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O modo de vida dos Bnei Nôach

O que um noaíta (filho de Noé) realmente faz?

 

Por Rav Dovid Rosenfeld

 

Eu cresci como um crente cristão, mas depois de anos de pesquisa comecei a acreditar no Deus de Israel. Hoje eu me vejo como um noaíta. (Existem vários motivos pelos quais não seria viável para mim a conversão.) Meu maior desejo é conhecer a Deus e viver de acordo com SUA Palavra. Mas a minha pergunta é: o que eu realmente faço? As Leis Noaíticas são muito básicas, e elas são quase todas as coisas que não se deve fazer. Eu quero servir a Deus, mas como um noaíta, o que de fato há para eu fazer?

 

O Rabino responde

 

Primeiramente, é bom falar com alguém tão sincero em suas crenças, e eu desejo que você prossiga com o seu crescimento espiritual.

Você tem razão ao dizer que as Leis Noaíticas (as Leis de Noé ou as Leis dos Filhos de Noé ou as Mitsvót Universais (Leis Divinas Universais)) são muito básicas e que, além das proibições negativas, elas deixam o noaíta praticamente sem ter o que fazer. Mas o mais importante é dar-se conta de que a observância e a conexão com Deus não terminam com as Leis Noaíticas. O Rabino Abraham Twerski observou a mesma coisa no que diz respeito à Torá. As pessoas cometem o erro de ver os 613 Mandamentos como a soma total da observância judaica. Mas na verdade, é aí onde começa o judaísmo, não onde ele termina. Os 613 proporcionam apenas a estrutura básica e o ponto de partida para o crescimento espiritual. Mas Deus quer que a gente vá muito além do mínimo. Podemos ir infinitamente mais alto – e é isto o que verdadeiramente nos define como grandes seres humanos.

Dá-se o mesmo com as Leis Noaíticas. Elas proporcionam apenas a estrutura simples da vida civilizada, não matar, não roubar, não cometer adultério, etc. Se tudo o que uma pessoa faz é isto, ela tem um certo grau de conexão com Deus – até mesmo se ela passa o resto de seu tempo bebendo cerveja e assistindo TV.

Mas, na verdade, há muito mais que uma pessoa pode fazer – aperfeiçoar-se como ser humano e fazer do mundo um lugar melhor. Deus deu a cada um de nós o nosso conjunto único de habilidades e talentos para fazer a nossa própria contribuição para o mundo – por exemplo, trabalhando em uma profissão digna, dando caridade, voluntariando-se para causas nobres, formando uma família com bons valores, orientando e aconselhando as pessoas, sendo um ativista de Israel, etc. Cada pessoa precisa olhar para dentro de si para ver que dons especiais ela pode usar para melhorar o mundo (e a si mesma) e quais oportunidades ela tem à sua disposição. É evidente que nossa porção no Mundo Vindouro é diretamente proporcional ao quanto trabalhamos para Deus – para melhorar tanto a nós mesmos quanto ao mundo.

Por isso, embora um não-judeu não esteja obrigado, ele pode cumprir voluntariamente a maioria dos mandamentos da Torá, embora ele deva ter em mente que ele está fazendo isso como “crédito extra” e não como uma obrigação regular. No entanto, obviamente, há várias exceções (ou seja, há mandamentos que o não-judeu – mesmo um noaíta – está proibido de cumprir) – como Shabát e Festividades, Tefilín, Talít e Mezuzá. O não-judeu também pode estudar a Torá, embora ele deva estudar apenas as partes relevantes para ele – como a Torá escrita, as Sete Leis, e questões básicas de crença e ética.

[Em outras palavras, há um limite de até onde um não-judeu (mesmo um noaíta) pode ir. Ele não pode querer ultrapassar este limite. A menos que ele deseje tornar-se judeu. Este limite é o que distingue o não-judeu do judeu. É o que torna o não-judeu um não-judeu e o que torna o judeu um judeu. Trata-se de não ultrapassar as barreiras da identidade própria (individual/nacional). Há os mandamentos de caráter de moralidade e há os mandamentos de caráter de identidade. Os limites para os não-judeus são exatamente os mandamentos de caráter de identidade (e do mesmo modo para os judeus) (“Shabát e Festividades (exceto Rosh Hashaná), Tefilín, Talít e Mezuzá”, etc., como citado acima pelo Rabino).
Portanto, querer cumprir mandamentos de caráter de identidade é desrespeitar AQUELE que os deu, é desrespeitar Hashém, QUEM estabeleceu estes limites, QUEM criou essas identidades.]

 

Por Rav Dovid Rosenfeld

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Veja também

 

https://noahidebr.com/2016/03/27/exceto-as-sete-leis-de-noe-pode-um-nao-judeu-observar-mitsvot/

 

E

 

https://noahidebr.com/2016/02/01/66-ramificacoes-dos-7-mandamentos-noaicos/

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Maimônides e os Noaítas (Bnei Noach)

Maimônides e os Noaítas (Bnei Noach)

 

As Leis dos Reis (em hebraico: Hilchot Melachim) capítulo 8, leis 10 e 11, capítulo 9, lei 1, capítulo 10, leis 9 e 10

 

Por Noahidebr

 

Quando matérias noaíticas citam como referência a obra “Mishnê Torá, As Leis dos Reis” do Rav Moshê Ben Maimon (também conhecido como Rambam ou Maimônides), normalmente, elas ressaltam o capítulo 8, leis 10 e 11, ou o capítulo 9, lei 1, ou o capítulo 10, leis 9 e 10.

A seguir seguem os textos dos três capítulos acima mencionados.

 

Mishnê Torá, As Leis dos Reis:

– capítulo 8, leis 10 e 11:

“10. Moisés somente deu a Torá [com a explicação da observância de todos] os [613] preceitos¹ como uma herança a Israel, como (Deut. 33:4) afirma:

“(A Torá…) por herança da congregação de Jacob”, e a todos aqueles que desejam se converter dentre as outras nações, como (Núm. 15:15) declara: “o convertido será igual a você”.
Entretanto, aquele que não quiser aceitar a Torá [com a explicação da observância de todos] os [613] preceitos¹, não deve ser forçado a fazê-lo.
Igualmente, Moisés foi ordenado pelo Todopoderoso a[, por meio de todo o povo judeu,] compelir todos os habitantes do mundo a aceitar as leis transmitidas aos descendentes de Noé.
[…] Uma pessoa que (formalmente) aceita estas (leis) é chamada de residente estrangeiro. (Isto se aplica) a qualquer lugar. Esta aceitação deve ser feita na presença de três eruditos da Torá.
[…]”

“11. Qualquer pessoa que aceita o cumprimento destes Sete preceitos e é cuidadosa na sua observância, é considerada como um dos devotos [de Hashém] entre os gentios e terá o mérito de compartilhar do Mundo Vindouro.
Isto se aplica somente quando ela os aceita e cumpre, porque o Santíssimo [D’us], abençoado Seja, ordenou-lhes isto na Torá e nos informou através de Moisés, nosso mestre, que mesmo previamente, os descendentes de Noé foram obrigados a cumpri-los.
No entanto, se a pessoa cumpre os preceitos por convicção intelectual [em vez de por terem sido ordenados pelo Todopoderoso], ela não é um residente estrangeiro, nem devota [de Hashém] entre os gentios e nem sábio.”

 

– capítulo 9, lei 1:

“1. Seis preceitos foram ordenados a Adão:

a. (a proibição) de idolatrar falsos deuses;
b. (a proibição) de blasfemar contra D-us;
c. (a proibição) de assassinato;
d. (a proibição) de incesto e adultério;
e. (a proibição) de roubar;
f. (o mandamento de estabelecer) leis e cortes de justiça.
[…]
Para Noé (D-us) acrescentou (a proibição de comer) carne de um animal vivo, como (Gênesis 9:4) declara: “Porém, você não pode comer carne com sua vida, que é o seu sangue,” assim, são Sete Preceitos [iniciais].
Estes assuntos permaneceram iguais através do mundo até Abraão[, … que foi] instruído a respeito da circuncisão, acrescentada a estes preceitos. […] Por fim, veio Moisés e a Torá foi finalizada por ele.”

 

– capítulo 10, leis 9 e 10:

“9. Um gentio que estuda a [explicação da observância de todos os 613 preceitos da] Torá¹ ² é passível [de punição (pelos Céus porque os outros o verão cumprindo mitsvót que não lhe é pertinente e se enganarão pensando que ele é um judeu praticante e se equivocarão indo atrás dele)]. Eles devem se dedicar somente ao estudo de [suas] Sete [Categorias de] Preceitos.
Assim também, um gentio que “descansa” mesmo que seja um dia da semana [ – podendo até mesmo ser o próprio sétimo dia – ], observando aquele dia como um Shabát, é passível [de punição]. Nem é necessário dizer, [ele é passível de punição] se cria um dia de festa [religiosa] para si próprio.
Em geral se adota o seguinte princípio nestes assuntos: Não se deve permitir dar origem a uma nova religião ou criar novos preceitos para si mesmos, baseados nas suas próprias decisões. Eles podem se tornar convertidos justos e aceitar todos os [613] preceitos ou manter suas próprias [sete categorias de] leis sem acrescentar ou diminuir [por suas próprias inferências].
Se um gentio estuda a Torá, faz um Shabát ou cria práticas religiosas, uma corte judia deve […] informá-lo de que é passível [de punição. …]”

“10. Não devemos impedir um gentio [que já aceitou o número literal de sete leis e] que [agora] deseja cumprir [mais alguns] dos [613] preceitos da Torá [porque estes formam as subdivisões das sete leis (a exceção, logicamente – como já foi dito – de estudar a Torá e de observar o Shabát)] a fim de receber uma recompensa [Divina], de realizá-lo, contanto que o faça como é devido.³
[…]”

No Brasil, Editora Maayanot, páginas 104, 105, 107, 108 e 118.

 

Notas:

¹ O Rav Tzvi Freeman explica que “o título Torá” no judaísmo não se refere exclusivamente “aos Cinco Livros de Moisés”, mas “pode se referir também a toda a Torá escrita” que é a Bíblia Judaica (Tanach) e/ou ainda “a Torá Oral, que inclui:

• a compilação de leis e decisões conhecidas como Mishná, juntamente com outras compilações aceitas,

• a discussão e o debate de que material, conhecido como Talmud ou Guemará,

• as histórias e suas lições, que aparecem compiladas no Talmud e obras midráshicas,

• todos os outros ensinamentos que foram aceitos por um consenso de longo prazo da comunidade judaica observante, porque se baseiam firmemente em algum precedente, ou porque foi demonstrado que surgiram por meios aceitos a partir de textos e opiniões anteriores.”

(   https://noahidebr.com/2015/11/20/que-e-tora-no-judaismo-e-no-noaismo/  )

Para mais detalhes sobre o que é a Torá Oral, veja

https://noahidebr.com/2015/09/19/o-que-e-a-tora/

 

² Trata-se não da leitura do Pentateuco (ou do Tanach) mas do “estudo Talmúdico ou Haláchico das matérias que correspondem exclusivamente ao serviço judaico a D’us”. (The Path of the Righteous Gentile, Rav Chaim Clorfene e Rav Yakov Rogalsky.) (  https://noahidebr.com/2015/10/29/6-mandamentos-judaicos-que-os-noaitas-nao-devem-observar/  )

Veja também

https://noahidebr.com/2015/09/25/e-permitido-a-um-nao-judeu-estudar-a-tora/

³ Veja também

https://noahidebr.com/2016/03/27/exceto-as-sete-leis-de-noe-pode-um-nao-judeu-observar-mitsvot/

 

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Os Noaítas e o Sétimo Dia

Os Noaítas (Bnei Noach/Filhos de Noé) e o Sétimo Dia

 

Perguntas e Respostas

 

PERGUNTA: Pode o Noaíta prosseguir sua jornada regular de trabalho no sábado?

RESPOSTA: Sim. Todas as atividades dos dias da semana são permitidas ao Noaíta no sábado, seja para negócios ou lazer. Se o seu empregador é flexível e lhe permite tirar alguns ou todos os sábados como um dos seus dias de folga, tudo bem. Mas como gentio, você não deve dizer ao seu empregador que você está solicitando o sábado como uma obrigação religiosa (e de qualquer maneira isso não deve ser sua intenção).

 

PERGUNTA: É permitido ao Noaíta fazer compras (gastar dinheiro) e viajar no sábado?

RESPOSTA: Sim. Todas as atividades que são permitidas nos dias da semana podem ser feitas pelos Noaítas no sábado.

 

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