Como o Bnei Noach serve Hashém / Conversão ao Judaísmo

“The Ten Commandments”

(Por Michal Meron (1996), The Studio Old Jaffa.)

 

 

B”H

 

ATUALIZADO em 21/01

 

Como o Bnei Noach serve Hashém
(como é a Vida Espiritual do Bnei Noach)
/

Conversão ao Judaísmo

 

NESTA PÁGINA, TUDO O QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE BNEI NOACH E JUDAÍSMO E NUNCA SOUBE

 

É o Noaísmo uma invenção moderna?
É o Noaísmo um impedimento para a conversão ao Judaísmo?

 

◆ O ataque dos não-ortodoxos (e outros) ao Movimento Bnei Noach

 

◆ A questão dos “Bnei Noach” (daqueles que se dizem “Bnei Noach” mas que são) judaizantes e judaizadores

 

◆ Bnei Noach autênticos não são judaizados e nem judaizantes e nem judaizadores — eles nunca pretenderam ser judeus e sempre pretenderão não ser judeus

 

◆ A mitsvá de Proibido Chidushéi Dáat

 

◆ A questão de “méritos”

 

◆ A questão do uso do Movimento Bnei Noach como ponte para o Judaísmo

 

◆ Tornar-se judeu/Conversão ao Judaísmo

 

◆ Não dois, mas Três caminhos espirituais

 

◆ Convertido algum será aceito na Era do Mashíach

 

(Atenção:
Nas palavras transliteradas, o “ch” tem som de “RR”. Exemplos: Nôach; Chassidút; Halachá; Chachamím, etc.

Nas palavras transliteradas, o “sh” tem som de “CH”. Exemplos: Parashiót; Shéva; Hashém; Midrásh, etc.

Exemplos de palavras que contêm ambos: Chidushéi, Chódesh, Mashíach.)

 

 

→ Por Rabí Ashér Cácua (Ieshivá Pirchéi Shoshaním);

 

→ Por Ieshivá Pirchéi Shoshaním: Alguns pontos extraídos diretamente do Curso das Leis dos Noaítas (e ajuntados ao texto do Rabí Ashér por Noahidebr);

 

→ Por Rabi Tzví Freeman, do Chabád (e ajuntado ao texto do Rabí Ashér por Noahidebr);

 

→Por Chabad.org (e ajuntado ao texto do Rabí Ashér por Noahidebr);

 

→ Matéria reeditada e reorganizada por Noahidebr

 

 

Vivemos na Era da Informação e na Era Digital, uma época na qual o fluxo de informação é muito maior que a capacidade de análise e a capacidade de processar a informação. Definitivamente, este (fluxo) tem sido um veículo muito importante para dar a conhecer os ensinamentos da Torá, parashiót, chassidút, e assim por diante. Hoje são muitas as páginas sérias, e de organizações realmente boas, que existem como fontes de estudo, mas também abundam aquelas que só geram confusão sem argumentos claros, e outras que se fazem passar por algo que não são.

E, infelizmente, as coisas não são diferentes em relação à questão das 7 leis de Bnei Noach (Filhos de Noá, ou Noé). Muitas páginas também têm disseminado muitos conceitos errôneos sobre este assunto, bem como algumas coisas sem fundamento. Mas graças a D’us, vamos ver aqui alguns pontos importantes desta problemática, com a intenção de trazer luz para o mundo.

 

Invenção Moderna?

Cheguei a escutar de alguns que isto de ser um Ben Noach (Filho de Noá) ou uma Bat Noach (Filha de Noá) é uma invenção moderna de alguns setores do judaísmo, como uma maneira de impedir que os não-judeus cheguem a uma conversão ao judaísmo. Se isto é assim, como é possível que no tratado de Sanhedrín, do Talmúd, já se discuta este tema e os sábios se aprofundem um pouco mais nas obrigações das nações não judaicas, chegando a explicar alguns preceitos que se derivam das 7 leis principais que, em última análise, são uma espécie de categorias com muitas subdivisões. O Talmúd, por exemplo, neste tratado, chega a enunciar 30 leis para as nações não judaicas. Uma vez que o Talmúd é a tradição oral desde a recepção da Torá no Sinaí, e visto que esta tradição oral foi, finalmente, escrita há 1500 anos, como pode este tema (de Bnei Noach) ser uma invenção moderna?

“Mas se isto não é novo, então, como é possível ser algo que não se tinha ouvido antes?” Perguntam alguns. A resposta é que pela primeira vez na história o povo judeu tem podido e tem tido tempo de dar uma olhada para fora, precisamente porque na maior parte da história o povo judeu tem estado sob uma campanha de 1800 anos de marketing e perseguição daqueles que buscam trocar a Torá original por sua própria ideologia.

Grande parte do mundo não judaico investiu enormes quantidades de esforços e recursos em proibir o judaísmo. Os judeus foram submetidos à perseguição, exílio, tortura e inclusive à morte. Muitos judeus foram forçados a viver em guetos e frequentemente proibidos da educação ou prática de seu pensamento religioso. Estes problemas foram a causa da diminuição da interação entre judeus e não-judeus.

A perseguição foi a base para a propaganda que só alimentou ainda mais a hostilidade e a discriminação. Esta condição era a norma para a maioria do mundo judaico até apenas 70 anos atrás.

Desde o Holocausto, os judeus têm desfrutado da liberdade religiosa, algo diferente de tudo o que tinham experimentado nos últimos 2000 anos. Com o declínio da opressão e da discriminação oficial, é só agora que o judaísmo pode ser discutido, estudado e ensinado livremente.

Somente recentemente é que a comunidade judaica conseguiu discutir livremente a visão da Torá no mundo. Não é uma visão apenas para os judeus, mas sim uma visão para toda a humanidade.

No Har Sinaí, a Torá foi revelada e dada para o povo judeu. Estava selado o pacto entre o povo judeu e O CRIADOR do universo. No entanto, o pacto do Sinaí não foi nem o primeiro nem o único entre D’us e o ser humano. Encontramos isto na própria Torá, onde ela afirma que D’us estabeleceu pactos com Adám e, em particular, com Nôach. Estes pactos originais ainda perduram até hoje e se aplicam a toda a humanidade.

Neste sentido, a Torá estabelece dois relacionamentos ideais com D’us. Um deles é o do judeu, conhecido como judaísmo, que é regido pela aliança do Sinaí. O outro é o dos gentios, regido pelos pactos de Noá e Adám, conhecido em conjunto como o pacto de Nôach (ou o noaísmo/o movimento Bnei Noach).

 

Alguns eventos importantes da história

É óbvio que existia uma lei divina antes da entrega da Torá. Afinal de contas, o assassinato devia estar proibido, porque Káyin (Caim) foi castigado por matar Hével (Abel) (Bereshít/Gênesis 4:1-12). A Dór Hamabúl, geração do dilúvio, foi castigada por roubo generalizado, entre outras falhas (Bereshít/Gênesis 6:5-13). As cidades de Sedóm (Sodoma) e Amorá (Gomorra) foram destruídas por grande maldade(*.

 

* “Em diversos idiomas, o nome de Sodoma é sinônimo de perversão sexual. Isso deriva da narrativa da Torá de como a ralé que cercava a casa de Lot exigia que este entregasse seus dois hóspedes a eles “para que possamos violentá-los.” Mas as tradicionais fontes judaicas — o Talmúd, os Midrashím e os Comentários — têm um ângulo diferente sobre a história de Sodoma. Lá, a ênfase não está em seus pecados sexuais, mas na sua falta de hospitalidade e”◇ na sua “crueldade. A hospitalidade lá era proibida. Os sodomitas odiavam os forasteiros, aos quais não ofereciam hospitalidade, submetendo-os a abusos sexuais. A caridade era considerada crime grave, sendo executado quem a praticasse.”◇◇

◇ Chabad.org

◇◇ Instituto Morashá de Cultura)

 

(Bereshít/Gênesis 13:13; 18:20-22. Para os pecados de Sodoma e Gomorra acima mencionados, veja: Midrásh Ialkút Shimoní, Bereshít 83; Sanhedrín 109a; Bereshít Rabá 48.)

Portanto, vemos que D’us tinha expectativas para a humanidade antes da entrega da Torá. E, apesar das fontes antigas serem escassas, há referências da época do segundo templo em diante com respeito aos não-judeus fiéis de Hashém.

No entanto, com a ascensão gradual do poder da igreja e o aumento da perseguição e dispersão da comunidade judaica, a observância da fé Noaítica caiu por terra. Com exceção de alguns casos individuais, a fé de Noá não reapareceu até finais do século 19 e princípios do século 20.

No século 19, o rabi Eliyahu Benamozegh (1822-1900) escreveu para o padre Aimé Pallière (1868-1949): “Nós judeus temos o Caminho Espiritual destinado a toda humanidade (gentia), o Caminho Espiritual ao qual os gentios estão sujeitos, como foi para os nossos patriarcas (judeus) antes da promulgação da lei da Torá. Poderia você supor que a verdadeira Fé que D’us destina para toda a humanidade é propriedade exclusiva de um povo especial? De modo algum. Seu plano é muito maior do que isso. O Caminho Espiritual (das nações) e a Fé da humanidade não é outra senão o “Noaísmo”, não porque ela foi fundada por Noá, mas porque foi através da pessoa deste justo que foi feito o pacto de D’us com a humanidade. Este é o Caminho que se abre diante de seu esforço, e é meu dever difundir este conhecimento.” (Aimé Pallière em O Santuário Desconhecido.)

Entre os anos 50-60, inumeráveis não-judeus começaram a explorar as expectativas da Torá, o que também trouxe o Noaísmo de volta para o radar Rabínico. Desde a destruição do templo, a observância do Noaísmo tinha se tornado extremamente rara. Naturalmente, o conhecimento rabínico destas leis tornou-se muito escasso. Essa busca por entender as obrigações noaíticas inspirou muitos Rabinos a reabrir estas áreas de estudos largamente abandonadas.

 

O Rebe

Em 5743/1983, o Rabi Menachem Mendel Schneersohn (líder do movimento Chabad Lubavitch) convocou a comunidade rabínica para se envolver no estudo e disseminação das leis noaíticas aos gentios. Enquanto muitos rabinos Chabad começaram a aceitar este chamado, a maioria da comunidade rabínica não seguiu o exemplo. Este chamado do Rebe foi ignorado pelo resto do mundo judaico.

Esta falta de resposta deve ser vista no contexto do tempo. 1983 foi apenas 38 anos após a destruição catastrófica do judaísmo europeu. Naquele momento, o mundo judaico estava empenhado em uma intensa luta para restabelecer a educação e a observância da Torá nos EUA. Além disso, a comunidade judaica estava profundamente envolvida no alcance da vasta população de judeus americanos não afiliados. Aproximar-se dos noaítas não era uma prioridade. A comunidade rabínica não achou convincente o argumento-chave do Rebe (de que hoje existe a obrigação da Torá de buscar a observância não-judaica das leis noaíticas).

Em 2005, o Ask Noah International (órgão vinculado ao Chabad) tomou a iniciativa de satisfazer o desejo do Rebe de uma exposição completa da lei noaítica. Eles encarregaram o renomado estudioso de Jerusalém, o Rabi Moshe Weiner, da investigação haláchica (lei da Torá) e da redação do trabalho.

 

O Livro as ‘Shéva Mitsvót Hashém’

O Rabi Moshe Weiner escreveu então em hebraico a primeira grande exploração haláchica (prática) das leis e crenças dos Noaítas, o livro: Sheva Mitsvot Hashem, publicado pelo Ask Noah em 2008. Destinado para estudos rabínicos, esta obra de três volumes é a primeira apresentação coerente dos princípios fundamentais da prática noaítica. Ela é um estudo de quase tudo o que está escrito nas fontes clássicas da Torá sobre as leis de Noá, como elas devem ser entendidas e como devem ser cumpridas. Este trabalho foi traduzido e publicado em inglês com o nome The Divine Code (O Código Divino) (sua terceira edição é de 15 de junho de 2018).

A publicação do Sêfer Shéva Mitsvót Hashém e de The Divine Code marcam um ponto de virada importante no movimento Bnei Noach. Apesar do movimento Bnei Noach ter crescido durante as últimas décadas, ele está tendo dificuldades para conseguir a atenção dos principais líderes e estudiosos do judaísmo. O livro do Rabino Weiner proporciona um ponto de contato entre a comunidade acadêmica corrente do judaísmo e o movimento Bnei Noach, a reintrodução da escola de Noá à arena do discurso haláchico (lei judaica).

Como vemos aqui, Bnei Noach não é um movimento novo, e tal como o desenvolvimento da halachá judaica ao longo dos anos e segundo as novas necessidades, o movimento Bnei Noach também tem exigido o desenvolvimento de novas situações haláchicas que são debatidas por grandes Poskím (legisladores) ou comentadores de Halachá.

 

É o Movimento Bnei Noach Um Impedimento Para A Conversão Ao Judaísmo?

O movimento noaítico (movimento Bnei Noach) não é um passo para a conversão ao judaísmo, e muito menos um obstáculo para a mesma. Simplesmente é a vida prática e espiritual que Hashém determinou para os não-judeus. Não deveria haver religiões e coisas assim, já que O PRÓPRIO Hashém estabeleceu que caminho devem seguir os não-judeus. Inclusive, entre suas obrigações está a proibição de criar religiões e também a proibição do que é conhecido como Chidushéi Dáat(*), e também está proibida a idolatria, homens deuses e coisas do tipo.

 

(* Proibido Religiões e Proibido Chidushéi Dáat

 

A mitsvá da proibição de criar religiões inclue, obviamente, fazer do movimento Bnei Noach uma religião, sim, transformar o movimento Bnei Noach numa religião e não importa se criando novos rituais pessoais ou coletivos ou se copiando completamente ou parcialmente os rituais judaicos. Sim, também está proibido aos Bnei Noach transformarem o movimento Bnei Noach numa prática judaizada e judaizadora. Aquele gentio que se judaíza, sem buscar a conversão, e que ainda judaíza os outros, comete dois pecados gravíssimos (como logo será explicado pelo Rabí Tzvi Freeman do Chabad). Isso é o que é conhecido como a mitsvá de proibido Chidushéi Dáat (Inovações ou Imitações Ritualísticas). Essa é a mitsvá que proíbe os Bnei Noach de imitarem as mitsvót ordenadas exclusivamente ao Povo Judeu (neste caso, trata-se somente das práticas da Identidade Judaica) (veja Rabí Maimônides, As Leis dos Reis 10:9-10; Rav Moshe Feinstein, Igrót Moshe: Órach Chaím Seção 2:25 e Seção 5:18 / Ioré Deá Seção 1:3, 6 e Seção 2:7-8 e Seção 3:90 e Seção 4:51:1 / Chóshen Mishpát Seção 2:69; Rav Moshe Feinstein, Shéva Mitsvót Hashém 1:1:3). Aqueles que assim procedem nem sequer são Bnei Noach, ainda que, por ventura, digam-no que são. Esses gentios que se judaízam sem ir em busca da conversão são conhecidos ou chamados os judaizantes (veja abaixo o subtítulo “A síndrome do”…).

 

O Rabi Tzvi Freeman, do Chabad, declara:

“O Ben Noach (Filho de Noá ou noaíta) estuda a Torá para conhecer e entender o seu Caminho Espiritual. O Rebe menciona que a maior parte da Torá é de interesse para um Ben Noach.
Cada pessoa precisa crescer espiritualmente, mas isto não parece possível (num movimento) desprovido de rituais diários e significativos (já que o movimento Bnei Noach não é uma religião. Ainda assim,) o Caminho Espiritual do Ben Noach está integralmente ligado ao povo judeu, como afirmado claramente pelo Rambám. (Apesar disso,) existe um delicado equilíbrio aqui: não queremos criar uma nova religião. Nem queremos que o Ben Noach esteja imitando as práticas exclusivas do povo judeu.”

O Rabi Tzvi Freeman prossegue explicando:

“Veja, há Judaísmo (na verdade, o Sistema de Princípios de Fé da Torá) e há Judaicidade (a Identidade Judaica), e os dois não são uma coisa só e a mesma coisa.

O judaísmo (o Sistema de Princípios de Fé da Torá) é…

A Torá, que significa “o Ensinamento”, é uma mensagem divina para todos os humanos. Aquele que (particularmente) adota as doutrinas básicas da Fé Judaica mas que NÃO se une ao povo judeu (ainda assim) é considerado um indivíduo justo, e tem parte(*) no estado final de paz e sabedoria predito pelos profetas.
Se ele opta por não se unir ao povo judeu, ele pode ser não-judeu, e ser justo e amado por D’us — ele NÃO tem de se unir a nós, NÃO tem de praticar o que nós judeus praticamos (no que se refere às nossas leis rituais — às nossas práticas distintivas).

(* Exatamente como um não-judeu que é, quer dizer, permanecendo não-judeu.)

Isso é Judaísmo. E então há a Judaicidade.

Judaicidade (a Identidade Judaica) é…

Ser judeu significa pertencer a uma antiga tribo, seja por nascimento ou por adoção (i.e., conversão).

Tribos têm rituais. E assim também os judeus (têm — seus — rituais): tsitsít, tefilín, talít, mezuzá, chamêts, sefirát haômer, netilát iadáim, taaniót, shofár (em Rósh Hashaná), jejum de Ióm Kipúr, tamê/tahór/micvê, etc.

Temos dias festivos (shabát, pêssach, sucót, rósh chódesh, etc.) que comemoram as nossas memórias tribais e estabelecem a nossa identidade como um todo. Certos alimentos são tabu e outros alimentos são supervisionados e declarados adequados para a tribo (cashrút).

A questão é que nenhum desses rituais jamais foi concebido como um ensinamento universal. Tais rituais (foram) constituídos judaicamente (e por isso mesmo) são particulares da Tribo Judaica e significativos somente para nós judeus. Simplesmente não faz sentido algum alguém de fora da tribo assumi-los (completamente ou parcialmente. Por isso foi que dissemos que não queremos que os Bnei Noach estejam imitando as Edót — as leis rituais JUDAICAS  —as práticas exclusivas do povo judeu). Se você não acredita em mim, dê uma olhada no texto-fonte, onde O PRÓPRIO D’us diz a Moshé: “Fala com os Filhos de Israel e diz-lhes para …”.”(*

 

* Alguns exemplos:
▪ “Hashém disse a Moshé: “Fala com os Filhos de Israel e diz-lhes que façam para eles (os Filhos de Israel) franjas rituais [tsitsít] sobre as bordas de suas vestes… EU…Hashém…vos tirei da terra do Egito” (Bamidbár/Números 15:37-38…);

▪ “Hashém disse a Moshé: “Fala com os Filhos de Israel, dizendo: Certamente Meus shabatót havereis de observar, pois este é um sinal entre MIM e vós (Filhos de Israel) por vossas gerações, para (as nações saberem) que EU (vos escolhi, e que EU) sou Hashém, AQUELE que vos faz distintos (das nações)” … (Shemót/Êxodo 31:12-13…);

▪ “Disseram Moshé e Aharón a todos os Filhos de Israel:…Hashém deu a VÓS (Filhos de Israel) o Shabát” (Shemót/Êxodo 16:6, 29);

▪ “Os Filhos de Israel…chegaram ao deserto do Sinaí…e falou Hashém…dizendo: “EU sou Hashém…que te tirei da terra do Egito… . Lembra-te do dia do Shabát” (Shemót/Êxodo 19:1, 6; 20:1-2, 8);

▪ “A eles (aos antepassados dos Filhos de Israel) TE voltaste no Har Sinaí e com eles falaste desde os céus…e fizeste-os conhecer Teu sagrado Shabát” (Nechemiá/Neemias 9:1, 9, 13-14);

▪ Rabi Maimônides ou Rambám declarou (Mishné Torá): “Há uma obrigação [para nós judeus] de honrar o Shabát (Isaías 58:13-14)”.*

* “Se…em homenagem a Meu dia sagrado…o Shabát…e tu (Casa de Yaacóv) deves honrar o dia sagrado de Hashém…então tu poderás buscar o favor de Hashém… — Hashém, ELE MESMO, o disse.”

▪ “Hashém disse a Moshé: “Fala com os Filhos de Israel e diz-lhes: Estas serão as festividades solenes de Hashém[:] no Sétimo Dia será Shabát…[; em tal época:] Pêssach[; em tal época:] contareis cinquenta dias[; em tal época: o] toque do Shofár[; em tal época:] o dia das expiações (Ióm Kipúr)…e afligireis as vossas almas (com o jejum)[; em tal época:] Sucót…e nas cabanas VÓS (Filhos de Israel) habitareis por sete dias…” (Vaicrá/Levítico 23);

▪ “Hashém disse a Moshé e Aharón…falai a toda a congregação de Israel, dizendo: … e comerão Matsá com ervas amargas. …Sete dias comereis Matsá, mas no primeiro dia cessareis VÓS (Filhos de Israel) de ter Chamêts em vossas casas;… Por sete dias, Chamêts não será encontrado em vossas casas…nenhum Chamêts comereis; em todas as vossas casas comereis Matsá” (Shemót/Êxodo 12:1, 3, 8, 14-15, 17-20);

▪ “Hashém disse a Moshé e Aharón dizendo-lhes: Falai aos Filhos de Israel:…estes são os animais que VÓS (Filhos de Israel) não comereis[:] camelo, coelho, lebre, porco…pois EU sou Hashém, que vos fez subir da terra do Egito…e sereis distintos (das nações)” (Vaicrá/Levítico 11); etc.

 

◆ Aqui, aproveitamos para compartilhar uma questão muito interessante.
Ainda que alguns têm estimulado algum aspecto (não importa qual) de Shabát para Bnei Noach, é importante observarmos que segundo a Própria Torá, Hashém deu o Shabát unicamente para os judeus, não para o mundo inteiro, não para toda a humanidade, não para os não-judeus, como vimos em Shemót/Êxodo 16:6, 29. Que é assim que este pasúk deve ser entendido fica evidente pelo fato de que até antes da entrega da Torá para o povo judeu, NINGUÉM ‘conhecia o sagrado Shabát de Hashém’, pois como o próprio texto de Nechemiá declara, foi somente ‘no Har Sinaí que Hashém fez com que os Filhos de Israel conhecessem Seu sagrado 
Shabát’.
O Rabênu Bahyá ou Rabí Bachyáh ben Ashér estabelece uma distinção entre dois tipos de sábado: o sábado civil, o Sétimo Dia da semana, que, na verdade, é o Sétimo Dia da Criação, e o Shabát, comumente chamado “o Shabát judaico”.

Portanto, obviamente, Gênesis 2 não fala do Shabát, mas “refere-se ao Sétimo Dia, que é o fundamento do universo.” Mas por ocasião da Revelação de Hashém para o Povo Judeu no Sinaí, “a razão pela qual a Torá escreve “lembrar” (em Shemót/Êxodo 20:8) é uma referência a um sábado específico, ou seja, o sábado conhecido como o Shabát — o Shabát JUDAICO, “o Shabát sagrado”, “o Shabát de Hashém”, “Shabát para Hashém”, “um Shabát perante Hashém”. Daí que “quando a Torá escreve no pasúk 10 “e no Sétimo Dia será um Shabát para Hashém teu D’us”, o significado é que “o Shabát é NO Sétimo Dia porque o Sétimo Dia é o fundamento (יסוד) do universo”. Quer dizer, primeiro, então, havia apenas o Sétimo Dia. Depois veio a existir o Shabát (quando veio a existir também o Povo Judeu). Assim, no Sétimo Dia da semana, que corresponde ao Sétimo Dia da Criação, os judeus têm de lembrar de fazer deste dia o seu Shabát, ou como diz a Torá, lembrar de neste dia “fazer o Shabát” (Shemót/Êxodo 31:16). É óbvio que “o Shabát foi ditado como uma lei do Céu (somente para o Povo judeu) e, portanto, NÃO (é) aplicável a toda a humanidade”, e é por isso que “nossos sábios (Bereshít Rabá 11,8) ilustraram isto dizendo que o Shabát é o parceiro natural do Povo Judeu (tanto quanto a mulher é a parceira natural do homem).”

 

E como notamos, todos os rituais judaicos – todas estas práticas distintivas – são as Mitsvót Edót = Leis Rituais.
“Edót (ou Eidút) são os rituais e símbolos que lembram os judeus de momentos históricos de sua história e de seu relacionamento com D’us e servem como testemunho das crenças cardeais da fé judaica.” — Chabad.org.
Estas distinguem os judeus dos povos do mundo (Shemót/Êxodo 19:6; Tehilím/Salmos 135:4).
Imitar qualquer uma delas é o que constitui o pecado de Chidushéi Dáat.
Os Bnei Noach não ganham mérito algum por cumprirem Mitsvót que não lhes foram ordenadas, as Edót*, e QUEM declara isto é O PRÓPRIO Hashém em Sua Torá:
“Hashém nos ordenou observar todos estes mandamentos…para o nosso bem…e méritos teremos nós, se cuidarmos de cumpri[-los…]da maneira que ELE nos ordenou.” — Devarím/Deuteronômio 6:24-25.

* E não só não ganham mérito algum como ainda pecam (cometem Chidushéi Dáat), como já dissemos.

 

Como é explícito neste texto, “méritos teremos” se cumprirmos as Mitsvót PORQUE ELE NOS ORDENOU, mas, mais do que isso, se cumprirmo-Las DESTE MODO QUE ELE NOS ORDENOUÉ exatamente isto o que diz o Rabí Chaím Ibn Atar em Or HaChaím:

“Em Deut. 6:25, a Torá declara que o cumprimento das Leis de D’us será considerado צדקה, justiça para nós, se executarmo-Las כאשר צונו, “como ELE nos tem ordenado”. Não basta simplesmente executar as instruções de D’us, é preciso executá-Las exatamente como ELE nos ordenou.”

Outra versão de Devarím 6:25 diz:

“Portanto, será nosso mérito (ou, “será um mérito para nós”) perante Hashém nosso D’us observar fielmente toda esta instrução, como ELE nos tem ordenado.”

O Rabí Ibn Ezra traduz: “será nosso privilégio”.

Só se ganha méritos — grandes benefícios — por cumprir as Mitsvót onde NÃO estão especificados OS FILHOS DE ISRAEL, a saber, Mitsvót que dizem respeito à ética e à moral. A propósito, o Rabí espanhol Yitschák ben Moshé Aráma (c.1420–1494), também conhecido como o Báal Akedát, em Akedát Yitschák, simplesmente declara explicitamente:

“Será considerado justiça para nós observarmos e levarmos a cabo toda esta Mitsvá, legislação.” (Deut. 6,25) Esta frase refere-se às Mitsvót Mishpatím, e ensina que, além do fato de que nosso comportamento social é bom para a outra pessoa, no final das contas, é bom para a pessoa que age de uma maneira socialmente positiva.”

O Rabí Abarbanél explica que as Mitsvót Mishpatím (obrigações éticas entre um ser humano e outro) são aplicáveis ​​a todas as sociedades, enquanto as Mitsvót Edót são destinadas apenas para a nação judaica.

Mas os Bnei Noach cumprem as Mitsvót Mishpatím = Leis Racionais não porque “são mandamentos que são compelidos pela lógica humana. [Mas por que] a Torá enfatiza que mesmo estas Mitsvót devem ser observadas por fé em D’us. Obedecemos as leis racionais da Torá não porque elas são lógicas, mas porque D’us nos têm ordenado em SUA Sagrada Torá que obedeçamo-las.” — Rabi Shraga Sherman do Chabad.

Elas não são leis estabelecidas por seres humanos, elas são as “Mishpatím da Torá, leis dadas por D’us no Sinaí; todas elas divinas, e as Mishpatím divinas são eternas e imutáveis. As Mishpatím são os meios de traduzir a sabedoria e a vontade de D’us nas situações cotidianas que surgem.” — Rav Binyamin Zimmerman.

Alguns exemplos de Mitsvót Mishpatím: um dia de folga do trabalho* (Shemót/Êxodo 23:12), honrar pai e mãe (ibidem 21:15, 17), não à bestialidade (ibidem 22:18), orar para Hashém e bendizê-LO (Devarím/Deuteronômio 10:20), e dezenas de outras.

* O que é absolutamente diferente de fazer ou observar Shabát (aliás, atente-se para o fato de que neste pasúk não se usa o nome Shabát mas simplesmente Sétimo dia).)

 

O Rabi Tzvi Freeman, então, alerta:

“A Cada Um O Seu Caminho.

Assim como é uma mitsvá direcionar alguém para o caminho ao qual pertence, assim também é um crime direcionar alguém para um caminho que não lhe pertence (i.e., levar alguém a praticar aquilo que não lhe cabe*.

* Veja abaixo, os Três Caminhos.)

Cada pessoa nasce com um caminho particular para sua alma, geralmente de acordo com a cultura na qual ele ou ela nasceu.

Existem verdades universais, a herança de todos nós desde Adám e Noá. Nelas estamos todos unidos. Mas não estamos destinados a sermos todos iguais (em outras palavras, não estamos destinados a sermos todos judeus/judaizados ou judaizantes).

As nossas diferenças são tão valiosas para O NOSSO CRIADOR quanto as nossas semelhanças.”

 

© Rabí Tzví Freeman
© Noahidebr 2015-2019

Traduzido do inglês por Noahidebr/Bnei Noach Brasil © 2015-2019 Noahidebr

 

O Rabi Tzvi Freeman é editor sênior do Chabad.org, Maguíd Shiúr Chassidút na West Coast Rabbinical Seminary, e frequenta regularmente The Happy Minyan.)

 

Sempre que um não-judeu quiser sinceramente ser parte do povo de Israel, ele pode fazê-lo e receber a orientação necessária, só que ele deve ser cuidadoso e (deve) abordar as instituições, rabinos ou comunidades corretas, porque até mesmo neste caminho (da conversão ao judaísmo) há muitos incautos que tem caído em mãos de falsificadores.

Ensinam nossos Chachamím e assim está escrito em diferentes midrashím que Hashém ofereceu a Torá para todas as nações e nenhuma delas a aceitou porque (a Torá) era contra as suas práticas e elas preferiram continuar em seus costumes do que receber a Torá. No entanto, a bondade de Hashém fica em evidência quando ELE não proibe, a partir daquele momento, que alguém (das nações) se junte ao povo (de Israél). De fato, há muitos casos de conversos sinceros como o caso de Rut*, um dos mais famosos.

* Rut, a moavita, tornou-se parte do povo de Israel ao aceitar todas as mitsvót do povo judeu, afirmando: Teu povo será meu povo e Teu D’us será Meu D’us(◇ ▲.

 

◇ Como bem frisado pelo Rabí Tzví Freeman, aqui temos um belíssimo exemplo dos dois aspectos distintos da Torá, um referente ao Povo de Israel — à Judaicidade ( = Identidade Judaica) —, e o outro referente ao Judaísmo — ao Sistema de Princípios de Fé da Torá ( = Fé Universal◇◇).

◇◇ Já que a Fé Judaica nunca foi exclusivamente judaica, pois, antes de haver o povo judeu, essa era a Fé Universal, a Fé Verdadeira de toda a humanidade, a Própria Fé de Noá e Adám (a Fé Noaítica). Portanto, a Fé Judaica e a Fé Noaítica, estas sim, são uma e a mesma.

 

“Rut, a decisão de Ser”

“O Livro de Rut foi escrito pelo profeta Shmuel.
Rut era uma princesa Moavita (moabita) que professava altos  ideais.
Ela, e Orpá, eram as filhas de Eglón, o rei de Moav.
Rut não
 estava satisfeita com a adoração de ídolos em seu próprio povo, e quando se apresentou a oportunidade, abandonou os privilégios da nobreza em sua terra para aceitar uma vida de pobreza entre o povo que admirava.
Em Moav, Rut se tornou amiga de uma família judia, Elimélech e sua esposa Naomí e seus dois filhos, Machlón e Chilión.
Rut aprendeu a admirar as leis e costumes judaicos.
Desta maneira, quando um dos filhos de Naomí (Machlón) lhe propôs matrimônio, se sentiu feliz e orgulhosa de aceitar. Ela já se sentia profundamente ligada ao Povo Judeu.
Elimélech e seus dois filhos morreram, e Naomí se tornou uma pobre viúva. Naomí decidiu que iria voltar para sua cidade natal, Bet-Léchem (Belém).
Sua outra nora, Orpá, voltou para a casa de seus pais.
Rut tomou a decisão de ser parte do Povo Judeu.
Naomí lembrou à Rut as dificuldades que o judeu enfrentava a todo momento, mas, mesmo assim, Rut permaneceu firme em sua decisão.
Rut e Naomí foram para a terra de lehudá — Judá.
Rut se casou com Bôaz, Juiz de Israel.
Bôaz era sobrinho de Elimélech.
Rut e Bôaz tiveram um filho chamado Ovéd, que foi pai de Ishái. Um dos filhos de Ishái foi David, que se tranformou no ungido de Hashém e querido rei de todo o povo judeu. Sim, o Rei David foi o bisneto de Bôaz e de Rut — a convertida.”

Por Chabad Argentina (© Jabad Lubavitch Argentina/© Noahidebr))

 

A síndrome do judaizante(*) e do convertido ou candidato à conversão/o judaizado(*

 

* • Por judaizante nos referimos àquele Não-judeu que pratíca seja somente um único ritual judaico, alguns rituais judaicos, ou todos os rituais judaicos — à sua própria maneira ou da maneira como os judeus fazem-nos —, SEM ir em busca da conversão.
Por ritual judaico entenda-se a prática distintivamente Judaica (como os exemplos dados acima no texto “Judaicidade é”, do Rabi Tzvi Freeman).
Normalmente, mas não sempre, os judaizantes são ex-messiânicos e certos tipos de ex-cristãos.
O judaizante pratíca o pecado de Chidushéi Dáat. Ele não está cumprindo a mitsvót de não cometer Chidushéi Dáat.

• Por judaizado nos referimos àquele Não-judeu que se judaíza MAS que busca de fato a conversão (não importa pelo que passe e quanto tempo leve).
Porém, se o judaizado começa a querer judaizar os outros, então aí ele comete o pecado de Chidushéi Dáat.

• Por judaizador nos referimos seja ao judaizante seja ao judaizado que procuram judaizar o Movimento Bnei Noach e os outros.
Os judaizantes judaizadores pratícam DUPLAMEMTE o pecado de Chidushéi Dáat. Eles não estão cumprindo a mitsvót de não cometer Chidushéi Dáat e estão levando outros a também não cumprirem esta mitsvá.)

 

A história e a experiência nos têm demonstrado que as pessoas que são judaizantes — pois gostariam de se converter mas não se convertem —, gostariam que os não-judaizantes também se judaizassem. Elas sempre são judaizadoras. Além disso, a história e a experiência também nos têm demonstrado que até mesmo na maioria dos casos das pessoas que se convertem ao judaísmo ou que estão em processo de conversão (as judaizadas) pensam que os outros também deveriam se converter. Elas, inclusive, agem quase que de maneira proselitista. É como pensar que se eu estudo engenharia e amo a engenharia, então todos deveriam ser engenheiros.

Muitas vezes elas chegam a pensar que como a Verdade está no judaísmo, então todas as pessoas deveriam chegar a ser judeus. Há realmente um estado de transição e amadurecimento em seu caminho como um (recém) judeu ou um candidato à conversão. Com o tempo, ela acaba entendendo que isto não é assim, e muito mais quando ela ouve das outras pessoas gentias que elas admiram o povo de Israel, que o apoia, que deixaram a idolatria e que querem ser pessoas justas, mas que NÃO QUEREM SER JUDEUS, QUE NUNCA QUISERAM. Tanto a pessoa que pensa que todos devem ser judeus quanto o judaizante não conseguem acreditar e aceitar que há muitos que não querem e não gostariam de ser judeus (e que por isso mesmo não são nem judaizantes nem judaizados nem judaizadores). A pessoa que conscienciosamente não se judaiza vê claramente como as coisas são, enquanto o judaizante não. E, às vezes, aquela pessoa que diz conscienciosamente que não quer ser judeu entende mais como as coisas são do que aquele que diz “quero ser judeu”.

 

A negação

O problema não é essa etapa de transição que descrevemos anteriormente, o problema é quando em sua negação, o converso ou candidato à conversão faz campanha contra as 7 leis de Bnei Noach, dizendo — por influência de não-ortodoxos (liberais, reformistas e conservadores) e de gentios (cristãos, maometanos, ateus, etc.) — que isto é uma invenção moderna, que isto é um obstáculo, que isto é como um consolo e menos valioso que ser judeu, e, quando eles chegam a afirmar que isto é inventar uma nova religião. E o mais triste é ouvir estas palavras de pessoas que querem ensinar outras, uma vez que aquilo em que acreditam é uma completa confusão e quando ensinam os outros, elas transmitem os seus próprios preconceitos e assim conduzem os outros ao caminho errado. De fato, aquele que tem estudado bem o tema sabe que esta pessoa que faz esta campanha apenas ignora o que realmente significam estas leis e as discussões de grandes Poskím para determinar um caminho de vida prática e espiritual para os não-judeus. Não se trata de um tema simples as 7 leis de Bnei Noach, requer estudo em profundidade e orientação das devidas autoridades no tema.

 

Conversão Ao Judaísmo

Como eu disse antes, o caminho noaítico não é um passo para converter-se ao judaísmo. Ainda assim, muitas pessoas que têm praticado uma vida noaítica e de estudo da Torá dentro da sua perspectiva noaítica não estão completamente alheias a ouvir ou perguntar sobres as práticas judaicas das festas, do shabát, etc. Assim, mesmo não sendo este o objetivo, elas acabam por conhecer pouco a pouco o que significa ser judeu. Afinal, em sua vida como Noaítas, elas andam de mãos dadas com os judeus já que são eles quem orientam-nas em todos os assuntos e é o povo judeu quem traz luz para outras pessoas através dos grupos noaíticos. Por esta razão, não é estranho que aquele Noaíta exemplar algum dia decida converter-se ao judaísmo e a partir de então se torne um judaizado, mas neste caso, o fará com mais conhecimento de causa e não apenas por uma simples emoção. Se for esse o seu caso, você certamente receberá a orientação apropriada e lhe serão recomendados os melhores lugares, instituições ou rabinos para que você possa iniciar seu processo de uma forma correta e válida. A partir do momento em que você é aceito como candidato a uma conversão, de certa maneira seu estatus muda, e então você já não é mais um simples Noaíta, mas um judaizado, um gentio que agora deve praticar todas aquelas mitsvót que são exclusivas do povo judeu, ainda que você não foi ordenado a cumpri-las, mas deve fazê-lo como uma forma de educar-se no cumprimento das mitsvót na vida diária, e este cumprimento começará a trazer à sua mente um turbilhão de questões que serão resolvidas com seus rabinos. Isso é semelhante ao que acontece com as crianças judias em idade de Chinúch ou educação, cujos pais pouco a pouco vão conduzindo-as no cumprimento de mitsvót ou mandamentos, para que ao chegar à idade de Bar Mitsvá, recaia sobre elas a responsabilidade de seus atos e elas já estejam completamente habituadas à vida judaica.

Espero que este artigo também ajude a esclarecer as coisas, acabar com mal entendidos, preconceitos e coisas que realmente só confundem as pessoas sinceras.

Desde Israel meus melhores desejos,
Rabi Asher Cacua.

 

© Rabí Ashér Cácua
© Noahidebr 2015-2019

Traduzido do espanhol por Noahidebr/Bnei Noach Brasil © 2015-2019 Noahidebr

 

Portanto, como vimos acima, não existem dois, mas três caminhos espirituais.

Um caminho é completamente não judaizado e não judaizante e não judaizador. Este é o caminho dos Bnei Noach, o Movimento Bnei Noach, o Noaísmo.
Os autênticos Bnei Noach não se judaízam e não judaízam ninguém.

O outro caminho é o caminho judaico — o caminho dos judeus. Trata-se da Judaicidade: a natureza judaica ou identidade judaica. Este caminho tem suas próprias práticas distintivas (Edót).

E existe um terceiro caminho. É o caminho dos judaizados. Este caminho é um caminho intermediário entre um e outro (entre Bnei Noach e judeu).
O judaizado ainda não é judeu (à vista da Halachá e reconhecido pela Comunidade Judaica) mas também já NÃO É MAIS Bnei Noach.

O judaizado, naturalmente, não se identifica como um judeu, mas também não se identifica (ou pelo menos não deveria se identificar) como um Bnei Noach.
A partir do momento que o Bnei Noach se judaíza, ele ou ela deixa de ser Bnei Noach.

Ser judaizador (ou seja, querer judaizar os outros ou querer impor a judaização aos outros) é completamente errado, é, na verdade, cometer dois grandes pecados (ele próprio praticar Chidushéi Dáat e levar outros a praticá-lo), como foi claramente explicado pelo Rabí Tzvi Freeman:
O Movimento Bnei Noach é “desprovido de rituais. (Por isso mesmo os Bnei Noach) não têm de praticar (os rituais) que nós judeus praticamos. Nenhum dos rituais judaicos jamais foi concebido como um ensinamento universal. Tais rituais são particulares da Comunidade Judaica e significativos somente para nós judeus. Simplesmente não faz sentido algum alguém de fora da Comunidade Judaica assumi-los (completamente ou parcialmente, e ainda querer impô-los aos outros, pois) é um crime direcionar alguém para a prática de rituais que não lhe pertence. Não estamos destinados a sermos todos iguais (neste caso, os Bnei Noach não tem de ser todos judeus/judaizados ou judaizantes.)”

Ser judaizante, ou seja, assumir qualquer prática exclusivamente judaica — uma, algumas ou todas — sem ir em busca da conversão também é completamente errado, um grande pecado, como já explicado acima.

Por fim, não é errado se judaizar DESDE QUE busque a conversão. Em outras palavras, não é errado ser um judaizado. Como dissemos nos parágrafos anteriores, aquele que se judaíza mas que não busca se converter está cometendo um grande pecado. Já aquele que se judaíza e busca a conversão está fazendo o que é correto, está seguindo seu caminho, o terceiro caminho.

Mas se o judaizado não é Bnei Noach e também não é judeu, o que ele é? Ele é um gentio vivendo uma vida judaica COM A INTENÇÃO de vir a pertencer ao Povo Judeu através da conversão.
Você não tem de ser Bnei Noach se não é isto o que você quer. Se você quer ter uma vida judaica, quer se judaizar, pensando em um dia ser parte do Povo de Israel, siga o seu caminho. Não seja Bnei Noach. Não se identifique como Bnei Noach. Você não é Bnei Noach. Busque a conversão.

A questão aqui não é que se D’us quisesse que você fosse judeu ELE o teria feito judeu (você teria nascido judeu), pois existe a liberdade de escolha. O ponto levantado pelos rabinos é a intenção por trás dessa escolha:
É para conhecer a Verdade? Você não tem de ser judeu para conhecê-La.
É para conhecer Hashém (D’us)? Você não tem de ser judeu para conhecê-LO.
É para estudar Torá? Você não tem de ser judeu para estudá-La.
É para fazer a Vontade de D’us? Você não tem de ser judeu para fazê-La.
É para amar D’us e ser amado por ELE? Você não tem de ser judeu para amá-LO e para ser amado por ELE.
É para servir D’us ou ser um servo de D’us? Você não tem de ser judeu para servi-LO ou para ser um servo DELE.
É para ter vida eterna no mundo vindouro? Você não tem de ser judeu para tê-la.
É para ser uma pessoa justa? Você não tem de ser judeu para sê-lo.
Ou seja, você não tem de se judaizar por estas razões. Mas, como explica o Chabad Argentina, “se, apesar de todas estas considerações e advertências, o Guer vem e diz que quer abraçar a judaicidade, e insiste em seu desejo de abraçar a judaicidade, e jura aceitar a Torá e cumprir suas 613 Mitsvót, então podemos sim estar orgulhosos de aceitar uma pessoa assim em nossa comunidade, pois seguramente será um judeu devoto e sincero.” (© Jabad Lubavitch Argentina/© Noahidebr)

Como esta explicação do próprio Chabad deixa bem claro, você não é obrigado a ter de ser Bnei Noach. Você é Bnei Noach se você quiser. Se você quer uma vida judaica, você não tem de continuar sendo (e continuar se identificando como) Bnei Noach. Vá atrás da conversão. Como dissemos, é uma questão de liberdade de escolha. E é isso mesmo o que diz o Rabi Yitzchak Ginsburgh (Instituto Gal Einai, Israel):
“Se um não-judeu deseja se converter ao judaísmo, ele ou ela pode fazê-lo, desde que por livre e espontânea vontade.”
E também é o que declara o Chabad:
“Um Guer é um gentio que se tornou judeu (depois de ter sido avisado e estar, então, plenamente ciente de) que, segundo a Torá, um gentio pode encontrar a verdadeira realização espiritual e a vida eterna cumprindo os Sete Preceitos que O PRÓPRIO D’us deu aos filhos de Noá, i.e., a toda a humanidade, e que não é necessário tomar sobre si mesmo a tremenda responsabilidade de observar toda a Torá com suas 613 Mitsvót que O MESMO D’us deu ao povo judeu. De que se ele (o gentio) tem um sentimento de culpa por tudo o que o mundo fez e está fazendo com os judeus, ele pode fazer mais por eles vivendo uma vida decente e moral, de acordo com as Sete Leis Noaíticas, e promovendo-as para um mundo melhor tanto para os gentios quanto para os judeus.

Tal Guer (gentio) escolheu livremente se juntar ao povo judeu por uma sincera e profunda convicção de que é verdadeiramente “um Reino de Servos de D’us e um Povo Distinto” (Shemót/Êxodo 19:6), e decidiu tornar-se um membro deste Povo e levar uma vida santificada pela Divina Torá e suas Mitsvót, sem qualquer outra motivação. Na verdade, este é o único tipo de conversão que a Torá reconhece.” (© Chabad.org/© Noahidebr)

O Rabi Tzvi Freeman do Chabad também explica:
“Você não tem de ser judeu para ser uma boa pessoa e ser amado por D’us. Acredite em um só D’us e observe Suas leis — as sete leis de Noá. O Judaísmo (quer dizer, o Sistema de Princípios de Fé da Torá) — em oposição à Judaicidade — não é apenas para judeus. Mas vamos dizer que você não nasceu no povo judeu. Vamos dizer que você decide que quer ser parte desse povo. Então você precisa se tornar um Guer.

Em hebraico, a palavra “Guer” não implica ser convertida ou transformada de uma pessoa em outra. Pelo contrário, um Guer é simplesmente alguém que veio de outro povo para ficar no meio de nós. Um Guer significa literalmente alguém que veio morar entre um povo no qual ele ou ela não nasceu. Um estrangeiro naturalizado. Ele não se encaixava no lugar de onde veio, e agora veio de lá para se encaixar entre nós.
Ocasionalmente, ele será absorvido e se tornará completamente um de nós — resumindo, um Guer é alguém que decidiu se juntar ao povo judeu.” (© Rabí Tzvi Freeman/© Noahidebr)

Portanto, se é isto o que você realmente quer — estar no meio dos judeus — persista em seu caminho mesmo com todos os obstáculos e dificuldades. Não se desanime. Não se sinta desestimulado ou desencorajado de prosseguir rumo ao seu sonho (“de viver como judeu”). Não desista da conversão.

Mas se a sua intenção não é chegar à conversão, você não deve ser um judaizante, não deve ter uma vida judaica, ou seja, você não deve assumir, no todo ou em parte, os rituais judaicos, pois “nós judeus não queremos que os Bnei Noach estejam imitando as práticas — as Edót — (que O PRÓPRIO Hashém estabeleceu como sendo) exclusivas do povo judeu.” — Rabi Tzvi Freeman do Chabad. Em outras palavras, se você se judaizou mas não inteciona ser judeu, então você deve se desjudaizar, pois, como explica o Rabi Jacob Immanuel Schochet do Chabad: “Existem claras normas de distinção entre judeus e não-judeus e estas normas devem permanecer exatamente assim.”

Por outro lado, se você até gostaria de ser judeu, mas pensa que deixará para resolver isso quando o mashíach for revelado, então aí já será tarde demais. É isso mesmo. Se você é um judaizado e pensa assim: “Quando o mashíach chegar, eu resolvo essa questão de se ser judeu”, não haverá mais tempo para você adquirir definitivamente a judaicidade, pois na Era Messiânica não haverá conversões ao judaísmo. Sim, a questão da conversão, a questão de adquirir a judaicidade, tem de ser resolvida imediatamente, você não pode deixar isso para quando o mashíach for revelado. Você tem de buscar a conversão já. Pois quando o mashíach for revelado, todos os Bnei Noach — i.e., todos os não-judeus — permanecerão Bnei Noach — não-judeus —, para sempre.
O Talmúd declara a seguinte Halachá:
“O Bet Din não aceita convertidos nos dias do Mashíach.” (Avodá Zará 3b:3)

Portanto, a hora de você, judaizado ou judaizada, ir atrás de oficializar sua judaicidade, de ter sua vida judaica oficialmente reconhecida e valorizada por todos (Bnei Noach e judeus), é agora. Corra, pois o Mashíach pode ser revelado a qualquer momento. Sim, não perca tempo, porque “Os Sábios ensinaram: Não são aceitos convertidos nos dias do Mashíach.” (Talmúd: Ievamót 24b:8)

O Rabi Jonathan Sacks explica:
“O D’us de Israel é O D’us de todos, mas a religião (as práticas ritualísticas) de Israel não é a religião de todos. Os profetas (da Bíblia) não previram que as nações do mundo abraçariam a religião de Israel, com seu conjunto complexo de 613 Mitsvót, nem mesmo nos dias do Mashíach. Elas reconhecerão D’us (Hashém). Irão a Jerusalém para rezar. Transformarão suas espadas em arados e não guerrearão mais. Contudo, não se tornarão judias.”

Quer se judaizar, judaize-se. Quer ser um judaizado, seja. Mas guarde isso para você. Não tente judaizar os outros. Não queira judaizar o Movimento Bnei Noach. Não pense que o Movimento Bnei Noach é o lugar para você demonstrar e declarar sua judaização. Não é. O lugar de se ser judaizado é dentro do Povo Judeu, não fora.

E por fim, uma pessoa judaizante (aquela que se judaíza e que não vai atrás da conversão) é uma pessoa completamente equivocada, está totalmente desinformada, a menos que, então, está, descaradamente, distorcendo e deturpando as coisas.

 

Mas, para finalizar, e quando é o próprio rabino que é um judaizador?

De fato, infelizmente temos visto até mesmo rabinos sendo imprudentes e impudentes quando ensinam não-judeus.
Eles mesmos ora incentivam (mesmo que parcialmente) a judaização dos Bnei Noach, ora estimulam-na — portanto, em outras palavras, eles mesmos cometem o pecado de conduzirem os outros a pecarem, de fazerem os outros cometerem o pecado de Chidushéi Dáat — por conivência (fingirem que não vê); por comprazimento (quererem agradar/fazerem o gosto); por conveniência (terem algum tipo de interesse nisto ou tirarem algum proveito disto); e/ou, simplesmente por comodidade.
Dificilmente é por uma questão de equívoco ou ignorância.

 

(● video a ser inserido)

 

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