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D’us: Uma Introdução

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D’us: Uma Introdução

Mergulhe em alguns conceitos incompreensíveis nesta exploração da definição judaica de D’us.

 

Por Rav Nechemia Coopersmith

 

INFINITO: FORA DO ESPAÇO

No filme de terror “A Bolha Assassina”, um monstro gelatinoso cai do espaço exterior e engole as coisas inteiras, assumindo o tamanho de tudo o que devora.

Imagine a bolha se esticando e engolindo toda a cidade de Nova York. Ela fica cada vez maior, estendendo-se para o Atlântico, a Europa, o Oriente Médio. O planeta inteiro é engolido e a bolha continua a se esticar para sempre, mastigando o universo.

Esta bolha é infinita ou finita?

É finita, é claro. Embora ela esteja ficando maior e maior, ela tem uma circunferência, uma fronteira. O seu tamanho pode ser medido; é físico.

Infinito não significa super grande. Significa sem limite e sem medida. Qualquer coisa que existe dentro do espaço é, por definição, finita, não importa que tamanho ela tenha.

 

D’US ESTÁ ALÉM DO ESPAÇO

Tente imaginar D’us antes que houvesse um universo.

Onde está D’us?

Algumas pessoas imaginam D’us estando em todos os lugares, envolvendo e preenchendo tudo. Mas para estar em todos os lugares, você precisa de um espaço. E o espaço não foi criado ainda! Infinito significa além do espaço. Sem limite (medida) e sem limitação (demarcação, definição). Sem corpo (aparência, figura, imagem) e sem forma. Sem fronteira (borda, contorno), sem massa, sem lugar.

Se isso é muito para a sua cabeça, relaxe. Isso significa que você está obtendo uma sensação da dimensão infinita. Há uma dificuldade embutida em tentar compreender “além do espaço”, porque nós estamos presos em um mundo finito. Tudo o que percebemos é filtrado através de nossas mentes finitas com vocabulário finito. Embora pareça que possamos definir a qualidade de estar além do espaço, não podemos compreender plenamente o que a nossa definição realmente significa.

 

DE VOLTA PARA O FUTURO

Em adição ao infinito no espaço, há também infinito no tempo.

No filme “De Volta Para o Futuro”, Marty McFly vai e volta do passado para o futuro com sua máquina do tempo. Será que isto torna o Marty infinito no que diz respeito a estar fora do tempo?

Claro que não. Embora ele possa mover-se para onde quiser no tempo, ele permanece continuamente dentro da estrutura do tempo.

Agora compreendemos por que no filme, o Professor coloca limitações nas viagens de Marty, dizendo-lhe que:

1) Ele não pode mudar a história.

2) Ele não pode encontrar a si mesmo em outra coordenada de tempo, pois isso criaria um paradoxo temporal capaz de destruir o universo inteiro. (Ei – isto é só um filme.)

Esta segunda limitação é um resultado do aspecto finito de viagem no tempo. Como uma pessoa pode estar em dois lugares em duas épocas, tudo ao mesmo tempo?!

Impossível – a menos que você seja infinito, totalmente livre do tempo e acima dele. Estar fora da linha do tempo significa estar em todos os lugares em todos os momentos – tudo ao mesmo tempo.

 

AVRAHAM DESCOBRE A PRIMEIRA CAUSA

Nosso antepassado Avraham (Abraão) começou sua busca pela dimensão infinita quando ele tinha três anos de idade com uma pergunta muito simples, todavia penetrante – o tipo de pergunta que a maioria dos de três anos fazem quando vêem algo pela primeira vez.

“De quem é isso?”

Um dia o pequeno Avraham vê a lua e pergunta a seu pai: “Pai, quem é o dono da lua?” Seu pai responde à maneira de qualquer adorador de ídolo que se preze: “Ela pertence ao deus da lua, filho”, enquanto tira o deus da lua da prateleira para mostrar a ele.

A próxima pergunta de Avraham é: “Pois bem, e quem é o dono do deus da lua?”

Com esta simples pergunta, Avraham está à beira de descobrir a fonte da criação. Ele percebe que deuses finitos têm um começo, algo que existia antes que os criou. Então Avraham continua indo para trás ao longo do processo, procurando o começo de tudo, desconsiderando os deuses finitos que existem no tempo e no espaço. Eventualmente, ele chega a D’us com um D maiúsculo, A DIMENSÃO que existia antes mesmo que houvesse tempo, e pergunta: “Pois bem, quem criou D’us? De onde ELE veio?”

Uma dimensão que existe além do tempo não vem de qualquer lugar. Ela sempre existiu. Se algo criou D’us, D’us teria um começo e ELE seria finito, não infinito. Além do tempo significa não ter começo nem fim. Eterno. Isso significa que não há nada que exista antes de D’us. ‘Antes’ é uma qualidade tempo-limite que se aplica apenas às entidades finitas. Por isso D’us é chamado de “A Primeira Causa” – O Motor Primordial – a dimensão que não tem outra dimensão que A precede.

Avraham descobre a fonte infinita de existência, uma Dimensão Eterna, sem estar limitada pelo tempo e pelo espaço.

 

“Todo judeu deve acreditar e saber que existe uma Primeira DIMENSÃO, sem começo nem fim, que trouxe todas as coisas à existência e continua a sustentá-las. Esta DIMENSÃO é D’us*.” (Rav Moshe Chaim Luzzatto, em sua obra do século 18, O Caminho de D’us.)

 

* Levando em conta ainda que não é só uma questão de D’us, O INFINITO, não ser físico nem ser material, mas que também D’us não é espírito nem é espiritual. D’us também está além ou fora do Céu, afinal, mesmo ou tudo o que é espiritual (os espíritos [seres espirituais], o mundo espiritual, a natureza espiritual) foi criado por D’us. Assim, D’us não é homem, não é humano, não é pessoa [uma, duas ou três], não é anjo e não é espírito. D’us é O TODO-INFINITO, e, portanto, O INIMAGINÁVEL.

 

Traduzido do inglês por Noahidebr/Bnei Noach do Brasil

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