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Bnei Nôach e as religiões

Bnei Nôach* e as religiões

* Na transliteração dos termos hebraicos o “sh” tem som de “CH” (exemplos: “Hashém”, etc.), e, (na transliteração dos termos hebraicos) o “ch” tem som de “RR” (exemplos: “Nôach”, etc.).

 

Bnei Nôach e seu relacionamento com as outras religiões

 

Por Rav Yitzchak Ginsburgh (Chabad)

 

Para adotar o caminho espiritual de Bnei Nôach, [o caminho espiritual original,] a pessoa deve no mínimo seguir suas regras. Mas, como tudo na Torá (i.e., os 5 Livros de Moisés: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio), as leis contém sabedoria infinita, e segui-las define apenas o começo de uma trajetória espiritual que pode levar um não-judeu a encontrar níveis mais profundos e crescentes de realização em seu relacionamento com D’us.
Pelo fato das 7 Categorias de Leis dos Filhos de Noé serem parte da Torá, para se tornar um Ben (Filho de) ou uma Bat (Filha de) Nôach (Noé) – aquele(a) que assumi sobre si as chamadas 7 Leis dos Bnei Nôach (Filhos de Noé) dadas por D’us a toda a humanidade – a pessoa precisa primeiro aceitar a verdade da Torá em sua totalidade, inclusive a verdade das tradições orais transmitidas a partir de Moisés ao longo das gerações.
Mais ainda, precisa estar absolutamente claro para todo não-judeu que quer se tornar um gentio justo (um devoto de D’us entre as nações), comprometido com as 7 Leis de Bnei Nôach, que ele não pode se definir como membro de nenhuma outra religião. Um gentio justo é completamente dedicado à autenticidade e veracidade da Torá, de modo que ele possa revelar o D’us de Israel (Hashém) ao mundo inteiro. Isto também significa reconhecer o povo judeu – Bnei Yisrael (Filhos de Israel) – como o povo escolhido de D’us e Sua nação de sacerdotes (Dt. 7:6; 14:2; Êx. 19:6).
A fim de seguir apropriadamente as 7 Leis de Bnei Nôach, aqueles que buscam se identificar como Filhos de Noé devem procurar aprender dos judeus o significado mais profundo de todos estes mandamentos e sua aplicação prática, visto que eles foram transmitidos através dos tempos por meio da tradição oral da Torá. Desta forma, eles poderão servir a D’us como ELE deseja.
Para cumprir apropriadamente suas 7 Leis, os Filhos de Noé devem estudar em detalhes estes mandamentos com um mentor qualificado, uma autoridade em Halachá (leis) – um Rabino Ortodoxo.

O Todopoderoso não aceita a criação de religiões. Isto não quer dizer que diferentes nações e povos não possam ter costumes e rituais próprios, mas estes não devem incluir significados religiosos, e devem ser claramente diferenciados do serviço ao Divino.
No entanto, nos dias de hoje, o mundo está repleto das chamadas práticas religiosas, que incluem várias crenças e rituais que foram estabelecidos como parte de religiões organizadas, tais como o cristianismo e o islamismo. É sobre estas religiões organizadas que várias pessoas têm suas suspeitas, pois elas parecem ser a causa dos maiores derramamentos de sangue e guerras na história da humanidade. Ao invés de trazer paz para a raça humana, elas causaram incomensurável sofrimento e pouco consolo em tempos de aflição.
Bnei Nôach, por definição, renunciam a legitimidade Divina das religiões organizadas e servem somente a D’us da maneira prescrita na Torá. No entanto, como veremos, certos benefícios provêm da consciência religiosa que as religiões organizadas trouxeram a seus seguidores. As partes válidas desta consciência religiosa podem servir como ponto de partida para a aproximação com seus líderes religiosos e a discussão sobre a necessidade de seguir a Vontade de D’us conforme revelada na Torá.
Como pessoas tementes a D’us, todos nós acreditamos que a Providência Divina direciona cada detalhe de nossas vidas. Mesmo quando o indivíduo opta por seguir um determinado curso de ação por seus próprios motivos, é D’us QUEM está direcionando seus passos da forma como ELE julga apropriado. Na maioria dos casos, esta orientação permenece inteiramente oculta para os seres humanos. Nas palavras do Rei David, “Por D’us, os passos do homem são firmes, seus Caminhos ELE aprovará” (Sl. 37:23).
Este princípio é válido para todos os detalhes da vida de cada indivíduo, mas é muito mais proeminente nas vidas daqueles que provaram ter influência crucial sobre a história da humanidade como um todo. Aqui também existe tanto a intenção revelada e consciente do indivíduo, que motiva seus atos, quanto a dimensão oculta, que é revelada somente por D’us, na medida em que ELE extraordinariamente direciona o destino do mundo que ELE criou para revelar Sua glória e infinita bondade.
Maimônides escreve em “Hilchot Melachim” (As Leis dos Reis) capítulo 11 sobre um indivíduo cuja vida mudou o curso da história – Jesus de Nazaré – e que pensava ser o messias. Ele tentou concretizar isto, mas falhou. Ao invés de redimir Israel e o mundo inteiro, seus atos levaram Israel a ser assassinado*, seus remanescentes dispersos e humilhados, a Torá, alterada, e a maioria do mundo enganada a servir a um conceito de deus diferente do D’us Único de Israel.

(* A lista de atrocidades é interminável e inclui libelos de sangue, pogroms, cruzadas, etc. Estes crimes foram perpetrados com o intuito de forçar os judeus a aceitarem e se converterem à “verdadeira” religião.)

Maimônides continua:

“No entanto, não está sob o poder do ser humano compreender a intenção do Criador do mundo, pois (parafraseando Is. 55:8), SEUS caminhos não são nossos caminhos, nem SEUS pensamentos são nossos pensamentos.
(Eventualmente,) todos os atos de Jesus de Nazaré e do ismaelita que surgiu depois dele (i.e., Mohammed) servirão somente para pavimentar o caminho para a vinda do Mashíach – o verdadeiro Messias – e para o aprimoramento do mundo inteiro, (motivando as nações) a servirem a D’us juntas, como está escrito (em Sf. 3:9), ‘Pois, então, EU [Hashém] purificarei a fala dos povos, de modo que eles evocarão O Nome de D’us e O servirão em harmonia’.
Como isto acontecerá? (Como resultado destas religiões,) o mundo inteiro já está familiarizado com o assunto de Messias, bem como com a Torá e seus mandamentos. Estas questões se espalharam entre as várias nações, muitas [até então] insensíveis espiritualmente, e [agora] elas discutem estes assuntos bem como os diversos mandamentos da Torá. [Ainda que] algumas delas (i.e., os cristãos) digam: ‘Estes mandamentos são verdadeiros, mas já não estão em vigor na era atual; eles não são aplicáveis em todas as épocas.’ E outras (i.e., os muçulmanos) digam: ‘Implícitos nos mandamentos estão conceitos ocultos que não podem ser compreendidos de maneira simples; o messias já veio e já os revelou.’ [O fato é que] (o cenário já está pronto, de forma que) quando o verdadeiro Messias surgir e for bem-sucedido, sua (posição for) exaltada e elevada, todos [os povos] retornarão [a Hashém – o D’us de Israel – e à Sua Torá] e compreenderão que seus ancestrais lhes legaram uma herança falsa; que seus profetas e ancestrais lhes fizeram transgredir.”

Vejamos agora a situação do mundo nos dias de hoje. Cerca de 2000 anos se passaram desde que o cristianismo foi inventado. Durante estas gerações, o sofrimento e a dor de milhões de pessoas não diminuiu a despeito dos grandes avanços feitos pela civilização, especialmente nos campos da ciência e tecnologia. A cada dia que passa, a súplica sincera pela salvação de D’us se intensifica, o rogo pela redenção verdadeira e definitiva que será trazida por Mashíach – o verdadeiro Messias. Nas palavras do profeta Daniel: “Quanto tempo mais até o fim destas coisas terríveis!” (12:6).
Pelos sinais dados por profetas e sábios, fica claro que nossa geração é a geração que testemunhará a redenção final. A fim de apressar a vinda do verdadeiro Messias, devemos nos esforçar para viver de acordo com a nova realidade que ele estabelecerá. Embora Maimônides pareça indicar que isto acontecerá apenas depois da revelação do Mashíach, mesmo agora, nos momentos finais que antecedem sua chegada, devemos tentar “viver com o Mashíach”, como se ele já estivesse conosco (pois, de fato, ele já anda entre nós, pronto, mais do que nunca, para se revelar). E assim, chegou o momento das nações do mundo, começando por seu líderes religiosos, entenderem que seus antepassados lhes transmitiram um falso legado.
Os últimos 2000 anos demonstraram o colapso de todas as religiões organizadas que se autoproclamavam portadores da mensagem Divina de paz e união. Ao mesmo tempo, uma Providência Divina claramente singular tem protegido o povo escolhido de D’us, os judeus, um dos povos mais invejados, desprezados e perseguidos que existem sobre a face da terra, em seu longo período de exílio da Terra de Israel. Pessoas esclarecidas ao redor do mundo [perceberam e] compreenderam estes dois pontos.
Agora é o momento da intenção oculta de D’us, que guiou toda a história até os dias de hoje, ser revelada para todos. Somente assim cada indivíduo compreenderá sinceramente a verdade e se preparará para receber o verdadeiro Messias, cuja chegada, para redimir todos nós, é eminente.
É a obrigação sagrada dos judeus, juntamente com Bnei Nôach, conclamar fervorosamente líderes religiosos esclarecidos e inspirados a tomar conhecimento da verdade! Sua conduta será seguida por todos os povos de todas as religiões.
Todos nós ansiamos pela salvação. Todos nós temos total consciência do terrível sofrimento presente no mundo, e todos nós acreditamos que a maior bondade e júbilo que a humanidade está destinada a herdar – a alegria de ficar próximo de D’us, através da aceitação e do compromisso em praticar as 7 Categorias de Leis de Noé, a própria revelação da Vontade do Todopoderoso – virá com a chegada do verdadeiro Messias.
Em nome de D’us e pela bondade que ELE prometeu à humanidade, chegou o momento de todas as nações do mundo e seus líderes religiosos fazerem uma transformação radical, encarar a realidade imparcialmente, abandonar suas antigas crenças e reconhecer a verdade absoluta – que o mundo inteiro acreditará exclusivamente no D’us Único de Israel, nosso PAI ÚNICO no céu, nosso abençoado CRIADOR, e na veracidade de Sua lei, a Torá. Esta é a única verdade absoluta.
Quanto maior a influência do indivíduo em seu ambiente, maior a sua responsabilidade. É dever sagrado de todo líder religioso elucidar e despertar os corações de seus seguidores, fazendo com que abandonem as crenças errôneas que herdaram de seus antepassados e se comprometam a seguir o caminho dos gentios justos, conforme definido pela Torá – observando as 7 Categorias de Leis de Bnei Nôach que D’us ordenou a toda a humanidade –, e com alegria e bondade no coração se prepararem para a eminente chegada do verdadeiro Messias.

 

Por Rav Yitzchak Ginsburgh

 

© 2007 Gal Einai

Traduzido do inglês por Felipe Zveibil Fisman e Miriam Pomeroy

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