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A Principal Função do Mashíach

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A Principal Função do Mashíach

[(E a verdadeira razão pela qual Yeshu não é o mashíach)]

 

Por Rav Yeheskel Lebovic
(Em 02/7/2015)

 

“Vê-lo-ei, mas não agora, e o olharei, mas não em breve. Partirá uma estrela de Yaacóv e se levantará um cetro de Israel. E matará os senhores de Moav e dominará a todos os filhos de Shet.” – Bamidbár 24:17

 

O Rav Maimônides (Hilchot Melachim/As Leis dos Reis 11:1) escreve que a terminologia repetitiva e dupla deste versículo se refere a dois messias: um, o primeiro, o Rei David, o outro, o segundo, o Mashíach final.

Temos de entender por que o Rei David é referido como este primeiro Mashíach. Afinal, se é apenas em virtude de ele ter sido ungido (mashíach=ungido), existiram outros reis ungidos antes dele. E, aparentemente, faz mais sentido dizer que Moshe Rabênu, geralmente referido no Talmud como o “primeiro redentor”, se qualificaria como o primeiro Mashíach deste versículo.

Estas perguntas podem ser respondidas pela análise de qual é a principal função do Mashíach segundo o Rav Maimônides. Sua formulação indica que não é a capacidade de fazer milagres ou de provocar mudanças dentro do curso da natureza, nem é ter uma capacidade profética do mais alto calibre.

Em vez disso, é o fato de que ele vai “obrigar” todos os judeus a cumprirem todas as leis da Torá em sua totalidade e assim levantarem a bandeira da Torá e da glória de Deus em todo o mundo.

Ele por fim levará toda a humanidade a um estado de direção espiritual cada vez mais profunda mediante a reconstrução do Bêt Hamicdásh e a reunião de todos os [judeus] exilados na Terra Santa de Israel.

O Rei David foi o primeiro a estabelecer a base sólida de Israel como uma Terra Santa teocrática unificada, impondo A Vontade de Deus sobre todos os seus habitantes e abrindo o caminho para o eventual estabelecimento do Reino de Deus na Terra. Isso explica a opinião do Rav Maimônides de que David é o primeiro Mashíach aludido neste versículo.

Isso vai explicar também a diferença entre o procedimento necessário para estabelecer as credenciais de um profeta e o procedimento necessário para o Mashíach verificar suas credenciais únicas.

As credenciais de um profeta são estabelecidas com base em sua capacidade profética, pois esta é a sua principal função: ele tem de prever vários eventos futuros, e eles têm de ocorrer com precisão.

As credenciais do Mashíach são estabelecidas por sua capacidade de reforçar a observância da Torá em todo o mundo judaico – sendo esta, naturalmente, a sua principal função.

Ele também tem de demonstrar que ele está impactando o mundo não-judaico, pois as Sete Leis Noaicas (dos Noaítas) também são ordenadas na Torá, e que ele está procedendo assim para fazer de toda a Terra um lugar de morada para a Glória revelada de Deus.

Por conseguinte, a mitsvá de acreditar na vinda do Mashíach, conforme o Rav Maimônides, assume uma dimensão adicional: nós de um modo geral não só temos de acreditar que Mashíach finalmente virá, mas também, mais especificamente, que ele vai trazer o mundo inteiro – judeus e gentios igualmente – a reconhecer e aceitar a regra da Lei Divina.

Visto que existem aqueles que vão se opor a este processo, há a necessidade do Mashíach, como rei e governante, vencer toda oposição deste tipo por, nas palavras do Rav Maimônides, “travar as batalhas de Deus” à maneira do Rei David.

Isso também responde a uma outra pergunta: Por que o Rav Maimônides organizou as Leis dos Reis no fim do Mishnê Torá – com as leis do Mashíach no final – quando parece que elas deveriam ter sido organizadas antes das Leis da construção do Bêt Hamicdásh?

A razão é que o único que pode implementar plenamente todas as leis da Torá como delineadas em todos os 14 livros do Mishnê Torá é um benevolente mas poderoso rei judeu da estatura de David – em outras palavras, o maior e mais poderoso rei de todos, Mashíach Tsidkênu.

Ele vai dedicar seus poderes concedidos por Deus para erradicar todas as formas de maldade deste mundo a fim de estabelecer o Reino de Deus na Terra. Ele vai derrubar e erradicar todas as forças que se opõem ao Plano Mestre que Deus escolheu implementar, independentemente de qualquer um dos ventos políticos que sopram no mundo todo.

Os seus grandes dons de sabedoria e profecia são, portanto, secundários a esta função principal, como explicado acima. Ele trará tikun (retificação) aos habitantes do mundo, que vão, em seguida, reconhecer as falsidades das crenças impostas a eles por seus antepassados, reconhecendo que essas crenças estão na categoria de “falsidades repetidas o tempo suficiente para serem aceitas como verdade” (Yirmiyáhu/Jeremias 16:19; Zechariá/Zacarias 8:23).

A maioria esmagadora dos habitantes do mundo – pessoas honestas e boas – então prontamente se juntará às fileiras dos crentes no verdadeiro Mashíach enquanto ele prepara sua revelação, em breve.

 

 

Por Rav Yeheskel Lebovic

© The Jewish Press 2017

 

Traduzido por Noahidebr

© Noahidebr 2015-2018
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Os 13 Princípios da Fé Noaica, o cristianismo e o islamismo

Os 13 Princípios da Fé Noaica, o cristianismo e o islamismo

 

 

Porque cristãos e muçulmanos não são Bnei Noach

 

A vida noaica (i.e., a vida do noaíta (ou ainda, do noahida ou do ben Noach)) é totalmente distinta da vida judaica. Ainda assim, a Fé Noaica é idêntica à Fé Judaica, pois, na verdade, trata-se da mesma Fé, a Fé em Hashem e na Sua Eterna Torá.
Os 13 Princípios da Fé do Judaísmo identificam aqueles que são judeus de fato. Os 13 Princípios da Fé do Judaísmo também servem para identificar aqueles que são Bnei Noach de fato.

 

Por Chaim Szwertszarf e Rosa Szwertszarf

 

QUEM É JUDEU [E QUEM É BEN NOACH (NOAÍTA)] de acordo com Maimônides

Você é JUDEU? [Você é BEN NOACH (NOAÍTA)]?
Consulte o Maimônides

 

(Por Rosa Szwertszarf)

 

Maimônides – Rav Moisés ben Maimon, conhecido também como Rambám (1135-1204), viveu numa época de glórias dos árabes que impunham aos povos conquistados a religião islâmica, proibindo entre outras, as religiões judaica e cristã. Diferentemente da inquisição, não se importavam com a fé praticada nos lares, cujo interior consideravam sagrado, contanto que os judeus assumissem publicamente o islamismo. Para fugir às perseguições, comunidades [judaicas] inteiras adotaram publicamente o islamismo continuando a professar o judaísmo em casa. Isso gerou sérios conflitos pessoais e atritos com os que não se submetiam à conversão pública. Influenciados pela cultura islâmica, convertidos começaram a aceitar a idéia de que, na realidade, não havia grande diferença entre o judaísmo e o islamismo, podendo-se ser “judeu” e maometano ao mesmo tempo. Para esses, Maimônides formulou os 13 princípios básicos que definem e caracterizam a religião judaica [e consequentemente a doutrina noaítica] e, nos quais, um judeu [e também um noaíta] devem acreditar. Os 13 princípios são:

1. D’us existe;

2. D’us é único no absoluto sentido da palavra. Não só D’us existe, e não só ELE é O CRIADOR mas ELE é O ÚNICO CRIADOR;

3. D’us é incorpóreo. D’us não possui corpo. D’us não possui forma. Não podemos descrevê-LO nem definí-LO com a nossa linguagem;

4. D’us é eterno, sem princípio nem fim. ELE não é uma entidade criada;

5. não existem outros deuses (é a ELE e a mais ninguém que se deve adorar). ELE é O ÚNICO que criou e conduz o mundo, e portanto, O ÚNICO que tem poder de intervir na nossa existência [(e em qualquer existência)] e consequentemente é O ÚNICO a Quem devemos dirigir as nossas preces;

6. existe a profecia autêntica;

7. Moisés é o maior profeta, não houve antes dele, nem haverá depois quem o iguale;

8. a Torá, conforme nós a conhecemos (tanto a escrita quanto a oral), foi dada por D’us a Moisés e por ele transmitida até as nossas gerações. Moisés recebeu diretamente de D’us, no monte Sinai, duas Toroth: uma escrita e a outra oral;

9. a Torá é imutável;

10. D’us sabe tudo a nosso respeito: ações e pensamentos;

11. existe o princípio de compensação e castigo;

12. o mashíach (o verdadeiro messias) virá, e embora demore, sua vinda deve ser aguardada diariamente;

e, 13. existe o princípio da ressurreição.

 

(Por Chaim Szwertszarf)

 

Maimônides estabeleceu os 13 princípios como definição válida de judeu [e também de noaíta], como uma maneira segura de identificação do povo judeu [e também dos Bnei Noach].
Os princípios escolhidos eliminam, sucessivamente, as outras religiões que não aceitam a verdade de um ou outro princípio estabelecido.
Assim, o primeiro princípio, que proclama a existência de D’us, elimina todos os ateus.
O segundo princípio elimina todos que acreditam na existência de mais de Um D’us, ou que D’us não é uma unidade absoluta (exemplo, a trindade).
O terceiro princípio elimina a antropomorfia (i.e., que D’us tem corpo).
O quarto princípio elimina aqueles que afirmam que a matéria é eterna.
O quinto elimina todos aqueles que se dirigem às criações como se elas estivessem investidas de poderes de decisão, pois todas elas só podem seguir o destino (caminho) que lhes foi designado.
O sexto elimina os que não acreditam em profecia, elemento fundamental da religião, ou que nem sempre a profecia é verdadeira. De acordo com esse princípio, o profeta fala SEMPRE verdade.
O sétimo elimina aqueles que reconhecem outro profeta completo e máximo, além de Moisés (exemplo, Jesus (Yeshua), Maomé, etc).
O oitavo elimina os críticos que acham que a Torá (Pentateuco) não foi escrita por Moisés, mas que é obra posterior, escrita por diversos autores.
O nono elimina todas as novas mensagens que pretendem substituir ou acrescentar ou diminuir do que está escrito no Pentateuco (exemplo, o Novo testamento, o Coran, etc).
O décimo elimina os que, embora acreditem na existência de D’us, acham que D’us não tem mais contato com suas criaturas.
O décimo primeiro elimina aqueles que acham que não existe justiça Divina. As coisas acontecem naturalmente.
O décimo segundo elimina aqueles que dizem que o Messias já se revelou em absoluto.
O décimo terceiro elimina aqueles que não acreditam na ressurreição dos mortos.

É INTERESSANTE NOTAR QUE OS 13 PRINCÍPIOS QUE DEFINEM O JUDEU [E TAMBÉM O NOAÍTA] NÃO FALAM EM PRATICAR OS MANDAMENTOS MAS, SÓ SE REFEREM A IDÉIAS, QUE DEPENDEM EXCLUSIVAMENTE DA FÉ. E MAIMÔNIDES CONCLUI QUE O PROBLEMA DO CUMPRIMENTO DOS MANDAMENTOS É DO LIVRE ARBÍTRIO DE CADA JUDEU [E TAMBÉM DE CADA NOAÍTA], I.E., O QUE O JUDEU ESCOLHE FAZER NÃO MUDA O SEU JUDAÍSMO, ELE CONTINUA A SER JUDEU[, E TAMBÉM O QUE O NOAÍTA ESCOLHE FAZER NÃO MUDA O SEU NOAÍSMO, ELE CONTINUA A SER NOAÍTA].
SE O NASCIDO DE MÃE JUDIA RESOLVE ADOTAR QUALQUER OUTRO SÍMBOLO QUE O IDENTIFIQUE COMO PERTENCENTE AO POVO JUDEU, MAS NÃO TEM FÉ EM QUALQUER DOS 13 PRINCÍPIOS, BASTA QUE NÃO ACEITE UM DELES, ESSA PESSOA PODE SER MUITO SIMPÁTICA E, ATÉ, GRANDE CONTRIBUINTE E BENFEITOR DAS CAUSAS JUDAICAS, MAS ISSO NÃO FAZ DELE JUDEU. [ASSIM TAMBÉM AQUELE QUE ASSUME AS SETE LEIS DE NOACH, MAS NÃO TEM FÉ EM QUALQUER DOS 13 PRINCÍPIOS, BASTA QUE NÃO ACEITE UM DELES, ESSA PESSOA PODE SER BONDOSA, GENEROSA, HONESTA, ETC, MAS ISSO NÃO FAZ DELA NOAÍTA.] É NECESSÁRIO ACREDITAR COM PERFEITA FÉ NOS 13 PRINCÍPIOS QUE SÃO EXCLUDENTES. A AÇÃO, A PRÁTICA RIGOROSA DA HALACHÁ (LEI JUDAICA) [PARA O JUDEU, OU ENTÃO DAS SETE LEIS DE NOACH PARA O NOAÍTA,] NÃO O TRANSFORMA EM JUDEU [OU ENTÃO EM NOAÍTA] SE ELE DEIXAR DE ACREDITAR EM UM DOS 13 PRINCÍPIOS.
O IMPORTANTE NÃO É A PRÁTICA, ISSO É UM PROBLEMA DE CADA UM QUE COLHERÁ OS FRUTOS DA JUSTIÇA DIVINA MAS SIM, A CONVICÇÃO. NÃO É O CONHECIMENTO DA VERACIDADE DO JUDAÍSMO MAS SIM A FÉ.
IDENTIDADE É UMA QUESTÃO DE SENTIR UMA VERDADE, DE TER FÉ NESSA VERDADE.
PARA SER IDENTIFICADO COMO JUDEU [OU ENTÃO COMO NOAÍTA] TEM SE QUE TER FÉ PERFEITA.

[(Nota adicional do site Noahide br:

Apenas para reforçar a questão acima tratada, da diferença entre fé e a prática das mitsvot, o Rav Marc D. Angel explica similarmente:

“Os judeus não deixam de ser judeus se violam a Halachá – o código de leis do judaísmo.”

“A Halachá reconhece como judeu aquele que nasce judeu (que nasce de mãe judia), quer observe ou não as mitsvot.”    )]

Maimônides formulou e anunciou os 13 princípios básicos para definirem, incluirem e excluirem uma pessoa no rol de judeu [e também de noaíta]. Ele afirma:
Basta não acreditar em um dos princípios enumerados, para que a pessoa não esteja mais incluída na Comunidade [Judaica, ou então entre os Bnei Noach]. Porém se acreditar em TODOS os 13 princípios, e a pessoa venha a transgredir os Mandamentos, ele é judeu [ou então noaíta] para os efeitos aqui mencionados, só que um judeu [ou então um noaíta] pecador e terá que prestar contas.
[No Judaísmo,] as consequências de quem não aceita os 13 princípios são muito graves e são pomo de discórdia no seio da Comunidade. Os responsáveis devem se preocupar com esse problema. Pois a pessoa que não aceita os princípios, está excluído, de acordo com a Halachá, da identidade judaica e por conseguinte da religião.

Explanações sobre alguns dos 13 princípios.

– Sexto princípio.

Como reconhecer um Profeta

Ele deve: ser um Tzasik (Justo), um sábio na Torá, dominar os seus impulsos em cada instante em todos os casos e situações, e, cujo comportamento é extremamente refinado.
O Profeta não pode declarar que a mensagem que D’us mandou, por seu intermédio, é para anular qualquer um dos mandamentos da Torá, pois isto é profecia falsa e, o Profeta, portanto, é falso.
O Profeta deve ser solicitado pelas lideranças, como teste, para predizer uma série de acontecimentos futuros, E TODOS devem acontecer.
Esses eventos que o Profeta prediz devem se referir a coisas boas, porque profecias ruins podem não acontecer, já que o ruim só acontece como castigo e, basta que haja arrependimento, e a profecia não se realizará, por isso, não é um meio seguro para se confirmar se é um verdadeiro ou falso Profeta. Como aconteceu com Jonas, no caso de Ninvé.

A profecia

A função básica da profecia é ensinar os mandamentos de D’us, seja para tirar dúvidas, seja para recriminar os que não seguem o caminho dos Justos.
O sexto princípio de Maimônides, existe a profecia autêntica, se lê assim: “eu acredito, em perfeita fé, que todas as palavras dos profetas são verdadeiras”. E deve ser entendido como:
1. todos os nossos [(dos judeus)] Profetas são verdadeiros;
2. todos os ensinamentos e pronunciamentos que constam na Bíblia [Judaica, Tanách,] são verdadeiras profecias.

– Sétimo princípio.

Nos “13 princípios”, o sétimo se lê assim: eu acredito em perfeita fé que a profecia de Moisés, foi verdadeira (real) e que ele é o primeiro (o maior) de todos os profetas (tanto) os que o antecederam como os que o seguiram.
Ao se declarar que a profecia de Moisés é verdadeira e, portanto, Moisés um verdadeiro Profeta, implica que a Torá escrita e a Torá verbal são todas verdadeiras, já que todas nos foram profetizadas por um único e mesmo Profeta: Moisés.
Ao se afirmar que Moisés foi o primeiro (principal) Profeta – implica que Moisés alcançou o estágio mais alto que um ser humano pode alcançar. Essa observação é de Maimônides que diz ter Moisés alcançado o estágio de anjo. Só um véu não o permitiu ver a essência Divina. Esse véu existiu porque, ele, Moisés, era de carne e osso. Não era uma falha voluntária mas estrutural.
Em outras palavras, significa que nenhum ser vivo pode subir mais alto, em santidade, que Moisés. E ninguém podia entender melhor as profecias que ele. Se por hipótese aparecesse um Profeta igual a Moisés, não poderia saber mais que Moisés. Se esse hipotético Profeta fizesse declarações proféticas, só podiam ser iguais ao que Moisés falou. Caso contrário seria um falso Profeta.
Isto está implícito em:
que Moisés foi o primeiro (principal) dos Profetas que viriam antes dele ou depois dele.
Assim, a afirmação do sétimo princípio diz que acreditamos que ninguém tem autoridade para desmentir ou alterar a (torah moshe) Torá de Moisés, sob pena de ser considerado um falso Profeta.

– Oitavo princípio.

Maimônides enumerou os [13] princípios que determinam quando um judeu [ou então um noaíta] pode ser definido como tal.
No princípio anterior (o 7° princípio), demonstramos a importância de se reconhecer em Moisés o Profeta verdadeiro. A consequência é que a Torá também é verdadeira, “in totum”, por ser uma profecia de um Profeta verdadeiro. Assim, estaria implícito no sétimo princípio o reconhecimento de que a Torá foi dada por D’us (torah min hashamaim). Maimônides, no entanto, amplia esse conceito através do oitavo princípio. Considero este princípio de muita importância e muito atual, numa época em que há tantos intérpretes do significado do judaísmo, por isso, acho importante e esclarecedora a transcrição literal das palavras de Maimônides.
“Oitavo princípio, heioth hatorah min hashamaim, ser a Torá outorgada por D’us. Nós acreditamos que a Torá completa que se encontra, no presente, em nossas mãos, foi-nos dada através de Moisés Rabeinu, e que é inteiramente a palavra de D’us. Moisés tinha plena consciência de estar recebendo a Torá de D’us e que ele só devia funcionar como um “escriba” (secretário) a quem se dita e ele transcreve os acontecimentos, as narrativas e os Mandamentos. Por isso ele é chamado o Mechokeik, o escriba.
Todas as palavras [registradas na Torá] são a palavra de D’us e tudo é a Torá perfeita, completa, pura, santa e verdadeira.
Aquele que afirma que [uma única palavra, ou algumas, ou todas] as palavras ou narrativas foram escritas por Moisés, por sua própria iniciativa, é considerado por nossos Sábios e nossos Profetas como o pior dos apóstatas.”
Para resumir: hatorah min hashamaim (i.e., que foi D’us QUEM deu a Torá) é um dos princípios básicos. O descrente desse princípio está sujeito a ser excluído do seio do judaísmo.
Basta que alguém duvide de uma única palavra da Torá, como não sendo de origem Divina, para ser equiparado a quem nega a Torá toda, com todas as consequências daí provenientes.
O oitavo princípio vem alertar que não é suficiente acreditar que Moisés foi Profeta e que as profecias dele são verdadeiras. É só duvidar em que a Torá que se encontra atualmente conosco é toda ela uma profecia única transmitida a Moisés por D’us para que a pessoa seja considerada apóstata.
Maimônides, em sua obra Mishnei Torá, codifica: aquele que, publicamente, nega a origem Divina (sinaítica) da Lei Oral é igual a qualquer outro apikoros.
Maimônides nos transmite o seu recado:
a) judeu [ou então noaíta] é aquele que aceita [toda] a Torá como sendo de origem Divina
b) a Torá se compõe da Lei Escrita e da Lei Oral e
c) quem não aceita esse princípio não faz parte da comunidade judaica [ou então dos Bnei Noach].

– Nono princípio.

Os [13] princípios formam a base da fé judaica [e noaica]. São princípios gerais que são válidos para todos aqueles que aceitam o monoteísmo.
Onde Maimônides inicia a singularizar a fé judaica [e noaica] é no oitavo princípio que proclama e demonstra que a Torá (escrita e oral) é a palavra de D’us transmitida a Moisés para ser ensinada ao povo de Israel [e também aos Bnei Noach].
Aceitar a Torá como a palavra Divina é suficiente para caracterizar o judeu [ou então o noaíta]? Não.
O que define a fé judaica [e noaica] é a imutabilidade da Torá.
Não é suficiente aceitar Moisés como Profeta mas sim como o maior Profeta, e não é suficiente aceitar a Torá como sendo min hashamaim (dada por D’us), é preciso aceitar a sua imutabilidade.
Tudo o que está escrito na Torá (na escrita e na oral) deve ser seguido como sendo o mandamento de D’us. Portanto, a palavra da Torá é definitiva. Essa afirmação é genuinamente judaica.
Se um Profeta declarar que D’us o encarregou de ab-rogar, modificar, anular, acrescentar ou diminuir qualquer coisa seja da Torá escrita ou da Torá oral, deve ser considerado como falso Profeta e condenado à morte, ainda que tenha provocado milagres em outras oportunidades. Como exemplo Maimônides cita: na Torá está escrito que quando se penalizar o criminoso, deve se aplicar o princípio de “olho por olho e dente por dente”. Essa expressão foi interpretada por nossos sábios na Torá Oral, como significando multá-lo, em dinheiro, o equivalente ao prejuízo causado, pela incapacitação do indivíduo, devido a perda de um olho ou de um dente. Se algum Profeta insistir que D’us lhe afirmou, numa visão profética, que essa sentença deve ser entendida literalmente, i.e., arrancar um olho ou um dente do criminoso, ele é um falso Profeta e deverá ser punido com a morte.
De uma certa maneira, quando se trata da Torá Oral, que é a parte do Talmud e onde as leis e procedimentos são referidos aos rabinos pode haver alguma hesitação quanto à sua imutabilidade. Por isso é conveniente trazer alguns versículos que reforçam esse princípio em sua relação à Torá Oral.
Deuteronômio 17:8, 9, 10 e 11 fala longamente sobre a autoridade exclusiva dos rabinos.
Nos dois últimos princípios, 8 e 9, afirma-se que a Torá (escrita e oral) é toda ela uma profecia. Como profecia ela é inteiramente verdadeira. Se verdadeira, devemos aceitá-la tal como ela é, sem argumentação, dúvidas ou contestação, porque, embora nem sempre por nós compreendida, nem por isso é menos verdadeira.

– Décimo segundo princípio.

A Era Messiânica
Livre arbítrio não quer dizer que a pessoa pode agir de uma maneira ou de outra apenas seguindo a sua vontade. Não. Livre arbítrio significa ter conhecimento das consequências do ato e arcar com elas.
É no conhecimento das consequências, que podemos afirmar que a escolha é livre. Essa qualidade divina só pode ser exercida por existirem o bem e o mal, a recompensa e o castigo todos eles sujeitos à leis preestabelecidas por D’us.
É evidente que D’us não iria criar as coisas que conhecemos como o mal para ter existência eterna, seja o mal representado pelo impulso que lhe dá origem, seja pelo castigo, que é o mal que o pecador sofre. Há de haver um tempo limite para a sua existência. O mal, nas estruturas de origem Divina, há de sucumbir e, em seu lugar, só o bem terá existência.
Ou seja, há de surgir um mundo perfeito. Sem a existência daquilo que conhecemos como o mal. Só o bem terá existência eterna.
Esse tempo seria os dias messiânicos.

A esperança nacional.

Ao mandar Moisés ir ao Egito de encontro à comunidade judaica para desencadear o processo liberatório e formação nacional, ele pergunta a D’us: e se me indagarem como é o nome desse D’us que te mandou (e que deverá permanecer para sempre nosso D’us nacional), qual o nome que deverei dar? – e D’us revela o nome que define em três palavras a história judaica: “eheie asher eheie”, “estive com eles nesta diáspora e permanecerei com eles nas futuras diásporas”, ou seja, é um povo que, graças à sua missão nacional, durará por todas as gerações futuras. E por essa razão, tanto na sua terra, Israel, ou na diáspora, poderá ter a sua existência ameaçada, contestada, mas jamais eliminada. A sua missão fará com que tenha uma existência eterna.
Cumprida a sua missão, o seu Messias virá para tirá-lo de todas as diásporas para que se instalem, definitivamente, na terra de Israel.
O Messias, do povo judeu, existe e só aguarda o momento oportuno para guiá-lo.
A data da vinda não pode ser revelada porque a vinda dele depende de fatores históricos e do cumprimento, antes, da missão do povo judeu [(a obrigação de ensinar a todos os povos as Shéva Mitsvót Hashém leBnei Nôach, as Sete Categorias de Leis dadas pelo Próprio D’us a toda a humanidade, de modo que todos os não-judeus as aceitem e as cumpram, tornando -se assim Bnei Noach (Filhos Espirituais de Noé, patriarca não-judeu da humanidade moderna) ou Gentios Justos – não-judeus devotos de Hashem)]. Assim se verifica que essa ideia, a messiânica, é a verdadeira alma nacional, que deu e dá esperança à sobrevivência do povo judeu e ânimo para continuar com a sua missão de mensageiro da palavra Divina.

A ideia universal.

Sendo a era messiânica para todas as nações, a vinda de Mashiach, do verdadeiro Messias, é de interesse de toda a humanidade e portanto é uma esperança universal.

É um princípio que define o judaísmo [e também o noachdut (noaísmo)].

Os princípios que definem o judaísmo [e também o noachdut (noaísmo)] são três: a) que a Torá é eterna e imutável, i.e., nada pode ser diminuído nem acrescido (torah min hashamaim) (pois, a Torá foi dada por D’us); b) que Moisés foi o maior profeta e ninguém jamais o sobrepujará, substituirá ou igualará, em consequência, sua palavra é a final; c) que a revelação de Messias é ainda esperada.

Os tempos messiânicos por Maimônides:

“Os tempos messiânicos serão os tempos em que voltará a existir o reino em Israel e voltarão (todos os judeus) à Eretz (Terra de) Israel e este rei (Messias), será muito exaltado. … Farão a paz com ele todos os povos, e todas as nações estarão submissas a sua grande justiça e as maravilhas que se realizarão por seu intermédio. … Nada mudará na realidade (a existência) do povo judeu a não ser que a realeza voltará (ao povo de) Israel.”
Como vemos, Maimônides não somente faz questão de sublinhar que os tempos messiânicos serão historicamente (e politicamente) normais mas, principalmente, que Messias será um homem de carne e osso, um grande líder, um rei descendente da estirpe do rei Davi, e apesar de ser o homem mais poderoso do mundo, será um homem sábio, justo e santo e que exercerá sua liderança para aperfeiçoar a humanidade e assim prepará-la para o Mundo do Porvir.
Mas esse conceito de Messias não deve confundir o leitor a pensar que Maimônides apenas prevê um acontecimento político, longe disso. E por isso vejamos como Maimônides anuncia o 12° e penúltimo princípio.
“Acreditamos e afirmamos que Messias virá, e ainda que demore, esperaremos por ele.
Acreditamos que Messias será superior e terá maior eminência e prestígio do que qualquer outro rei que já reinou. Essa crença em Messias está de acordo com as profecias que dizem respeito a ele por todos os profetas desde Moisés até Malahi [Malaquias]. E aquele que duvida de sua vinda, ou que duvida de sua estatura exaltada (como rei), nega a Torá.
Incluído neste 12° princípio está que todo rei de Israel tem que ser descendente da casa de Davi e de Salomão.”

Vejamos mais algumas palavras de Maimônides sobre Messias:
“Nesses dias [messiânicos], (o cumprimento de) todos os mandamentos retornará ao seu estado inicial. Ofereceremos sacrifícios, observaremos os anos sabáticos e de jubileu, de acordo com os detalhes mencionados na Torá.
Qualquer judeu [ou então noaíta] que não acredita em Messias [(como uma pessoa real, um homem que será um rei,)] ou que não aguarda a sua vinda, nega não somente os mais essenciais ensinamentos dos profetas, mas também os da Torá e Moisés, nosso mestre.”
“O Messias não mudará nada da Torá. A Torá que temos agora, com todas as leis e mandamentos, permanecerá para sempre.”
“O Messias deve ser um indivíduo imerso no estudo da Torá e seus mandamentos; como Davi, seu ancestral, ele deve seguir ambas as Toroth, a Torá escrita e a Torá oral; conduzir todos os judeus de volta à Torá. Ele levará todos os homens a servir a D’us em unicidade.”
“Nossos sábios e profetas não ansiaram pela era messiânica com o fito de governar o mundo e dominar os não-judeus. Não desejavam que as nações os honrassem ou que pudessem [resumir a vida a apenas] comer, beber e estar alegres. Só desejavam uma coisa e, isto era, serem livres e independentes de modo que pudessem se envolver no estudo da Torá e sua sabedoria.”
“Na era messiânica não haverá guerra, nem fome. Inveja e competição deixarão de existir. A principal ocupação da humanidade será somente a busca em conhecer D’us[, Hashem, o D’us Único de Israel].”

Esta é a ideia messiânica que Maimônides nos ensina sobre Messias e a era messiânica.

Que Messias venha em breve e ainda em nossos dias.

 

Por Chaim Szwertszarf

© Chaim Szwertszarf, Setembro 1995, Rio de Janeiro – Brasil

 

O site Noahide Br dedica este artigo a Luis Claudio Rodrigues e família, e, à elevação da alma de Janete Duarte Rodrigues.

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Bnei Nôach e as religiões

Bnei Nôach* e as religiões

* Na transliteração dos termos hebraicos o “sh” tem som de “CH” (exemplos: “Hashém”, etc.), e, (na transliteração dos termos hebraicos) o “ch” tem som de “RR” (exemplos: “Nôach”, etc.).

 

Bnei Nôach e seu relacionamento com as outras religiões

 

Por Rav Yitzchak Ginsburgh

 

Para adotar o caminho espiritual de Bnei Nôach, [o caminho espiritual original,] a pessoa deve no mínimo seguir suas regras. Mas, como tudo na Torá (i.e., os 5 Livros de Moisés: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio), as leis contém sabedoria infinita, e segui-las define apenas o começo de uma trajetória espiritual que pode levar um não-judeu a encontrar níveis mais profundos e crescentes de realização em seu relacionamento com D’us.
Pelo fato das 7 Categorias de Leis dos Filhos de Noé serem parte da Torá, para se tornar um Ben (Filho de) ou uma Bat (Filha de) Nôach (Noé) – aquele(a) que assumi sobre si as chamadas 7 Leis dos Bnei Nôach (Filhos de Noé) dadas por D’us a toda a humanidade – a pessoa precisa primeiro aceitar a verdade da Torá em sua totalidade, inclusive a verdade das tradições orais transmitidas a partir de Moisés ao longo das gerações.
Mais ainda, precisa estar absolutamente claro para todo não-judeu que quer se tornar um gentio justo (um devoto de D’us entre as nações), comprometido com as 7 Leis de Bnei Nôach, que ele não pode se definir como membro de nenhuma outra religião. Um gentio justo é completamente dedicado à autenticidade e veracidade da Torá, de modo que ele possa revelar o D’us de Israel (Hashém) ao mundo inteiro. Isto também significa reconhecer o povo judeu – Bnei Yisrael (Filhos de Israel) – como o povo escolhido de D’us e Sua nação de sacerdotes (Dt. 7:6; 14:2; Êx. 19:6).
A fim de seguir apropriadamente as 7 Leis de Bnei Nôach, aqueles que buscam se identificar como Filhos de Noé devem procurar aprender dos judeus o significado mais profundo de todos estes mandamentos e sua aplicação prática, visto que eles foram transmitidos através dos tempos por meio da tradição oral da Torá. Desta forma, eles poderão servir a D’us como ELE deseja.
Para cumprir apropriadamente suas 7 Leis, os Filhos de Noé devem estudar em detalhes estes mandamentos com um mentor qualificado, uma autoridade em Halachá (leis) – um Rabino Ortodoxo.

O Todopoderoso não aceita a criação de religiões. Isto não quer dizer que diferentes nações e povos não possam ter costumes e rituais próprios, mas estes não devem incluir significados religiosos, e devem ser claramente diferenciados do serviço ao Divino.
No entanto, nos dias de hoje, o mundo está repleto das chamadas práticas religiosas, que incluem várias crenças e rituais que foram estabelecidos como parte de religiões organizadas, tais como o cristianismo e o islamismo. É sobre estas religiões organizadas que várias pessoas têm suas suspeitas, pois elas parecem ser a causa dos maiores derramamentos de sangue e guerras na história da humanidade. Ao invés de trazer paz para a raça humana, elas causaram incomensurável sofrimento e pouco consolo em tempos de aflição.
Bnei Nôach, por definição, renunciam a legitimidade Divina das religiões organizadas e servem somente a D’us da maneira prescrita na Torá. No entanto, como veremos, certos benefícios provêm da consciência religiosa que as religiões organizadas trouxeram a seus seguidores. As partes válidas desta consciência religiosa podem servir como ponto de partida para a aproximação com seus líderes religiosos e a discussão sobre a necessidade de seguir a Vontade de D’us conforme revelada na Torá.
Como pessoas tementes a D’us, todos nós acreditamos que a Providência Divina direciona cada detalhe de nossas vidas. Mesmo quando o indivíduo opta por seguir um determinado curso de ação por seus próprios motivos, é D’us QUEM está direcionando seus passos da forma como ELE julga apropriado. Na maioria dos casos, esta orientação permenece inteiramente oculta para os seres humanos. Nas palavras do Rei David, “Por D’us, os passos do homem são firmes, seus Caminhos ELE aprovará” (Sl. 37:23).
Este princípio é válido para todos os detalhes da vida de cada indivíduo, mas é muito mais proeminente nas vidas daqueles que provaram ter influência crucial sobre a história da humanidade como um todo. Aqui também existe tanto a intenção revelada e consciente do indivíduo, que motiva seus atos, quanto a dimensão oculta, que é revelada somente por D’us, na medida em que ELE extraordinariamente direciona o destino do mundo que ELE criou para revelar Sua glória e infinita bondade.
Maimônides escreve em “Hilchot Melachim” (As Leis dos Reis) capítulo 11 sobre um indivíduo cuja vida mudou o curso da história – Jesus de Nazaré – e que pensava ser o messias. Ele tentou concretizar isto, mas falhou. Ao invés de redimir Israel e o mundo inteiro, seus atos levaram Israel a ser assassinado*, seus remanescentes dispersos e humilhados, a Torá, alterada, e a maioria do mundo enganada a servir a um conceito de deus diferente do D’us Único de Israel.

(* A lista de atrocidades é interminável e inclui libelos de sangue, pogroms, cruzadas, etc. Estes crimes foram perpetrados com o intuito de forçar os judeus a aceitarem e se converterem à “verdadeira” religião.)

Maimônides continua:

“No entanto, não está sob o poder do ser humano compreender a intenção do Criador do mundo, pois (parafraseando Is. 55:8), SEUS caminhos não são nossos caminhos, nem SEUS pensamentos são nossos pensamentos.
(Eventualmente,) todos os atos de Jesus de Nazaré e do ismaelita que surgiu depois dele (i.e., Mohammed) servirão somente para pavimentar o caminho para a vinda do Mashíach – o verdadeiro Messias – e para o aprimoramento do mundo inteiro, (motivando as nações) a servirem a D’us juntas, como está escrito (em Sf. 3:9), ‘Pois, então, EU [Hashém] purificarei a fala dos povos, de modo que eles evocarão O Nome de D’us e O servirão em harmonia’.
Como isto acontecerá? (Como resultado destas religiões,) o mundo inteiro já está familiarizado com o assunto de Messias, bem como com a Torá e seus mandamentos. Estas questões se espalharam entre as várias nações, muitas [até então] insensíveis espiritualmente, e [agora] elas discutem estes assuntos bem como os diversos mandamentos da Torá. [Ainda que] algumas delas (i.e., os cristãos) digam: ‘Estes mandamentos são verdadeiros, mas já não estão em vigor na era atual; eles não são aplicáveis em todas as épocas.’ E outras (i.e., os muçulmanos) digam: ‘Implícitos nos mandamentos estão conceitos ocultos que não podem ser compreendidos de maneira simples; o messias já veio e já os revelou.’ [O fato é que] (o cenário já está pronto, de forma que) quando o verdadeiro Messias surgir e for bem-sucedido, sua (posição for) exaltada e elevada, todos [os povos] retornarão [a Hashém – o D’us de Israel – e à Sua Torá] e compreenderão que seus ancestrais lhes legaram uma herança falsa; que seus profetas e ancestrais lhes fizeram transgredir.”

Vejamos agora a situação do mundo nos dias de hoje. Cerca de 2000 anos se passaram desde que o cristianismo foi inventado. Durante estas gerações, o sofrimento e a dor de milhões de pessoas não diminuiu a despeito dos grandes avanços feitos pela civilização, especialmente nos campos da ciência e tecnologia. A cada dia que passa, a súplica sincera pela salvação de D’us se intensifica, o rogo pela redenção verdadeira e definitiva que será trazida por Mashíach – o verdadeiro Messias. Nas palavras do profeta Daniel: “Quanto tempo mais até o fim destas coisas terríveis!” (12:6).
Pelos sinais dados por profetas e sábios, fica claro que nossa geração é a geração que testemunhará a redenção final. A fim de apressar a vinda do verdadeiro Messias, devemos nos esforçar para viver de acordo com a nova realidade que ele estabelecerá. Embora Maimônides pareça indicar que isto acontecerá apenas depois da revelação do Mashíach, mesmo agora, nos momentos finais que antecedem sua chegada, devemos tentar “viver com o Mashíach”, como se ele já estivesse conosco (pois, de fato, ele já anda entre nós, pronto, mais do que nunca, para se revelar). E assim, chegou o momento das nações do mundo, começando por seu líderes religiosos, entenderem que seus antepassados lhes transmitiram um falso legado.
Os últimos 2000 anos demonstraram o colapso de todas as religiões organizadas que se autoproclamavam portadores da mensagem Divina de paz e união. Ao mesmo tempo, uma Providência Divina claramente singular tem protegido o povo escolhido de D’us, os judeus, um dos povos mais invejados, desprezados e perseguidos que existem sobre a face da terra, em seu longo período de exílio da Terra de Israel. Pessoas esclarecidas ao redor do mundo [perceberam e] compreenderam estes dois pontos.
Agora é o momento da intenção oculta de D’us, que guiou toda a história até os dias de hoje, ser revelada para todos. Somente assim cada indivíduo compreenderá sinceramente a verdade e se preparará para receber o verdadeiro Messias, cuja chegada, para redimir todos nós, é eminente.
É a obrigação sagrada dos judeus, juntamente com Bnei Nôach, conclamar fervorosamente líderes religiosos esclarecidos e inspirados a tomar conhecimento da verdade! Sua conduta será seguida por todos os povos de todas as religiões.
Todos nós ansiamos pela salvação. Todos nós temos total consciência do terrível sofrimento presente no mundo, e todos nós acreditamos que a maior bondade e júbilo que a humanidade está destinada a herdar – a alegria de ficar próximo de D’us, através da aceitação e do compromisso em praticar as 7 Categorias de Leis de Noé, a própria revelação da Vontade do Todopoderoso – virá com a chegada do verdadeiro Messias.
Em nome de D’us e pela bondade que ELE prometeu à humanidade, chegou o momento de todas as nações do mundo e seus líderes religiosos fazerem uma transformação radical, encarar a realidade imparcialmente, abandonar suas antigas crenças e reconhecer a verdade absoluta – que o mundo inteiro acreditará exclusivamente no D’us Único de Israel, nosso PAI ÚNICO no céu, nosso abençoado CRIADOR, e na veracidade de Sua lei, a Torá. Esta é a única verdade absoluta.
Quanto maior a influência do indivíduo em seu ambiente, maior a sua responsabilidade. É dever sagrado de todo líder religioso elucidar e despertar os corações de seus seguidores, fazendo com que abandonem as crenças errôneas que herdaram de seus antepassados e se comprometam a seguir o caminho dos gentios justos, conforme definido pela Torá – observando as 7 Categorias de Leis de Bnei Nôach que D’us ordenou a toda a humanidade –, e com alegria e bondade no coração se prepararem para a eminente chegada do verdadeiro Messias.

Por Rav Yitzchak Ginsburgh

© 2007 Gal Einai

Traduzido do inglês por Felipe Zveibil Fisman e Miriam Pomeroy

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Entrevista com Mashiach

entrevistando mashiach - chabad.org.br

 

Nosso “fã clube” detectou e todos foram unânimes em afirmar: “Queremos Mashiach!”

Medimos pelas dezenas de e-mails recebidos que a maioria quer obter detalhes sobre ele, possuem muitas dúvidas e desejam saber: o que está prestes a acontecer?!

Devido à insistência e estando sempre antenados, a fim de atender nosso fiel público, conseguimos agendar!

http://www.chabad.org.br tem o prazer e satisfação de anunciar, a seu pedido, uma entrevista exclusiva.

Com vocês: Mashiach!

 

www: Estamos imensamente felizes por ter-nos concedido esta entrevista tão aclamada por todo o mundo. Agradecemos por ter atendido ao nosso convite, em nome de todos seus fãs.

Mashiach: Não é necessário me agradecer. Apesar de ter uma infinidade de compromissos em minha agenda, estava há muito aguardando este momento.

www: Mashiach, o senhor julga-se um ser humano normal, de carne e osso, mortal como nós, ou um super herói?

Mashiach: Nada de super. Supremo somente Hashem, nosso Criador. Sou um sujeito simples, de carne e osso como podem todos ver (vocês estão com a câmara digital? Nem precisa! Dispenso fotos e publicidade) e filho de pais humanos normais. Meu nome, Mashiach, em hebraico significa “O ungido”.

www: Qual é a sua origem e seu background?

Mashiach: Sou descendente do Rei David, da tribo de Yehudá, a quem D’us prometeu que dele virá o Mashiach. Sou comprometido integralmente com a Torá. Posso afirmar que conheço profundamente cada assunto e ensinarei com eficiência e clareza a todos quando chegar o momento. Acreditar em minha vinda faz parte dos Treze Princípios de Fé, de Maimônides.

www: Como todo líder, você deve ter vários projetos. Quais são as principais linhas de seu plano de trabalho?

Mashiach: Fui incumbido de liderar nosso povo para a Terra de Israel e trazer a paz universal a todos. Para atingir um mundo melhor, vou colocar em prática o projeto 3R, composto por três fases: Retorno, Reunião e Reconstrução, em hebraico respectivamente, Teshuvá, Kibuts Galuyot, e Bet Hamicdash. Na primeira, todo o povo de Israel retornará ao judaísmo; na segunda, todos serão reunidos na Terra de Israel e na terceira reconstruirei o Bet Hamicdash – o Terceiro Templo Sagrado em Jerusalém.

www: O que vem a ser a fase de Retorno? O que irá ocorrer com todos os judeus que estão afastados e que mal sabem que são judeus?

Mashiach: Realmente, o povo de Israel está numa situação difícil. A assimilação está engolindo muitos de nós. O que nos consola é que esta situação estava prevista na Torá, e seguindo esta profecia, consta a promessa de que Mashiach estará prestes a chegar. Cada um de nós tem um pontinho de luz dentro dele. Muitos pontinhos estão perdidos por aí. Porém, de um momento para o outro é capaz de acender-se e voltar a brilhar. O grande movimento de teshuvá nos dias de hoje confirma esta profecia. Pessoas que estavam tão longe de qualquer contato com o judaísmo estão retornando às suas origens. E isto indica apenas o começo.

www: E a ida para Israel? Existem judeus espalhados pelos quatro cantos do mundo – do Brasil ao Marrocos. Como é que o senhor vai fazer para transportar tanta gente?

Mashiach: No livro de Daniel está escrito que o povo irá a Israel transportado pelas nuvens do céu. Na linguagem moderna, isto significa que iremos da maneira mais natural possível: de avião!

www: O que acontecerá a quem não é judeu na era Messiânica?

Mashiach: Eu me revelarei para a humanidade, e não apenas para nosso povo. Minha chegada deve significar a resposta de “Por que estamos aqui?” Não apenas redimirei o povo judeu do exílio mas todo ser humano de uma existência sem significado para uma vida realmente significativa: este é o verdadeiro plano Divino para a era Messiânica.

www: E o Bet Hamicdash? Já existe uma planta?

Mashiach: A planta foi desenhada pelo melhor arquiteto: D’us. É só abrir a Torá que você poderá encontrar todas as medidas e detalhes do Templo Sagrado. Seu esplendor ultrapassa toda e qualquer outra obra já realizada pelo homem.

www: Desculpe a chutspá, ousadia, mas muitos questionam: Messias não é apenas um eufemismo para uma paz utópica na Terra?

Mashiach: Não é apenas uma idéia esperançosa ou uma fantasia, mas uma promessa Divina sempre repetida, de que uma pessoa e eventos específicos mudarão o mundo para sempre.

www: Nosso mundo mudará drasticamente?

Mashiach: A princípio, o mundo seguirá seu curso natural, mais tarde elevando-se a um estado sobrenatural, incluindo a Ressurreição dos Mortos.

www: Qual a importância de Mashiach para o Judaísmo?

Mashiach: Toda. É um dos Treze Princípios Fundamentais do Judaísmo. “Acredito na vinda de Mashiach todo dia, e mesmo que ele tarde, esperarei por ele.” As pessoas tentam mudar a si ou sua vida. Qual a razão? Porque elas querem um mundo melhor, você não? Se soubéssemos que não existe nada que fossemos capazes de fazer para acabar com a maldade neste mundo, certamente não conseguiríamos acordar pela manhã. Mas há algo que nos impulsiona e faz vibrar. Esta vontade e força é a fé em Mashiach; a crença de que o mundo será melhor algum dia.

www: De que forma você irá convencer a humanidade de que o mundo mudou com sua chegada?

Mashiach: Cresci e sou uma pessoa completamente íntegra e um exemplo vivo da Torá. Uma de minhas missões é inspirar cada um a retornar a D’us. Usarei todo meu carisma e poder de liderança. Liderarei através de meu exemplo. Possuo uma alma coletiva, geral, que me permite interagir com todos em todos os níveis, com ajuda de D’us. E não será preciso convencer ninguém de nada: todos verão com seus próprios olhos.

www: O “Messias” não é uma idéia também cristã?

Mashiach: Mashiach origina-se na Torá judaica e nos Profetas. O conceito foi mais tarde emprestado e alterado por outros.

www: Qual a meta que você deseja atingir?

Mashiach: Quando alguém descobre a verdade, não quer saber de outra coisa senão aprofundar-se nela. Quando o projeto 3R estiver cumprido, as pessoas perceberão e verão que D’us é a verdade, e como é bom seguir seus caminhos. Todos se ocuparão no estudo da Torá e na aproximação com D’us. Quando me revelar, o mundo atingirá um estado de perfeição. Não haverá mais guerra, perseguições, racismo e o mundo inteiro viverá em paz e harmonia com saúde e prosperidade. Como consequência disto haverá fartura no mundo. Siga minha lógica: se há fartura, não existe inveja; se não existe inveja, não há discordância; sem discordância, não existe guerra nem competição. Enfim, haverá paz e bondade. Desta forma, as pessoas e o mundo vão elevar-se cada vez mais. As pessoas continuarão a ter livre arbítrio, mas elas irão escolher entre o Bom e o Melhor, ao invés do Bem e do Mal.

www: Vamos lhe perguntar o que todos querem saber: porque é que você não vem logo? Mashiach, até quando?!

Mashiach: Eu também não vejo a hora de chegar. Mas isto já não depende de mim; depende somente das ações de cada um de vocês e da avaliação do Juiz do mundo, D’us. Um pequeno ou mesmo único ato é capaz de mover o mundo. Quando Ele decidir que é chegada a hora, eu estarei aqui definitivamente entre vocês. Fiquem felizes por fazerem parte desta geração! Minha vinda está prevista, no máximo, entre o final do sexto e o início do sétimo milênio. Aliás este é o prazo máximo! Vocês estão vivendo no final do sexto milênio e, com suas ações positivas, as chances de poder me revelar já, são enormes!

www: Você poderia nos fornecer seu nome, endereço, RG? Ou pelo menos cidade ou país de origem? Ao menos uma dica?

Mashiach: Não importa quem eu seja. O mais importante é vocês me ajudarem a apressar os poucos momentos que nos separam entre esta entrevista e a minha chegada ao vivo, off-line. Até lá, agradeço e conto com o apoio e ação de todos. Agradeço a oportunidade de me expressar através deste site que divulga o judaísmo a todos que tem sede. Espero poder dar a próxima entrevista no Terceiro Templo Sagrado, que seja em breve, se D’us quiser!

 

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