shemót (Êxodo), Vayikrá (Levítico), Bamidbár (Números), Devarím (Deuteronômio) – compõem o que conhecemos como a Torá Escrita, ou Torah she-Bichtav.

D’us também transmitiu a Moisés a Torá Oral, Torah she-Be’alpeh, que consiste das interpretações e explicações dos mandamentos da Torá Escrita. Moisés possuía o mais alto grau de profecia e, por isso, D’us pôde ensinar-lhe a Torá Oral de forma abrangente e detalhada. Pois está escrito: “Falava D’us a Moisés face a face, como um homem qualquer fala a seu amigo” (Êxodo 33:11). Ao mencionar especificamente a transmissão da Torá Oral, D’us disse: “Boca a boca falo com ele, claramente e não por enigmas” (Números 12:8).

A transmissão da Torá Oral é claramente revelada na Torá Escrita. Pois está escrito: “São estes os estatutos, juízos e leis (Torá) que deu HaVaYaH entre SI e os filhos de Israel no Monte Sinai, pela mão de Moisés” (Levítico 26:46). É importante notar que a palavra Torá está no plural, pois se refere tanto à Torá Escrita quanto à Oral (Rashi; Sifra). Em outra parte da Torá Escrita, D’us diz a Moisés: “Dar-te-ei tábuas de pedra, e a lei e os mandamentos que escrevi” (Êxodo 24:12). As tábuas de pedra são os Dez Mandamentos, a lei (Torá) significa a Torá Escrita e os mandamentos referem-se à Torá Oral. De fato, a Torá Escrita faz inúmeras alusões à Torá Oral. Por exemplo, está escrito: “Então matarás as tuas vacas e tuas ovelhas…como te ordenei” (Deuteronômio 12:21). Isto implica na transmissão das instruções sobre o abate casher de animais, apesar de que não são dadas explicações. De fato, a maioria de nossos mandamentos nunca são explicados na Torá Escrita. A mitzvá da guarda do Shabát é um dos Dez Mandamentos, mas não há nenhuma instrução sobre o significado de guardar o Shabát. São mencionados, também, outros mandamentos tais como a colocação de mezuzót, de tefilín, o cumprimento das festas judaicas, mas não são discutidos, de fato, na Torá Escrita. Está bem claro que todas as instruções são encontradas na Torá Oral.

Mas, por que razão, D’us não teria transmitido a totalidade da Torá por escrito?

O Rabi Aryeh Kaplan comenta em sua obra Guia do Pensamento Judaico, que a Torá Oral tinha o propósito de ser transmitida do mestre para o discípulo. Desta forma, o aluno não confiaria em sua própria interpretação de um texto escrito, e buscaria esclarecimento para suas dúvidas com seu mestre. Se a totalidade da Torá tivesse inicialmente sido escrita, as pessoas iriam interpretá-la como o desejassem, e isso iria causar importantes desavenças no seio do povo judeu. E já que a Torá Oral não podia ser escrita, dependeria de autoridades centrais para preservá-la e ensiná-la sem dar margem a ambigüidades.

Há uma razão ainda mais forte para a necessidade de uma Torá Oral. Apesar de a Bíblia Hebraica originalmente ter sido dada apenas ao povo judeu, foi adotada por grande parte da humanidade. A Divina Providência utiliza-se da Bíblia Judaica para pouco a pouco levar a humanidade até mais perto da Verdade Suprema. Se a Torá tivesse sido totalmente escrita, outros povos a teriam adotado, e o povo de Israel deixaria de ser único e singular. Em um dos livros de nossa Bíblia, D’us confirma-o através desta frase: “Embora eu lhe escreva a minha Torá em 10 mil preceitos, estes seriam tidos como coisa estranha” (Oséias 8:12). Assim sendo, a Torá Oral não apenas define a Torá Escrita, mas é o fator que realmente distingue o judaísmo de toda a outras religiões.

A Mishná

Antes de falecer, Moisés escreveu os 13 rolos da Torá e ensinou a Torá Oral ao profeta Josué bin Nun. A Torá Oral foi então transmitida por Josué aos anciãos de Israel, a seguir aos profetas e, por fim, ao Sanhedrín. Este, ou sinédrio, era a corte suprema de Israel, e tinha a missão de guardar, interpretar e legislar sobre todos os assuntos acerca das leis da Torá. Durante o período do Segundo Templo, o Sanhedrín codificou a Torá Oral. Essa codificação tornou-se conhecida como a Mishná. Uma razão para esse nome foi o fato de revelar que o propósito da codificação da Lei Oral era o de que seria revista (em hebraico, shaná) continuamente, até que fosse memorizada. Os sábios que originalmente ensinavam a Mishná eram conhecidos como os Tanaim.

A Mishná foi posteriormente colocada por escrito pelo Rabi Yehuda ha-Nasi, a quem comumente nos referimos como Nosso Santo Rabino. Este erudito reuniu todas as leis, tradições, explicações e comentários de toda a Torá e a seguir compilou-os na Mishná que hoje conhecemos. Terminou seu trabalho no ano de 3948 (188 antes da era comum).

Mas por que motivo o Rabi Yehuda ha-Nasi teria rompido com a tradição de não se escrever a Torá Oral?

Porque, com a destruição do Segundo Templo, a Torá Oral corria o perigo de ser esquecida. Diminuía o número de eruditos estudiosos da Torá e os judeus se dispersavam por todo o mundo. O Rabi Yehuda ha-Nasi, portanto, escreveu a Mishná para que mesmo que os judeus se afastassem de seus mestres, ainda assim poderiam estudar e seguir a Torá Oral e, assim, preservar o judaísmo.

Além da Mishná, foram escritos outros volumes interpretativos da Torá Oral pelos alunos do Rabi Yehuda ha-Nasi. Entre seus discípulos incluíam-se alguns de nossos mais famosos sábios: o Rabi Chiya, Rav, Bar Kapara, Rabi Yochanan e Rabi Hoshia. Rav redigiu a Sifra e o Sifri, que são comentários sobre três dos livros da Torá Escrita: Levítico, Números e Deuteronômio. O Rabi Chiya escreveu a obra Toseftá que elucida alguns dos conceitos da Mishná. O Rabi Hoshia e Bar Kapara escreveram Beraitot para explicar as palavras da Mishná. Trezentos anos após a destruição do Segundo Templo, o Rabi Yochanan redigiu o Talmud de Jerusalém, ou Talmud Yerushalmí. Este Talmud basicamente trata das leis referentes à Terra de Israel. Mas quando as pessoas falam do Talmud, geralmente não se estão referindo ao de Jerusalém, mas sim ao Talmud Babilônico, também chamado de Guemará.

O Talmud Babilônico

Em tempos remotos, os sábios da Torá estudavam a Lei Oral para, a seguir, fazer a análise de seu trabalho através de discussões. Após ter sido compilada a Mishná, tais discussões – que se tornaram conhecidas como a Guemará – serviram para esclarecê-la. A Guemará foi transmitida oralmente e preservada durante cerca de 300 anos após ter sido escrita a Mishná. Quando surgiu claramente o perigo de que a Guemará fosse esquecida, os dois maiores eruditos da época sobre Torá – Ravina e Rav Ashi – redigiram a Guemará por escrito. Com a ajuda de seus discípulos, nas academias de ensino da Babilônia, Ravina e Rav Ashi coletaram e ordenaram todas as discussões que compunham a Guemará. Esta compilação da Guemará – que incluía a Mishná – tornou-se conhecida como o Talmud Babilônico ou, em hebraico, Talmud Bavli. Foi finalmente publicado no ano de 4265 (505 antes da era comum).

O Talmud, que literalmente significa “estudo” ou “aprendizado”, é, portanto, composto da Mishná – um livro de Halachá (lei judaica) escrito em hebraico – e da Guemará – o comentário sobre a Mishná, que foi escrito em aramaico/hebraico. O Talmud Babilônico foi aceito pelo povo judeu como a autoridade máxima e suprema em todas as questões sobre a religião e a lei judaica. As leis da Torá só têm vínculo legal se forem baseadas no Talmud.

A autoridade do Talmud

Muitas pessoas fazem uma perguntam aparentemente legítima: se a Torá Oral se originou de D’us, por que houve a necessidade de ser a mesma contestada, discutida e esclarecida?

Há várias respostas para isso, mas talvez a principal seja a de que a Torá Oral tinha por objetivo cobrir a infinidade de casos que haveriam de surgir com o decorrer do tempo. É impossível que qualquer código de lei cubra, explicitamente, qualquer caso ou situação que surja durante os milênios. D’us deu a Moisés as duas tábuas da lei, mas a aplicação dessas leis em qualquer cenário possível teria que ser determinada pelos eruditos e juízes da Torá. Pois está escrito: “Quando alguma coisa te for difícil demais em juízo… virás aos sacerdotes levitas e ao juiz que houver nesses dias, e inquirirás; e te anunciarão a sentença do juízo” (Deuteronômio 17:8-9). Esses juízes da Torá eram os membros do Sanhedrin que preservavam e interpretavam a Torá Oral e que mais tarde a codificaram como a Mishná.

A Torá Escrita também ordena ao povo judeu obedecer o Sanhedrin em tudo o que diz respeito às leis da Torá, pois que está escrito: “Segundo mandado da lei que te ensinarem e de acordo com o juízo que te disserem, farás; da sentença que te anunciarem não te desviarás nem para a direita nem para a esquerda” (Deuteronômio 17:11).

O povo judeu todo aceitou a autoridade do Talmud como sendo a fonte das leis da Torá e, como tal, jamais poderá ser revogado por autoridade alguma. O Talmud inclui os ensinamentos de nossos sábios que receberam a Lei Oral das gerações que os antecederam, remontando-se até Moisés. Está claro que alguém que rejeite o Talmud, está desrespeitando a Torá Oral, pedra fundamental do judaísmo. Sem o Talmud, seria praticamente impossível entender e cumprir os mandamentos da Torá Escrita. A mera aceitação da Bíblia Hebraica faria dos judeus um povo em nada diferente da maioria dos outros povos, que também a aceitaram como sendo a Palavra de D’us.

À luz de tudo isso, não é de surpreender que aqueles que buscaram, desesperadamente, converter todos os judeus, proibiram o estudo talmúdico. Em 1240, 1264 e 1553 antes da era comum, a Igreja Católica promulgou decretos que ordenavam a queima das cópias do Talmud. Durante certos períodos, as autoridades eclesiásticas “corrigiam” o Talmud, apagando passagens que consideravam ofensivas a seu credo. Finalmente, em 1592, a Igreja proibiu o estudo do Talmud em qualquer de suas versões ou edições. Este decreto foi promulgado como reconhecimento de que uma sociedade que não estude nem siga o Talmud não tem chance real de sobreviver. Ao longo da história, os inimigos de nosso povo tentaram obliterar o judaísmo tentando destruir o Talmud. O povo judeu só conseguiu preservá-lo ao preço de inúmeras vidas, mesmo a de alguns de nossos maiores sábios. Por terem preservado o Talmud, estes salvaram o judaísmo.

A eternidade da Torá

Um dos pilares da religião judaica é o fato de a Torá ser eterna e ser a imutável Palavra de D’us. Na Torá Escrita, D’us proclama a eternidade da Torá e de seus mandamentos: “as coisas encobertas pertencem a HaVaYaH, nosso D’us, porém as reveladas nos pertencem, a nós e a nossos filhos, para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei (Torá) (Deuteronômio 29:28). Vemos, também, que na nossa Bíblia, em meio às palavras finais dirigidas por D’us a um profeta, encontrava-se o seguinte: “Lembrai-vos da lei (Torá) de Moisés, Meu servo, a qual lhe prescrevi em Horeb (Sinai) para todo o Israel, a saber, estatutos e juízos” (Malaquias 3:22).

Nenhum sábio ou profeta, muito menos um auto-proclamado Messias(*), pode modificar ou anular nem a Torá Escrita nem a Oral. Aquele que alega ser profeta de D’us pode realizar sinais ou milagres, mas se disser que D’us o enviou para alterar ou revogar a Torá, esta pessoa é um falso profeta. Na Torá Escrita, D’us nos alerta sobre os falsos profetas que iriam realizar milagres e tentar desviar o povo judeu dos mandamentos e das tradições de Sua Torá(**.

* Yeshu (Jesus); Muhammed (Maomé).

** Este texto alerta contra algum falso profeta judeu, ou seja, alguém que nasceu judeu (por exemplo, Jesus). No entanto, as mesmas admoestações servem contra falsos profetas não-judeus (logicamente à parte da execução).

Sobre o porque de os judeus não aceitarem Jesus como profeta ou como messias, veja

https://noahidebr.com/2017/12/20/a-verdadeira-historia-de-jesus-e-do-cristianismo/   .)

 

Mas, por que motivo D’us permitiria que tais pessoas chegassem a ter o poder de realizar milagres?

A isto, D’us responde na Torá Escrita. Este será Seu teste para determinar se somos leais a ELE e à SUA Torá, ou se seremos seduzidos pelos milagres daqueles que virão, falando em nome de D’us, para tentar anular os mandamentos (Deuteronômio 13:2-5). O Talmud (Bava Metzia 59b), em uma de suas mais dramáticas passagens, afirma que nem devemos dar ouvidos às vozes Celestiais, mas simplesmente seguir a Torá de acordo com o que prescreve a Lei Oral. Mesmo se uma voz dos Céus por ventura nos mandasse modificar nossa Torá e seus mandamentos, não a deveríamos obedecer.

D’us prometeu que SEU vínculo com o povo judeu – como é ratificado pela Torá e seus mandamentos – é eterno. Na Era Messiânica, A Verdade será revelada e o mundo inteiro irá reconhecer que a Torá é o verdadeiro ensinamento Divino à humanidade(*.

* Na verdade, o mundo inteiro já está abandonando suas religiões para seguir os mandamentos da Torá dados pelo PRÓPRIO D’us aos não-judeus. Isto é o que hoje se chama de Noaísmo (o Caminho Espiritual Noaítico, quer dizer, dos Noaítas ou Bnei Nôach – Filhos de Noé), que é a Fé Verdadeira, ou seja, a Fé Original – a Fé de Adám e Chavá (Adão e Eva) e de Nôach e Naamá.

Para saber mais sobre o verdadeiro ensinamento Divino à humanidade, veja

https://noahidebr.com/2015/09/08/as-sete-mistvot-que-unem-a-humanidade/   .)

 

Pois foi dito que em determinado momento futuro, todas as nações do mundo alegarão serem judias (por compartilharem da mesma Fé que Israel, A Fé em Hashém, pois então todos O conhecerão). E então, o Santo, Bendito seja, dirá que a única nação que detém o mistério em suas mãos é o povo judeu. E qual é este mistério? A nossa Mishná!

 

Próximo artigo:

OS TREZE PRINCÍPIOS DA FÉ JUDAICA

 

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OS FUNDAMENTOS DO JUDAÍSMO

Noaísmo e A TORÁ E OS JUDEUS E O JUDAÍSMO


 

“Assim disse HaVaYaH dos Exércitos: ‘Naqueles dias, dez homens de diferentes línguas e de todas as nações segurarão a orla das vestes do judeu, dizendo: Iremos contigo, porque sabemos que D’us está contigo!'” – Zechariá (Zacarias) 8:23

 

1° A VERDADE HISTÓRICA DA REVELAÇÃO DIVINA NO SINAI

2° A AUTORIA DA TORÁ

3° CONHECIMENTO E FÉ

4° OS FUNDAMENTOS DO JUDAÍSMO

5° A TORÁ ORAL

6° OS TREZE PRINCÍPIOS DA FÉ JUDAICA


 

ATENÇÃO:

▪Na transliteração dos termos hebraicos o “ch” tem som de “RR”. Exemplos: “Yochanan”, “Chamishei Chumshei”, “Tanách”, etc.

▪Na transliteração dos termos hebraicos o “sh” tem som de “CH”. Exemplos: “Moshé”, “Chamishei Chumshei”, etc.

 

OS FUNDAMENTOS DO JUDAÍSMO

 

“Rabi Yochanan ensinou: A maioria das leis da Torá é fundamentada na transmissão oral e apenas a minoria nas Escrituras. Pois está escrito: ‘Por meio da boca (palavras transmitidas oralmente), EU (O ETERNO) fiz uma aliança contigo e com Israel’ (Êxodo 34:27)”. Se a aliança de D’us com Israel foi estabelecida por meio de leis que foram transmitidas oralmente, isso significa que estas constituem a maioria da Torá”. (Talmud Bavli, Gitin, 60b)

 

A alegação extraordinária de que D’us  SE revelou aos seres humanos baseia-se em extraordinária evidência: o testemunho  de uma geração inteira de judeus – cerca de 3 milhões de pessoas. A Torá registra o evento, mas o Povo Judeu também transmitiu oralmente, de uma geração a outra, a noção de que, sete semanas após o Êxodo do Egito, D’us abertamente SE revelou aos Filhos de Israel e proclamou os Dez Mandamentos, que são o núcleo das 613 mitzvót (leis) do Judaísmo. Ano  após ano, na festa de Shavuót, lembramo-nos e celebramos esse evento, o mais importante na história  da humanidade.

Milhões de judeus deixaram o Egito, o que significa  que houve milhões de testemunhas independentes para verificar ou negar o relato da Revelação Divina, especialmente durante as primeiras duas ou três gerações após o fato ter ocorrido. Para lançar dúvidas sobre o evento, bastaria que um grupo de judeus contasse a seus filhos que era uma inverdade o relato da Torá acerca de D’us se ter revelado a todos os judeus que deixaram o Egito. A Torá está ciente de que é muito difícil negar a veracidade histórica da Revelação Divina no Sinai e, corajosamente, oferece este desafio a todos os judeus: “Podes perguntar, pois, pelos dias passados que te precederam, desde o dia em que D’us criou o homem sobre a terra… Se houve jamais uma coisa grande semelhante a esta, ou se ouviu coisa igual a ela? Se um povo (inteiro) ouviu a voz de D’us falar no meio do fogo, como ouviste tu e ficaste vivo?” (Deuteronômio, 4:32–33)

A Revelação Divina no Sinai é o princípio fundamental do Judaísmo porque permitiu não apenas à geração conduzida por Moshé, mas também a todas as subsequentes gerações judias conhecerem, e não apenas acreditarem, que existe um D’us e que a Torá é a SUA Palavra e Vontade. Nós acreditamos em Moshé porque acreditamos em D’us – e não ao contrário. Essa distinção é da maior importância. O judaísmo não se originou  com o homem. Nenhum dos três patriarcas – Avraham, Itzhak e Yaakov – nem Moshé e seu irmão Aaron, fundaram a fé judaica. O judaísmo começa e termina com D’us.

A Revelação no Sinai é o pilar do judaísmo porque fundamenta Moshé como porta-voz e agente Divino: um canal confiável para a transmissão da chancela Divina no mundo – a Vontade e a Sabedoria Divinas – que é a Torá. Não há erro maior acerca do judaísmo do que a crença de que Moshé escreveu a Torá ou de que ele é o criador da Lei Judaica. Ele foi o maior dentre os profetas e líderes judeus: trouxe a Torá dos Céus à Terra e a ensinou a nosso povo – por esse motivo, é chamada de a Torá de Moshé –, mas não escreveu uma única letra da mesma. Moshé apenas transcreveu os Chamishei Chumshei Torá – os Cinco Livros da Torá. Foi o copista, não o autor. A Torá é a palavra de D’us, não a de qualquer profeta, nem mesmo do maior dos profetas de todos os tempos. A Revelação Divina no Sinai não apenas removeu todas as dúvidas sobre a Existência Divina e SEU interesse em SUA Criação. Também corroborou o fato de Moshé ser um profeta verdadeiro e fidedigno, e de a Torá, que ele trazia dos Céus, ser um livro de autoria Divina, não humana.

A Autoria Divina da Torá

Nós, judeus, acreditamos na Torá devido à Revelação Divina no Sinai, mas também acreditamos na Revelação por causa da Torá. O evento e seus relatos escritos e orais se entrelaçam. Por um lado, a Revelação Divina evitou que o Povo Judeu duvidasse do papel de Moshé como profeta e agente de D’us e de atribuir a ele a autoria da Torá. Por outro, a Torá corrobora a veracidade da revelação explícita de D’us ao Povo Judeu. Ao afirmar que a Revelação ocorreu perante milhões de judeus, a Torá se expôs ao desafio. Vimos no artigo Conhecimento e Fé que é praticamente impossível sustentar uma alegação de tal magnitude a menos que seja verdadeira; portanto, temos boas razões para crer que a Torá diz a verdade. Em outras palavras, a Revelação Divina dá à Torá credibilidade como uma obra de Divina autoria, ao passo que a Torá registra e comprova a veracidade histórica do evento mais extraordinário na história humana.

O processo de transmissão da Torá ao Povo Judeu se iniciou após a Revelação Divina e a proclamação dos Dez Mandamentos. Ao longo da jornada de 40 anos no Sinai, D’us transmitiu a Torá a Moshé, letra por letra. Moshé as anotou, como um secretário o faria. Quando lemos a Torá, portanto, estamos ouvindo a Fala Divina. Por vezes, ELE fala na primeira pessoa e por vezes na terceira – como quando fala através de Moshé, particularmente no quinto livro da Torá –, mas é sempre ELE QUEM fala.

Além da Torá Escrita, D’us transmitiu a Moshé a Torá Oral. Ambas eram igualmente necessárias. Se D’us não lhe tivesse dado a Torá Escrita – se a tivesse transmitido apenas oralmente –, provavelmente sua transmissão não seria tão límpida e imaculada; acabaríamos por enfrentar versões diferentes devido à má compreensão e consequente transmissão errônea de SEUS Mandamentos. Um documento escrito ajuda a evitar que isso ocorra. Ao mesmo tempo, um documento escrito, especialmente se contém conceitos e leis complexos, exige explicação oral, pois é comum entendermos e interpretarmos errado o que lemos. Em resumo, a Torá Escrita preserva a precisão da Torá Oral, ao passo que a Torá Oral explica e elucida a Torá Escrita, evitando que esta seja mal-entendida e mal interpretada.

A Autoridade Suprema da Torá

Moshé foi o maior profeta judeu de todos os tempos. D’us e Moshé se comunicavam entre si como dois amigos, íntimos. Por isso foi possível a D’us transmitir a Torá, letra por letra, a Moshé enquanto estava desperto e plenamente consciente. Outros profetas tiveram visões ou receberam mensagens Divinas durante seu sono ou em estado alterado de consciência. Tiveram, pois, que descrever com suas próprias palavras o que viram ou ouviram. Nenhum profeta judeu, nem mesmo os Patriarcas, possuíram a visão profética clara e transparente de Moshé.

D’us transmitiu informações precisas a ele. Os Cinco Livros da Torá não são apenas mensagens Divinas, mas a fala Divina. Em contraste, as palavras gravadas no livro dos Profetas (Nevi’im) são mensagens Divinas, mas não são palavras literais de D’us. Isso significa que apesar de todo o Tanách (Torá, Nevi’im, Ketuvim – Torá, Profetas e Escritos) ser sagrado, não há comparação entre seus primeiros cinco livros, a Torá, e os demais.  Essa distinção tem importância capital. O judaísmo se inicia e termina com os Chamishei Chumshei Torá.  É totalmente proibido extrair qualquer lei bíblica a partir dos Profetas ou dos Escritos. A única fonte de Lei Bíblica é a Torá. No judaísmo, os Profetas e os Escritos podem apenas prover um suporte e corroboração – uma Asmachtá – a uma lei da Torá. Nevi’im e Ketuvim são livros sagrados, mas não podem agregar, subtrair ou modificar qualquer verso ou lei dos Cinco Livros da Torá. Somente leis rabínicas, como os mandamentos de Purím (uma festividade rabínica) podem-se originar de Nevi’im e Ketuvim. Leis bíblicas, como as de Yóm Kipúr, Shabát, Cashrut, Tefilín, Mezuzá etc., são ditadas exclusivamente pela Torá. Se alguém quiser ousar e argumentar que um decreto rabínico é tão rigoroso quanto um bíblico, e que, portanto, não deveria haver distinção entre a Torá e o restante do Tanách, que esse alguém tente argumentar que não ouvir a Meguilat Esther em Purím é tão grave quanto não jejuar em Yóm Kipúr.

A regra essencial de que a Torá é o cerne do judaísmo é de grande relevância para o Povo Judeu. O fato de a Torá ser a primeira e a última palavra sobre o judaísmo tem profundas ramificações: significa que a fé judia não depende dos Nevi’im e dos Ketuvim. Nenhum profeta – nem Isaías, nem Jeremias nem Ezequiel – tinham autoridade de alterar a lei da Torá sob nenhum aspecto. Nenhum versículo do Livro dos Salmos pode ser usado para contradizer um versículo da Torá. Se algum profeta ousasse fazê-lo, seria considerado um falso profeta e acusado de pecado capital, ainda que suas profecias se realizassem, que realizasse milagres extraordinários e fosse carismático ou generoso. Os profetas não tinham autoridade alguma de modificar permanentemente a lei da Torá. Como os Cinco Livros da Torá foram escritos por D’us, nenhum ser humano, nem mesmo Moshé, poderia jamais revogar ou modificá-la de alguma forma.

Como vimos acima e no artigo Conhecimento e Fé, a base do judaísmo é a Revelação Divina no Monte Sinai. D’us, em SUA Plenitude, fez-SE ver a cada um dos judeus da geração que deixou o Egito e lhes transmitiu os Dez Mandamentos, que são o núcleo dos 613 mandamentos da Torá. Se não tivesse havido essa Revelação – se Moshé ou os profetas posteriores tivessem escrito a Torá – seria possível argumentar que eles teriam autoridade para modificá-la. No entanto, como foi repetidamente mencionado acima, Moshé não escreveu a Torá – ele a transcreveu e a ensinou. D’us escreveu a Torá – em sua íntegra. ELE é o único Legislador da Lei Judaica. Os Profetas e os Sábios são o poder judiciário, não o legislativo, do judaísmo. A própria Torá dá-lhes permissão de interpretar a Lei e mesmo de criar leis rabínicas que servem de proteção para que as leis bíblicas não sejam violadas. Contudo, nenhum ser humano, independentemente de seu grau de inteligência ou espiritualidade, pode criar, modificar ou revogar as leis da Torá. Além disso, qualquer lei rabínica precisa ter alguma base na lei bíblica.

Esse princípio fundamental do judaísmo é explicitamente declarado no quinto livro da Torá. Pois está escrito: “Se um profeta, ou um sonhador, se levantar no meio de ti e te der um sinal do céu ou um milagre da terra, e realizar-se o sinal ou o milagre de que te falou, e te disser: ‘Vamos atrás de outros deuses, que não conheceste, e sirvamo-los! ’ – não obedecerás às palavras daquele profeta ou daquele sonhador; porque HaVaYaH, vosso D’us, vos está testando para saber se amais HaVaYaH, vosso D’us, com todo vosso coração e com toda vossa alma. Após HaVaYaH, vosso D’us, andareis; a ELE temereis, SEUS Mandamentos guardareis e a SUA Voz ouvireis; a ELE servireis e a SUAS qualidades adotareis. E aquele profeta ou aquele sonhador será morto, porquanto pregou falsidade em Nome de HaVaYaH, vosso D’us, que vos tirou da terra do Egito e que vos redimiu da casa de escravos, para vos desviar do caminho que HaVaYaH, vosso D’us, vos ordenou para andar nele; e eliminarás o mal do meio de ti” (Deuteronômio, 13:2-6). 

Se alguém questionasse por que D’us daria poderes sobrenaturais a um ser humano que os usaria para se opor à SUA Vontade(*), a Torá prontamente dá a resposta: porque D’us está testando sua fé.

(* E este é o caso no que se refere a Yeshu (Jesus). Veja

https://noahidebr.com/2017/12/20/a-verdadeira-historia-de-jesus-e-do-cristianismo/  )

 

D’us nos fez saber por meio de SUA Torá que nenhum ser humano tem a autoridade de modificar ou revogar a Lei Judaica. Um homem pode realizar os maiores milagres – pode prever com precisão o futuro e fazer do dia noite e da noite, dia. Mas mesmo assim estamos proibidos de segui-lo se ele pronunciar uma única palavra contra a Torá.

Durante milhares de anos, indivíduos, organizações e instituições religiosas tentaram converter os judeus, alegando serem profetas ou fazedores de milagres ou argumentando que certas leis da Torá já não se aplicavam. Geralmente citavam passagens de Nevi’im ou Ketuvim para tentar corroborar suas crenças. Tais discussões, no que concerne ao judaísmo, são fúteis, pois a própria Torá nos alerta acerca de milagreiros e profetas que tentam nos desviar para outras fés. Além disso, como vimos acima, os versículos e passagens de Nevi’im e Ketuvim são irrelevantes para a Lei e prática judaicas. Sequer importa de que forma tais passagens são interpretadas, seja literalmente ou não.

Se, por exemplo, o profeta Isaías dissesse ao Povo Judeu que as leis de Cashrut já não mais se aplicavam, não apenas não lhe faríamos caso, como o levaríamos à Corte Suprema Judaica para ser julgado por ser um falso profeta. Na verdade, é interessante observar que esse profeta foi acusado por seu próprio neto, o rei Menashé, de ter feito declarações que contradiziam certos princípios da Torá. O profeta foi julgado, condenado à pena capital e brutalmente executado. Se as intenções do Rei em condenar seu avô eram maldosas e se as acusações eram infundadas não é relevante para nossa discussão. O que é digno de nota é que o maior profeta desde Moshé foi julgado e condenado à morte por ter feito declarações que alegadamente contradiziam certos princípios da Torá.

Não desejamos implicar que as palavras do profeta Isaías ou de qualquer genuíno profeta judeu contradiga a Torá, de alguma forma. De fato, o principal papel dos profetas era levar o Povo Judeu a fortalecer o seu cumprimento da Torá. Não é coincidência o fato de que o último dos profetas do Tanách, Malachi, conclua suas palavras proféticas com a seguinte mensagem Divina: “Recorda-te da Torá de Moshé, Meu servo” (Malachi 4:4).

Judeu algum deve tentar abraçar outra religião ou filiar-se a outro culto porque alguém realizou ou alegou ter realizado milagres e maravilhas. Ademais, todos os judeus devem estar cientes de que o judaísmo não pode ser ameaçado, de forma alguma, por interpretações de outros credos de passagens dos Nevi’im ou dos Ketuvim. As palavras de um ser humano  jamais poderá ou terá precedência sobre as palavras de D’us, que constituem os Cinco Livros da Torá.

A Torá Oral

D’us ditou a Torá Escrita a Moshé e o ensinou como deveria lê-la e elucidá-la – e como cumprir seus mandamentos. Esse “Guia Divino à Torá Escrita”, transmitido a Moshé e ensinado subsequentemente ao Povo Judeu durante sua longa jornada no deserto, é conhecido como a Torá Oral.

A Torá Escrita original transmitida por D’us a Moshé foi uma longa sequência de letras sem divisão entre as mesmas. O Talmud a descreve como “fogo negro escrito sobre fogo branco”. A Torá Oral explica como as letras da Escrita deviam ser divididas, pronunciadas e lidas. Sem ela, a Torá Escrita seria incompreensível – uma longa lista de letras hebraicas – compondo um código indecifrável.

Muitas das leis da Torá são muito complexas. Desde a Revelação no Sinai, inúmeros livros foram escritos sobre a mesma – mesmo a Torá Oral foi transcrita – mas, ainda assim, necessitamos de rabinos e professores para melhor entendê-la.

Mas não necessitamos de argumentos racionais para tentar provar a existência de uma Torá Oral. A Torá Escrita testemunha a existência de uma tradição oral, pois se fôssemos ler os Chamishei Chumshei Torá sem jamais ter praticado ou guardado os mandamentos judaicos, entenderíamos muito pouco dos mesmos. Por exemplo, quando lemos sobre a Matzá na Torá, sabemos a que se refere – apenas porque a quase totalidade dos judeus do mundo já o provaram ou viram. A Torá Escrita não nos diz como produzir a Matzá, como assegurar que não se torne Chamêtz, tampouco que devemos comê-la durante o Seder de Pêssach. A Tora Oral é a única fonte desse conhecimento.

A Torá Escrita transborda de leis e mandamentos, mas não explica como cumpri-los. O Brit Milá, a circuncisão, é um dos pilares da fé judaica – até o menos observante dos judeus insiste em circuncidar seus filhos homens – mas, ainda assim, a Torá Escrita sequer menciona explicitamente em que órgão se pratica a circuncisão nem como. Yóm Kipúr, dia mais sagrado do ano, é outro pilar da fé judaica. A Torá Escrita diz que nos devemos afligir no Dia do Perdão, mas não nos diz como. Não diz, em parte alguma, que devemos jejuar. Como saber que nos afligirmos em Yóm Kipúr significa jejuar? Afligir-nos pode significar autoflagelo. Mas não é. Outro pilar do judaísmo é o cumprimento do Shabát, mas a Torá Escrita não nos diz o que podemos e o que não podemos fazer nesse dia sagrado. Já a Torá Oral, esta nos fornece não apenas os detalhes, mas as explicações básicas de como interpretar e executar os mandamentos transmitidos pela Torá Escrita.

A referência mais explícita feita pela Torá Escrita acerca da Oral é encontrada em um versículo referente à Shechitá – o abate casher de animais. Em nenhum lugar da Torá Escrita ou outro livro do Tanach consta uma explicação sobre como essa prática deve ser realizada. Apenas está escrito: “… poderás degolar do teu gado e do teu rebanho que HaVaYaH te deu, como te ordenei…” (Deuteronômio, 12:21).

Através da História Judaica, muitas pessoas, judias ou não, têm tentado negar a existência e autenticidade da Torá Oral. Já que, como vimos acima, a Revelação Divina no Sinai não pôde ser negada porque foi um evento público que envolveu milhões de pessoas, quem quisesse enfraquecer a existência ou o cumprimento do judaísmo, tinha como objetivo a Lei Oral. Quando uma nação ou uma organização tentavam extirpar o judaísmo, escolhiam como alvo o Talmud, núcleo da Torá Oral.

É fácil entender por que aqueles que desejavam extirpar o judaísmo sem sujar suas mãos baniam o estudo do Talmud. Se nós, judeus, não podemos estudar a Torá Oral, não podemos entender e seguir a Torá Escrita, e, assim, não podemos cumprir os mandamentos.

Emét, a Verdade, como vimos no artigo já citado, é definida pela Torá como honestidade e consistência intelectual. Uma meia-verdade não é a Verdade.  Se alguém quer negar a existência e autenticidade da Torá Oral, terá que negá-la totalmente. Não poderá escolher aleatoriamente quais de suas leis atendem a seus propósitos. Quem a nega, não pode alegar que o principal mandamento de Yóm Kipúr é abster-se de comer e beber porque em nenhum lugar da Torá Escrita isso está ordenado. Não se pode negar a Torá Oral e tomar as quatro espécies em Sucót, porque em nenhum lugar da Torá Escrita suas identidades são reveladas. Finalmente, aquele que nega a Torá Oral não deveria sequer ler um Chumash ou um Sefer Torá, pois sem a Lei Oral não saberíamos como dividir as letras, o que dizer, então, de pronunciar suas palavras…

É importante observar, no entanto, que reconhecer a autenticidade e a autoridade da Torá Oral não significa que se alguém não segue todas as suas leis, não precisa se preocupar em seguir nenhuma delas. O que se espera de cada um dos judeus é honestidade e consistência intelectual: ou se aceita que a Torá Oral é tão Divina quanto a Escrita ou não. Não há outra opção. O que se espera do Povo Judeu, acima de tudo, é que preserve os fundamentos do judaísmo. O judaísmo autêntico é o reconhecimento de que D’us SE revelou no Monte Sinai e nos deu a Torá, de que a Torá é de Autoria Divina, e que a Torá Oral tem igual importância à Escrita.

Não surpreende que os judeus que não aceitaram ou não preservaram os princípios do judaísmo, acabaram por se assimilar. Ainda que acreditem em D’us, na Divina  Revelação no Sinai e na Divindade da Torá Escrita, isso não é suficiente. É a Torá Oral que distingue o judaísmo das outras religiões, especialmente daquelas que adotaram o Tanách. Na ausência da Torá Oral, não pode haver um judaísmo real.

A Eternidade da Torá

No Talmud, vemos diferenças de opinião em assuntos da  Lei Judaica, especialmente entre as Escolas de Hillel e Shammai. O Talmud declara que ambas as Escolas estão corretas em suas sentenças; ambas refletem as Palavras do D’us Vivo. Como poderiam ambas estar corretas? E se a Escola de Shammai também estava correta em seus veredictos, por que a Lei Judaica segue, em geral, os da Escola de Hillel?

É possível haver diferenças de opinião em questões da Lei da Torá porque assim como D’us possui tanto o Atributo de Misericórdia como o de Justiça, também a Torá, que é a SUA Vontade e Sabedoria, pode ser aplicada de forma leniente ou severa. A Escola de Hillel representava a Misericórdia Divina – e por essa razão suas sentenças tendiam a ser mais lenientes. A Escola de Shammai, por outro lado, refletia a Justiça Divina – por isso a maioria de seus veredictos eram mais severos que os da Escola de Hillel.

Em geral, a Lei Judaica sentencia segundo a Escola de Hillel porque vivemos em um mundo imperfeito, onde a Presença Divina é quase sempre oculta. Somos seres humanos frágeis e necessitamos misericórdia e leniência. Neste mundo de tantos desafios, é bastante difícil seguir a lei da Torá mesmo segundo os veredictos da Escola de Hillel. Contudo, quando Mashíach (o verdadeiro Messias) vier e o mundo for aperfeiçoado, seguiremos as sentenças da Escola de Shammai – pois seremos, então, capazes de seguir a Torá de acordo a suas interpretações mais rígidas.

Isso significa que contrariamente ao que muitos pensam, a Torá não será revogada quando o Mashíach vier. De fato, como explicamos acima, nós a respeitaremos de uma maneira ainda mais rígida e completa. O conceito de uma “nova Torá”, tirado de um versículo de Isaías, não significa que a Torá do Sinai foi ou será revogada na Era Messiânica. Pois, como vimos acima, nenhum profeta, nem mesmo Isaías, pôde mudar sequer um pingo na Torá. Ademais, a Torá Oral, que é uma parte indispensável para a compreensão da Torá Escrita, explica que na Era Messiânica iremos observar a Torá de acordo com Beit Shammai, a Escola de Shammai. Portanto, o conceito de uma “nova Torá” significa uma compreensão mais profunda dos ensinamentos da Torá e o cumprimento mais rígido de seus mandamentos.

A Torá não pode mudar porque é a Vontade e Sabedoria de uma EXISTÊNCIA Infinita e Perfeita, que vive acima e além do tempo e de qualquer outra limitação. Em determinados períodos no tempo, algumas das leis da Torá podem não se aplicar. Por exemplo, não podemos cumprir muitos de seus mandamentos na ausência do Templo Sagrado. Contudo, nenhum dos mandamentos foi ou jamais será permanentemente revogado.

A Cabalá ensina que a Torá é o projeto do mundo.  Como ensina o Zohar, “D’us olhou na Torá e criou o mundo. O homem olha na Torá e o sustenta”. O Maharal de Praga, um dos maiores Sábios da história judaica, que ficou famoso por criar o Golem, perguntou, certa vez: “Por que o mundo está-se perdendo?”. E ele respondeu: “Porque a Torá foi abandonada”. E o que significa abandonar a Torá? Significa não reconhecer que é Divina e subestimá-la de alguma forma. O Talmud afirma enfaticamente que questionar a origem Divina de uma letra que seja ou de uma interpretação tradicionalmente aceita da Torá equivale a negar toda a Torá (Sanhedrin 99a). O Talmud vai mais adiante. Ensina que aquele que nega que a Torá Oral foi outorgada por D’us a Moshé é alguém que despreza a palavra de D’us (ibid).

Como a Torá é o plano-mestre de D’us para o mundo, aquele que se empenha em fortalecê-la, fortalece o mundo. Ele ajuda a levar bênçãos, proteção, paz e prosperidade a toda a humanidade. Quem, por outro lado, enfraquece a Torá, faz exatamente o oposto.

A festa de Shavuót, que ocorre sete semanas após Pêssach, é a época mais propícia do ano para o Povo Judeu fortalecer a Torá através da renovação de seu compromisso de estudá-la e cumprir seus mandamentos. Fortalecemos a Torá e trazemos bênçãos Divinas e plenitude ao mundo preservando os fundamentos do judaísmo: o reconhecimento de que D’us SE revelou ao homem, de que a Torá é Divina e, portanto, eterna e imutável, e de que apoia-se em dois pilares: a Torá Escrita e a Torá Oral. São esses os princípios que definem o judaísmo autêntico.

 

Próximo artigo:

A TORÁ ORAL

 

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CONHECIMENTO E FÉ

Noaísmo e A TORÁ E OS JUDEUS E O JUDAÍSMO


 

“Assim disse HaVaYaH dos Exércitos: ‘Naqueles dias, dez homens de diferentes línguas e de todas as nações segurarão a orla das vestes do judeu, dizendo: Iremos contigo, porque sabemos que D’us está contigo!’” – Zechariá (Zacarias) 8:23

 

1° A VERDADE HISTÓRICA DA REVELAÇÃO DIVINA NO SINAI

2° A AUTORIA DA TORÁ

3° CONHECIMENTO E FÉ

4° OS FUNDAMENTOS DO JUDAÍSMO

5° A TORÁ ORAL

6° OS TREZE PRINCÍPIOS DA FÉ JUDAICA


 

ATENÇÃO:

O “ch” nos termos hebraicos tem som de “RR”: Chassídico, Chassidim, Yochai, Chukim, Kórach.

 

CONHECIMENTO E FÉ

“Para que não esqueças as coisas que os teus olhos viram e para que não saiam do teu coração todos os dias da tua vida; e as farás conhecer aos teus filhos e aos filhos de teus filhos – no dia em que estiveste diante de HaVaYaH, teu D’us, em Horeb, quando HaVaYaH me disse: ‘Junta-me o povo e o farei ouvir as MINHAS palavras, para aprender a temer-ME todos os dias em que viver na terra, e para que as ensinem a seus filhos'”. (Deuteronômio 4:9-10)

 

A história que leremos, a seguir, versa sobre  Rabi Levi-Yitzhak de Berditchev, um dos maiores mestres do Movimento Chassídico. Logo após seu casamento, ele pediu permissão ao sogro para viajar a Mezeritch, onde queria estudar com o líder dos Chassidim, o Rabi Dov Ber, conhecido como o Grande Maguid, o Grande Pregador. O sogro negou-lhe a permissão, mas o Rabi Levi-Yitzhak insistiu e perturbou-o até que ele cedeu, dando-lhe permissão de passar seis meses estudando em Mezeritch.

Rabi Levi-Yitzhak viaja, então, para estudar com o Grande Maguid. Ao voltar para casa, decorridos os seis meses, o sogro o recebe com um sorriso zombador. “Diga-me, Levi, o que foi que aprendeu em Mezeritch?  O que aprendeu com aquelas pessoas estranhas – os Chassidim – que não pudesse ter aprendido aqui?”, perguntou. Rabi Levi-Yitzhak volta-se para o sogro  e diz: “Agora sei que D’us existe”. Seu interlocutor fica chocado com a resposta. Agora ele sabe que D’us existe? Teria sua filha se casado com um ateu, um agnóstico?

O sogro chama, a seguir, uma mocinha que trabalhava  em sua casa. Aponta para o céu, a grama, as árvores  e pergunta a ela: “Diga-me, como surgiu tudo isso?”.  A garota responde, sem hesitar: “D’us o criou, claro!”.  “Você está dizendo que D’us existe?”, perguntou. “Claro que D’us existe!”, ela disse, olhando-o como se ele tivesse perdido a razão.

Voltando-se para Rabi Levi-Yitzhak, o sogro diz: “Você está vendo, Levi? Ela não estudou em Mezeritch. Na verdade, ela nunca frequentou uma Yeshivá aqui na cidade, e ela sabe que D’us existe”. Rabi Levi Yitzhak volta-se para o sogro e, dessa vez, é ele quem sorri ao falar: “Você não entende… Ela diz que D’us existe. Eu sei que D’us existe”…

A Verdade, segundo o Judaísmo

Esse relato representa a própria definição de religião de acordo com o judaísmo. A religião não consiste em dizer ou acreditar em certos fatos – mas em saber certos fatos. Segundo o judaísmo, a religião(*) é a busca da Verdade. Religião e Verdade são sinônimos. D’us e Verdade são sinônimos. A palavra hebraica para Verdade, Emét, é um dos nomes de D’us, e, como ensina o Talmud, é a própria chancela Divina. A busca por D’us, portanto,  é a busca pela Verdade.

(* Quando o judaísmo usa a palavra “religião”, é com o sentido de espiritualidade, de natureza espiritual.)

 

Segundo o Talmud, a grafia em si da palavra Emét define o que realmente constitui a Verdade. Essa palavra hebraica é formada por três letras: Alef, Mem e Taf. Alef é a primeira letra do alfabeto hebraico, Mem é a letra do meio e Taf é a última. A grafia de Emét nos ensina que a Verdade precisa ser consistente: algo só é verdadeiro quando é consistentemente verdadeiro; quando seu início, seu meio e seu fim são verdadeiros. Algo que é uma meia-verdade, incoerente ou inconsistente, não é Verdade.

Muitos julgam que a religião e a Verdade são nitidamente opostas. Acreditam que a religião e o conhecimento são, em geral, contrários – que a religião exige que substituamos o conhecimento pela fé. O judaísmo rejeita, categoricamente, essa visão. Proclama que D’us e SUA Torá – que é SUA Vontade e Sabedoria – são a Verdade Suprema, e que se encontrarmos uma contradição entre a Torá e a Ciência, isso se deve ao fato de termos uma compreensão errônea de uma das duas – ou de ambas.

Como veremos a seguir, a fé não significa o abandono da razão ou do conhecimento. O Talmud, espinha dorsal da Lei e tradição Judaicas, é quase inteiramente baseado no conhecimento e lógica. Rabi Shimon Bar Yochai, o grande místico e autor do Zohar, obra fundamental da Cabalá, que também foi um dos maiores Sábios do Talmud, defende a ideia de que há um motivo racional para as leis da Torá. O conceito de dogma, de fé cega, de aceitação do absurdo e do ilógico, é estranho ao judaísmo. É verdade que como D’us e SUA Sabedoria são Infinitos, nós, criaturas finitas, jamais O entenderemos ou a SUA Torá por completo. Isso, no entanto, não significa que não entendamos nada acerca d’ELE ou de SUA Sabedoria. Fazendo uma analogia: há vários problemas na Matemática que não foram solucionados. Isso não significa que nada saibamos sobre essa ciência. Há uma diferença abismal entre não saber tudo e não saber nada.

Ser humano algum, nem mesmo Moshé Rabênu, pode entender plenamente D’us e SUA Vontade. Mas isso não significa que a Torá exige aceitação cega. Mesmo suas leis conhecidas como Chukim, popularmente definidas como as “leis não racionais”, não são dogmas. As Chukim não são ilógicas: simplesmente requerem um grande cabedal de conhecimento e sabedoria para serem compreendidas. Por exemplo, algumas pessoas creem que a proibição de comer carne e leite juntos seja ilógica – algo que pode ser aceito apenas através da fé. Mas para alguém que estudou o judaísmo em profundidade e compreende o funcionamento das Sefirót – e o que a carne e o leite representam – as razões para a proibição de comê-los juntos ficam muito claras. O mesmo se aplica a todos os mandamentos da Torá. Nada é absurdo ou ilógico, mas algumas leis requerem muita sabedoria e conhecimento para serem compreendidas.

Qual seria, então, o papel da fé no judaísmo? Sem dúvida, um papel central, mas não da maneira  como o crê a maioria das pessoas. A palavra hebraica para fé, “Emuná” não significa fé cega – a suspensão da razão e da lógica. Essa palavra origina-se da raiz “Aman”, que significa basear-se seguramente ou confiar em algo. Segundo a Torá, Emuná significa acreditar naquilo que é de confiança. O motivo para a fé ter um papel central no judaísmo é por desempenhar um papel fundamental na vida. Quer o saibamos ou não, todos os seres humanos – até os mais céticos – utilizam a Emuná. Nós a empregamos todos os dias, em cada momento de nossa vida, consciente ou inconscientemente, ativa ou passivamente.

Exercemos uma medida de fé mesmo quando estamos em casa, sem fazer nada: temos fé que o teto não vá ruir e que o edifício não vá desmoronar-se, apesar de sabermos que coisas assim acontecem. Exercemos a fé quando viajamos de avião: acreditamos que a aeronave esteja funcionando adequadamente e que o piloto saiba o que está fazendo, apesar de não podermos garantir nenhuma das duas situações. Também empregamos a fé quando lemos o jornal e acreditamos no que lemos, mesmo sabendo que os jornais são, geralmente, subjetivos e, ocasionalmente, contêm informações erradas. Exercemos a fé quando acreditamos no que nossos professores e livros de História nos ensinam.

O que sabemos é, em maior ou menor extensão, baseado em Emuná, porque não podemos ter certeza de nada. Sequer podemos ter certeza de que nosso mundo não é um mundo da fantasia, uma ilusão, como o creem os místicos orientais. Diante da inexistência da prova absoluta, temos que fazer uso da Emuná; temos que presumir muitas coisas e tentar buscar a verdade de forma honesta, o que significa ser intelectualmente honesto e consistente – sem empregar padrões morais duplos – dois pesos e duas medidas, ou utilizar argumentos emocionais para tentar silenciar os racionais.

Conhecimento,  Fé e Falácias

Para discutir adequadamente o papel que o conhecimento e a fé desempenham no judaísmo, é necessário primeiro reconsiderar nossas definições de ambos os conceitos. A quase totalidade de nosso conhecimento se baseia em dois pontos: a probabilidade e a fé de que fatos históricos foram corroborados por fontes independentes antes de serem aceitos como verdadeiros. Quase todo o conhecimento científico se baseia em probabilidades – há poucos fenômenos, se é que existe algum, que sejam infalíveis.

Consideremos o seguinte cenário: um cassino é acusado de adulterar a roleta, mas se nega veementemente a admiti-lo.  A roleta é dividida em 37 segmentos, numerados de 0 a 36. Suponhamos que tenha girado 1.000 vezes e que sempre pare no mesmo número. Pode-se concluir daí que houve adulteração? Provavelmente – mas não há certeza. Estatisticamente, não é impossível que a roleta pare no mesmo número 1.000 vezes seguidas. Na verdade, pode-se fazer girar a roleta de agora até o infinito, e a mesma poderia sempre parar no mesmo número sem que estivesse adulterada. As chances de tal fato acontecer são infinitesimais, mas existem. Se afirmássemos saber que o cassino havia adulterado a roleta e o considerássemos responsável pela fraude, estaríamos empregando uma medida de fé – ou seja, apesar de não estarmos absolutamente seguros do que dizíamos, acreditávamos que a roleta estivesse adulterada em virtude de ser muito pequena a probabilidade de não o estar.

No entanto, há uma enorme diferença entre algo improvável e algo impossível. Uma chance em um trilhão não é a mesma coisa que chance zero. No caso da roleta, não há chance alguma de que pare no número 40, simplesmente porque este não é um de seus números.  Mas sempre há uma chance, por menor que seja, de que alguém possa fazê-la girar indefinidamente e ela sempre pare no mesmo número.

Como no exemplo acima, quase todo o conhecimento científico é calcado em probabilidades – em tentativa e erro. Qualquer cientista honesto e competente pode confirmar que as Ciências se baseiam em teorias – não em leis absolutas.   A certeza absoluta não existe  – nem mesmo no reino das  “ciências exatas”. Exemplificando:  A Ciência pode mostrar-nos, na teoria e na prática, a razão pela qual alguém que ande descalço sobre brasas de carvão incandescente queima os pés. Contudo, há pessoas que andam sobre brasas – o fenômeno religioso praticado em várias regiões do planeta, chamado de “Andar sobre fogo” – sem queimar nem ferir os pés.

Quando se trata de conhecimento acerca de eventos, como sabemos o que é ou não verdade? Como sabemos que Hiroshima sofreu um ataque nuclear durante a 2ª Guerra Mundial e que o Rio de Janeiro nunca foi atacado? Muitos de nós não tínhamos nascido nessa época; como saber, então, o que realmente aconteceu? Baseamo-nos no testemunho de terceiros. Quanto maior for a corroboração – quanto mais testemunhas independentes houver, reduzindo a possibilidade de conluio – mais disposição teremos para considerar o fato como verdadeiro. Nenhum de nós pode voltar no tempo ou estar em mais de um lugar ao mesmo tempo. Além do mais, não dispomos dos recursos nem do tempo para corroborar pessoalmente tudo o que nos conta a imprensa escrita ou falada. Usamos de boa-fé ao acreditar que as notícias transmitem a verdade porque há fontes independentes – jornalistas que trabalham em mídias concorrentes – que se beneficiariam se pudessem desacreditar a concorrência. Mesmo se vivêssemos em um regime totalitário, com controle da mídia, os oponentes internos ou externos do governo deixariam vazar a verdade. Um governo pode mentir se assim o quiser, e pode controlar a imprensa e silenciar a oposição, mas não pode forçar seu povo a acreditar nas mentiras, nem, muito menos, a transmiti-las a seus filhos. O excelente romance político de George Orwell, 1984, descreve o quão difícil é, mesmo para a mais brutal das sociedades totalitárias, fazer lavagem cerebral em todo um povo. Como o disse, brilhantemente, Abraham Lincoln: “Você pode enganar uma pessoa por muito tempo; algumas por algum tempo; mas não consegue enganar a todas por todo o tempo”.

Um dia, a verdade vem à tona, especialmente se o assunto diz respeito a muitas pessoas. Fica relativamente fácil corroborar sua veracidade.

O que hoje é notícia, amanhã é história. Acreditamos que eventos históricos importantes, que envolveram um grande número de pessoas, realmente ocorreram porque há muitas testemunhas independentes que poderiam confirmar sua veracidade e deixar vazar a verdade, no caso de uma deturpação da realidade.

Quando alegamos saber algo, o que estamos realmente dizendo é que a probabilidade daquilo ser verdade é indubitável, está além de qualquer dúvida. Ser indubitável é o padrão de evidência exigido para validar uma condenação criminosa. Se alguém é acusado de ter cometido um crime por uma única testemunha, ele pode alegar que a testemunha está mentindo. Se houver mais testemunhas, ele pode alegar que estão conspirando contra ele. Quando são milhares de testemunhas, a probabilidade de estarem enganadas no que viram ou estarem conspirando, é muito pequena – está praticamente além de qualquer dúvida.

Mentiras e tramas conspiratórias que envolvam milhões ou mesmo milhares de pessoas têm vida curta porque é enorme a possibilidade de vazamentos. Pois, como convencer milhares de pessoas a contar uma mesma história deturpada? Como convencer todas essas pessoas a nunca contar a verdade a ninguém – a nenhum amigo, nem a seus filhos ou netos? Os recentes escândalos envolvendo Edward Snowden e a Agência Nacional de Segurança dos EUA (NSA) evidenciam que basta um indivíduo vazar os segredos que envolvem um grande número de pessoas. Nas palavras do próprio Snowden: “… informar ao público o que é feito em seu nome e o que é feito contra eles”.

Quanto maior a mentira, a deturpação ou a conspiração, e quanto mais pessoas estiverem envolvidas, mais fácil será refutá-la.

Revelação Pública:  a Base do Judaísmo

Muitos acreditam, erroneamente, que a fé judaica se baseia no Êxodo do Egito – nas pragas e na divisão do Mar dos Juncos. Eles talvez argumentem que se esses fenômenos pudessem ser racionalmente explicados, a veracidade do judaísmo seria questionada. Trata-se de uma concepção muito errada – não apenas porque a fé judaica ensina que D’us opera através das leis da natureza que ELE criou – mas porque, no que toca ao judaísmo, milagres e maravilhas pouco provam. As pragas e a divisão do mar serviram a um propósito prático – libertar o Povo Judeu do Egito – mas não têm praticamente influência alguma em nossas crenças.

A Torá nos ensina que a fé judaica não é calcada em milagres. Quando D’us aparece, pela primeira vez, a Moshé, ordenando-lhe que volte ao Egito e informe ao Povo Judeu que ELE os libertará da escravidão, ELE lhe diz: “Porque estarei contigo, e isto será para ti o sinal de que EU te enviei; depois de haveres tirado o povo do Egito, servireis a D’us sobre este monte” (Êxodo, 3-12). D’us informou a Moshé que o Povo Judeu acreditaria nele em virtude da revelação que ocorreria “na montanha”, o Monte Sinai, e não por causa dos milagres e maravilhas que a antecederiam.

O Rav Maimônides ensina que a verdadeira fé não pode basear-se em milagres porque sempre resta uma dúvida persistente de que tivessem sido inventados ou realizados por outro meio que não a intervenção Divina. Ele ainda explica que isso foi a base do temor de Moshé de que os judeus não acreditassem nele mesmo se ele realizasse milagres para provar que D’us o havia indicado como SEU agente. “E eles não me crerão”, Moshé responde a D’us, “nem ouvirão a minha voz, pois dirão, ‘Não apareceu a você HaVaYaH’” (Êxodo, 4:1). Moshé percebeu que nem mesmo a maior das maravilhas poderia induzir à crença perfeita. Para refutar esse medo, D’us lhe assegurou que a Nação Judaica vivenciaria uma Revelação Divina no Monte Sinai, removendo-lhes qualquer dúvida. A fé de Israel em Moshé e em sua profecia não se basearia, então, em fatos sobrenaturais, mas na experiência coletiva de milhões de pessoas no Monte Sinai, onde lhes ficaria indiscutivelmente claro que D’us falava com eles (Hil. Yesodei Ha’Torá, 8:2). Os milagres, independentemente de quão numerosos ou assombrosos, não podem ser fonte de crença para ninguém – não apenas porque seja controvertida a própria definição do que é um milagre – mas porque não apenas o verdadeiro profeta de D’us tem a capacidade de realizar atos sobrenaturais. Os feiticeiros do Faraó, que eram idólatras, conseguiram transformar cajados em serpentes e as águas do Egito em sangue. O profeta Bilaam, que era o mais malvado e depravado dos seres humanos, era um profeta tão poderoso quanto Moshé.  A capacidade de prever o futuro ou de realizar milagres – milagres verdadeiros, não ilusões ópticas – prova apenas uma coisa: que quem os realiza possui um talento muito raro.

De fato, povos de quase todas as religiões realizaram milagres. Se os milagreiros comprovassem a validade de sua religião, teríamos que acreditar em quase todos elas, o que seria um absurdo teológico e lógico, pois a maioria delas é mutuamente exclusiva.

Acreditamos no judaísmo não por causa de Moshé, nem das pragas ou da divisão do mar, mas porque D’us,  ELE PRÓPRIO, SE revelou perante 600.000 judeus e suas famílias, no Monte Sinai. A veracidade de um evento público testemunhado por milhões de pessoas é muito difícil de ser refutada. O judaísmo baseia-se em um evento público que envolveu uma miríade de pessoas, e não no carisma de um líder, poderes da fala, ou habilidades sobrenaturais. O judaísmo não se baseia no que seu maior líder vivenciou, mas no que toda a primeira geração de judeus vivenciou. Nós acreditamos no judaísmo não por acreditar em Moshé, mas porque acreditamos no testemunho de milhões de judeus.

O grande astrônomo judeu americano, Carl Sagan, disse certa vez que, “Alegações extraordinárias exigem evidências extraordinárias”. D’us optou por SE revelar ao Povo Judeu inteiro porque o testemunho de milhões de pessoas constitui evidência extraordinária que corrobora uma alegação extraordinária. A palavra de um homem – independentemente de quão sagrado ou poderoso seja – não constitui evidência extraordinária. Tampouco o é o testemunho de um pequeno grupo de pessoas. Ainda que sejam verdadeiras, sempre é possível que estejam enganadas acerca do que viram. No entanto, é muito difícil que três milhões de pessoas fabriquem uma história ou que estejam erradas no que viram, ouviram e vivenciaram.

À luz do que vimos acima, podemos entender por que a Torá afirma categoricamente que somente após a Revelação no Sinai o Povo Judeu acreditaria em Moshé para todo o sempre. Antes do Sinai, alguém o poderia ter desmistificado como um feiticeiro que derrotara os feiticeiros do Faraó. Poderia argumentar que as pragas no Egito e mesmo a divisão do mar foram coincidências: aberrações estatísticas, que, como vimos acima, não constituem provas absolutas. Mas quando milhões de pessoas viram-se diante de D’us, não houve mais lugar para especulação ou para análise de probabilidades estatísticas. Mesmo os inimigos e adversários de Moshé, inclusive seu primo Kôrach, que tentou organizar um golpe de estado, não puderam negar nem questionar a veracidade da Revelação Divina no Sinai.

Fosse a Torá um livro de mitos ou uma combinação de realidade e ficção, poderíamos talvez argumentar que a Revelação Divina no Sinai fosse um de seus relatos ficcionais. Mas os judeus sempre insistiram que os eventos relatados nos Cinco Livros da Torá devem ser levados  ao pé da letra. Portanto, há apenas duas possibilidades reais do que possa ter acontecido no Sinai: ou foi uma Revelação Divina, como relata  a Torá, ou uma conspiração de massa, envolvendo milhões de pessoas que fabricaram uma história, ou, no mínimo, concordaram em levar avante essa mentira, evitando, de alguma forma, que a verdade viesse à tona. Nenhuma dessas pessoas nem nenhum de seus filhos escreveu seu relato pessoal, contradizendo a Torá. Até mesmo os inimigos de Moshé, mesmo aqueles que adoraram o bezerro de ouro, nunca tiveram a audácia de negar a veracidade da Revelação Divina no Sinai.

É muito difícil de crer que milhões de judeus tenham inventado a história da Revelação ou concordado em respeitá-la, sabendo que era uma falácia. É ainda mais difícil de acreditar que, fosse uma invenção, ninguém a tivesse desmascarado e revelado a verdade. Contudo, de fato não há prova absoluta que corrobore esta extraordinária alegação – assim como não há prova absoluta de nada. Pode-se sempre conjecturar que talvez o Povo Judeu tenha imaginado ou sonhado sobre a Revelação. Talvez tenham inventado a história e convencido outros milhões de pessoas, judeus ou não, sobre sua veracidade. Tudo é possível: às vezes, mesmo as mais improváveis teorias conspiratórias são comprovadas. É aí que entra em cena a Emuná – a fé verdadeira: quando optamos por acreditar porque há evidência suficiente para fazê-lo, ainda que não haja certeza absoluta.

A Emuná que o judaísmo espera dos judeus é a mesma exigida pelos outros campos do conhecimento. Como o pilar do judaísmo foi um evento público que envolveu milhões de pessoas, trata-se de verdade histórica, não de fé cega. Isso significa que acreditar na Revelação Divina no Sinai e, portanto, na verdade do judaísmo, não é um ato de credulidade, mas sim de Emuná.   A verdadeira fé, do tipo que o judaísmo espera de cada um dos judeus, é uma ponte pequena que  liga a probabilidade à certeza. Precisamos da mesma porque, na verdade, não podemos ter 100% de certeza sobre nada.

Como na história sobre o Rabi Levi-Yitzhak de Berditchev, há uma diferença abismal entre dizer que  D’us existe e saber que ELE existe(*).  O judaísmo não exige fé cega, mas não é justo exigir mais corroboração da Torá do que da História ou das Ciências.

(* Certamente, todas as religiões do mundo – todas invenções humanas – só podem mesmo é dizer que D’us existe, e não sabe-lo (por conta própria).)

 

O judaísmo é a busca da Verdade, e por isso se iniciou da forma em que tudo ocorreu: para que nossa conexão com D’us e SUA Torá não fossem produto da fé cega. D’us poderia ter-SE revelado apenas a Moshé Rabênu e aos judeus que mais o merecessem, mas ELE optou por revelar-SE a todos, desde o mais simples deles. Era a única maneira de assegurar que nossa fé em D’us e em SUA Torá não fossem calcadas nos ensinamentos de um indivíduo ou de um grupo de pessoas (que todos sabem é o caso do cristianismo e do islamismo, e de toda a religião). Consequentemente, nós, judeus, não acreditamos em D’us por acreditar em Moshé, mas sim, acreditamos em Moshé por acreditar em D’us.

A festa de Shavuót celebra a Revelação Divina no Sinai e a transmissão dos Dez Mandamentos, que são o núcleo dos 613 mandamentos da Torá. Shavuót é o momento propício do ano para que todos os judeus fortaleçam sua conexão com D’us e SUA Torá, não por fé cega ou convenção social, mas porque há evidências avassaladoras que atestam a veracidade do evento mais extraordinário da História, ocorrido 50 dias após a libertação de nosso povo do Egito.

 

Próximo artigo:

OS FUNDAMENTOS DO JUDAÍSMO

 

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A AUTORIA DA TORÁ

Noaísmo e A TORÁ E OS JUDEUS E O JUDAÍSMO


 

“Assim disse HaVaYaH dos Exércitos: ‘Naqueles dias, dez homens de diferentes línguas e de todas as nações segurarão a orla das vestes do judeu, dizendo: Iremos contigo, porque sabemos que D’us está contigo!’” – Zechariá (Zacarias) 8:23

 

1° A VERDADE HISTÓRICA DA REVELAÇÃO DIVINA NO SINAI

2° A AUTORIA DA TORÁ

3° CONHECIMENTO E FÉ

4° OS FUNDAMENTOS DO JUDAÍSMO

5° A TORÁ ORAL

6° OS TREZE PRINCÍPIOS DA FÉ JUDAICA


 

ATENÇÃO:

▪Na transliteração dos termos hebraicos o “sh” tem som de “CH”. Exemplos: “Moshé”, “Shemitá”, etc.

▪Na transliteração dos termos hebraicos o “ch” tem som de “RR”. Exemplos: “Halachá”, “Kôrach”, etc.

 

 

A AUTORIA DA TORÁ

Um dos princípios fundamentais do judaísmo é que a Torá não foi escrita por Moshé nem por qualquer outro homem, e sim, pelo próprio CRIADOR.

No artigo “A verdade histórica da Revelação Divina no Monte Sinai”, analisamos se há razão suficiente para se acreditar que D’us SE revelou ao Povo Judeu no Monte Sinai. Como vimos no artigo, as fontes básicas de conhecimento sobre a Revelação Divina são a transmissão oral, de geração a geração, e um registro escrito, a dizer, os Cinco Livros da Torá. Caso haja uma razão sólida para acreditar que a Torá é de autoria Divina, a veracidade do que quer que a mesma nos relate, inclusive a Revelação Divina no Sinai, é, pois, inquestionável. No entanto, se a Torá tivesse sido escrita por um ser humano, ainda que por Moshé, sua veracidade e autoria poderiam ser questionadas – pois nenhum homem é dono da Verdade Absoluta.

Halachá LeMoshé MiSinai

Como o judaísmo advoga que a Torá é a Palavra de D’us, seria lógico presumir que não há desacordo ou discussão acerca de suas leis. Contudo, na realidade, o Talmud Babilônico, que elucida os Cinco Livros da Torá e constitui o pilar da Lei Judaica, é formado por uma série de divergências e debates entre nossos Sábios.

Cabe perguntar: se D’us transmitiu a Torá a Moshé, haverá o que discutir sobre suas leis? A resposta profunda a essa pergunta está além do escopo deste artigo, mas a resposta simplista, fornecida pelo Talmud de forma explícita e não apologética, é que no dia em que Moshé deixou este mundo, o Povo Judeu esqueceu muitas das leis da Torá Oral, que são as elucidações e explicações da Torá Escrita. Por isso, coube aos Sábios, através de discussões, lógicas e análises, tentar recuperar o conhecimento perdido. No entanto, os ensinamentos da Torá Oral que não foram esquecidos não estão sujeitos à discussão.

No Talmud, há uma frase “mágica” que coloca um ponto final em qualquer discussão: Halachá LeMoshé MiSinai – em português, “trata-se de uma lei transmitida a Moshé no Sinai”.

As divergências existentes no Talmud não contestam, mas até corroboram a Revelação Divina no Sinai e a Divina Autoria da Torá. Como a Revelação ocorreu apenas uma única vez e como a Torá foi criada por D’us e transmitida apenas a Moshé, não houve quem vivesse após Moshé que pudesse ensinar as leis que tinham sido esquecidas. Como ensina o Talmud (Tratado Temurá 16ª): “Um profeta não está autorizado a introduzir nada de novo”. A Torá deu aos Sábios o poder de decretar leis rabínicas, mas as leis bíblicas não podem ser alteradas, criadas ou abolidas. Como ensina o Midrash (Devarim Rabá, 8:6): “Moshé disse ao Povo Judeu: ‘Não digam que outro Moshé surgirá, com outra Torá dos Céus; já lhes estou anunciando, agora, não está nos Céus. Nada restou nos Céus’”.

O fato de que os Sábios do Talmud discordassem acerca da aplicação adequada de muitas das leis da Torá é uma indicação de que o judaísmo não é dogmático, mas é a busca da verdade. Por outro lado, o fato de que apesar de todas as suas discordâncias, os Sábios unanimemente concordam sobre tantos pontos, é uma boa evidência de que o judaísmo tem uma única origem comum; pois, de outra forma, os Sábios do Talmud debateriam sobre os mínimos pontos da Lei Judaica. Quando as pessoas que costumam discordar entre si estão de acordo sobre umas tantas coisas, geralmente é sinal de que há uma razão para tal. Se para os Sábios do Talmud, Halachá LeMoshé MiSinai não estava sujeita à discussão, significa que a veracidade da Revelação Divina no Sinai e da Autoria Divina da Torá eram incontestáveis para eles. Assim sendo, eles não desperdiçariam seu tempo e energia discutindo o óbvio.

Mas, se não tivesse ocorrido a Revelação Divina no Sinai e se a Torá não tivesse sido escrita por D’us, o conceito da Halachá LeMoshé MiSinai não existiria. Pois se a Torá foi escrita por Moshé, por que seria proibido a um profeta ou um sábio de um período posterior mudar qualquer de suas leis ou, ao menos, instituir decretos que pudessem solucionar todas as dúvidas sobre a Lei Judaica? 

Na verdade, na ausência de uma Revelação Divina, será que deveríamos atribuir a um ser humano o poder de criar leis imutáveis e, de fato, nem sequer passíveis de discussão? Com todo o respeito a Moshé, ele não fundou o judaísmo, nem foi um de nossos Patriarcas. E se a Torá tivesse sido escrita por ele, por que razão deveríamos acreditar, como diz a Torá, que ele foi o maior profeta de todos os tempos? Além disso, a tradição judaica não mede palavras em sua tentativa de humanizá-lo. É inconcebível que os judeus atribuíssem autoridade divina a o que quer que fosse que Moshé lhes ensinasse, a menos que soubessem que a Torá não era dele, mas realmente do D’us de Israel.

Se a Torá não tivesse sido escrita pelo Todo Poderoso, os profetas e Sábios que vieram após Moshé poderiam ter mudado algumas de suas leis – coisa que nunca ocorreu. No curso da História Judaica, criaram-se leis rabínicas, que foram modificadas e até rechaçadas, mas ninguém jamais ousou tocar na lei bíblica. Ninguém ousou argumentar com a Halachá LeMoshé MiSinai. Se todos os profetas e Sábios que viveram após Moshé se recusaram categoricamente a substituí-lo ou mesmo a tentar replicar o que ele conquistara – nem mesmo pela nobre razão de tentar recuperar o conhecimento que foi perdido com sua morte – é porque sabiam que a Torá era a Palavra de D’us, que fora transmitida apenas a Moshé; e agora que ele se fora, não havia como novamente trazer a Torá dos Céus à Terra.

Um livro de lendas?

É possível que o Povo Judeu tenha aceitado primeiramente a Torá como um livro de lendas e que, com o passar do tempo, após o transcurso de muitas gerações, quando já não era mais possível corroborar a veracidade de seus relatos, tenha sido aceita como verdade? Consideremos a seguinte teoria: alguém no deserto – quiçá Moshé, quiçá alguém outro – redigiu a Torá, inclusive o relato da Revelação Divina no Sinai, e todo o povo o aceitou, apesar de ser tudo invenção, pois eles nem o levaram a sério: consideraram que tudo fosse mitologia judaica. Passado o tempo, no entanto, um número cada vez maior de judeus começou a acreditar que aquelas histórias eram verdadeiras.

Esta teoria é popular entre ateus e agnósticos. Mas é uma teoria relativamente fácil de ser rechaçada. Primeiro, nos últimos 3.000 anos, apesar de todas as diferenças e divergências existentes entre o Povo Judeu, nunca houve uma tradição que dissesse que a Torá é obra de ficção. Mesmo os Caraítas, que não aceitavam os ensinamentos da Torá Oral, acreditavam categoricamente que cada uma das palavras da Torá Escrita era a Palavra de D’us. É possível que toda a geração do deserto tenha adotado a Torá como obra de ficção, mas, em algum momento da História Judaica, esse fato foi esquecido ou negligenciado por todos os judeus e todos começaram a acreditar que a Torá foi historicamente precisa? Para exemplificar quão improvável é essa teoria, pensemos em quão improvável é que todos os gregos vivos hoje mudassem de ideia sobre a Ilíada e a Odisseia e começassem a crer que esses trabalhos não são lendas, mas fatos históricos.

Segundo, há apenas uma versão da Torá, e não há relatos conflitantes sobre os eventos que descreve. Através da história, muitos judeus, especialmente os insolentes Reis de Israel, poderiam ter justificado seu comportamento pecaminoso alegando que a Torá era uma invenção ou um livro de lendas. Se essas pessoas apenas pudessem apresentar alguma evidência de que a Torá não fosse Divina – de que foi escrita por Moshé ou por outros seres humanos – eles poderiam ter algum tipo de desculpas para muitas de suas próprias ações, especialmente sua idolatria, que não prejudicou nenhum outro homem. Mas nos últimos três milênios, mesmo os judeus que mais se beneficiariam levantando dúvidas sobre a autoria da Torá, não o fizeram. Eles poderiam ter questionado a Justiça Divina, mas nunca tiveram a audácia de questionar a verdade da Revelação no Sinai e a legitimidade e a Divina autoria da Torá. E por quê? Porque como explicamos no artigo anterior, um evento público que envolveu (três) milhões de pessoas é praticamente impossível de ser negado.

Terceiro, é inconcebível que pessoas sensatas inventassem muitas das leis que constam na Torá, e, ainda mais, que inventassem o conceito de que O CRIADOR do mundo os fizesse responsáveis por respeitá-las (ESTE CRIADOR a quem jamais teriam visto se o relato da Revelação Divina fosse invenção). Exemplificando: a lei da Shemitá – os ordenamentos ao Povo Judeu de abrir mão do trabalho agrícola na Terra de Israel de sete em sete anos (Levítico 25:1-24). A Torá ordena aos judeus que sigam esta lei e não se preocupem com a falta de alimento, pois D’us os abençoará com fartura de provisões no sexto ano para compensar o sétimo em que se absterão de trabalhar a terra.

Consideremos: Por que os seres humanos escreveriam uma tal lei? Será que colocariam sua própria sobrevivência e a de seus filhos em risco? Será que inventariam promessas de um Fiador e diriam às gerações futuras que deviam cumprir esse mandamento porque O CRIADOR do mundo proveria a eles, quando, na realidade, eles mesmos sabiam que uma tal promessa Divina jamais havia sido feita? E o que aconteceria quando, no ano antes do Sabático, a colheita não fosse mais farta do que nos anos anteriores e os judeus não tivessem alimento para o ano seguinte?

Escrever essa lei e fazer os demais confiarem numa falsa promessa de bênçãos Divinas, seria o cúmulo da tolice e da irresponsabilidade. Contudo, os judeus aceitaram as leis do Sabático e se comprometeram a segui-las. E se o fizeram, é porque sabiam que era uma lei criada por D’us. Nem Moshé nem nenhum outro ser humano poderia fazer um povo inteiro colocar sua sobrevivência em risco. Na verdade, se D’us não tivesse escrito a Torá, os judeus teriam que ser muito tolos para concordar de viver segundo a maioria de seus mandamentos.

Por exemplo, por que eles aceitariam a lei da circuncisão? Três mil anos atrás ninguém sabia que a circuncisão pode evitar a disseminação de várias doenças terríveis. Podemos entender a razão para um povo aceitar leis relativas ao funcionamento adequado da sociedade, como as que proíbem o assassinato, adultério e roubo, mas por que os judeus aceitariam as muitas leis rituais da Torá – algumas das quais, extremamente complexas e esotéricas – e concordariam em não violar muitas de suas leis que os privam de vários dos prazeres da vida? Por que os judeus concordariam em não comer frutos do mar e carne não-casher? Por que eles aceitariam todas as leis da Torá sobre as relações sexuais proibidas?

Vejamos, será que milhões de pessoas aceitariam a Torá se não a tivessem recebido diretamente de D’us e soubessem, de fato, que era SUA Vontade que seguissem suas leis? Há um famoso Midrash que ensina que antes de outorgar a Torá ao Povo Judeu, D’us a ofereceu a todas as demais nações do mundo que a recusaram. Mas trata-se de um Midrash metafórico, que ensina que D’us, por ser Onisciente, sabia que somente os judeus aceitariam seguir as leis da Torá; não se trata de um relato histórico. Já houve um caso na história em que a Torá foi ofertada a grandes grupos de pessoas que se recusaram a aceitá-la? Sim, houve.

Muitas pessoas não o sabem, mas os fundadores do Cristianismo eram judeus seguidores da Torá. O Cristianismo se iniciou como um movimento messiânico judaico. O propósito dos primeiros cristãos não era começar uma nova religião, mas ganhar o máximo de adeptos para seu movimento – judeus ou não. E como eles consideravam seu movimento messiânico autenticamente judaico, somente seriam aceitos os não-judeus que se convertessem ao judaísmo.

Mas, segundo relato da Bíblia cristã, quando os fundadores do Cristianismo saíram em suas primeiras missões proselitistas, não tiveram sucesso em sua tentativa de converter os pagãos ao judaísmo. Apesar de terem ouvido que a Torá era a Palavra de D’us, os gentios ficaram assombrados com seus mandamentos – as leis de Casherut, do Shabat e, sobretudo, da circuncisão. Os primeiros cristãos somente conseguiram converter pagãos a seu recém-criado movimento quando abandonaram a exigência de que os não-judeus aceitassem as leis da Torá. Eles provavelmente perceberam que nenhuma nação, exceto os judeus, se sujeitaria àquelas leis.

Quem pode culpar os pagãos por recusar a Torá? É compreensível que os judeus a tenham aceitado – eles testemunharam a Revelação Divina no Sinai, e, na verdade, não tinham muita escolha. Mas por que um povo que não testemunhou a Revelação e a outorga da Torá iria aceitar a responsabilidade de cumprir todos os seus difíceis mandamentos?

Um cético implacável pode alegar que os judeus escreveram a Torá e inventaram todas as suas complicadas leis para difundir o próprio argumento que aqui defendemos: como nenhum povo seria capaz de criar tais leis para si, a Torá certamente é de autoria Divina.

Seria possível que os judeus propositalmente se colocassem numa camisa de força para ludibriar o mundo, inclusive seus descendentes, dizendo que D’us lhes teria aparecido, apenas a eles, e os teria escolhido para lhes entregar SUAS Leis? Novamente, a resposta é que isso seria altamente improvável. E se esse era o seu plano, o tiro saiu pela culatra, pois a Revelação no Sinai não rendeu aos judeus o amor e a admiração do resto da humanidade. Milênios antes de ocorrer a Inquisição e o Holocausto, o Talmud já tinha previsto que os judeus seriam odiados por terem sido escolhidos por D’us para receber a SUA Torá e testemunhar a única Revelação Divina na História

O Rabi Yehoshua ben Levi assim ensina no Talmud: Por que a montanha onde a Torá foi entregue se chama Sinai? Porque ela causaria Sinat – ódio – entre o restante do mundo contra o Povo Judeu.

Um Livro nada lisonjeiro

Além de conter inúmeras leis de difícil cumprimento, a Torá narra muitas histórias, a maioria das quais não são nada lisonjeiras para nosso povo. Mesmo o relato mais espetacular da Torá – o da Revelação Divina – não foi uma ocasião inteiramente feliz, pois apenas 40 dias após sua ocorrência, o povo já adorava um bezerro de ouro, fazendo com que Moshé quebrasse as Tábuas da Lei. Até o Livro de Gênese é pouco lisonjeiro ao nosso povo. Pois enquanto muitas outras nações santificam seus fundadores e criadores, a Torá descreve nossos Patriarcas e antepassados como seres humanos falíveis, que suportaram provações e infortúnios e que tiveram fraquezas e cometeram erros.

Um cético poderia novamente alegar que Moshé ou os judeus escreveram a Torá de tal forma que provasse o argumento que acabamos de defender: nenhum povo poderia escrever relatos tão pouco lisonjeiros sobre si próprio; portanto, a Torá certamente foi escrita por D’us.

Mas, muito sinceramente, os relatos da Torá não são apenas pouco elogiosos – o que serviria para torná-los ainda mais críveis – eles são simplesmente prejudiciais. Algumas histórias negativas talvez servissem para tornar as boas um pouco mais críveis, mas a Torá é repleta de relatos que colocam os judeus sob um prisma muito negativo. Pode ser difícil, mesmo, encontrar uma porção da Torá que não contenha uma ação negativa de nossos antepassados. Será que as pessoas escreveriam relatos tão danosos sobre si próprias? Será que quereriam ser lembradas dessa forma por seus filhos e seus futuros descendentes?

O que é ainda mais incrível é que apesar das muitas leis de difícil cumprimento e das histórias nada lisonjeiras, nós, judeus, reverenciamos a Torá. Não há objeto inanimado mais sagrado ao judaísmo do que um rolo contendo os Cinco Livros da Torá. E por quê? Porque nós, como nossos antepassados, não temos dúvidas acerca de sua autoria. Quando O MESTRE do Universo escreve um livro e elenca nosso povo como protagonistas, nós o reverenciamos, mesmo que seu conteúdo nem sempre nos favoreça.

Alucinógenos e alucinações

Seria possível que Moshé e os três milhões de judeus que ele liderou não tenham tramado um plano mentiroso, mas se tenham confundido com o que imaginaram ter visto? Um professor israelense de Filosofia da Universidade Hebraica, Benny Shannon, apresentou a seguinte hipótese: a Revelação Divina no Sinai teria sido, na realidade, uma alucinação decorrente do fato de Moshé e os judeus terem tomado uma substância altamente psicodélica, encontrada na árvore da acácia, frequentemente mencionada na Bíblia. O professor fez a seguinte declaração: “No que toca ao Monte Sinai e a Moshé, o que ocorreu foi um evento cósmico sobrenatural – o que não acredito – ou uma lenda – no que tampouco acredito – ou, finalmente e mais provável, um evento que uniu Moshé e o Povo de Israel sob o efeito de narcóticos”.

Antes de analisar a hipótese do prof. Shannon, é interessante observar que mesmo ele – que não crê em uma Revelação Divina – não acredita que o relato seja uma lenda. Isso serve como exemplo verdadeiro do que discutimos no artigo anterior: que é muito difícil negar um evento público ocorrido diante de milhões de pessoas. Como o professor não pode negar o evento, mas tampouco pode aceitar que tenha havido uma Revelação Divina, ele necessita recorrer a outra explicação – o uso de alucinógenos.

O problema na teoria do acadêmico é que é necessário ter muito mais fé para se acreditar na mesma do que para acreditar que D’us SE revelou aos judeus no Monte Sinai. Senão, como teria Moshé conseguido encontrar a quantidade de alucinógenos para três milhões de pessoas? Segundo, como Moshé convenceu todos eles a ingerirem a droga? A própria Torá atesta que o povo frequentemente se rebelava contra ele. E mesmo se os milhões que lá estavam concordassem em se drogar, teriam-na consumido, todos, ao mesmo tempo? E teria a droga afetado milhões de pessoa exatamente ao mesmo tempo e da mesmíssima forma? Sabemos que diferentes pessoas reagem de diferentes maneiras à mesma droga. Alguns organismos reagem intensamente; outros, não. Algumas pessoas levam muito tempo para reagir a um alucinógeno, ao passo que outras reagem quase que imediatamente após sua ingestão. Além disso, como essas substâncias afetam o cérebro, e como não há duas pessoas – que dizer de milhões delas – que pensem de forma igual, as pessoas veem coisas diferentes quando ingerem essas drogas. Portanto, seria quase uma impossibilidade estatística que milhões de pessoas tomassem uma droga e tivessem simultaneamente uma mesma experiência ilusória e ouvissem a mesmíssima mensagem…

Mas, o mais revelador acerca da hipótese do Prof. Benny Shannon é que além de ter admitido não ter “nenhuma prova direta de sua interpretação”, ele fez a seguinte declaração: “Mas nem todos que usam a tal planta alucinógena trazem a Torá… Para tanto, você tem que ser um Moshé”…

A pergunta que deveria ser feita ao professor é: de onde exatamente Moshé trouxe a Torá? De onde veio a Torá? Se ele acredita que Moshé a escreveu e que sua teoria da droga alucinógena está correta, por que o Povo Judeu deveria viver de acordo com as leis criadas por um homem que era tão drogado que tinha alucinações sobre uma suposta Revelação Divina?

Indo mais além, a teoria de que Moshé dopou o povo para trapaceá-los e os fazer crer que D’us SE revelara a eles não é crível por uma razão adicional. Se os inimigos de Moshé tivessem sequer suspeitado de alguma desonestidade – se eles acreditassem que ele os estivesse drogando para induzi-los a algum tipo de experiência coletiva – eles o teriam acusado de ser um falso profeta, um charlatão. Moshé tinha sua quota de inimigos entre o povo. É triste admiti-lo, mas muitos dos judeus a quem ele conduziu inventaram e disseminaram mentiras terríveis contra ele.

Acusaram-no de não ter habilidades para liderar, de nepotismo, de roubo, de adultério e até de assassinato. Mas, interessante, ninguém ousou acusá-lo de ser um falso profeta. Até mesmo Kôrach, quando tentou depor Moshé e Aaron, nunca sequer sugeriu que ele tivesse enganado o povo. Ele questionou o direito de Moshé de liderar os judeus, mas nunca o acusou de charlatão. Nem mesmo Kôrach poderia questionar a veracidade da Revelação Divina no Sinai ou a autoria Divina da Torá. Ele sim questionou a aplicação de alguns dos mandamentos da Torá por Moshé, mas jamais sequer ousou alegar que ele os tivesse criado. E por quê? Porque a verdade estava evidente para todos os judeus. A Revelação Divina tinha sido um evento público; todos a tinham vivenciado. Ninguém poderia alegar que Moshé a tinha maquinado – nem mesmo seu pior inimigo.

E não foram apenas Kôrach e os inimigos de Moshé que não puderam negar a veracidade da Revelação Divina e a autoria Divina da Torá. Através dos milênios, os inimigos históricos do Povo Judeu tampouco conseguiram argumentar que eram falsidades.

No decorrer da história, muitas inverdades e maldades foram ditas sobre os judeus, mas nunca fomos chamados de “povo inventado”, um povo que inventou sua própria história. Alguém disse, muito apropriadamente, que o elogio de um inimigo vale muito mais do que o de um amigo. Quando mesmo nossos inimigos admitem a veracidade da Revelação Divina e da Torá, é porque a evidência é muito óbvia para ser negada.

A Essência do Povo Judeu

(Os Judeus: As Verdadeiras Testemunhas de D’us)

Muitos perguntam como é possível que, apesar de 2.000 anos de exílio, a queda do Templo, os massacres, a Inquisição, as expulsões, os pogroms e, acima de tudo, o Holocausto, nós, judeus, sobrevivemos e permanecemos fiéis a D’us. A resposta é que a Revelação Divina no Sinai ficou gravada no inconsciente coletivo do Povo Judeu. A Voz que se ouviu no Monte Sinai reverbera até hoje no coração de todos nós, mesmo que disso não tenhamos consciência. Cinquenta dias após o Êxodo, D’us SE fez ver a nosso povo e nos deu uma missão. Foi uma missão tão extraordinária que mesmo 2.000 anos de exílio e o Holocausto não foram capazes de abortar.

Que missão foi essa? Está escrito no Livro de Isaías: “Vós sois Minhas testemunhas, diz HaVaYaH, e Eu sou D’us” (43:12). O Midrash faz uma declaração espantosa: “Enquanto fordes Minhas testemunhas, Eu sou D’us; se deixardes de ser Minhas testemunhas, deixarei de ser D’us”. Como dissemos no artigo anterior, se não fôssemos nós, judeus, toda a humanidade seria deísta¹. Nós somos o canal através do qual D’us se tornou conhecido no mundo.

Nossa missão é manter nossa própria existência e, por meio disso, preservar a existência de D’us no mundo. Esta é a missão maior que pode ser atribuída a um povo e a cada um dos indivíduos que o compõem. É uma missão árdua e desafiadora, mas que por ela vale a pena viver e lutar, e que, sem dúvida, constitui o propósito e a essência do Povo Judeu.

 

¹ O deísmo é uma doutrina que considera a razão como a única via capaz de assegurar a existência de D’us, rejeitando, para tal fim, o ensinamento ou a prática de qualquer religião organizada.

 

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