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A Principal Função do Mashíach

B”H

 

A Principal Função do Mashíach

[(E a verdadeira razão pela qual Yeshu não é o mashíach)]

 

Por Rav Yeheskel Lebovic
(Em 02/7/2015)

 

“Vê-lo-ei, mas não agora, e o olharei, mas não em breve. Partirá uma estrela de Yaacóv e se levantará um cetro de Israel. E matará os senhores de Moav e dominará a todos os filhos de Shet.” – Bamidbár 24:17

 

O Rav Maimônides (Hilchot Melachim/As Leis dos Reis 11:1) escreve que a terminologia repetitiva e dupla deste versículo se refere a dois messias: um, o primeiro, o Rei David, o outro, o segundo, o Mashíach final.

Temos de entender por que o Rei David é referido como este primeiro Mashíach. Afinal, se é apenas em virtude de ele ter sido ungido (mashíach=ungido), existiram outros reis ungidos antes dele. E, aparentemente, faz mais sentido dizer que Moshe Rabênu, geralmente referido no Talmud como o “primeiro redentor”, se qualificaria como o primeiro Mashíach deste versículo.

Estas perguntas podem ser respondidas pela análise de qual é a principal função do Mashíach segundo o Rav Maimônides. Sua formulação indica que não é a capacidade de fazer milagres ou de provocar mudanças dentro do curso da natureza, nem é ter uma capacidade profética do mais alto calibre.

Em vez disso, é o fato de que ele vai “obrigar” todos os judeus a cumprirem todas as leis da Torá em sua totalidade e assim levantarem a bandeira da Torá e da glória de Deus em todo o mundo.

Ele por fim levará toda a humanidade a um estado de direção espiritual cada vez mais profunda mediante a reconstrução do Bêt Hamicdásh e a reunião de todos os [judeus] exilados na Terra Santa de Israel.

O Rei David foi o primeiro a estabelecer a base sólida de Israel como uma Terra Santa teocrática unificada, impondo A Vontade de Deus sobre todos os seus habitantes e abrindo o caminho para o eventual estabelecimento do Reino de Deus na Terra. Isso explica a opinião do Rav Maimônides de que David é o primeiro Mashíach aludido neste versículo.

Isso vai explicar também a diferença entre o procedimento necessário para estabelecer as credenciais de um profeta e o procedimento necessário para o Mashíach verificar suas credenciais únicas.

As credenciais de um profeta são estabelecidas com base em sua capacidade profética, pois esta é a sua principal função: ele tem de prever vários eventos futuros, e eles têm de ocorrer com precisão.

As credenciais do Mashíach são estabelecidas por sua capacidade de reforçar a observância da Torá em todo o mundo judaico – sendo esta, naturalmente, a sua principal função.

Ele também tem de demonstrar que ele está impactando o mundo não-judaico, pois as Sete Leis Noaicas (dos Noaítas) também são ordenadas na Torá, e que ele está procedendo assim para fazer de toda a Terra um lugar de morada para a Glória revelada de Deus.

Por conseguinte, a mitsvá de acreditar na vinda do Mashíach, conforme o Rav Maimônides, assume uma dimensão adicional: nós de um modo geral não só temos de acreditar que Mashíach finalmente virá, mas também, mais especificamente, que ele vai trazer o mundo inteiro – judeus e gentios igualmente – a reconhecer e aceitar a regra da Lei Divina.

Visto que existem aqueles que vão se opor a este processo, há a necessidade do Mashíach, como rei e governante, vencer toda oposição deste tipo por, nas palavras do Rav Maimônides, “travar as batalhas de Deus” à maneira do Rei David.

Isso também responde a uma outra pergunta: Por que o Rav Maimônides organizou as Leis dos Reis no fim do Mishnê Torá – com as leis do Mashíach no final – quando parece que elas deveriam ter sido organizadas antes das Leis da construção do Bêt Hamicdásh?

A razão é que o único que pode implementar plenamente todas as leis da Torá como delineadas em todos os 14 livros do Mishnê Torá é um benevolente mas poderoso rei judeu da estatura de David – em outras palavras, o maior e mais poderoso rei de todos, Mashíach Tsidkênu.

Ele vai dedicar seus poderes concedidos por Deus para erradicar todas as formas de maldade deste mundo a fim de estabelecer o Reino de Deus na Terra. Ele vai derrubar e erradicar todas as forças que se opõem ao Plano Mestre que Deus escolheu implementar, independentemente de qualquer um dos ventos políticos que sopram no mundo todo.

Os seus grandes dons de sabedoria e profecia são, portanto, secundários a esta função principal, como explicado acima. Ele trará tikun (retificação) aos habitantes do mundo, que vão, em seguida, reconhecer as falsidades das crenças impostas a eles por seus antepassados, reconhecendo que essas crenças estão na categoria de “falsidades repetidas o tempo suficiente para serem aceitas como verdade” (Yirmiyáhu/Jeremias 16:19; Zechariá/Zacarias 8:23).

A maioria esmagadora dos habitantes do mundo – pessoas honestas e boas – então prontamente se juntará às fileiras dos crentes no verdadeiro Mashíach enquanto ele prepara sua revelação, em breve.

 

 

Por Rav Yeheskel Lebovic

© The Jewish Press 2017

 

Traduzido por Noahidebr

© Noahidebr 2015-2018
https://noahidebr.com/copyright/

 

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Noaítas e os 613 Mandamentos Judaicos Divinos (ou a criação de ritos)

Noaítas e os 613 Mandamentos Judaicos Divinos

Noaítas e a criação de ritos religiosos

 

B”H

 

Perguntas e Respostas

 

Por Noahidebr

 

O Rav Maimônides disse que os noaítas (Bnei Nôach/Filhos de Noé) podem cumprir ALGUNS dos 613 mandamentos que Hashém deu para os judeus ou que os noaítas podem cumprir TODOS os 613 mandamentos?

 

O Rav Maimônides NUNCA disse que os noaítas podem cumprir todas as 613 leis da Torá (até porque se os noaítas cumprissem todas as 613 leis da Torá, eles já não seriam mais noaítas, e sim, judeus).

O Rav Maimônides deixou claro que a observância – o cumprimento – das 613 mitsvót da Torá cabe unicamente “a Israel” (o povo judeu), incluídos aí, não os noaítas, mas os convertidos (“e a todos aqueles que desejam SE CONVERTER dentre as outras nações”).

O Rav Maimônides considera que até mesmo somente estudar a explicação do cumprimento de todas as 613 mitsvót da Torá por parte dos noaítas já tornam-nos ‘passíveis de punição’ porque “eles devem se dedicar somente ao estudo de [suas] Sete [Categorias de] Leis”, que dirá de cumprirem todas as 613 mitsvót.

O Rav Maimônides deixou claro que se um noaíta desejar (por conta própria) “cumprir um dos [613] mandamentos da Torá (“UM DOS 613″, e não TODOS OS 613) a fim de receber uma recompensa [Divina],” ele pode. Mas o Rav Maimônides deixou mais claro ainda que, por outro lado, se os noaítas desejarem “aceitar todos os [613] mandamentos” que eles ‘se tornem convertidos’.

 

Leia as próprias palavras do Rav Maimônides em:

https://noahidebr.com/2016/08/01/maimonides-e-os-noahidas-bnei-noach/    .

 

E como reitera o Jews for Judaism.org (Judeus para o Judaísmo):

“Na verdade, estas [denominadas “Sete Leis de Noé”] são 7 categorias e incluem [muitos] outros detalhes.”

Explica o Rav Aaron Parry no Jews for Judaism.org:

“À primeira vista, pode parecer que a diferença entre a observância judaica (613 mandamentos para judeus) e não-judaica (sete para não-judeus) é enorme. Mas se olharmos um pouco mais de perto, veremos que não é tão grande quanto parece.

Estes são sete princípios básicos que têm – todos eles – muitas implicações. Ao observar adequadamente os sete mandamentos, um não-judeu realmente vai incorporar 66 mitsvót da Torá que especifica alguns desses itens com maior detalhe. Os sete princípios básicos envolvem considerações muito maiores; por exemplo, o sétimo (princípio) implica que não se deve praticar a crueldade com os animais. Além disso, no presente momento, quando já não temos um Templo Sagrado em Jerusalém ou um Grande Sanhedrin (Supremo Tribunal Judaico de 71 sábios idosos), muitas das 613 mitsvót não se aplicam. Como resultado, um judeu de hoje pode cumprir possíveis 271 mitsvót. Então, há aproximadamente uma proporção de quatro para um na quantidade de mandamentos que um judeu de hoje deve cumprir, em comparação com um não-judeu. Além disso, muitos dos mandamentos adicionais dos judeus têm a ver com Shabát ou feriados judaicos ou com mandamentos como [tsitsít (talít), tefilín, mezuzá, etc.], que não são exigidos dos não-judeus.”

 

(© Copyright Jews For Judaism 2017)

 

Considerando também a exortação do Rav Dr. Jacob Immanuel Schochet, que disse:

“Existem linhas claras de distinção entre judeus e gentios e estas devem permanecer exatamente assim”, significando isso que um noaíta jamais deve parecer um judeu de forma alguma, levando assim judeus e não-judeus à confusão de pensarem que ele é judeu.

 

Agora, o que temos observado é que, na verdade, ALGUNS Bnei Nôach (noaítas) têm tido a necessidade não de terem mais de 7 mandamentos para cumprir, e sim de terem uma liturgia noaica e de terem um modo de demonstrarem (para si mesmos e para os outros) a sua religiosidade (ritos internos e externos). Este é o verdadeiro ponto. E isto é o resultado de a grande maioria dos noaítas virem das religiões (que, exatamente por serem religiões, possuem então liturgias e seus ritos), e de eles aprenderem sobre Bnei Nôach com o judaísmo (que tem sua própria liturgia, já que se trata, também, da religião de um povo), e de o noaísmo NÃO ser uma religião mas um código de conduta. O Rav Maimônides então PROIBE exatamente os Bnei Nôach de ‘criarem ritos religiosos.’*

* Certamente, isto nada tem a ver com o fato de que Bnei Nôach podem – e devem – louvar, abençoar e orar a Hashém.

 

Por Noahidebr
© Noahidebr 2015-2018

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Noaítas e o vestir-se

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Perguntas e Respostas

 

Por Noahidebr

 

P: O homem noaíta (casado ou solteiro) pode andar na rua sem camiseta?

R: Não.

 

P: Dentro de casa, o homem noaíta (casado ou solteiro {que mora com os pais}) pode ficar sem camiseta?

R: Sim. Mas é apropriado que pelo menos nos momentos de oração e de estudo da Torá ele esteja com camiseta.

 

P: O homem noaíta (casado ou solteiro) pode usar shorts ou bermuda em casa ou na rua?

R: O homem noaíta casado ou solteiro pode usar BERMUDA em casa e na rua.

 

P: O homem noaíta (casado ou solteiro) é obrigado a vestir roupa social na rua e principalmente nos encontros noaicos?

R: Não. O homem noaíta (casado ou solteiro) pode vestir roupa social se ele quiser, mas também pode vestir camiseta ou pólo e calça jeans e tênis na rua e inclusive em encontros noaicos.

 

P: A mulher noaíta (casada ou solteira) pode usar shorts na rua?

R: Não.

 

P: A mulher noaíta (casada ou solteira) pode usar bermuda na rua?

R: Se for um costume local, sim, a mulher noaíta casada ou solteira pode usar bermuda que não seja colada e que cubra os joelhos (mesmo quando se está sentada) na rua.

 

P: A mulher noaíta (casada ou solteira) pode usar saia ou vestido na rua?

R: A mulher noaíta (casada ou solteira) pode usar saia que cubra os joelhos (mesmo quando se está sentada) na rua.
E a mulher noaíta (casada ou solteira) pode usar vestido que cubra desde a parte de cima do peito até os joelhos (mesmo quando se está sentada) na rua.

 

P: Que tipo de camiseta que a mulher noaíta (casada ou solteira) pode usar na rua?

R: Que cubra completamente o tronco (a parte de cima do peito, ombros, costas e barriga). Portanto, nada de roupas de alcinhas.

 

P: A mulher noaíta (casada ou solteira) pode maquiar-se, depilar-se e cortar o cabelo?

R: Sim.

 

P: A mulher noaíta (casada ou solteira) é obrigada a cobrir o cabelo?

R: Não, a mulher noaíta não é obrigada a cobrir o cabelo.
A mulher noaíta solteira não cobre o cabelo. Quanto à mulher noaíta casada, ela não tem a obrigação de cobrir o cabelo, nem em casa (ao receber quaisquer visitas) e nem na rua (em outras palavras, em qualquer situação que seja – com a exceção de visitar uma sinagoga no horário de um serviço judaico). Ela o cobre apenas se essa foi a sua escolha. (Veja mais em

https://noahidebr.com/2017/12/01/as-noaitas-filhas-de-noach-noe-e-o-cobrir-o-cabelo/   .)

 

Para todos os tipos de situações, o que as mulheres noaítas tanto solteiras quanto casadas (e, obviamente, os homens noaítas solteiros e casados também) tem de levar em consideração, é que serve-se a D’us também pelo comportamento do dia a dia na rua. Elas devem arrumar-se e vestir-se modestamente como convém a quem serve a D’us.

 

Por Noahidebr (baseado em Ask Noah.org)

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As noaítas (Filhas de Nôach/Noé) e o cobrir o cabelo

Em breve.

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Noaítas e a Estrela de David

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Perguntas e Respostas

 

Por Noahidebr e Ask Noah.org

 

Em outra matéria deste site, o Rav Jacob Immanuel Schochet disse: “Existem linhas claras de distinção entre judeus e gentios e estas devem permanecer exatamente assim.” Tendo esta declaração em mente, eu sou noaíta e por anos tenho usado um colar com a Estrela de David, então, pergunto:

Devo deixar de usá-lo porque as pessoas pensarão que sou judeu/judia? Ou posso usá-lo, conquanto se alguém me perguntar se sou judeu/judia, respondo-lhe que não, que sou noaíta?

 

Se um noaíta decide usar quaisquer objetos com a Estrela de David (em hebraico, “Maguên David”, literalmente “Escudo de David”) (colar, chaveiro (mesmo o chaveiro pendurado em uma mochila, bolsa, estojo, caderno, …)), brincos, pulseira, anel, etc.), não há problema algum nisto. Esta prática não está associada com os mandamentos judaicos. Para você, usar esse colar é apenas uma maneira de demonstrar o seu apoio aos judeus e ao judaísmo, e em caso de questionamento esta pode ser a sua explicação.

 

Por Noahidebr e Ask Noah.org

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Os noaítas e o talit (tsitsit)

Os noaítas e o talit (tsitsit)

 

B”H

 

Perguntas e Respostas

 

Por Noahidebr

 

O livro “The Path of the Righteous Gentile” (O caminho do Gentio Justo) enumera seis mandamentos divinos judaicos proibidos para o noaíta (veja em

https://noahidebr.com/2015/10/29/6-mandamentos-judaicos-que-o-noahida-nao-deve-observar/ ). Não está citado nesta lista o uso de talit por um noaíta. Assim, minhas perguntas são:

 

O noaíta pode usar talit?
Existe talit noaico (talit para não-judeus, mais especificamente para noaítas (Filhos de Noé/Bnei Nôach))?
O noaíta pode usar algo semelhante a um talit?

 

Primeiro, vejamos o que é um talit.
Leia a explicação em:

 

http://pt.chabad.org/library/article_cdo/aid/602882/jewish/Talit-e-Tsitsit.htm

 

Como pode-se inferir da leitura deste link, o talit (xale de orações) – talit gadol (grande) e talit catán (pequeno) – com o seu tsitsit (franjas) são observâncias estritamente judaicas. Isso fica mais evidente ainda nas próprias berachót (bênçãos) recitadas pelos judeus:

(ao vestir o talit catán)
“Bendito és…, que… nos ordenou (aos judeus) sobre a mitsvá (lei) de tsitsit”;

(e ao envolver-se no talit gadol)
“Bendito és…, que… nos ordenou (aos judeus) envolver-se em tsitsit.”

 

Portanto, não existe talit noaico (não existe talit e tsitsit próprios para noaítas). O talit gadol e o talit catán com os seus tsitsiot são materiais exclusivamente judaicos. E daí também os noaítas não devem de maneira alguma vesti-los, e nem se vestirem de algo parecido.

 

O Rav Jacob Immanuel Schochet diz:

“Os homens noaítas (ou mulheres) não devem comprar seu próprio talit gadol para usar durante suas orações diárias da manhã, ou um talit catán para usar continuamente (quer as franjas – tsitsit – estejam à mostra ou não). O talit é um símbolo exclusivamente judaico. Assim, um noaíta que usa talit [pode acabar levando judeus e não-judeus à confusão, fazendo-os pensar que ele é judeu.]

Os noaítas não devem adquirir e/ou usar [em particular ou publicamente] talit ou tefilin, ou fazer as outras coisas citadas no livro “The Path of the Righteous Gentile”. Existem linhas claras de distinção entre judeus e gentios e estas devem permanecer exatamente assim.

E com todo o devido respeito, este interesse em uma roupa de oração para os noaítas [mesmo que fosse apenas] parecida com um talit com tsitsit (franjas) – quanto mais o próprio talit – pode ser o início de um caminho perigoso para o movimento noaítico. Segue as mesmas linhas da fundação de uma nova forma de religião para os noaítas. É também uma distorção da idéia e do princípio do talit (judaico).”

 

Por Noahidebr
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Três comentários sobre a Porção Semanal Vaierá

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Três comentários sobre a Porção Semanal Vaierá (Bereshít/Gênesis 18-22)

 

Por Rav Uri Cherki

 

Quem tem razão: Maimônides (Rambám), Nachmânides (Rambán) ou Gersônides (Ralbág)?

Uma importante disputa aparece entre dois grandes comentaristas, o Rambám (Maimônides) e o Rambán (Nachmânides), sobre o mesmo assunto da Porção Semanal Vaierá.

Segundo Maimônides, nesta Porção da Torá, toda a história de Avrahám acolhendo seus convidados, e a promessa do nascimento de Yitzchák, incluindo a posterior defesa de Sedom e Amorá (Sodoma e Gomorra), aconteceu na verdade como uma visão divina, sem nenhum efeito no plano físico – concreto. Sua prova é a frase que abre todo o evento: “E Hashém lhe apareceu (a Avrahám)“ [Bereshít/Gênesis 18:1], que indica que foi uma revelação profética e serve como preâmbulo a tudo o que vem a seguir. Nachmânides não só não aceita esta abordagem, quanto a rejeita de forma muito forte e incomum, com duros termos: “Estas palavras (de Maimônides) contradizem o texto, e não nos é permitido escutá-las, e muito menos acreditar nelas!“ Por que Nachmânides acha que o comentário de Maimônides, que apresenta alguma dificuldade, pode tornar-se herético do ponto de vista da fé?

O Rabino David Cohen (um discípulo do Rav Kook, conhecido como o “Nazir”, o Asceta) explicou que Nachmânides morava entre cristãos e era muito sensível à possibilidade de que a explicação de Maimônides pudesse ser explotada por eles e usada ​​contra os judeus. Eles poderiam descobrir que um destacado comentarista judeu explica que D’us apareceu na forma de três homens, e usar isto para justificar a sua doutrina da Trindade. Maimônides, por outro lado, vivia em um ambiente muçulmano, onde este medo não existia, e estava mais envolvido na luta contra as crenças populares que vêem assuntos espirituais em termos materialistas, como demônios ou espíritos. Isto o levou a enfatizar o significado abstrato do encontro de Avrahám com os anjos.

É importante considerar a dificuldade que teve Nachmânides com a abordagem de Maimônides, porque não podemos aceitar a suposição de que Maimônides não viu esta dificuldade. Ou seja, se dissermos que toda a revelação dos anjos era meramente uma visão profética, como os habitantes de Sodoma poderiam ter tentado prejudicar os anjos? Poderia o povo de Sodoma também participar de uma visão profética?

A verdade é que uma leitura direta da passagem implica que Maimônides tinha razão. Leiamos atentamente os versículos relacionados com Sodoma:

“E Hashém fez chover sobre Sedom e Amorá enxofre e fogo vindos de Hashém, desde os céus. E destruiu estas cidades, e toda a planície, e todos os moradores das cidades e as plantas da terra. E olhou sua esposa (de Lot) por trás dele, e converteu-se num pilar de sal (montículo). E acordou de manhã cedo Avrahám“. [Bereshít/Gênesis 19:24-27].

Este é um final surpreendente! Parece que todo o evento da destruição de Sodoma, a visita dos anjos, a salvação de Lot, aconteceu em um sonho profético de Avrahám, ao mesmo tempo em que as cidades eram fisicamente destruídas.

Com base nisto, podemos entender melhor a abordagem de Maimônides. A visão da ida dos anjos a Sedom agora pode ser vista como uma tentativa de D’us de permitir que Avrahám participe do decreto contra Sodoma, quando, em seu sonho, viu como as pessoas dali teriam tratado os anjos se eles realmente tivessem ido fisicamente à cidade.

 

[O comentarista Abarbanel diz: “O significado desta visão e sua finalidade é, em última instância, fazer Avrahám conhecer a perversidade dos habitantes de Sedom e a destruição futura que pesa sobre eles… ; e também para que ensine a seus descendentes e às pessoas de seu Pacto o “caminho de Hashém”, para que não lhes ocorra o que ocorrerá a Sedom e Amorá; portanto, começa o capítulo dizendo: ‘Apareceu-lhe Hashém…’,” e termina o capítulo dizendo: ‘Foi-SE Hashém quando concluiu de falar a Avrahám…’.]

 

Devemos também adicionar uma nota sobre a abordagem notável de outro importante comentarista desta história, o Ralbag (Gersônides). Na opinião dele, em princípio, nenhum milagre pode acontecer sem a participação de um profeta, portanto, de um humano. Por isso, ele explica que os três homens que visitaram Avrahám eram… homens! Quer dizer, profetas, que vieram para contar as notícias da gravidez de Saráh e do julgamento contra o povo de Sodoma. (…)

 

[A palavra hebraica usada para estes três visitantes é “malachím”, que significa literalmente “emissários (de D’us)”.]

 

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