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Os Noaítas e o uso da kipá

Matéria reformada (Junho 2018).

Essa matéria foi originalmente publicada em 23/11/2015.

 

 

Os Noaítas (Bnei Noach/Filhos de Noé) e o uso da kipá

 

Perguntas E Respostas

 

Pergunta:

Pode um homem Noaíta (Ben Noach/Filho de Noé) usar kipá (a kipá Bnei Noach) na rua, no trabalho, … enfim, fora de casa e fora da sinagoga?

 

Resposta:

O Curso das Leis Noaíticas da Yeshivá Pirchei Shoshanim exorta os Bnei Nôach (em geral, i.e., os homens e as mulheres):

“Esforce-se em ser [sensato e] determinado ao pôr em prática sua identidade espiritual. Não passe [aos outros] mensagens confusas [por meio de seu comportamento] porque isso reflete desconhecimento, dúvidas pessoais ou rebeldia, que mal [os] guiarão.”

E declara:

“Assim, não está permitido [aos Bnei Noach (homens)]:

Usar kipá fora da sinagoga[*] (pois que em um contexto social onde a kipá já é logo associada à identidade judaica, a mensagem que isso transmite é fortemente confusa).”

 

E mesmo dentro da sinagoga “não é uma boa idéia que Bnei Noach (homens Noaítas) escolham uma Kipá idêntica a usada pelos judeus, pois outras pessoas podem erroneamente confundir um não-judeu com um judeu. Isto pode levar a confusões com relação à conduta muito mais rígida que a Torá requer dos judeus. Uma maneira de fazer uma Kipá diferente é decorá-la com as palavras “Bnei Noach”, ou algo similar.” – Rav Yitschak Ginsburgh (Cabalá e Meditação para as Nações)

 

Você, noaíta (Ben Noach=Filho de Noé/Bat Noach=Filha de Noé), sim, cada um de vocês (Bnei Noach=Filhos de Noé/Benót Noach=Filhas de Noé) tem de ter o extremo cuidado de interiorizar as seguintes palavras do Rav Tzvi Freeman, do Chabad.org. (e, obviamente, suspeitar daqueles não-judeus e judeus (mesmo rabinos) que falam e agem em contrário).
Ele disse:

“O caminho do Ben Noach está integralmente ligado ao povo judeu, como afirma claramente o Rambam [(Rav Maimônides). Porém, é importantíssimo ressaltar que, apesar disso (apesar dessa ligação),] nós (judeus) não queremos criar uma nova religião. E tampouco queremos que Ben Noach esteja imitando as práticas que são específicas para o povo judeu.” Em outras palavras, nós, judeus, não queremos fazer dos Bnei Noach uma religião. E tampouco queremos que eles próprios se transformem em um movimento judaizado e judaizante.

 

Traduzido por Noahidebr.

 

© Noahidebr 2015-2018
https://noahidebr.com/copyright/

 

Kipá Bnei Noach

https://noahidebr.com/2015/11/23/kipa-bnei-noach/

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D’us

B”H

 

D’us

 

Toda existência implica um criador já que nada se cria a si mesmo.
Quem, então, criou D’us?
Ninguém.

 

Por Rav Eliezer Shemtov

 

O tema mais importante e central do judaísmo é, sem dúvida, D’us. Afinal de contas, tudo isso foi Sua idéia.

Como introdução contarei a seguinte história.

O Rebe de Lubavitch anterior, Rav Yossef Yitschac Schneerson, foi preso em 1927 pelos bolcheviques como resultado de seu trabalho sacrificado para fortalecer o judaísmo em toda a antiga União Soviética.

Em um dos interrogatórios, o oficial lhe disse: Olha, eu sou tão judeu como você e não acredito em Deus. Ao que o Rebe respondeu: “este Deus no qual você não acredita, eu tampouco acredito”.

São muitos os que professam não crer em D’us sem saber do que se trata. Veem na fé em D’us uma espécie de muleta ou escape para aqueles que não querem ou não podem encarar a realidade por meio da razão, da lógica, da ciência…

Comecemos por definir, então, de que definição de D’us estamos falando.

A definição mais sucinta que encontrei a este respeito é a de Maimônides na abertura de sua obra-prima, Yad Hachazaká (ou, Mishnê Torá):

“O fundamento dos fundamentos e o pilar das sabedorias é saber que existe uma Existência Primária (que não depende de nada) que criou tudo o que existe. E tudo o que existe no céu e na terra vem DELE.”

Ou seja, além do “nome e apelido” de D’us, a definição essencial é que: 1) D’us não tem criador e 2) ELE criou toda a existência.

Vejamos porquê.

Toda existência implica um criador já que nada se cria a si mesmo. Quem, então, criou D’us? Ninguém. D’us existe de uma maneira diferente da que conhecemos como existência. Existem dois tipos de existência, existência circunstancial e existência essencial. Tudo o que nós conhecemos é existência circunstancial; algo existe porque vem de algum lugar e porque ninguém o destrói. Não tem por que existir. Pode também não existir. Por exemplo, a matéria que você está lendo neste momento existe porque alguém a compôs e a publicou. Se ninguém a escrevesse, ela não existiria por sua própria conta. Quanto a D’us, estamos falando de outro tipo de existência, uma classe de existência que não implica criador: Uma existência “essencial”. Um exemplo para isso é a regra de “2+2=4”. Quem criou essa regra? Embora o homem a entenda, ele não a criou. O homem não a criou e não pode destruí-la… Obviamente, D’us é mais que uma mera equação matemática. É a única verdadeira existência essencial. Existe porque existe. E existe sem os limites que definem qualquer existência circunstancial, ou seja, não tem criador.

Mesmo depois que alguém aceite que o mundo tem criador, cabe perguntar: Que tipo de vínculo e envolvimento tem D’us conosco na atualidade? Não será que ELE criou o mundo e agora o mundo segue por sua própria conta? Realmente importa a um D’us Infinito que tipo de reforço contém meu sanduíche? Isso parece tão irrelevante para um D’us tão Todopoderoso…

A questão é que quando pensamos em D’us tendemos a pensar como faríamos se fôssemos D’us. Custa nos livrarmos de nossas referências. Contam de três mestres chassídicos que estavam conversando entre eles, analisando como fariam as coisas diferentes se fossem D’us. Cada um se propôs a mudar algo do mundo. Quando chegou a vez do Alter Rebe, Rav Shneor Zalman de Liadi, o fundador do movimento Chabad, ele disse: “Se eu fosse D’us, eu criaria o mundo tal qual D’us o criou”. Acontece que tendemos a definir D’us à nossa imagem e semelhança. “Aos grandes não interessa o que fazem os pequenos… Se D’us é tão grande, seguramente não LHE importa o que nós fazemos.” A questão é que há uma grande diferença entre «grande» e «infinito»; frente a algo grande, há diferença entre grande e pequeno, mas ante o infinito, grande e pequeno são igualmente significativos.

No Tania é explicado extensamente que a relação entre toda a existência e Seu Criador é como a relação entre a palavra falada e aquele que a profere. Uma palavra falada não tem existência própria. A existência de uma palavra falada depende total e constantemente do que a profere. Apenas pare de falar, a palavra deixa de existir. Já que o estado natural do mundo é a não existência, é necessária uma força inovadora para removê-lo do seu estado natural. Ou seja, a existência não é o resultado de algo que D’us fez, mas do que ELE faz continuamente; se deixasse de nos criar, deixaríamos de existir. [Agora,] se ELE nos cria [constantemente], é porque temos importância para ELE.

Muitos se perguntam: se D’us existe e controla tudo o que acontece no mundo, por que existe tanta aparente injustiça?

A resposta é que não podemos entender a justiça Divina. Podemos reclamar a D’us que ELE faça as coisas de tal maneira que não nos doa. Mas despois de tudo, não temos outra alternativa senão aceitar com humildade que a justiça Divina existe, ainda que não possamos entendê-la.

Um dos fundamentos da Fé Judaica é que tudo o que acontece no mundo é por Providência Divina e portanto é para o bem. Não há nada que aconteça por casualidade; é tudo por “causalidade”. Algumas vezes vemos o benefício e em outras, não.

Outro ponto:

Segundo os ensinamentos chassídicos e místicos judaicos, D’us SE manifesta de duas maneiras, por meio da natureza e quebrando as leis da natureza. Segundo o Baal Shem Tov, fundador do chassidismo, a única diferença entre a natureza e o milagre, de fato, é que a natureza é um milagre constante.

Este conceito, de que a natureza é nada mais que uma manifestação Divina, é expresso em cada benção que pronunciamos: Baruch Atá Hashem/Adonai* Elohênu… . Bendito és TU, Hashem/Adonai [(referências ao Tetragrama, HaVaYaH),] Nosso D’us… . O nome representado pelas palavras Hashem ou Adonai[, HaVaYaH], é uma palavra composta de três palavras, HYH (hayá), HVH (hovê), YHYH (yihyê), ou seja, “foi, é, será” [(היהי הווה היה)**]. São os três tempos — passado-presente-futuro — combinados em uma só palavra. [Ela implica que D’us foi, é, e será sempre — tudo de uma vez só (isto é, ELE está além do tempo), e que ELE é o Mestre de tudo e todos.]¹ Isto representa como D’us transcende os limites do tempo e da natureza. A palavra Elohim tem o mesmo valor numérico que a palavra “hateva” ou natureza. Ela representa a idéia de que D’us SE manifesta por meio da natureza[ — A propósito, Elohim significa literalmente forças, a saber, exatamente as forças da natureza, do universo. (Nota dos tradutores) — ] Hashem/Adonai Elohênu” [(literalmente, “HaVaYaH Nosso D’us”)], então, significa que a natureza é nada mais do que uma manifestação do sobrenatural.

 


Nota ¹: © Chabad.org

 


* Hashem, palavra hebraica que significa “O Nome”. Adonai, palavra hebraica que significa “Meu Mestre”.


** As quatro letras [do Tetragrama (Y-H-V-H, י-ה-ו-ה)] se permutam para escrever a palavra havayah que significa Existência. Em outras palavras, este nome representa D’us sendo manifesto como a própria Existência. As letras em si formam os radicais das palavras em hebraico para passado, presente e futuro, indicando que este nome reflete D’us acima do tempo, tornando passado, presente e futuro como um só. Em resumo, o Tetragrama reflete a natureza imutável de D’us, a própria superestrutura que funda toda a existência. (© pt.chabad)


 Nota dos tradutores:
Lembrando sempre que a palavra que designa exclusivamente a D’us (Y-H-V-H), HaVaYaH, não significa absolutamente de modo algum “jeová”, “yehovah”, “javé”, “iavé”, “yahweh”, “yahueh”, “yahuah”, “yahuwah”, etc (e além do mais, nenhuma dessas palavras, ou outras semelhantes, são traduções ou transliterações do Tetragrama). Enfim, qualquer tentativa de dar uma pronúncia ao Tetragrama é um comportamento CRISTÃO/MESSIÂNICO, não judaico, além do fato de que como já ensinado em várias outras matérias neste site, D’us não tem corpo, D’us não tem forma, D’us não é pessoa, D’us não é físico/material, D’us não é espírito/espiritual.


 

© Jabad (Chabad)

 

Traduzido do espanhol por Noahidebr/Bnei Noach do Brasil

© 2015-2018 Noahidebr

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