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A Prova da Existência de D’us, Parte 6

A Prova da Existência de D’us, Parte 6

 

MONTE SINAI: O ENCONTRO ENTRE D’US E ISRAEL

No terceiro mês de saírem os Filhos de Israel da terra do Egito, neste dia chegaram ao deserto do Sinai, e acamparam no deserto, e acampou ali Israel em frente ao monte (Êxodo 19:1-2).


 

Sete semanas após terem sido libertados do jugo do Faraó e da escravidão egípcia, o povo de Israel, liderado por Moshé, que agia sob instruções Divinas, acampa ao pé do Monte Sinai para seu tão esperado encontro com D’us.

Os Filhos de Israel sabiam que o Todo Poderoso prometera a Moshé que no terceiro mês do Êxodo do Egito, ELE SE revelaria a eles na montanha. Mas para merecer tal Revelação, o povo precisava estar espiritualmente preparado, pois, ao sair do Egito, os israelitas encontravam-se num nível muito baixo de espiritualidade. Os judeus vagaram durante sete semanas no deserto para se purificar espiritual e mentalmente. Foi apenas ao chegar ao Monte Sinai, 49 dias após a saída do Egito, que cada um deles atingiu o nível de espiritualidade imprescindível para presenciar a Revelação Divina. A contagem do Ômer vem simbolizar esta ascensão do povo judeu durante estes 49 dias.

Havia, porém, uma outra condição necessária para que os Bnei Israel pudessem receber a Torá: devia reinar entre todo o povo harmonia, paz e união absoluta. Desde a libertação do Egito, havia constantes descontentamentos e desentendimentos entre eles. Mas, ao chegar ao Monte Sinai, os judeus demonstravam fé e confiança absoluta em D’us. Reinava entre Israel a paz mais profunda, como se o povo inteiro fosse um único homem, com uma única voz. Rashí afirma que Israel acampou ao pé do Monte Sinai como um só homem, com um só coração.

A Torá relata: E acampou ali Israel frente ao monte (Êxodo 19:2), indicando-nos que todo o povo formava uma só unidade. Afirmam nossos sábios que foi ao comprovar esta unidade que D’us considerou Israel merecedor de receber SUA Palavra e de se tornar o SEU povo.

O encontro dos Céus com a terra, no Monte Sinai, foi o mais importante evento na história judaica e ocorreu por um único motivo: a outorga da Torá aos Filhos de Israel. Pela primeira e única vez na história da humanidade, D’us SE revela perante todo um povo e o incumbe de uma missão: cumprir SUAS Leis e disseminar ao mundo a SUA Palavra.

A Revelação no Monte Sinai 

A Torá conta que a Revelação de D’us diante do povo judeu foi um evento dramático e estarrecedor, anunciado por relâmpagos e trovões. Toques de Shofár ressoavam enquanto uma nuvem pesada de fumaça cobria o monte. Está no livro Êxodo: O Monte Sinai estava todo em fumaça por causa da Presença que tinha descido sobre ele (19:18).

Revela o Midrash que “quando o Santo, Bendito Seja, ofereceu a Torá no Sinai, ave alguma piou nem vôo levantou; boi algum mugiu; anjo algum ascendeu aos Céus e não se ouviu serafim proclamar louvores a D’us. Absoluto silêncio reinava no universo. Foi então que a Voz adiantou-se, proclamando: ‘EU sou HaVaYaH, teu D’us…’ (Shemot Rabá 29:9).

Como D’us não é físico ou matéria (apesar de que também não é espírito*), o povo judeu não pôde vê-LO, mas apenas ouvir SUA voz enquanto anunciava os Dez Mandamentos. Os místicos revelam que estes correspondem às Dez Proclamações com as quais D’us criou o universo. Portanto, a Revelação do Sinai corresponde a uma nova Criação, um novo mundo regido por Leis Divinas, transmitidas a todo um povo com a missão de cumpri-las e transmiti-las ao restante da humanidade. De fato, a libertação dos judeus do Egito e todos os milagres realizados por D’us durante o Êxodo foram meros prelúdios para a Revelação. Nossos sábios explicam que o propósito da Criação foi alcançado quando Israel – homens, mulheres e crianças – ouviram o Todo Poderoso proclamar os Dez Mandamentos e se comprometeram a seguir a Torá. Ensinam os místicos que não estavam presentes apenas os judeus que foram libertados do Egito, mas sim, todas as almas judias. Mesmo as que ainda estavam por nascer estavam presentes durante a Revelação Divina. O elo entre D’us e o Povo Judeu é eterno, pois foi selado com todas as gerações judaicas subseqüentes.

(* D’us criou o “mundo” espiritual, a “natureza” espiritual, os “seres” espirituais, portanto, assim como “ELE” está além do físico, da matéria, “ELE” também está além do espírito.)

 

Finalmente, após as Leis terem sido anunciadas, todo Israel responde em uníssono e com um único pulsar de coração: Faremos e ouviremos, Naassê Venishmá! (Êxodo 24:7). Com estas palavras, o povo de Israel expressa sua prontidão para servir D’us, por livre escolha e com devoção absoluta. Prometem adotar incondicionalmente as Leis Divinas como base de toda sua existência e selam um pacto eterno com HaVaYaH. Por ter-se comprometido a seguir todos os mandamentos de D’us mesmo antes de entender o significado e propósito de cada um deles, Israel, naquele instante, ascende espiritualmente ao nível dos anjos.
No entanto, a Revelação Divina foi uma experiência muito avassaladora. Após HaVaYaH proclamar os Dez Mandamentos que formam o núcleo dos 613 mandamentos da Torá, o povo pede a Moshé que ele, e não D’us, lhes transmitisse e ensinasse os demais preceitos Divinos: Fala-nos tu e te ouviremos; porém não fale D’us conosco que morreremos (Êxodo, 20:19). E assim D’us chamou Moshé para que ele subisse o Monte Sinai, onde permaneceria 40 dias e 40 noites para d’ELE aprender toda a Torá e seus detalhamentos. E a Moshé caberia transmitir ao povo seus meandros e pormenores.

A formação da Nação Judaica

Após a Revelação Divina no Monte Sinai, as Doze Tribos de Israel se tornam a Nação Judaica, um povo definido por um código de leis morais e espirituais ditadas por D’us. As leis promulgadas por HaVaYaH fundamentam a responsabilidade do homem perante outros homens e SEU CRIADOR. São leis espirituais que uma vez trazidas à Terra, assumiram forma física e cotidiana. Sua moral e ética transcendem o tempo e o espaço e mudam para sempre os caminhos não apenas do povo de Israel, mas de toda humanidade. 

A formação do povo judeu, em consequência da outorga da Torá, difere totalmente de como outros grupos de indivíduos se tornaram uma nação. Teriam todos os franceses, por exemplo, decidido, num determinado dia e ao mesmo tempo, tornar-se franceses? Acreditar na legalidade de ter um rei a governar seu país, a França, ou optar pelos ideais da Revolução Francesa? Certamente que não! Essa transformação foi um processo longo e trabalhoso e, por vezes, sangrento, marcado por lutas internas e externas. Assim como com todas as outras nações, tal processo envolveu habitantes de uma determinada área geográfica, que lá viveram por longo tempo, durante o qual desenvolveram idioma e cultura comuns, calcados em uma experiência histórica compartilhada. Até que acabaram por definir o que consideravam suas fronteiras, desenvolvendo uma entidade política, com um governo e um nome nacional, no caso, França. Suas leis mudaram inúmeras vezes antes e depois de completar o processo de auto-definição como cidadãos franceses. 

No caso do povo de Israel, o embrião desse processo nacional criou corpo quando estavam apartados da terra de seus ancestrais, subjugados pela escravidão e sujeitos às mais adversas condições criadas justamente para anular sua identidade histórica e cultural. E é concluído quando, reunidos aos pés do Monte Sinai, afirmaram a D’us, Naassê Venishmá. Pois, ao prometer seguir os mandamentos da Lei Divina, eles se tornam a Nação Judaica. 

A Torá atesta que nunca antes e nunca mais após aquele evento D’us SE revelaria a outro povo. De fato, todos os outros (fictícios) relatos existentes sobre algum tipo de Revelação Divina referem-se a experiências de um indivíduo ou de um pequeno grupo. Outros códigos de leis, inclusive as de Noé – as Sete Leis de Noé (as Mitsvót Universais) -, nunca foram abertamente declarados por D’us diante de todo um povo (veja

https://noahidebr.com/2016/09/01/os-sete-mandamentos-dos-filhos-de-noach-noe/  ). As leis originadas ou transmitidas unicamente por seres humanos, mesmo as semelhantes aos mandamentos da Torá, estão sujeitas a mudanças. Mas as Leis promulgadas pelo Todo Poderoso são absolutas. Como A FONTE que as origina é Infinita, Imutável e Perfeita, também o são SUAS Leis. Nenhum ser humano pode mudá-las, nem tampouco as mesmas deixam de existir com o passar do tempo.

O rabino Adin Steinsaltz escreve que a importância dos Dez Mandamentos não é tanto o seu conteúdo, mas a sua Origem. Tanto os Mandamentos quanto todos os preceitos da Torá foram promulgados por D’us e é isto o que lhes confere força e significado. Os judeus seguem a Palavra Divina, a Torá, não pelos milagres ocorridos ou outros fenômenos sobrenaturais, mas porque o povo de Israel estava presente no Sinai quando D’us SE pronunciou diante deles e SUA mensagem continua, até hoje, a ser transmitida de pai para filho. A história da sobrevivência do povo judeu é a própria história do processo ininterrupto de transmissão da Torá de uma geração a outra, através dos séculos. 

Desde o recebimento da Lei Divina, os judeus têm um relacionamento específico com D’us que não se limita apenas a religiosidade e espiritualidade. É, na verdade, uma visão que abarca tudo e que nos orienta como viver cada minuto de nossa vida, e esta relação é única. Ser judeu é ser parte de uma nação que tem uma missão frente ao mundo. A identidade nacional judaica foi forjada pela vivência no Monte Sinai, pois lá nos comprometemos com essa missão como indivíduos e como nação. E para cumpri-la, temos a Torá que recebemos. Assim como Abraão declarou, muitas gerações antes… ‘Escolhi viver e, se necessário for, morrer pela realidade Divina’, também seus descendentes, no Sinai, se comprometeram a fazê-lo.

E nós, neste século 21, continuamos a honrar o compromisso de nossos antepassados.

 

Bibliografia:

• The Call of the Torah – An anthology of interpretations and commentaries on the Five Books of Moses, Rabbi Elie Munk, ArtScroll Mesorah Series.


 

 

Os eventos ocorridos há milhares de anos ao pé do Monte Sinai são celebrados a cada Festa de Shavuót. Esta festividade, que é comemorada durante dois dias, começa no sexto dia do mê de Sivan do calendário hebraico. Ocorre 50 dias após o primeiro dia de Pêssach, que marca o êxodo do povo judeu do Egito.

Em Shavuót há o costume de ficar acordado toda a noite estudando a Torá. A Cabalá enfatiza a importância desse ritual chamado de Tikun Leil Shavuót. No dia seguinte, o primeiro dia de Shavuót, em todas as sinagogas ao redor do mundo, os Dez Mandamentos são lidos perante a Congregação.
As sinagogas costumam ser decoradas com flores porque na hora da Revelação, no Monte Sinai, uma montanha seca e árida, explodiu em flores. Alimentos feitos de leite e queijo são característicos desta festa.

 

 

Para A Prova da Existência de D’us, Parte 7, veja

· A Unicidade de D-us

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