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Os nomes de Moisés / Batiá

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Os nomes de Moisés / Quem é Batiá?

 

Atenção: na transliteração dos termos hebraicos o “sh” tem som de “CH”.
Exemplos: “Hashém”, “Moshé”, etc.

Atenção: na transliteração dos termos hebraicos o “ch” tem som de “RR”.
Exemplos: “Chavér”, etc.

 

Por Noahidebr

 

“E um homem da casa de Leví (- Amrám, filho de Kehat, filho de Leví – Amrám é neto de Leví e bisneto de Yaacóv -) foi e se casou (novamente com a sua ex-esposa, Yochéved,) filha de Leví (- irmã de Kehat, neta de Yaacóv, e tia de seu marido Amrám -). (Eles se divorciaram porque não quiseram ter mais filhos – já tinham dois, Miriám e Aharón – devido o decreto do Paróh (Faraó).) E engravidou a mulher e deu à luz um filho; e vendo que ele era bom (i.e., especial), escondeu-o por 3 meses.”

Yochéved/Joquebede trouxe o menino para a Princesa Batiá, “a filha do Paróh (Faraó)”, e Batiá “chamou seu nome Moshé (Moisés), e disse: porque das águas (do Suf Ieór (Rio Nilo)) o tirei.”

Shemót/Êxodo 1:22-2:10

 

Por que a Torá não menciona qual nome os pais de Moshé deram para ele? Será que eles não lhe deram nome? E por que a Torá menciona que a filha do Faraó o chamou Moshé?

 

Apesar da Torá (escrita) carecer destas informações, a tradição judaica nos fornece as respostas.

 

De acordo com a tradição judaica, quando Yochéved levou o menino – o seu próprio filho – para a filha do Faraó, a Princesa egípcia Batiá, a própria Princesa perguntou para Yochéved: “Como vocês chamam-no?” Portanto, o menino tinha um nome, sim. Interessante e curioso é o fato de que, segundo a tradição judaica, o menino não apenas tinha um nome, mas tinha vários nomes (entre outros que ele ganhou no decorrer da vida).

 

Os (outros) 12 nomes de Moshé

 

▪Chavér (חבר) (ou, Chever).
Significa “Amigo; Companheiro”, ou ainda “Conector”.
Seu pai, Amrám, lhe deu esse nome (pois Amrám e Yochéved haviam se desconectado – divorciado – para evitarem ter mais filhos, além dos que já tinham, por causa do decreto infanticida do Paróh. Por fim, deixaram o temor pelo decreto de lado e casaram-se novamente – voltaram a estar conectados – e tiverem “Moshé”).
“Conector” ainda alude a Moshé conectar o povo judeu com SEU “PAI CELESTIAL” ou a ele impedir (העביר, fonéticamente semelhante a חבר) a retribuição celestial pelos pecados deles.

▪Avigdor (אבי גדור) (ou, Aviguedor).
Significa “Mestre da Cerca”.
Segundo o Me’am Loez, o avô de Moshé, Kehat, lhe deu esse nome porque “desde o nascimento de Moshé, D’us (como que) colocou uma cerca em torno do faraó impedindo-o de continuar com seu decreto de afogamento dos meninos judeus*”.

* Segundo o Rashí, a Torá não específica que o decreto era para os meninos judeus, o que significa que era um decreto geral, válido tanto para os meninos judeus quanto para os meninos egípcios (Shemót/Êxodo 1:22).

 

▪Avi-Socho (אבי סוכו).
Significa “Pai dos Videntes”.
Seu avô, Kehat, lhe deu esse nome (ou talvez (quem lhe deu esse nome) foi a babá que ajudou a mãe de Moshé a criá-lo) porque Moshé se tornaria o “pai” ou “mestre” (avi) de todos os videntes (sochim) e profetas.

▪Yekutiel (יקותיאל) (ou, Jekutiel, Iecutiel).
Da raiz cavê (קוה), “esperança”.
Significa “D’us Reúne” ou também “Fé em D’us (Espera por D’us; Confia em D’us)”.
Sua mãe, Yochéved, lhe deu esse nome porque tinha esperança e confiava que (mesmo com o evento do Rio Nilo, por fim,) D’us os reuniria. Moshé também induziu os judeus a depositarem sua “fé em D’us”.

▪Yéred (ירד).
Significa “Descenso; Descida”.
Sua irmã, Miriám, lhe deu esse nome porque, por causa dele, ela teve de descer (yarad) até o Nilo para ver o que seria dele.
Além disso, foi Moshé quem como que desceu do céu com a Torá para entregá-la para o povo judeu, fazendo também a Presença Divina descer de volta para o mundo físico.

▪Avi-Zanôach (אבי זנוח).
Significa “Mestre da Rejeição”.
Seu irmão, Aharón, lhe deu esse nome, dizendo: “Meu pai rejeitou minha mãe (i.e., divorciou-se dela), mas (por fim ele) a recebeu novamente por causa deste menino (i.e., casou-se de novo com ela porque ainda era para eles terem Moshé)”.
Outra explicação é que Moshé faria Israel rejeitar ídolos.

▪Leví (לוי).
Nome da tribo a que pertencia.

▪Tov (טוב).
Significa “Bom”.
Segundo o Midrash Shemót Rabá 18:3.

▪Toviyáh (טוביה) (Toviá, ou Tobias, ou Tuviá).
Significa “(Pela) Bondade de Havayah” ou “Havayah é Bom”.
Segundo o Talmúd, esse foi, de fato, o nome que Amrám e Yochéved deram para Moshé quando ele nasceu.

▪Ben Netanel (בן נתנאל) (Nethanel, ou Natanel, ou Nesanel).
Ben significa “Filho de”, e, Netanel significa “D’us Deu”.
Netanel é a junção das duas palavras, natán (deu) + El (D’us). Portanto, Ben Netanel alude ao fato de que Moshé foi “a pessoa (literalmente, “o filho” (do povo judeu)) para quem D’us deu a Torá”.

▪Ben Eviatar (בן אביתר).
Significa “Filho do Perdão”.
Alude ao fato de que Moshé foi o filho do povo judeu que solicitou o perdão de D’us (ויתר) pelo pecado do bezerro de ouro (o ídolo feito pelos judeus quando lhes pareceu que Moshé não iria descer do Monte Sinai).

▪Shemayáh (שמעיה) (Shemaiá).
Significa “Havayah Ouve”.
O povo judeu lhe deu esse nome porque eles previam que em seus dias D’us ouviria (שמע) as orações deles.

 

Apesar de ter seu nome primordial – Toviá – e de ter todos esses nomes, em toda a Torá ele é referido somente como Moshé. Além do mais, O PRÓPRIO D’us se dirige a Moshé somente com esse nome. Foi a Princesa Batiá* quem disse para Yochéved: “Eu lhe darei (ao menino) mais um nome. Eu o chamarei Moshé (משה) (Moisés) porque eu mesma o tirei das águas” do Rio Nilo. Moshé significa “Tirar; Retirar”, querendo dizer que ele foi “tirado”, isto é, “salvo” do rio.
Então Hashém declarou: “Devido a que Batiá foi tão amável e misericordiosa, o menino será chamado pelo nome dado por ela.”
Nossos Sábios nos dizem que isto nos ensina a importância da criação de um filho, especialmente quando isso requer um sacrifício pessoal especial.

* Bat-Yáh (בתיה) (Batiá, ou Bitia, ou Basya). Significa “Filha de Havayah” (Bat = “Filha de”; Yáh = “Havayah”). O PRÓPRIO Hashém deu esse nome para ela por ela ter arriscado a própria vida ao desobedecer o decreto real e salvar e adotar o bebê que se tornaria o maior de todos os profetas, Moshé:

“Rav Yehoshúa disse em nome do Rav Leví que D’us disse para a filha do Paróh: ‘Moshé não era seu filho, contudo você (o salvou e o adotou e) o chamou de seu filho. EU farei o mesmo: embora você não seja Minha filha, EU (a salvarei e a adotarei e) a chamarei de Minha Filha’ ” (Midrash Vayicrá Rabá 1:3).

Ela se converteu ao judaísmo.

No evento chamado Dez Pragas, só um egípcio não foi atingido por elas, Batiá.
No evento da décima praga, a morte dos bechorót ou primogênitos, houve um único bechor (primogênito) – além do próprio Paróh (Faraó) – que não morreu, Batiá. Sim, Batiá era a primogênita do Paróh.

Foi para ela que o rei Shelomô (Salomão) compôs o famoso poema Éshet Cháyil (Mishlê/Provérbios 31:10-31).

Quando o povo judeu foi libertado do Egito (Mitsráyim), ela saiu com eles.

Os místicos judeus ensinam que Batiá foi uma das 9 pessoas (alguns dizem que são 7, outros dizem que são 13) a adentrarem o Mundo Vindouro* sem ter falecido fisicamente (sim, isso mesmo, segundo o judaísmo existem algumas pouquíssimas pessoas que triunfaram sobre a morte).

* Viver no Mundo Vindouro (Gán Éden) não faz referência à vida como a conhecemos. Na realidade, é uma forma de existência desconhecida para nós.

 

Por Noahidebr

Baseado em chabad.org (ing.), em jabad.org.ar e em jabad.org (esp.), no Rav Eliezer Danzinger (ing. e esp.), e no Instituto Morashá de Cultura.

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