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CONHECIMENTO E FÉ

Noaísmo e A TORÁ E OS JUDEUS E O JUDAÍSMO


 

“Assim disse HaVaYaH dos Exércitos: ‘Naqueles dias, dez homens de diferentes línguas e de todas as nações segurarão a orla das vestes do judeu, dizendo: Iremos contigo, porque sabemos que D’us está contigo!’” – Zechariá (Zacarias) 8:23

 

1° A VERDADE HISTÓRICA DA REVELAÇÃO DIVINA NO SINAI

2° A AUTORIA DA TORÁ

3° CONHECIMENTO E FÉ

4° OS FUNDAMENTOS DO JUDAÍSMO

5° A TORÁ ORAL

6° OS TREZE PRINCÍPIOS DA FÉ JUDAICA


 

ATENÇÃO:

O “ch” nos termos hebraicos tem som de “RR”: Chassídico, Chassidim, Yochai, Chukim, Kórach.

 

CONHECIMENTO E FÉ

“Para que não esqueças as coisas que os teus olhos viram e para que não saiam do teu coração todos os dias da tua vida; e as farás conhecer aos teus filhos e aos filhos de teus filhos – no dia em que estiveste diante de HaVaYaH, teu D’us, em Horeb, quando HaVaYaH me disse: ‘Junta-me o povo e o farei ouvir as MINHAS palavras, para aprender a temer-ME todos os dias em que viver na terra, e para que as ensinem a seus filhos'”. (Deuteronômio 4:9-10)

 

A história que leremos, a seguir, versa sobre  Rabi Levi-Yitzhak de Berditchev, um dos maiores mestres do Movimento Chassídico. Logo após seu casamento, ele pediu permissão ao sogro para viajar a Mezeritch, onde queria estudar com o líder dos Chassidim, o Rabi Dov Ber, conhecido como o Grande Maguid, o Grande Pregador. O sogro negou-lhe a permissão, mas o Rabi Levi-Yitzhak insistiu e perturbou-o até que ele cedeu, dando-lhe permissão de passar seis meses estudando em Mezeritch.

Rabi Levi-Yitzhak viaja, então, para estudar com o Grande Maguid. Ao voltar para casa, decorridos os seis meses, o sogro o recebe com um sorriso zombador. “Diga-me, Levi, o que foi que aprendeu em Mezeritch?  O que aprendeu com aquelas pessoas estranhas – os Chassidim – que não pudesse ter aprendido aqui?”, perguntou. Rabi Levi-Yitzhak volta-se para o sogro  e diz: “Agora sei que D’us existe”. Seu interlocutor fica chocado com a resposta. Agora ele sabe que D’us existe? Teria sua filha se casado com um ateu, um agnóstico?

O sogro chama, a seguir, uma mocinha que trabalhava  em sua casa. Aponta para o céu, a grama, as árvores  e pergunta a ela: “Diga-me, como surgiu tudo isso?”.  A garota responde, sem hesitar: “D’us o criou, claro!”.  “Você está dizendo que D’us existe?”, perguntou. “Claro que D’us existe!”, ela disse, olhando-o como se ele tivesse perdido a razão.

Voltando-se para Rabi Levi-Yitzhak, o sogro diz: “Você está vendo, Levi? Ela não estudou em Mezeritch. Na verdade, ela nunca frequentou uma Yeshivá aqui na cidade, e ela sabe que D’us existe”. Rabi Levi Yitzhak volta-se para o sogro e, dessa vez, é ele quem sorri ao falar: “Você não entende… Ela diz que D’us existe. Eu sei que D’us existe”…

A Verdade, segundo o Judaísmo

Esse relato representa a própria definição de religião de acordo com o judaísmo. A religião não consiste em dizer ou acreditar em certos fatos – mas em saber certos fatos. Segundo o judaísmo, a religião(*) é a busca da Verdade. Religião e Verdade são sinônimos. D’us e Verdade são sinônimos. A palavra hebraica para Verdade, Emét, é um dos nomes de D’us, e, como ensina o Talmud, é a própria chancela Divina. A busca por D’us, portanto,  é a busca pela Verdade.

(* Quando o judaísmo usa a palavra “religião”, é com o sentido de espiritualidade, de natureza espiritual.)

 

Segundo o Talmud, a grafia em si da palavra Emét define o que realmente constitui a Verdade. Essa palavra hebraica é formada por três letras: Alef, Mem e Taf. Alef é a primeira letra do alfabeto hebraico, Mem é a letra do meio e Taf é a última. A grafia de Emét nos ensina que a Verdade precisa ser consistente: algo só é verdadeiro quando é consistentemente verdadeiro; quando seu início, seu meio e seu fim são verdadeiros. Algo que é uma meia-verdade, incoerente ou inconsistente, não é Verdade.

Muitos julgam que a religião e a Verdade são nitidamente opostas. Acreditam que a religião e o conhecimento são, em geral, contrários – que a religião exige que substituamos o conhecimento pela fé. O judaísmo rejeita, categoricamente, essa visão. Proclama que D’us e SUA Torá – que é SUA Vontade e Sabedoria – são a Verdade Suprema, e que se encontrarmos uma contradição entre a Torá e a Ciência, isso se deve ao fato de termos uma compreensão errônea de uma das duas – ou de ambas.

Como veremos a seguir, a fé não significa o abandono da razão ou do conhecimento. O Talmud, espinha dorsal da Lei e tradição Judaicas, é quase inteiramente baseado no conhecimento e lógica. Rabi Shimon Bar Yochai, o grande místico e autor do Zohar, obra fundamental da Cabalá, que também foi um dos maiores Sábios do Talmud, defende a ideia de que há um motivo racional para as leis da Torá. O conceito de dogma, de fé cega, de aceitação do absurdo e do ilógico, é estranho ao judaísmo. É verdade que como D’us e SUA Sabedoria são Infinitos, nós, criaturas finitas, jamais O entenderemos ou a SUA Torá por completo. Isso, no entanto, não significa que não entendamos nada acerca d’ELE ou de SUA Sabedoria. Fazendo uma analogia: há vários problemas na Matemática que não foram solucionados. Isso não significa que nada saibamos sobre essa ciência. Há uma diferença abismal entre não saber tudo e não saber nada.

Ser humano algum, nem mesmo Moshé Rabênu, pode entender plenamente D’us e SUA Vontade. Mas isso não significa que a Torá exige aceitação cega. Mesmo suas leis conhecidas como Chukim, popularmente definidas como as “leis não racionais”, não são dogmas. As Chukim não são ilógicas: simplesmente requerem um grande cabedal de conhecimento e sabedoria para serem compreendidas. Por exemplo, algumas pessoas creem que a proibição de comer carne e leite juntos seja ilógica – algo que pode ser aceito apenas através da fé. Mas para alguém que estudou o judaísmo em profundidade e compreende o funcionamento das Sefirót – e o que a carne e o leite representam – as razões para a proibição de comê-los juntos ficam muito claras. O mesmo se aplica a todos os mandamentos da Torá. Nada é absurdo ou ilógico, mas algumas leis requerem muita sabedoria e conhecimento para serem compreendidas.

Qual seria, então, o papel da fé no judaísmo? Sem dúvida, um papel central, mas não da maneira  como o crê a maioria das pessoas. A palavra hebraica para fé, “Emuná” não significa fé cega – a suspensão da razão e da lógica. Essa palavra origina-se da raiz “Aman”, que significa basear-se seguramente ou confiar em algo. Segundo a Torá, Emuná significa acreditar naquilo que é de confiança. O motivo para a fé ter um papel central no judaísmo é por desempenhar um papel fundamental na vida. Quer o saibamos ou não, todos os seres humanos – até os mais céticos – utilizam a Emuná. Nós a empregamos todos os dias, em cada momento de nossa vida, consciente ou inconscientemente, ativa ou passivamente.

Exercemos uma medida de fé mesmo quando estamos em casa, sem fazer nada: temos fé que o teto não vá ruir e que o edifício não vá desmoronar-se, apesar de sabermos que coisas assim acontecem. Exercemos a fé quando viajamos de avião: acreditamos que a aeronave esteja funcionando adequadamente e que o piloto saiba o que está fazendo, apesar de não podermos garantir nenhuma das duas situações. Também empregamos a fé quando lemos o jornal e acreditamos no que lemos, mesmo sabendo que os jornais são, geralmente, subjetivos e, ocasionalmente, contêm informações erradas. Exercemos a fé quando acreditamos no que nossos professores e livros de História nos ensinam.

O que sabemos é, em maior ou menor extensão, baseado em Emuná, porque não podemos ter certeza de nada. Sequer podemos ter certeza de que nosso mundo não é um mundo da fantasia, uma ilusão, como o creem os místicos orientais. Diante da inexistência da prova absoluta, temos que fazer uso da Emuná; temos que presumir muitas coisas e tentar buscar a verdade de forma honesta, o que significa ser intelectualmente honesto e consistente – sem empregar padrões morais duplos – dois pesos e duas medidas, ou utilizar argumentos emocionais para tentar silenciar os racionais.

Conhecimento,  Fé e Falácias

Para discutir adequadamente o papel que o conhecimento e a fé desempenham no judaísmo, é necessário primeiro reconsiderar nossas definições de ambos os conceitos. A quase totalidade de nosso conhecimento se baseia em dois pontos: a probabilidade e a fé de que fatos históricos foram corroborados por fontes independentes antes de serem aceitos como verdadeiros. Quase todo o conhecimento científico se baseia em probabilidades – há poucos fenômenos, se é que existe algum, que sejam infalíveis.

Consideremos o seguinte cenário: um cassino é acusado de adulterar a roleta, mas se nega veementemente a admiti-lo.  A roleta é dividida em 37 segmentos, numerados de 0 a 36. Suponhamos que tenha girado 1.000 vezes e que sempre pare no mesmo número. Pode-se concluir daí que houve adulteração? Provavelmente – mas não há certeza. Estatisticamente, não é impossível que a roleta pare no mesmo número 1.000 vezes seguidas. Na verdade, pode-se fazer girar a roleta de agora até o infinito, e a mesma poderia sempre parar no mesmo número sem que estivesse adulterada. As chances de tal fato acontecer são infinitesimais, mas existem. Se afirmássemos saber que o cassino havia adulterado a roleta e o considerássemos responsável pela fraude, estaríamos empregando uma medida de fé – ou seja, apesar de não estarmos absolutamente seguros do que dizíamos, acreditávamos que a roleta estivesse adulterada em virtude de ser muito pequena a probabilidade de não o estar.

No entanto, há uma enorme diferença entre algo improvável e algo impossível. Uma chance em um trilhão não é a mesma coisa que chance zero. No caso da roleta, não há chance alguma de que pare no número 40, simplesmente porque este não é um de seus números.  Mas sempre há uma chance, por menor que seja, de que alguém possa fazê-la girar indefinidamente e ela sempre pare no mesmo número.

Como no exemplo acima, quase todo o conhecimento científico é calcado em probabilidades – em tentativa e erro. Qualquer cientista honesto e competente pode confirmar que as Ciências se baseiam em teorias – não em leis absolutas.   A certeza absoluta não existe  – nem mesmo no reino das  “ciências exatas”. Exemplificando:  A Ciência pode mostrar-nos, na teoria e na prática, a razão pela qual alguém que ande descalço sobre brasas de carvão incandescente queima os pés. Contudo, há pessoas que andam sobre brasas – o fenômeno religioso praticado em várias regiões do planeta, chamado de “Andar sobre fogo” – sem queimar nem ferir os pés.

Quando se trata de conhecimento acerca de eventos, como sabemos o que é ou não verdade? Como sabemos que Hiroshima sofreu um ataque nuclear durante a 2ª Guerra Mundial e que o Rio de Janeiro nunca foi atacado? Muitos de nós não tínhamos nascido nessa época; como saber, então, o que realmente aconteceu? Baseamo-nos no testemunho de terceiros. Quanto maior for a corroboração – quanto mais testemunhas independentes houver, reduzindo a possibilidade de conluio – mais disposição teremos para considerar o fato como verdadeiro. Nenhum de nós pode voltar no tempo ou estar em mais de um lugar ao mesmo tempo. Além do mais, não dispomos dos recursos nem do tempo para corroborar pessoalmente tudo o que nos conta a imprensa escrita ou falada. Usamos de boa-fé ao acreditar que as notícias transmitem a verdade porque há fontes independentes – jornalistas que trabalham em mídias concorrentes – que se beneficiariam se pudessem desacreditar a concorrência. Mesmo se vivêssemos em um regime totalitário, com controle da mídia, os oponentes internos ou externos do governo deixariam vazar a verdade. Um governo pode mentir se assim o quiser, e pode controlar a imprensa e silenciar a oposição, mas não pode forçar seu povo a acreditar nas mentiras, nem, muito menos, a transmiti-las a seus filhos. O excelente romance político de George Orwell, 1984, descreve o quão difícil é, mesmo para a mais brutal das sociedades totalitárias, fazer lavagem cerebral em todo um povo. Como o disse, brilhantemente, Abraham Lincoln: “Você pode enganar uma pessoa por muito tempo; algumas por algum tempo; mas não consegue enganar a todas por todo o tempo”.

Um dia, a verdade vem à tona, especialmente se o assunto diz respeito a muitas pessoas. Fica relativamente fácil corroborar sua veracidade.

O que hoje é notícia, amanhã é história. Acreditamos que eventos históricos importantes, que envolveram um grande número de pessoas, realmente ocorreram porque há muitas testemunhas independentes que poderiam confirmar sua veracidade e deixar vazar a verdade, no caso de uma deturpação da realidade.

Quando alegamos saber algo, o que estamos realmente dizendo é que a probabilidade daquilo ser verdade é indubitável, está além de qualquer dúvida. Ser indubitável é o padrão de evidência exigido para validar uma condenação criminosa. Se alguém é acusado de ter cometido um crime por uma única testemunha, ele pode alegar que a testemunha está mentindo. Se houver mais testemunhas, ele pode alegar que estão conspirando contra ele. Quando são milhares de testemunhas, a probabilidade de estarem enganadas no que viram ou estarem conspirando, é muito pequena – está praticamente além de qualquer dúvida.

Mentiras e tramas conspiratórias que envolvam milhões ou mesmo milhares de pessoas têm vida curta porque é enorme a possibilidade de vazamentos. Pois, como convencer milhares de pessoas a contar uma mesma história deturpada? Como convencer todas essas pessoas a nunca contar a verdade a ninguém – a nenhum amigo, nem a seus filhos ou netos? Os recentes escândalos envolvendo Edward Snowden e a Agência Nacional de Segurança dos EUA (NSA) evidenciam que basta um indivíduo vazar os segredos que envolvem um grande número de pessoas. Nas palavras do próprio Snowden: “… informar ao público o que é feito em seu nome e o que é feito contra eles”.

Quanto maior a mentira, a deturpação ou a conspiração, e quanto mais pessoas estiverem envolvidas, mais fácil será refutá-la.

Revelação Pública:  a Base do Judaísmo

Muitos acreditam, erroneamente, que a fé judaica se baseia no Êxodo do Egito – nas pragas e na divisão do Mar dos Juncos. Eles talvez argumentem que se esses fenômenos pudessem ser racionalmente explicados, a veracidade do judaísmo seria questionada. Trata-se de uma concepção muito errada – não apenas porque a fé judaica ensina que D’us opera através das leis da natureza que ELE criou – mas porque, no que toca ao judaísmo, milagres e maravilhas pouco provam. As pragas e a divisão do mar serviram a um propósito prático – libertar o Povo Judeu do Egito – mas não têm praticamente influência alguma em nossas crenças.

A Torá nos ensina que a fé judaica não é calcada em milagres. Quando D’us aparece, pela primeira vez, a Moshé, ordenando-lhe que volte ao Egito e informe ao Povo Judeu que ELE os libertará da escravidão, ELE lhe diz: “Porque estarei contigo, e isto será para ti o sinal de que EU te enviei; depois de haveres tirado o povo do Egito, servireis a D’us sobre este monte” (Êxodo, 3-12). D’us informou a Moshé que o Povo Judeu acreditaria nele em virtude da revelação que ocorreria “na montanha”, o Monte Sinai, e não por causa dos milagres e maravilhas que a antecederiam.

O Rav Maimônides ensina que a verdadeira fé não pode basear-se em milagres porque sempre resta uma dúvida persistente de que tivessem sido inventados ou realizados por outro meio que não a intervenção Divina. Ele ainda explica que isso foi a base do temor de Moshé de que os judeus não acreditassem nele mesmo se ele realizasse milagres para provar que D’us o havia indicado como SEU agente. “E eles não me crerão”, Moshé responde a D’us, “nem ouvirão a minha voz, pois dirão, ‘Não apareceu a você HaVaYaH’” (Êxodo, 4:1). Moshé percebeu que nem mesmo a maior das maravilhas poderia induzir à crença perfeita. Para refutar esse medo, D’us lhe assegurou que a Nação Judaica vivenciaria uma Revelação Divina no Monte Sinai, removendo-lhes qualquer dúvida. A fé de Israel em Moshé e em sua profecia não se basearia, então, em fatos sobrenaturais, mas na experiência coletiva de milhões de pessoas no Monte Sinai, onde lhes ficaria indiscutivelmente claro que D’us falava com eles (Hil. Yesodei Ha’Torá, 8:2). Os milagres, independentemente de quão numerosos ou assombrosos, não podem ser fonte de crença para ninguém – não apenas porque seja controvertida a própria definição do que é um milagre – mas porque não apenas o verdadeiro profeta de D’us tem a capacidade de realizar atos sobrenaturais. Os feiticeiros do Faraó, que eram idólatras, conseguiram transformar cajados em serpentes e as águas do Egito em sangue. O profeta Bilaam, que era o mais malvado e depravado dos seres humanos, era um profeta tão poderoso quanto Moshé.  A capacidade de prever o futuro ou de realizar milagres – milagres verdadeiros, não ilusões ópticas – prova apenas uma coisa: que quem os realiza possui um talento muito raro.

De fato, povos de quase todas as religiões realizaram milagres. Se os milagreiros comprovassem a validade de sua religião, teríamos que acreditar em quase todos elas, o que seria um absurdo teológico e lógico, pois a maioria delas é mutuamente exclusiva.

Acreditamos no judaísmo não por causa de Moshé, nem das pragas ou da divisão do mar, mas porque D’us,  ELE PRÓPRIO, SE revelou perante 600.000 judeus e suas famílias, no Monte Sinai. A veracidade de um evento público testemunhado por milhões de pessoas é muito difícil de ser refutada. O judaísmo baseia-se em um evento público que envolveu uma miríade de pessoas, e não no carisma de um líder, poderes da fala, ou habilidades sobrenaturais. O judaísmo não se baseia no que seu maior líder vivenciou, mas no que toda a primeira geração de judeus vivenciou. Nós acreditamos no judaísmo não por acreditar em Moshé, mas porque acreditamos no testemunho de milhões de judeus.

O grande astrônomo judeu americano, Carl Sagan, disse certa vez que, “Alegações extraordinárias exigem evidências extraordinárias”. D’us optou por SE revelar ao Povo Judeu inteiro porque o testemunho de milhões de pessoas constitui evidência extraordinária que corrobora uma alegação extraordinária. A palavra de um homem – independentemente de quão sagrado ou poderoso seja – não constitui evidência extraordinária. Tampouco o é o testemunho de um pequeno grupo de pessoas. Ainda que sejam verdadeiras, sempre é possível que estejam enganadas acerca do que viram. No entanto, é muito difícil que três milhões de pessoas fabriquem uma história ou que estejam erradas no que viram, ouviram e vivenciaram.

À luz do que vimos acima, podemos entender por que a Torá afirma categoricamente que somente após a Revelação no Sinai o Povo Judeu acreditaria em Moshé para todo o sempre. Antes do Sinai, alguém o poderia ter desmistificado como um feiticeiro que derrotara os feiticeiros do Faraó. Poderia argumentar que as pragas no Egito e mesmo a divisão do mar foram coincidências: aberrações estatísticas, que, como vimos acima, não constituem provas absolutas. Mas quando milhões de pessoas viram-se diante de D’us, não houve mais lugar para especulação ou para análise de probabilidades estatísticas. Mesmo os inimigos e adversários de Moshé, inclusive seu primo Kôrach, que tentou organizar um golpe de estado, não puderam negar nem questionar a veracidade da Revelação Divina no Sinai.

Fosse a Torá um livro de mitos ou uma combinação de realidade e ficção, poderíamos talvez argumentar que a Revelação Divina no Sinai fosse um de seus relatos ficcionais. Mas os judeus sempre insistiram que os eventos relatados nos Cinco Livros da Torá devem ser levados  ao pé da letra. Portanto, há apenas duas possibilidades reais do que possa ter acontecido no Sinai: ou foi uma Revelação Divina, como relata  a Torá, ou uma conspiração de massa, envolvendo milhões de pessoas que fabricaram uma história, ou, no mínimo, concordaram em levar avante essa mentira, evitando, de alguma forma, que a verdade viesse à tona. Nenhuma dessas pessoas nem nenhum de seus filhos escreveu seu relato pessoal, contradizendo a Torá. Até mesmo os inimigos de Moshé, mesmo aqueles que adoraram o bezerro de ouro, nunca tiveram a audácia de negar a veracidade da Revelação Divina no Sinai.

É muito difícil de crer que milhões de judeus tenham inventado a história da Revelação ou concordado em respeitá-la, sabendo que era uma falácia. É ainda mais difícil de acreditar que, fosse uma invenção, ninguém a tivesse desmascarado e revelado a verdade. Contudo, de fato não há prova absoluta que corrobore esta extraordinária alegação – assim como não há prova absoluta de nada. Pode-se sempre conjecturar que talvez o Povo Judeu tenha imaginado ou sonhado sobre a Revelação. Talvez tenham inventado a história e convencido outros milhões de pessoas, judeus ou não, sobre sua veracidade. Tudo é possível: às vezes, mesmo as mais improváveis teorias conspiratórias são comprovadas. É aí que entra em cena a Emuná – a fé verdadeira: quando optamos por acreditar porque há evidência suficiente para fazê-lo, ainda que não haja certeza absoluta.

A Emuná que o judaísmo espera dos judeus é a mesma exigida pelos outros campos do conhecimento. Como o pilar do judaísmo foi um evento público que envolveu milhões de pessoas, trata-se de verdade histórica, não de fé cega. Isso significa que acreditar na Revelação Divina no Sinai e, portanto, na verdade do judaísmo, não é um ato de credulidade, mas sim de Emuná.   A verdadeira fé, do tipo que o judaísmo espera de cada um dos judeus, é uma ponte pequena que  liga a probabilidade à certeza. Precisamos da mesma porque, na verdade, não podemos ter 100% de certeza sobre nada.

Como na história sobre o Rabi Levi-Yitzhak de Berditchev, há uma diferença abismal entre dizer que  D’us existe e saber que ELE existe(*).  O judaísmo não exige fé cega, mas não é justo exigir mais corroboração da Torá do que da História ou das Ciências.

(* Certamente, todas as religiões do mundo – todas invenções humanas – só podem mesmo é dizer que D’us existe, e não sabe-lo (por conta própria).)

 

O judaísmo é a busca da Verdade, e por isso se iniciou da forma em que tudo ocorreu: para que nossa conexão com D’us e SUA Torá não fossem produto da fé cega. D’us poderia ter-SE revelado apenas a Moshé Rabênu e aos judeus que mais o merecessem, mas ELE optou por revelar-SE a todos, desde o mais simples deles. Era a única maneira de assegurar que nossa fé em D’us e em SUA Torá não fossem calcadas nos ensinamentos de um indivíduo ou de um grupo de pessoas (que todos sabem é o caso do cristianismo e do islamismo, e de toda a religião). Consequentemente, nós, judeus, não acreditamos em D’us por acreditar em Moshé, mas sim, acreditamos em Moshé por acreditar em D’us.

A festa de Shavuót celebra a Revelação Divina no Sinai e a transmissão dos Dez Mandamentos, que são o núcleo dos 613 mandamentos da Torá. Shavuót é o momento propício do ano para que todos os judeus fortaleçam sua conexão com D’us e SUA Torá, não por fé cega ou convenção social, mas porque há evidências avassaladoras que atestam a veracidade do evento mais extraordinário da História, ocorrido 50 dias após a libertação de nosso povo do Egito.

 

Próximo artigo:

OS FUNDAMENTOS DO JUDAÍSMO

 

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A AUTORIA DA TORÁ

Noaísmo e A TORÁ E OS JUDEUS E O JUDAÍSMO


 

“Assim disse HaVaYaH dos Exércitos: ‘Naqueles dias, dez homens de diferentes línguas e de todas as nações segurarão a orla das vestes do judeu, dizendo: Iremos contigo, porque sabemos que D’us está contigo!’” – Zechariá (Zacarias) 8:23

 

1° A VERDADE HISTÓRICA DA REVELAÇÃO DIVINA NO SINAI

2° A AUTORIA DA TORÁ

3° CONHECIMENTO E FÉ

4° OS FUNDAMENTOS DO JUDAÍSMO

5° A TORÁ ORAL

6° OS TREZE PRINCÍPIOS DA FÉ JUDAICA


 

ATENÇÃO:

▪Na transliteração dos termos hebraicos o “sh” tem som de “CH”. Exemplos: “Moshé”, “Shemitá”, etc.

▪Na transliteração dos termos hebraicos o “ch” tem som de “RR”. Exemplos: “Halachá”, “Kôrach”, etc.

 

 

A AUTORIA DA TORÁ

Um dos princípios fundamentais do judaísmo é que a Torá não foi escrita por Moshé nem por qualquer outro homem, e sim, pelo próprio CRIADOR.

No artigo “A verdade histórica da Revelação Divina no Monte Sinai”, analisamos se há razão suficiente para se acreditar que D’us SE revelou ao Povo Judeu no Monte Sinai. Como vimos no artigo, as fontes básicas de conhecimento sobre a Revelação Divina são a transmissão oral, de geração a geração, e um registro escrito, a dizer, os Cinco Livros da Torá. Caso haja uma razão sólida para acreditar que a Torá é de autoria Divina, a veracidade do que quer que a mesma nos relate, inclusive a Revelação Divina no Sinai, é, pois, inquestionável. No entanto, se a Torá tivesse sido escrita por um ser humano, ainda que por Moshé, sua veracidade e autoria poderiam ser questionadas – pois nenhum homem é dono da Verdade Absoluta.

Halachá LeMoshé MiSinai

Como o judaísmo advoga que a Torá é a Palavra de D’us, seria lógico presumir que não há desacordo ou discussão acerca de suas leis. Contudo, na realidade, o Talmud Babilônico, que elucida os Cinco Livros da Torá e constitui o pilar da Lei Judaica, é formado por uma série de divergências e debates entre nossos Sábios.

Cabe perguntar: se D’us transmitiu a Torá a Moshé, haverá o que discutir sobre suas leis? A resposta profunda a essa pergunta está além do escopo deste artigo, mas a resposta simplista, fornecida pelo Talmud de forma explícita e não apologética, é que no dia em que Moshé deixou este mundo, o Povo Judeu esqueceu muitas das leis da Torá Oral, que são as elucidações e explicações da Torá Escrita. Por isso, coube aos Sábios, através de discussões, lógicas e análises, tentar recuperar o conhecimento perdido. No entanto, os ensinamentos da Torá Oral que não foram esquecidos não estão sujeitos à discussão.

No Talmud, há uma frase “mágica” que coloca um ponto final em qualquer discussão: Halachá LeMoshé MiSinai – em português, “trata-se de uma lei transmitida a Moshé no Sinai”.

As divergências existentes no Talmud não contestam, mas até corroboram a Revelação Divina no Sinai e a Divina Autoria da Torá. Como a Revelação ocorreu apenas uma única vez e como a Torá foi criada por D’us e transmitida apenas a Moshé, não houve quem vivesse após Moshé que pudesse ensinar as leis que tinham sido esquecidas. Como ensina o Talmud (Tratado Temurá 16ª): “Um profeta não está autorizado a introduzir nada de novo”. A Torá deu aos Sábios o poder de decretar leis rabínicas, mas as leis bíblicas não podem ser alteradas, criadas ou abolidas. Como ensina o Midrash (Devarim Rabá, 8:6): “Moshé disse ao Povo Judeu: ‘Não digam que outro Moshé surgirá, com outra Torá dos Céus; já lhes estou anunciando, agora, não está nos Céus. Nada restou nos Céus’”.

O fato de que os Sábios do Talmud discordassem acerca da aplicação adequada de muitas das leis da Torá é uma indicação de que o judaísmo não é dogmático, mas é a busca da verdade. Por outro lado, o fato de que apesar de todas as suas discordâncias, os Sábios unanimemente concordam sobre tantos pontos, é uma boa evidência de que o judaísmo tem uma única origem comum; pois, de outra forma, os Sábios do Talmud debateriam sobre os mínimos pontos da Lei Judaica. Quando as pessoas que costumam discordar entre si estão de acordo sobre umas tantas coisas, geralmente é sinal de que há uma razão para tal. Se para os Sábios do Talmud, Halachá LeMoshé MiSinai não estava sujeita à discussão, significa que a veracidade da Revelação Divina no Sinai e da Autoria Divina da Torá eram incontestáveis para eles. Assim sendo, eles não desperdiçariam seu tempo e energia discutindo o óbvio.

Mas, se não tivesse ocorrido a Revelação Divina no Sinai e se a Torá não tivesse sido escrita por D’us, o conceito da Halachá LeMoshé MiSinai não existiria. Pois se a Torá foi escrita por Moshé, por que seria proibido a um profeta ou um sábio de um período posterior mudar qualquer de suas leis ou, ao menos, instituir decretos que pudessem solucionar todas as dúvidas sobre a Lei Judaica? 

Na verdade, na ausência de uma Revelação Divina, será que deveríamos atribuir a um ser humano o poder de criar leis imutáveis e, de fato, nem sequer passíveis de discussão? Com todo o respeito a Moshé, ele não fundou o judaísmo, nem foi um de nossos Patriarcas. E se a Torá tivesse sido escrita por ele, por que razão deveríamos acreditar, como diz a Torá, que ele foi o maior profeta de todos os tempos? Além disso, a tradição judaica não mede palavras em sua tentativa de humanizá-lo. É inconcebível que os judeus atribuíssem autoridade divina a o que quer que fosse que Moshé lhes ensinasse, a menos que soubessem que a Torá não era dele, mas realmente do D’us de Israel.

Se a Torá não tivesse sido escrita pelo Todo Poderoso, os profetas e Sábios que vieram após Moshé poderiam ter mudado algumas de suas leis – coisa que nunca ocorreu. No curso da História Judaica, criaram-se leis rabínicas, que foram modificadas e até rechaçadas, mas ninguém jamais ousou tocar na lei bíblica. Ninguém ousou argumentar com a Halachá LeMoshé MiSinai. Se todos os profetas e Sábios que viveram após Moshé se recusaram categoricamente a substituí-lo ou mesmo a tentar replicar o que ele conquistara – nem mesmo pela nobre razão de tentar recuperar o conhecimento que foi perdido com sua morte – é porque sabiam que a Torá era a Palavra de D’us, que fora transmitida apenas a Moshé; e agora que ele se fora, não havia como novamente trazer a Torá dos Céus à Terra.

Um livro de lendas?

É possível que o Povo Judeu tenha aceitado primeiramente a Torá como um livro de lendas e que, com o passar do tempo, após o transcurso de muitas gerações, quando já não era mais possível corroborar a veracidade de seus relatos, tenha sido aceita como verdade? Consideremos a seguinte teoria: alguém no deserto – quiçá Moshé, quiçá alguém outro – redigiu a Torá, inclusive o relato da Revelação Divina no Sinai, e todo o povo o aceitou, apesar de ser tudo invenção, pois eles nem o levaram a sério: consideraram que tudo fosse mitologia judaica. Passado o tempo, no entanto, um número cada vez maior de judeus começou a acreditar que aquelas histórias eram verdadeiras.

Esta teoria é popular entre ateus e agnósticos. Mas é uma teoria relativamente fácil de ser rechaçada. Primeiro, nos últimos 3.000 anos, apesar de todas as diferenças e divergências existentes entre o Povo Judeu, nunca houve uma tradição que dissesse que a Torá é obra de ficção. Mesmo os Caraítas, que não aceitavam os ensinamentos da Torá Oral, acreditavam categoricamente que cada uma das palavras da Torá Escrita era a Palavra de D’us. É possível que toda a geração do deserto tenha adotado a Torá como obra de ficção, mas, em algum momento da História Judaica, esse fato foi esquecido ou negligenciado por todos os judeus e todos começaram a acreditar que a Torá foi historicamente precisa? Para exemplificar quão improvável é essa teoria, pensemos em quão improvável é que todos os gregos vivos hoje mudassem de ideia sobre a Ilíada e a Odisseia e começassem a crer que esses trabalhos não são lendas, mas fatos históricos.

Segundo, há apenas uma versão da Torá, e não há relatos conflitantes sobre os eventos que descreve. Através da história, muitos judeus, especialmente os insolentes Reis de Israel, poderiam ter justificado seu comportamento pecaminoso alegando que a Torá era uma invenção ou um livro de lendas. Se essas pessoas apenas pudessem apresentar alguma evidência de que a Torá não fosse Divina – de que foi escrita por Moshé ou por outros seres humanos – eles poderiam ter algum tipo de desculpas para muitas de suas próprias ações, especialmente sua idolatria, que não prejudicou nenhum outro homem. Mas nos últimos três milênios, mesmo os judeus que mais se beneficiariam levantando dúvidas sobre a autoria da Torá, não o fizeram. Eles poderiam ter questionado a Justiça Divina, mas nunca tiveram a audácia de questionar a verdade da Revelação no Sinai e a legitimidade e a Divina autoria da Torá. E por quê? Porque como explicamos no artigo anterior, um evento público que envolveu (três) milhões de pessoas é praticamente impossível de ser negado.

Terceiro, é inconcebível que pessoas sensatas inventassem muitas das leis que constam na Torá, e, ainda mais, que inventassem o conceito de que O CRIADOR do mundo os fizesse responsáveis por respeitá-las (ESTE CRIADOR a quem jamais teriam visto se o relato da Revelação Divina fosse invenção). Exemplificando: a lei da Shemitá – os ordenamentos ao Povo Judeu de abrir mão do trabalho agrícola na Terra de Israel de sete em sete anos (Levítico 25:1-24). A Torá ordena aos judeus que sigam esta lei e não se preocupem com a falta de alimento, pois D’us os abençoará com fartura de provisões no sexto ano para compensar o sétimo em que se absterão de trabalhar a terra.

Consideremos: Por que os seres humanos escreveriam uma tal lei? Será que colocariam sua própria sobrevivência e a de seus filhos em risco? Será que inventariam promessas de um Fiador e diriam às gerações futuras que deviam cumprir esse mandamento porque O CRIADOR do mundo proveria a eles, quando, na realidade, eles mesmos sabiam que uma tal promessa Divina jamais havia sido feita? E o que aconteceria quando, no ano antes do Sabático, a colheita não fosse mais farta do que nos anos anteriores e os judeus não tivessem alimento para o ano seguinte?

Escrever essa lei e fazer os demais confiarem numa falsa promessa de bênçãos Divinas, seria o cúmulo da tolice e da irresponsabilidade. Contudo, os judeus aceitaram as leis do Sabático e se comprometeram a segui-las. E se o fizeram, é porque sabiam que era uma lei criada por D’us. Nem Moshé nem nenhum outro ser humano poderia fazer um povo inteiro colocar sua sobrevivência em risco. Na verdade, se D’us não tivesse escrito a Torá, os judeus teriam que ser muito tolos para concordar de viver segundo a maioria de seus mandamentos.

Por exemplo, por que eles aceitariam a lei da circuncisão? Três mil anos atrás ninguém sabia que a circuncisão pode evitar a disseminação de várias doenças terríveis. Podemos entender a razão para um povo aceitar leis relativas ao funcionamento adequado da sociedade, como as que proíbem o assassinato, adultério e roubo, mas por que os judeus aceitariam as muitas leis rituais da Torá – algumas das quais, extremamente complexas e esotéricas – e concordariam em não violar muitas de suas leis que os privam de vários dos prazeres da vida? Por que os judeus concordariam em não comer frutos do mar e carne não-casher? Por que eles aceitariam todas as leis da Torá sobre as relações sexuais proibidas?

Vejamos, será que milhões de pessoas aceitariam a Torá se não a tivessem recebido diretamente de D’us e soubessem, de fato, que era SUA Vontade que seguissem suas leis? Há um famoso Midrash que ensina que antes de outorgar a Torá ao Povo Judeu, D’us a ofereceu a todas as demais nações do mundo que a recusaram. Mas trata-se de um Midrash metafórico, que ensina que D’us, por ser Onisciente, sabia que somente os judeus aceitariam seguir as leis da Torá; não se trata de um relato histórico. Já houve um caso na história em que a Torá foi ofertada a grandes grupos de pessoas que se recusaram a aceitá-la? Sim, houve.

Muitas pessoas não o sabem, mas os fundadores do Cristianismo eram judeus seguidores da Torá. O Cristianismo se iniciou como um movimento messiânico judaico. O propósito dos primeiros cristãos não era começar uma nova religião, mas ganhar o máximo de adeptos para seu movimento – judeus ou não. E como eles consideravam seu movimento messiânico autenticamente judaico, somente seriam aceitos os não-judeus que se convertessem ao judaísmo.

Mas, segundo relato da Bíblia cristã, quando os fundadores do Cristianismo saíram em suas primeiras missões proselitistas, não tiveram sucesso em sua tentativa de converter os pagãos ao judaísmo. Apesar de terem ouvido que a Torá era a Palavra de D’us, os gentios ficaram assombrados com seus mandamentos – as leis de Casherut, do Shabat e, sobretudo, da circuncisão. Os primeiros cristãos somente conseguiram converter pagãos a seu recém-criado movimento quando abandonaram a exigência de que os não-judeus aceitassem as leis da Torá. Eles provavelmente perceberam que nenhuma nação, exceto os judeus, se sujeitaria àquelas leis.

Quem pode culpar os pagãos por recusar a Torá? É compreensível que os judeus a tenham aceitado – eles testemunharam a Revelação Divina no Sinai, e, na verdade, não tinham muita escolha. Mas por que um povo que não testemunhou a Revelação e a outorga da Torá iria aceitar a responsabilidade de cumprir todos os seus difíceis mandamentos?

Um cético implacável pode alegar que os judeus escreveram a Torá e inventaram todas as suas complicadas leis para difundir o próprio argumento que aqui defendemos: como nenhum povo seria capaz de criar tais leis para si, a Torá certamente é de autoria Divina.

Seria possível que os judeus propositalmente se colocassem numa camisa de força para ludibriar o mundo, inclusive seus descendentes, dizendo que D’us lhes teria aparecido, apenas a eles, e os teria escolhido para lhes entregar SUAS Leis? Novamente, a resposta é que isso seria altamente improvável. E se esse era o seu plano, o tiro saiu pela culatra, pois a Revelação no Sinai não rendeu aos judeus o amor e a admiração do resto da humanidade. Milênios antes de ocorrer a Inquisição e o Holocausto, o Talmud já tinha previsto que os judeus seriam odiados por terem sido escolhidos por D’us para receber a SUA Torá e testemunhar a única Revelação Divina na História

O Rabi Yehoshua ben Levi assim ensina no Talmud: Por que a montanha onde a Torá foi entregue se chama Sinai? Porque ela causaria Sinat – ódio – entre o restante do mundo contra o Povo Judeu.

Um Livro nada lisonjeiro

Além de conter inúmeras leis de difícil cumprimento, a Torá narra muitas histórias, a maioria das quais não são nada lisonjeiras para nosso povo. Mesmo o relato mais espetacular da Torá – o da Revelação Divina – não foi uma ocasião inteiramente feliz, pois apenas 40 dias após sua ocorrência, o povo já adorava um bezerro de ouro, fazendo com que Moshé quebrasse as Tábuas da Lei. Até o Livro de Gênese é pouco lisonjeiro ao nosso povo. Pois enquanto muitas outras nações santificam seus fundadores e criadores, a Torá descreve nossos Patriarcas e antepassados como seres humanos falíveis, que suportaram provações e infortúnios e que tiveram fraquezas e cometeram erros.

Um cético poderia novamente alegar que Moshé ou os judeus escreveram a Torá de tal forma que provasse o argumento que acabamos de defender: nenhum povo poderia escrever relatos tão pouco lisonjeiros sobre si próprio; portanto, a Torá certamente foi escrita por D’us.

Mas, muito sinceramente, os relatos da Torá não são apenas pouco elogiosos – o que serviria para torná-los ainda mais críveis – eles são simplesmente prejudiciais. Algumas histórias negativas talvez servissem para tornar as boas um pouco mais críveis, mas a Torá é repleta de relatos que colocam os judeus sob um prisma muito negativo. Pode ser difícil, mesmo, encontrar uma porção da Torá que não contenha uma ação negativa de nossos antepassados. Será que as pessoas escreveriam relatos tão danosos sobre si próprias? Será que quereriam ser lembradas dessa forma por seus filhos e seus futuros descendentes?

O que é ainda mais incrível é que apesar das muitas leis de difícil cumprimento e das histórias nada lisonjeiras, nós, judeus, reverenciamos a Torá. Não há objeto inanimado mais sagrado ao judaísmo do que um rolo contendo os Cinco Livros da Torá. E por quê? Porque nós, como nossos antepassados, não temos dúvidas acerca de sua autoria. Quando O MESTRE do Universo escreve um livro e elenca nosso povo como protagonistas, nós o reverenciamos, mesmo que seu conteúdo nem sempre nos favoreça.

Alucinógenos e alucinações

Seria possível que Moshé e os três milhões de judeus que ele liderou não tenham tramado um plano mentiroso, mas se tenham confundido com o que imaginaram ter visto? Um professor israelense de Filosofia da Universidade Hebraica, Benny Shannon, apresentou a seguinte hipótese: a Revelação Divina no Sinai teria sido, na realidade, uma alucinação decorrente do fato de Moshé e os judeus terem tomado uma substância altamente psicodélica, encontrada na árvore da acácia, frequentemente mencionada na Bíblia. O professor fez a seguinte declaração: “No que toca ao Monte Sinai e a Moshé, o que ocorreu foi um evento cósmico sobrenatural – o que não acredito – ou uma lenda – no que tampouco acredito – ou, finalmente e mais provável, um evento que uniu Moshé e o Povo de Israel sob o efeito de narcóticos”.

Antes de analisar a hipótese do prof. Shannon, é interessante observar que mesmo ele – que não crê em uma Revelação Divina – não acredita que o relato seja uma lenda. Isso serve como exemplo verdadeiro do que discutimos no artigo anterior: que é muito difícil negar um evento público ocorrido diante de milhões de pessoas. Como o professor não pode negar o evento, mas tampouco pode aceitar que tenha havido uma Revelação Divina, ele necessita recorrer a outra explicação – o uso de alucinógenos.

O problema na teoria do acadêmico é que é necessário ter muito mais fé para se acreditar na mesma do que para acreditar que D’us SE revelou aos judeus no Monte Sinai. Senão, como teria Moshé conseguido encontrar a quantidade de alucinógenos para três milhões de pessoas? Segundo, como Moshé convenceu todos eles a ingerirem a droga? A própria Torá atesta que o povo frequentemente se rebelava contra ele. E mesmo se os milhões que lá estavam concordassem em se drogar, teriam-na consumido, todos, ao mesmo tempo? E teria a droga afetado milhões de pessoa exatamente ao mesmo tempo e da mesmíssima forma? Sabemos que diferentes pessoas reagem de diferentes maneiras à mesma droga. Alguns organismos reagem intensamente; outros, não. Algumas pessoas levam muito tempo para reagir a um alucinógeno, ao passo que outras reagem quase que imediatamente após sua ingestão. Além disso, como essas substâncias afetam o cérebro, e como não há duas pessoas – que dizer de milhões delas – que pensem de forma igual, as pessoas veem coisas diferentes quando ingerem essas drogas. Portanto, seria quase uma impossibilidade estatística que milhões de pessoas tomassem uma droga e tivessem simultaneamente uma mesma experiência ilusória e ouvissem a mesmíssima mensagem…

Mas, o mais revelador acerca da hipótese do Prof. Benny Shannon é que além de ter admitido não ter “nenhuma prova direta de sua interpretação”, ele fez a seguinte declaração: “Mas nem todos que usam a tal planta alucinógena trazem a Torá… Para tanto, você tem que ser um Moshé”…

A pergunta que deveria ser feita ao professor é: de onde exatamente Moshé trouxe a Torá? De onde veio a Torá? Se ele acredita que Moshé a escreveu e que sua teoria da droga alucinógena está correta, por que o Povo Judeu deveria viver de acordo com as leis criadas por um homem que era tão drogado que tinha alucinações sobre uma suposta Revelação Divina?

Indo mais além, a teoria de que Moshé dopou o povo para trapaceá-los e os fazer crer que D’us SE revelara a eles não é crível por uma razão adicional. Se os inimigos de Moshé tivessem sequer suspeitado de alguma desonestidade – se eles acreditassem que ele os estivesse drogando para induzi-los a algum tipo de experiência coletiva – eles o teriam acusado de ser um falso profeta, um charlatão. Moshé tinha sua quota de inimigos entre o povo. É triste admiti-lo, mas muitos dos judeus a quem ele conduziu inventaram e disseminaram mentiras terríveis contra ele.

Acusaram-no de não ter habilidades para liderar, de nepotismo, de roubo, de adultério e até de assassinato. Mas, interessante, ninguém ousou acusá-lo de ser um falso profeta. Até mesmo Kôrach, quando tentou depor Moshé e Aaron, nunca sequer sugeriu que ele tivesse enganado o povo. Ele questionou o direito de Moshé de liderar os judeus, mas nunca o acusou de charlatão. Nem mesmo Kôrach poderia questionar a veracidade da Revelação Divina no Sinai ou a autoria Divina da Torá. Ele sim questionou a aplicação de alguns dos mandamentos da Torá por Moshé, mas jamais sequer ousou alegar que ele os tivesse criado. E por quê? Porque a verdade estava evidente para todos os judeus. A Revelação Divina tinha sido um evento público; todos a tinham vivenciado. Ninguém poderia alegar que Moshé a tinha maquinado – nem mesmo seu pior inimigo.

E não foram apenas Kôrach e os inimigos de Moshé que não puderam negar a veracidade da Revelação Divina e a autoria Divina da Torá. Através dos milênios, os inimigos históricos do Povo Judeu tampouco conseguiram argumentar que eram falsidades.

No decorrer da história, muitas inverdades e maldades foram ditas sobre os judeus, mas nunca fomos chamados de “povo inventado”, um povo que inventou sua própria história. Alguém disse, muito apropriadamente, que o elogio de um inimigo vale muito mais do que o de um amigo. Quando mesmo nossos inimigos admitem a veracidade da Revelação Divina e da Torá, é porque a evidência é muito óbvia para ser negada.

A Essência do Povo Judeu

(Os Judeus: As Verdadeiras Testemunhas de D’us)

Muitos perguntam como é possível que, apesar de 2.000 anos de exílio, a queda do Templo, os massacres, a Inquisição, as expulsões, os pogroms e, acima de tudo, o Holocausto, nós, judeus, sobrevivemos e permanecemos fiéis a D’us. A resposta é que a Revelação Divina no Sinai ficou gravada no inconsciente coletivo do Povo Judeu. A Voz que se ouviu no Monte Sinai reverbera até hoje no coração de todos nós, mesmo que disso não tenhamos consciência. Cinquenta dias após o Êxodo, D’us SE fez ver a nosso povo e nos deu uma missão. Foi uma missão tão extraordinária que mesmo 2.000 anos de exílio e o Holocausto não foram capazes de abortar.

Que missão foi essa? Está escrito no Livro de Isaías: “Vós sois Minhas testemunhas, diz HaVaYaH, e Eu sou D’us” (43:12). O Midrash faz uma declaração espantosa: “Enquanto fordes Minhas testemunhas, Eu sou D’us; se deixardes de ser Minhas testemunhas, deixarei de ser D’us”. Como dissemos no artigo anterior, se não fôssemos nós, judeus, toda a humanidade seria deísta¹. Nós somos o canal através do qual D’us se tornou conhecido no mundo.

Nossa missão é manter nossa própria existência e, por meio disso, preservar a existência de D’us no mundo. Esta é a missão maior que pode ser atribuída a um povo e a cada um dos indivíduos que o compõem. É uma missão árdua e desafiadora, mas que por ela vale a pena viver e lutar, e que, sem dúvida, constitui o propósito e a essência do Povo Judeu.

 

¹ O deísmo é uma doutrina que considera a razão como a única via capaz de assegurar a existência de D’us, rejeitando, para tal fim, o ensinamento ou a prática de qualquer religião organizada.

 

Próximo artigo:

CONHECIMENTO E FÉ

 

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A VERDADE HISTÓRICA DA REVELAÇÃO DIVINA NO SINAI

Noaísmo e A TORÁ E OS JUDEUS E O JUDAÍSMO


 

“Assim disse HaVaYaH dos Exércitos: ‘Naqueles dias, dez homens de diferentes línguas e de todas as nações segurarão a orla das vestes do judeu, dizendo: Iremos contigo, porque sabemos que D’us está contigo!'” – Zechariá (Zacarias) 8:23

 

1° A VERDADE HISTÓRICA DA REVELAÇÃO DIVINA NO SINAI

2° A AUTORIA DA TORÁ

3° CONHECIMENTO E FÉ

4° OS FUNDAMENTOS DO JUDAÍSMO

5° A TORÁ ORAL

6° OS TREZE PRINCÍPIOS DA FÉ JUDAICA


 

A VERDADE HISTÓRICA DA REVELAÇÃO DIVINA NO SINAI

 

Na festa de Shavuót (nós judeus) comemoramos a Revelação Divina no Monte Sinai. O acontecimento é, sem duvida, o pilar sobre o qual o judaísmo se mantém. Mas terá realmente ocorrido?

 

Deísmo é a crença de que a lógica e a observação do mundo natural podem determinar que o universo é o produto de um CRIADOR todo poderoso. Segundo os deístas, D’us criou o Universo para logo o abandonar, deixando-o seguir seu próprio curso.

O deísmo é uma filosofia religiosa, não uma religião; pois se D’us não se relaciona com Suas criaturas, que diferença faz ao homem como o Universo foi criado? No que toca aos seres humanos, a religião tem que ser baseada na Revelação Divina. Se D’us nunca SE tivesse revelado ao homem, cada religião seria alguma forma de deísmo: a lógica nos compeliria a crer em um CRIADOR, mas nós não teríamos evidência alguma de SUA existência. Na ausência da Revelação Divina, não saberíamos como nos relacionar com D’us e, portanto, não haveria uma interface real entre D’us e o homem.

Diferentemente do deísmo, a verdadeira religião se origina em D’us, e não no homem. Esta não se pode basear nas conjecturas de uma mente humana, limitada, ou nos desejos do coração humano. Pelo contrário, precisa basear-se em fatos e verdades. A fé que não se baseia em fatos é despida de significado: também os idólatras, têm sua fé; e quem pode ser tão presunçoso ao ponto de afirmar que suas crenças, quando não calcadas em fatos, são mais válidas que a do outro? Portanto, a essência da verdadeira religião – ao menos pela perspectiva do homem – é a Revelação Divina. A verdadeira religião é baseada não no que o homem pensa ou diz sobre D’us, mas na Verdade e no que D’us diz ao homem.

Diferentemente das especulações teológicas e dos devaneios filosóficos, a Revelação Divina não é matéria subjetiva. Não é uma ideia, um ideal ou uma experiência que ocorre dentro da mente ou do coração humano. Trata-se de um evento pelo qual o homem deve passar.

Shavuot e a Revelação Divina no Sinai

A festa de Shavuot, celebrada em 6 e 7 do mês de Sivan, comemora o evento mais significativo na História Judaica – a Revelação Divina no Monte Sinai e a subsequente entrega da Torá ao Povo Judeu. Cinquenta dias após o Êxodo, D’us abertamente SE revelou a aproximadamente três milhões de judeus – homens, mulheres e crianças – a quem Moshé liderou para fora da escravidão no Egito.

Mas será que esse evento realmente ocorreu? Como a Torá o descreve não como experiência mística, mas evento histórico, sua veracidade não está sujeita à interpretação: ou ocorreu ou não ocorreu. Se D’us realmente SE revelou ao Povo Judeu no Sinai, o judaísmo se baseia em fato. Mas, se ELE não o fez – se o relato da Torá é uma lenda – a veracidade não apenas do judaísmo, mas de todas as demais religiões, é posta em dúvida já que nenhum outro povo jamais alegou ter vivenciado a Revelação Divina. Se O CRIADOR não SE revelou no Sinai, nós, seres humanos, somos todos deístas, na melhor das hipóteses. E se o judaísmo se baseia em uma lenda, também o cristianismo e o islamismo o são, pois essas duas religiões afirmam derivar da fé judaica.

O judaísmo se mantém sobre um pilar: a Revelação Divina no Sinai. O restante é comentário. Não tivesse esse evento ocorrido, nossa única fonte de conhecimento sobre D’us e SUA Vontade – sobre como HaVaYaH SE relaciona com o homem e o que ELE espera dele – seriam as supostas profecias dos seres humanos que, por definição, são falíveis.

O fato de que esses homens realizaram feitos sobrenaturais não prova que eles fossem reais mensageiros de D’us. Como relatam a Torá e o Midrash, os magos idólatras do Faraó também possuíam poderes sobrenaturais e podiam prever o futuro. Fica evidente, pois, que a própria Torá admite que esses dons não são suficientes para produzir um profeta. De fato, como ensina o Rav Maimônides, os milagres nada provam. Não são as 10 Pragas o que nos faz crer em Moshé, pois pode-se argumentar que ele triunfou sobre os magos do Faraó não por ser um emissário de D’us, mas por ter grande conhecimento do ocultismo.

Milagres não homologam o judaísmo – nem qualquer outra religião. Membros de diversas fés, inclusive as idólatras, conseguem realizar atos sobrenaturais. Se os milagres comprovam a validade de qualquer religião, teríamos que aceitar praticamente todas elas como verdades absolutas – o que seria uma impossibilidade lógica e teológica.

Cremos em Moshé simples e exclusivamente porque a Revelação Divina no Sinai confirmou que D’us o escolhera como Seu emissário e que a Torá que ele ensinou ao Povo Judeu era a Palavra de D’us. Como ensina o Rav Maimônides, acreditamos em D’us e em SUA Torá, e, portanto, acreditamos em Moshé – e não vice-versa. Se acreditássemos em D’us e na Torá apenas porque acreditamos em Moshé, o judaísmo seria baseado na palavra de um ser humano.

Vejamos: Se D’us não SE tivesse feito ver perante todo o Povo Judeu e não tivesse dado a Moshé SEU selo de aprovação, como os (três) milhões de judeus que deixaram o Egito – e cada geração de judeus desde então – teriam sabido que Moshé tinha verdadeiramente falado em nome do CRIADOR? Como saberíamos que ele não era um sofisticado feiticeiro, um charlatão ou, até mesmo, um esquizofrênico bem intencionado? Se D’us não SE tivesse revelado no Monte Sinai, nenhum de nossos ancestrais, nem tampouco nós, poderíamos sabê-lo, ao certo… O judaísmo seria apenas baseado na fé, e não em fatos.

Da mesma forma, acreditamos na Torá e seguimos suas leis não por causa de Moshé, mas por causa de D’us. Cada uma das letras dos Cinco Livros da Torá foi escrita por ELE; Moshé meramente as transcreveu como um secretário. A razão para a Torá ser conhecida como Torat Moshe, a Torá de Moshé, é porque somente ele – e ninguém mais antes ou depois dele – teve o mérito de tê-la trazido à Terra. A Lei Judaica não é a lei do homem, nem a lei de Moshé, mas a Lei de D’us. Por isso o Talmud repetidamente ensina que a Lei Judaica somente pode ser derivada dos Cinco Livros da Torá – que foram escritos pessoalmente por D’us – e não derivam dos Livros dos Profetas (Nevi’im) nem dos Escritos (Ketuvim), que, apesar de serem um produto da inspiração Divina, foram escritas pelos profetas – e não pelo CRIADOR.

Apesar de ser verdade que D’us deu permissão aos Sábios para instituir decretos que fortalecem a observância da Torá e leis que celebram eventos de importância nacional que ocorreram após sua entrega, nenhum ser humano, nem mesmo Moshé, tem o poder de agregar nem de subtrair nada de seus 613 mandamentos. Fazê-lo seria impor a vontade de alguém sobre a Vontade do CRIADOR, ou pior, negar a Origem Divina da Torá.

A busca pela verdade

Como a verdadeira religião tem que estar calcada em fatos e não na fé, por definição tem também que ser a busca da verdade. A fé cega não é religião; é credulidade, e pode levar à idolatria. Ao mesmo tempo, quando se busca a verdade, não se deve pedir da religião mais do que se exige dos campos seculares de estudo – ou seja, deve-se buscar evidências sólidas, não provas absolutas.

O próprio conceito de prova absoluta é meramente teórico. Na prática, não existe, nunca existiu e nunca existirá. Não podemos ter certeza absoluta de nada.

Qualquer cientista honesto admitirá que o conhecimento humano é extraordinariamente limitado: sabemos muito pouco sobre muito pouco. À medida que aumenta o conhecimento humano, percebemos que estávamos enganados, por muito tempo, sobre muitas coisas. E ainda mais, percebemos que há exceções para cada uma das leis científicas.

Mas ainda que todo o nosso conhecimento fosse preciso e imutável, ainda assim não teríamos certeza sobre nada, pois não podemos ter certeza nem de que o mundo seja real – e não meramente uma ilusão. Talvez nem estejamos vivendo os eventos de nossas vidas; talvez tudo seja meramente um sonho. Talvez a história coletiva do mundo seja produto do sonho de um homem. Talvez não existamos – talvez sejamos meros produtos da imaginação do CRIADOR… Portanto, não podemos passar batido: nada é líquido e certo. Algumas pessoas questionam se D’us existe, outras se o mundo e eles próprios existem…

Mas, supondo-se que o mundo não seja uma grande ilusão, como podemos ter certeza de que nossa visão das coisas está correta? Como saber que a História que nos ensinaram nas escolas e faculdades não é um monte de invenções? Nenhum de nós estava vivo e presente para testemunhar os eventos descritos nos livros de História. Contudo, acreditamos em tantas coisas cuja veracidade não podemos comprovar. Portanto, a fé não se limita ao domínio da religião; ela é empregada cada vez que um ser humano aceita algo como verdade ainda que não possa pessoalmente corroborar sua veracidade. Quer saibamos ou não, sempre usamos a fé – no colégio, quando lemos um jornal ou quando assistimos as notícias pela televisão.

A fé, no entanto, tem que se basear, em alguma medida, em fatos. Ter fé não significa aceitar que tudo que nos dizem e ensinam é verdade. Muitos acreditam que ser religioso significa ser dogmático. Isso obviamente não se aplica ao judaísmo. A Torá estimula o homem a estudar ao máximo, a fazer perguntas difíceis e a buscar respostas para as mesmas.

O Talmud, que elucida os Cinco Livros da Torá, e que é o pilar da Lei e Sabedoria Judaica, é um livro de perguntas e respostas – uma busca pela verdade, contínua e intelectualmente rigorosa. Mas o judaísmo também espera que sejamos razoáveis – que aceitemos como verdade aquilo que é altamente provável, e que compensemos a falta de prova absoluta mediante o emprego de uma medida de fé. O judaísmo não define a fé como a crença no ilógico ou no impossível. A fé é propriamente exercida quando se acredita em coisas sobre as quais podemos estar razoavelmente certos.

Fatos e falsidades

Como não existe a prova absoluta, como podemos distinguir os fatos das coisas inventadas?

Imagine o seguinte cenário: um jornalista publica um artigo no jornal no qual afirma que o ataque terrorista de 11 de setembro de 2001 não ocorreu. Ele alega que as Torres Gêmeas nunca foram atacadas por aviões, mas foram dinamitadas pelo Governo Americano, que engendrou toda a história sobre os ataques terroristas para galvanizar o povo americano e obter o apoio necessário para declarar guerra contra o Afeganistão e o Iraque.

Será que as pessoas acreditariam nesse artigo? Em caso negativo, por que não? Não é de todo impossível que as imagens que o mundo viu pela TV fossem ficção. Talvez fossem produzidas por um talentoso diretor, e o Governo americano tivesse subornado todas as estações de TV do país para transmitir aquelas imagens para que o mundo todo acreditasse que seu país tivesse sofrido um grande ataque terrorista.

A razão para que a maioria de nós não acreditássemos num artigo desses – por melhor argumentada que fosse a teoria de conspiração – é que milhares de pessoas estavam presente na cena, no momento, e testemunharam, ao vivo, os aviões colidindo com as Torres. Teriam todos eles conspirado com o Governo para mentir sobre o acontecido? Teria o Governo conseguido localizar cada uma das testemunhas oculares para persuadi-las a se juntarem à conspiração? E os parentes das vítimas? E se os atos terroristas de 11 de setembro foram uma mentira, porque hoje, mais de 10 anos depois da queda das Torres Gêmeas, ninguém ainda apareceu para contar a verdade?

Qualquer editora pagaria uma fábula pelo relato verdadeiro do ocorrido naquele dia. E mesmo se ninguém tivesse vontade ou coragem de trazer publicamente a verdade à tona, bastaria que uma pessoa deixasse vazar a verdade. Quando milhares de pessoas estão envolvidas em uma conspiração, é apenas questão de tempo até que alguém, por uma razão qualquer, decida entregar a verdade.

Uma pessoa pode mentir sobre uma questão privada – algo que ocorreu quando não havia ninguém por perto e que, portanto, não pode ser comprovado nem negado – e os demais podem optar por acreditar ou não nela. De igual maneira, um grupo de pessoas que se conhecem podem inventar uma história e, enquanto esta for convincente e não houver discrepâncias significativas entre os relatos de cada uma delas, poderão convencer muitos outros de sua veracidade.

No entanto, é muito difícil mentir acerca de um evento que envolveu milhares de pessoas. O que dizer então de milhões de pessoas, especialmente quando há testemunhas independentes a corroborar o que houve e o que não houve?

Exemplificando: se alguém alega ter visto uma nave espacial alienígena, as pessoas podem acreditar ou não. Mas se um jornalista escrever que uma nave alienígena aterrissou nas areias de Copacabana nas comemorações do Réveillon de 2015, diante dos olhos das 2 milhões de pessoas que lá estavam presentes, seu artigo seria considerado uma piada ou uma obra de ficção. Por outro lado, quando muitas pessoas – que nunca se encontraram e nunca se comunicaram – relatam a mesmíssima história, não importa quão inacreditável a história seja; é muito difícil pensar que seja uma invenção. Pois, se aquela gente toda não se conhecia, nunca se falou nem nunca se comunicou – como e quando poderiam ter maquinado a mesmíssima mentira?

A corroboração de testemunhas oculares é, portanto, nosso critério mais confiável para apurar a verdade acerca de um evento. Isso se aplica a qualquer evento histórico – quer tenha acontecido há um dia, meio século ou três milênios atrás. Por exemplo, a grande maioria dos judeus vivos, hoje em dia, não viveu o Holocausto, mas há esmagadoras evidências que corroboram sua veracidade.

Como o Holocausto envolveu milhões de pessoas – um número incontável de sobreviventes que nunca se encontraram ou se falaram, mas que contaram histórias tristemente semelhantes – é praticamente impossível que tenha sido uma invenção. Mesmo se a Alemanha e o restante do mundo negassem o Holocausto, nós, judeus, saberíamos que essa tragédia ocorreu, pois nós não tomamos conhecimento da barbárie, pela primeira vez, através de um livro ou de visita a um museu. Contaram-nos em casa, quando pequenos. Muitos de nós somos filhos e netos de sobreviventes, ou no mínimo conhecemos judeus que sobreviveram ao inferno do Holocausto. Assim como nossos pais e avós nos contaram sobre o assassinato dos seis milhões, nós, também, iremos ensinar aos nossos filhos e netos sobre a barbárie. Talvez haja pais judeus que, por uma razão qualquer, não queiram contar aos filhos sobre o Holocausto. Mas é praticamente impossível que um evento dessa magnitude, e que envolveu tanta gente, não seja lembrado e transmitido por uma geração inteira de judeus e que seja, portanto, esquecido.

Mas e se alguém fizesse alegações que não negassem nem menosprezassem o Holocausto, mas exagerassem o ocorrido? E se, por exemplo, um historiador escrevesse um livro alegando que durante a 2ª Guerra Mundial, os judeus que viviam nos Estados Unidos também tivessem sido mandados aos campos de extermínio? Nós acreditaríamos nele? Certamente, não. E seria fácil refutar suas alegações. Pois se os judeus americanos tivessem sido enviados aos campos durante a 2ª Guerra Mundial, os sobreviventes teriam contado os horrores a seus filhos. Se os judeus que viviam nos Estados Unidos durante a Guerra considerassem absurdas as alegações do historiador, saberíamos que são falsas. E mesmo se nenhum deles estivesse vivo para refutar essas alegações, o que teríamos que fazer para verificar a verdade seria colher o testemunho de seus filhos ou netos. Tivessem seus pais sido perseguidos ou estado em campos de concentração, eles o teriam testemunhado, ou no mínimo, ouvido falar disso.

Daqui a uma geração talvez já não haja sobreviventes vivos do Holocausto. Nossos filhos e netos talvez não possam mais ouvir os testemunhos orais dos sobreviventes, mas eles poderão conhecer o Holocausto através dos filhos e netos dos sobreviventes. Assim como temos certeza de que a geração que viveu o Holocausto não nos mentiu, nossos descendentes podem estar certos de que não mentiremos para eles. Um indivíduo e mesmo um grupo seleto de pessoas pode fabricar uma história e convencer o mundo todo de sua veracidade. Mas é muito difícil, impossível, talvez, que uma geração inteira invente uma história, concorde em mentir a seus filhos e garanta que a verdade nunca venha à tona.

A Revelação no Monte Sinai: fato ou mito?

À luz do que discutimos acima, é evidente que a Revelação Divina no Sinai foi necessária e a razão para ser o fundamento do judaísmo.

Se D’us apenas SE tivesse revelado a Moshé, como no episódio da sarça ardente, isso seria um evento privado – algo que não poderia ser comprovado nem refutado. E ainda que um grupo seleto de pessoas testemunhasse que tivessem estado presentes quando D’us SE revelou a Moshé, isso não significaria que nós teríamos que crer em seu testemunho, pois é possível que um grupo pequeno de conhecidos pudesse maquinar uma mentira e evitar que a verdade viesse a público.

No entanto, quando um evento ocorre diante de uma multidão, sua veracidade se torna muito mais difícil de ser negada. Entre os três milhões de judeus que estiveram no deserto, havia muitíssimos que não se conheciam e que nunca haviam falado entre si. Indo mais além, como relata a Torá, a geração que deixou o Egito rebelou-se com frequência contra Moshé. Seria possível que todos eles se tivessem unido para engendrar uma mentira? E se Moshé, sozinho, tivesse inventado essa história sobre a Revelação Divina – como teria conseguido convencer todos os judeus a segui-lo? De alguma maneira, apesar de toda a desunião e rebeldia dos judeus do deserto, apresentou-se apenas uma Torá. A versão do que ocorreu no Sinai é uma e única.

Mas mesmo se os três milhões de judeus fossem totalmente submissos a Moshé e tivessem concordado com suas, digamos, maquinações, como se explica que ninguém se tenha entregado e dito a verdade, especialmente após sua morte? Por que os judeus no deserto não contaram a seus filhos que o relato da Revelação Divina tinha sido inventado e que eles, portanto, não tinham que se preocupar em seguir as Leis da Torá? Se mesmo uma minoria deles tivesse dito a seus filhos que o relato da Revelação Divina era mera lenda, a verdade teria vindo à tona, mais cedo ou mais tarde.

Mas, no entanto, durante mais de 3.000 anos desde que a Torá foi escrita, ninguém, nem mesmo os ateus ou os que criticam a Bíblia, alegaram que haja uma tradição entre os judeus de que Moshé tenha inventado a história sobre a Revelação Divina e tenha forçado os judeus a dar continuidade à mesma. A razão para tal, como vimos acima, é que é muito difícil mentir sobre um evento público que envolveu milhões de pessoas. Se tal evento nunca ocorreu, é quase impossível convencer as pessoas de sua ocorrência. Mas por outro lado, tendo ocorrido, é quase impossível negar sua veracidade.

A título de discussão, suponhamos que a Revelação Divina no Sinai seja ficção, e não um fato. Se tal fosse o caso, haveria duas possibilidades de como chegou a ser aceita como verdade histórica pelo Povo Judeu.

A primeira é que o relato tivesse sido inventado pelos judeus no deserto. Ou os judeus inventaram a história ou Moshé o fez e todos os 3 milhões lá presentes pactuaram em manter a mentira ao ponto de transmiti-la a todos os seus descendentes. A segunda possibilidade é a de que a Torá tivesse sido dada, de alguma forma, ao Povo Judeu, algum tempo depois que os judeus se tivessem estabelecido na Terra de Israel, e que, com o passar dos anos, tivesse sido aceita como teológica e historicamente precisa.

Analisemos a primeira hipótese. Teriam todos os judeus concordado em contar a mesmíssima história, da mesmíssima forma? Por que é que ninguém fez da sua própria maneira, escrevendo sua própria Torá – uma que levasse seu próprio nome e não o de Moshé? E se todos os judeus conspirassem para contar uma mentira, será possível que ninguém deixasse escapar a verdade? Será que os judeus todos mentiram a seus filhos, contando-lhes que D’us SE revelara a eles quando na realidade ELE não o havia feito?

Consideremos o segundo cenário hipotético: alguns séculos após o estabelecimento dos judeus na Terra de Israel, a Torá é difundida entre a população e é bem aceita – os judeus creem em seus relatos, inclusive no maior de todos, o da Revelação Divina no Sinai. Mas, se assim fosse, não seria o caso de os judeus se perguntarem: “Por que meus pais e avós nunca me falaram desses eventos tão extraordinários?”

Exemplificando por que esta teoria é insustentável: suponhamos que um pergaminho religioso fosse escavado hoje, em Israel, e que nele constasse um relato de que após a construção do Templo Sagrado de Jerusalém pelo Rei Salomão, tivesse havido uma segunda Revelação Divina: D’us aparecera a todo o povo e lhes havia dado outros 100 mandamentos. Será que nós acreditaríamos na veracidade histórica desse relato? A maioria de nós não acreditaria, porque não há menção dessa ocorrência na tradição judaica: nunca a ouvimos de nossos pais, nem eles a ouviram dos seus pais, e assim por diante. Se um evento de tal magnitude tivesse ocorrido ao longo da História Judaica, certamente teria sido transmitido de geração em geração.

Consideremos: há pouco mais de dois milênios, um pequeno frasco de óleo que deveria ter queimado por um dia ardeu durante oito dias. Nos últimos dois mil anos, essa história tem sido recontada de geração em geração. Nos últimos dois mil anos, os judeus de todo o mundo vêm acendendo as velas de Chanucá e contando os milagres do óleo. Seria concebível que uma explícita Revelação Divina – que é muito mais grandiosa do que o milagre de Chanucá – tivesse sido esquecida e “relembrada” gerações mais tarde, quando não mais fosse possível corroborar o que de fato ocorreu no Monte Sinai?

As alegações de um evento monumental, tal como a aparição de D’us perante todo o Povo Judeu, não pode ser inventada nem aceita como verdadeira a menos que haja uma tradição de que tenha mesmo acontecido. Não é concebível que os judeus acreditassem no relato da Torá acerca da Revelação Divina no Sinai, a menos que o tivessem escutado de seus pais e avós, ao longo de sua vida. Assim sendo, a única possibilidade real da Revelação Divina no Sinai ter sido lenda é se Moshé e toda aquela geração que ele conduziu tivessem podido engendrar essa incrível história e convencer a geração seguinte de sua real ocorrência.

De fato, o argumento que empregamos para refutar a hipótese de que a Torá, de alguma forma, surgiu em meio ao Povo Judeu e foi aceita como a Verdade nem mesmo é necessário, pela seguinte razão: até mesmo os críticos da Bíblia estão de acordo em que o Livro de Yehoshua (Josué), que faz clara referência à Torá e a Moshé, foi escrito no mais tardar um século após a entrada dos judeus na Terra de Israel. Mesmo esses críticos foram forçados a admitir que, quando muito, uma geração se passou entre a entrada dos judeus na Terra e a composição do Livro de Yehoshua. Isso significa que a Torá não poderia ser um texto que foi entregue ao Povo Judeu um século ou mais após sua chegada a Eretz Israel.

Assim sendo, a primeira geração de judeus que leu a Torá não teve que ficar imaginando se seus relatos eram fato ou ficção, ou se eles tinham sido precisamente transmitidos de geração em geração. Para corroborar se a Torá era historicamente precisa, bastava eles perguntarem a seus anciãos. E ainda que nenhum mais dos que tinham testemunhado a Revelação Divina estivesse vivo, seus filhos e os filhos de seus filhos, estariam. Eles não tinham estado presentes quando D’us SE revelara no Sinai, mas tinham ouvido aquele relato em primeira mão. E, portanto, a única possibilidade de tudo aquilo ser uma lenda era se toda aquela geração de judeus conduzida para fora do Egito por Moshé tivesse mentido a seus descendentes.

Mas, será possível que os judeus tenham engendrado toda essa história e mentido a seus descendentes? Será possível que a Torá seja um livro de mitos que os judeus, por uma razão qualquer, tenham aceitado como a sua Verdade? Será possível que houve, realmente, uma grande conspiração no deserto? Será possível que o povo pensou ter testemunhado uma Revelação Divina, mas que tudo não tenha passado de uma ilusão?

 

Exploraremos essas questões no segundo artigo:

A AUTORIA DA TORÁ

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Seis textos especialmente selecionados para as questões

B”H

 

D’us existe?

Se sim, qual é a prova disso?

Se D’us existe, por que ELE não SE revela para a Humanidade?

O Judaísmo, invenção humana ou Revelação Divina?

Os judeus, povo de D’us?

Existe mesmo A Palavra de D’us?

E se sim, qual é Ela?

 

 “Qual é a finalidade da existência de um judeu? Por que será que o povo judeu ainda existe? Qual é a razão deste milagre? Uma vez, ouvi uma estória muito interessante que pode indicar o caminho da resposta. O imperador da Prússia, Frederico o Grande, era filósofo e escritor. Certa vez, durante uma discussão muito profunda com o seu pastor luterano, eles acabaram examinando a questão da existência de D’us. Toda “prova” argumentada pelo pastor era refutada imediatamente pela mente ágil de Frederico. O imperador estava ficando cansado dessa discussão interminável. Ele pediu ao pastor que desse apenas um sinal visível que ninguém pudesse contestar. O pastor fechou os olhos e ficou pensando esforçadamente por um longo tempo. Frederico ficou impaciente e perguntou de novo: “Afinal, há algo que eu possa ver com os meus olhos e que prove a existência de D’us?” O pastor abriu os olhos e respondeu com duas palavras: “Os judeus!”.

 Este relato nos dá um conceito muito importante. Se a sobrevivência do povo judeu for, de fato, um milagre, então tem de haver [um tal] que tenha feito este milagre. O milagre da nossa existência aponta diretamente para D’us. (…) Não somos nada menos do que testemunhas da própria existência de D’us. (…)

 O grande profeta Isaías expressou este conceito de modo muito conciso e atraente, ao proclamar: “Tu (povo de Israel) és a Minha testemunha, diz [HaVaYaH], e o Meu servo que EU escolhi, para que tu possas conhecer-ME e acreditar em MIM e compreender que EU sou [HaVaYaH]. Antes de MIM não houve nenhum D’us formado, e nenhum há de haver depois de MIM. EU, EU Mesmo, sou [HaVaYaH], e além de MIM não há outro salvador” (Isaías 43:10-11).

 (…) A nossa missão consiste em testemunhar a existência de D’us[.] (…) Enquanto a chama permanecer acesa, ardendo dentro de nós, estaremos espalhando a luz de D’us através do mundo inteiro. Este é o nosso segredo. É o nosso destino.” — Rabi Aryeh Kaplan, Encontros entre o Céu e a Terra, Editora Maayanot, 2012, páginas 68 a 71.

 

E respostas mais detalhadas a essas perguntas em 6 textos especialmente selecionados para tratar destes assuntos:

 

 

 

CONHECIMENTO E FÉ

 

 

 

 

 

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ROSH HASHANÁ: O DIA DA CRIAÇÃO DO PRIMEIRO HOMEM E DA PRIMEIRA MULHER

B”H

 

ROSH HASHANÁ: O DIA DA CRIAÇÃO DO PRIMEIRO HOMEM E DA PRIMEIRA MULHER

Rosh Hashaná, comemorado no primeiro e segundo dias do mês hebraico de Tishrei, é diferente de todas as outras festividades judaicas. Todas as demais marcam uma experiência significativa na história de nosso povo, enquanto que Rosh Hashaná celebra um evento universal: a criação do primeiro homem e da primeira mulher. Rosh Hashaná não é, portanto, apenas uma data sagrada para o judaísmo, mas uma celebração universal, que enfatiza a necessidade de que cada ser humano tenha plena consciência de sua missão nesta vida.


O Zohar, obra em que se alicerça a Cabalá, ensina que quando o primeiro ser humano foi criado, D’us imediatamente o informou acerca de seus poderes, revelando-lhe sua missão de vida: “…Frutificai-vos e multiplicai-vos e enchei a terra, subjugando-a e dominando os peixes do mar e as aves dos céus, bem como todo ser que se arrasta pela terra” (Gênese 1:28). O CRIADOR ordenava, pois, aos primeiros homem e mulher criados que conquistassem e governassem o mundo todo.

Nossos sábios revelam o verdadeiro significado dessa missão atribuída ao homem de “conquistar o mundo”. Explicam-nos que quando D’us criou Adão (a título de esclarecimento, o termo “Adam” refere-se a homem e mulher, como menciona a Bíblia em Gênese 5:2: “Macho e fêmea os criou. E os abençoou e chamou seus nomes Adam, no dia em que foram criados”; algo como “ser humano”), sua Divina Alma permeou e irradiou-se por todo o seu ser, dando-lhe, assim, o poder de dominar os outros seres. Mas que quando as demais criaturas chegaram-se a Adão para coroá-lo como seu criador, ele lhes apontou o engano, dizendo: “Reunamo-nos e juntos exaltemos a D’us, nosso Criador”!


A missão de “subjugar o mundo” significa que o propósito do homem, nesta vida, é santificá-la, a começar por ele e os que o cercam, para que todos os seres vivos saibam que D’us é nosso CRIADOR. D’us criou apenas um ser humano – dele criando a mulher – e impôs a ambos esta tarefa. O Talmud explica que uma das razões para que D’us criasse apenas um ser humano foi transmitir o ensinamento de que cada um de nós é um microcosmo do universo todo. Nossos sábios dizem que cada ser humano deve habituar-se a dizer “o mundo todo foi criado apenas por minha causa”. Não se trata de uma afirmação de egocentrismo ou egoísmo. Bem ao contrário, significa que cada pessoa tem sobre si a responsabilidade por todo o restante do mundo. Como cada um de nós representa Adão, cada um de nós herda e carrega a missão ordenada pelo CRIADOR à primeira criatura humana em quem Ele insuflou vida. Assim sendo, qualquer um de nós tem a capacidade de “subjugar o mundo”. Se a pessoa não cumpre essa tarefa e não utiliza os seus inestimáveis poderes divinos da forma mais plena possível, terá falhado não apenas ele, mas sua falha afetará o bem-estar e o destino do mundo inteiro. Esta conscientização de maior poder do indivíduo e de responsabilidade coletiva e as subseqüentes decisões e ações que tal conscientização enseja são dos principais temas dos dias sagrados de Rosh Hashaná.



Aniversário da Criação

Na liturgia de Rosh Hashaná, proclamamos: “Hoje é o dia do nascimento do mundo, do início da Obra de Tuas mãos…”. Mas, por que Rosh Hashaná é chamado de “início da Obra Divina” se a Criação do mundo se iniciou cinco dias antes de Adão ser formado? Por que seria este o dia chamado de “primeiro” quando, conforme revela a Torá, era, de fato, o sexto dia? 

Uma das respostas a estas perguntas é que no sexto dia da Criação – o primeiro dia do mês hebraico de Tishrei – a existência teve conteúdo e sentido com a criação de Adão e Eva. O aniversário do mundo não é computado a partir da criação das galáxias, plantas ou animais, que não possuem o livre arbítrio; nem tampouco é calculada a partir da criação dos anjos, que cega e infalivelmente seguem todas as ordens e diretivas Divinas. Mais precisamente, o propósito do universo se concentra na força interna do ser humano de escolher entre o bem e o mal, de viver consoante com a vontade de Seu CRIADOR ou não. No sexto dia da Criação, quando Adão e Eva abriram seus olhos e contemplaram o mundo Divino, foram agraciados com a opção de a ELE atender ou a ELE se opor. O ser humano é o protagonista da história ininterrupta do universo e, portanto, a sua criação foi o que determinou o primeiro dia do mundo.

A cada Rosh Hashaná, repetimos o apelo de Adão a todas as criaturas vivas: “Vinde, para que juntos louvemos e nos curvemos, ajoelhando-nos diante de D’us, nosso Criador”. Durante os dois dias dessa festividade, intensificamos a nossa conscientização da presença do CRIADOR, comprometendo-nos a aumentar nossa percepção de Sua Majestade e de Seu domínio sobre nossas vidas. Por esta razão, proclamamos em nossas preces de Rosh Hashaná: “Nosso D’us e D’us de nossos pais, reina sobre todo o universo com Tua glória, eleva-Te sobre toda a terra, na Tua magnificência, e manifesta-Te no esplendor da majestade do teu poder a todos os habitantes do Teu universo. E saberá todo ser vivo que Tu o fizeste, e toda criatura que Tu a criaste, e todo aquele em quem insuflaste uma alma viva proclamará: “O Eterno, D’us de Israel, é Rei Majestoso e Seu Reino a tudo domina”. 

O Talmud (Rosh Hashaná 10b-11a) conta que além da criação de Adão, outros inícios significativos ocorreram em Rosh Hashaná. Os Patriarcas Abraham e Jacob nasceram nesse dia. Abraham representou um novo despertar para toda a humanidade após Adão e Noé não terem conseguido disseminar o monoteísmo e a moralidade pelo mundo. Jacob foi um recomeço para o povo judeu, pois por seu intermédio os judeus se tornaram uma família que, a partir de então, desenvolveu-se em uma nação. E foi também em Rosh Hashaná que o povo judeu, no Egito, foi dispensado do trabalho escravo, marcando o início de sua libertação que culminaria no Monte Sinai, onde receberam a Torá, tornando-se, a partir de então, um povo amadurecido a ponto de constituir uma verdadeira nação.

 

Por que dois dias? A explicação cabalista

O fato de Rosh Hashaná marcar o aniversário da Criação é exatamente a razão que faz dessa data o Dia do Julgamento. Qualquer plano deve ser avaliado, de tempos em tempos, para ver o seu andamento, se atingiu seus objetivos e propósitos. Como Rosh Hashaná foi o primeiro dia em que um ser com um propósito determinado passou a fazer parte deste mundo que conhecemos, D’us escolheu esse dia para a avaliação anual de Seu universo e do quanto os seres humanos tinham alcançado em levá-lo à perfeição. Nós, judeus, o Povo Eleito, recebemos d’ELE a ordem de cumprir todos os mandamentos de Sua Torá. Os não judeus têm a obrigação de cumprir as Sete Leis de Noé, que proíbem idolatria, blasfêmia, assassinato, imoralidade sexual, roubo, ingestão de qualquer parte de um animal vivo e a corrupção da justiça. Os não judeus também têm a obrigação de praticar caridade, atos de bondade e zelar pela eficiência e justiça de seus tribunais civis.

Nos Dois Dias do Juízo, D’us julga judeus e não judeus, indistintamente, bem como todos os outros seres vivos. Pois está escrito: “Em Rosh Hashaná, o Dia do Ano Novo, será inscrito e no Yom Kipur, o dia de jejum da Expiação, será confirmado: quantos terão de sair do convívio humano e quantos terão que nele entrar; quem viverá e quem morrerá… quem em sossego e quem em meio a tumulto… quem em pobreza e quem em abundância; quem será elevado e quem humilhado será”. Enquanto, por assim dizer, D’us está em Seu Trono Celestial, julgando-nos, nós oramos implorando pela vida, saúde e sustento para o ano vindouro, pois que em Rosh Hashaná os atos de cada indivíduo são minuciosamente examinados; durante esses dois dias, estão sendo julgados, pelo Juiz e Provedor Celestial, o destino e o sustento, no ano por vir, de cada um dos seres vivos sobre a terra. Os estudiosos místicos ensinam que o comportamento do povo judeu afeta não apenas a sua própria sentença, a ser proferida em Rosh Hashaná, mas também a do mundo e daqueles que nele habitam. 

Durante o ano, as comunidades que vivem fora de Israel celebram as festas judaicas durante um dia a mais do que aqueles que habitam a Terra Santa. No entanto, mesmo os que residem em Israel têm que guardar a data sagrada de Rosh Hashaná por dois dias – no primeiro e segundo dias do mês de Tishrei. O Livro do Zohar, escrito pelo grande místico e mestre da Torá, Rabi Shimon bar Yochai, explica o porquê: Rosh Hashaná, o Dia do Julgamento, representa o atributo Divino da Guevurá – justiça e disciplina severas. E, como todas as criaturas vivas estão sendo julgadas em Rosh Hashaná e não suportariam a aplicação da severa sentença Divina, acrescenta-se um segundo dia à celebração. Esse segundo dia é principalmente governado pelo atributo de Malchut – que, sendo o atributo Divino que permeia o Shabat, é um atributo de julgamento clemente e misericordioso. 

Nos dias que antecedem Rosh Hashaná, reunimo-nos nas sinagogas para recitar as preces de Selichot – pedidos de perdão Divino. O Zohar revela a importância da confissão dos pecados diante do Criador: “Aquele que encobre suas transgressões, jamais prosperará; mas quem as confessa e abandona, obterá a misericórdia” (Provérbios 28:13) do Santo, Bendito Seja ELE. Rosh Hashaná, portanto, não é apenas um dia de julgamento, mas especialmente de auto-análise e julgamento de nossos próprios atos.

Diariamente, mas em especial durante a festividade de Rosh Hashaná e nos dias que a antecedem e sucedem, cada um de nós deve indagar a si próprio quanto de seus propósitos conseguiu realizar e a que novas determinações de crescimento e aperfeiçoamento pessoal se propôs para o ano que está por iniciar. Cada um de nós, judeus, deve refletir sobre o fato de ter a responsabilidade de “subjugar e conquistar o mundo”, cumprindo as instruções do CRIADOR do Mundo, por ELE entregues a nós em Sua Torá. Em Rosh Hashaná, somos responsabilizados não apenas pelo que fizemos, mas também pelas boas ações que poderíamos ter realizado – e não o fizemos. Fomos bondosos e generosos com os menos favorecidos? Mantivemos nossa fé e elevada moral mesmo diante de provações e atribulações? Oramos com sinceridade e cumprimos os mandamentos de D’us com seriedade de intenção e total entrega? Conseguimos elevar-nos e santificar o mundo através do estudo da Torá – com a plenitude que estava a nosso alcance? O julgamento de Rosh Hashaná requer que pesemos as mínimas e infinitas possibilidades e oportunidades que são colocadas diante de nossos olhos, diariamente.

Ano após ano, nos dois dias de Rosh Hashaná, D’us determina se cada um de nós está desempenhando sua missão de vida em toda a sua plenitude – para assim santificar a si próprio e a todo o mundo, através da proclamação da Majestade do CRIADOR e de ações consoantes com as Suas determinações. Então, enquanto “…todos os habitantes do mundo desfilam diante d’ELE feito um rebanho”…, e ELE, como um pastor, vistoria as suas ovelhas, determinando “o destino de cada criatura e anotando a sua sentença: …quem viverá e quem morrerá…, quem em pobreza e quem em abundância, quem será humilhado e quem será elevado”…eis que, repentinamente, um som penetrante eleva-se da Terra e reverbera, em sua magnitude, pelos Céus. É o chamado do shofar, o simples toque de uma trombeta que anuncia que o Povo Eleito por D’us está coroando-O como seu REI, anunciando a todos os seres vivos que… “O Eterno, D’us de Israel, é Rei Majestoso e Seu Reino a tudo domina”. 

Proclamando mensagens com uma eloqüência que as palavras jamais seriam capazes de transmitir, o simples chamado do shofar desperta a consciência do homem para um compromisso renovado e mais profundo com seus atos e missão de vida.

E D’us MISERICORDIOSO, AQUELE que penetra nas profundezas do coração de cada um de nós, irá certamente responder a nosso propósito de tomar boas resoluções, enviando as Suas bênçãos para que as mesmas se realizem em sua plenitude. 

Que neste Rosh Hashaná possa AQUELE que está nas Alturas Celestiais “erguer-se do Trono do Julgamento e sentar-se no Trono da Misericórdia”, para desta forma inscrever todos os Seus filhos no Livro da Vida, abençoando-os com um ano de paz, saúde, júbilo e tranquilidade material e espiritual.

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As Sete Mistvot que unem a Humanidade

BEM-VINDO AO SITE DE BNEI NÔACH (FILHOS DE NOÉ)

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7_mitsvot

Por Viene Mashíaj

 

Nos Estados Unidos, Japão, Filipinas, Grã Bretanha, França, Turquia e ainda em mais países no mundo, o tema vai tomando impulso. A humanidade descobre mais e mais este padrão de fé, que está de acordo com toda a Criação. A consequência é que o número de pessoas que aceitam como base de suas vidas os 7 mandamentos universais de Noé (também chamado de os 7 mandamentos dos Bnei Nôach/Filhos de Noé ou os mandamentos noaíticos) vai aumentando. Há que se indicar que, embora estes mandamentos sejam denominados de “Noé”, 6 destes 7 foram entregues a Adam, o primeiro homem, mais de 1600 anos antes de Noé. As 6 mitsvót que recebeu Adám no dia de sua Criação estando no Gan Eden são as seguintes:

 

1. Avodá Zará   (עֲבוֹדָה זָרָה)

Proibição de idolatria;

2. ‘Birchat’ (Kilelat) HaShem   (בִּרְכַּת הַשֵׁם)

Proibição de maldizer o nome de D’us;

3. Shefichat Damim   (שְׁפִיכוּת דָּמִים) (ou, Shefichut Damim)

Proibição de Assassinato;

4. Guilui Arayot   (גִּלּוּי עֲרָיוֹת)

Proibição de relações sexuais indevidas;

5. Guezel   (גָּזֵל)

Proibição de roubo;

6. Dinim   (דִּינִים)

Leis. A obrigação de estabelecer tribunais de leis que velem pela justiça e mantenham tanto a retidão como a moralidade humanas em conformidade com as Sete Leis Universais.

 

Estas leis foram ordenadas a Adám, o primeiro homem. A degradação da humanidade a que se chegou na época de Noé, trouxe o dilúvio e o extermínio quase total da população mundial. De novo surgiu a necessidade de transmitir e esclarecer aos “filhos de Noé” – a nova humanidade que sobreviveu ao dilúvio – a importância deste padrão de mitsvót, entregue ao homem pelo CRIADOR Bendito Seja. Agora se agrega a Noé uma mitsvá adicional, a sétima mitsvá, chamada Ever Min HaChai (אֵבָר מִן הֶחָי)” (Proibição de comer um membro de um animal vivo) que inclue a obrigação de ter uma relação apropriada com todos os seres vivos no ambiente humano. É natural pensar que depois do dilúvio a humanidade progrediria intelectualmente e conduziria uma vida baseada nestes 7 mandamentos, mas novos pecados como o da geração da dispersão mundial, quando se construiu a torre de Babel como escudo contra O CRIADOR do mundo, mostraram que estas sete mitsvót ainda não haviam sido atendidas.

Na entrega da Torá no ano hebraico 2448 (1312 antes da era comum), ocorreu uma mudança essencial. Pela primeira vez na história, toda a humanidade escutou O CRIADOR do mundo ordenando as bases do desenvolvimento de uma sociedade. “Quando D’us deu a Torá, nenhum pássaro cantou, nenhuma vaca mugiu, as criaturas não falaram, o mundo se silenciou e surgiu a Voz Divina: “EU SOU D’us, TEU D’us”, do primeiro mandamento. As 7 mitsvót de Noé se ancoraram nos dez mandamentos. O falar Divino se naturalizou nas 7 mitsvót noaicas como base espiritual de todo homem sobre a face da terra. Simplesmente agora se implantou na alma da Criação de todo homem que está proibido assassinar, proibido roubar, etc.

A expressão da Halachá – a lei judaica do Shulchán Arúch – desta nova constituição que são as 7 mitsvót noaicas se encontra no livro de leis de Maimônides, o Mishnê Torá, dentro das leis de reis do último tomo desta obra: “Ordenou Moisés, nosso mestre, da boca Divina, impor às nações do mundo o cumprimento das 7 mitsvót que foram dadas aos descendentes de Noé”. Milhares de anos se passaram desde então, e no decorrer da história não se dava a possibilidade de influenciar os “goim” – as nações – para que aceitassem as 7 mitsvót noaicas, era perigo de vida para um judeu tentá-lo, pois era tomado como uma incitação de conversão de religião.

Sobre o rei Mashíach está dito que ele provocará que toda a humanidade aceite os 7 mandamentos de Noé, tal qual enuncia Maimônides: “Corrigirá o mundo para que sirvam a D’us unidos, como diz o versículo: “Então farei com que as nações invoquem todas o nome de D’us e O sirvam em união” [(Tsefaniá/Sofonias 3:9)]. Vemos este processo totalmente revelado na atualidade com a campanha de 7 mitsvót iniciada pelo Rebe de Lubavitch para transmitir às nações a informação e estimulá-las a seu cumprimento.

Hoje, existem enormes atividades sobre o tema, através de diversas organizações de Chabád Lubavitch no mundo para aproximar os povos à verdade Divina. Nas últimas semanas, dezenas de homens públicos, com cargos governamentais, e líderes religiosos do mundo, incluindo assombrosamente pessoas do mundo islamo-árabe, como beduinos, drusos, etc, firmaram uma ata de reconhecimento das 7 mitsvót, honrando o chamado do Rebe de Lubavitch sobre o tema, como único caminho para a paz verdadeira e a solidificação da vinda do Mashíach.

 

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Traduzido do espanhol por Noahidebr/Bnei Noach Brasil

 

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As 7 leis: enumeração e explicação

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As 7 leis: enumeração e explicação

 

Por Rabi Uri Cherki

 

As sete leis podem ser divididas em diferentes grupos, que nos indicam o caminho a seguir

 

Segundo o judaísmo, um Noaíta (alternativa em português de Ben Nôach – Filho de Noé) é obrigado a cumprir os Sete Mandamentos básicos, também chamados de As Sete Leis de Hashem para (os Filhos de) Noé – “Shéva Mitsvót Hashém le(Bnei) Nôach”.

 

Segue a enumeração e explicação destes mandamentos:

1) Proibição de idolatria

2) Proibição de blasfêmia

3) Proibição de assassinato

4) Proibição de imoralidade sexual

5) Proibição de roubo

6) Proibição de comer carne de um animal vivo

7) Obrigação de estabelecer um sistema jurídico justo

 

Estas sete leis podem ser divididas em vários grupos:

As duas primeiras leis lidam com a relação entre o Homem e D’us.

Os dois seguintes mandamentos lidam com a relação entre Homem e Homem.

Os quinto e sexto mandamentos lidam com os traços de caráter, entre o Homem e Si Mesmo.

O último mandamento, para estabelecer tribunais de justiça, tem a intenção de criar a estrutura social necessária para a implementação desses mandamentos.

De acordo com esta divisão, a Torá de Israel exige que os noaítas devem emendar-se em três áreas de sua existência: a teológica, a social e a da alma.

 

1. Idolatria

Os noaítas estão proibidos de participar em qualquer tipo de culto pagão. Cabe assinalar que não há mandamento positivo para a forma em que um noaíta deve servir a D’us, pelo contrário, a definição é negativa. Aspectos dessa proibição são: oração, sacrifício, queima de incenso, oferendas de libação, prostração, e qualquer outro ato de adoração que é habitual para com este ídolo.

A rejeição da idolatria é considerado uma grande virtude.

A importância desta lei reside no fato de que a idolatria escraviza o homem, enquanto o serviço de D’us propõe um encontro com a fonte de toda a vida. Por outra parte, uma multiplicidade de divindades prejudica a harmonia interna da psique, forçando a escolher um valor sobre os outros – como o amor, o julgamento, a paz, a verdade, a justiça, ou a beleza – enquanto que a crença monoteísta promove a harmonia entre todos os valores.

 

2. Blasfêmia

Os noaítas estão proibidos de expressar palavras de desprezo para o Criador.

A importância deste mandamento é derivada do fato de que no desprezo a D’us se nega a essência da fonte da vida. Em certos aspectos, pode-se dizer que a obstrução da fonte da vida é pior que assassinato, pois assassinato fere a vida, enquanto o desprezo a Hashem danifica as raízes da própria vida. Encontramos no livro de Vaicrá (Levítico) que as transgressões são classificadas segundo sua gravidade: em primeiro lugar vem a blasfêmia, em segundo o assassinato, depois a matança de animais, e em seguida os danos causados a um ser humano.

 

3. Assassinato

É proibido assassinar outro ser humano. Inclue-se nesta proibição o seguinte: a eutanásia, o aborto, e – por associação – humilhar outra pessoa.

O fundamento desta proibição não é a necessidade de preservar a ordem social, antes, é encontrado na expressão de um valor moral fundamental: “D’us criou o homem à Sua própria imagem”.

De acordo com a Torá, o público tem a autoridade para se defender, e em certos casos, até mesmo para ir para a guerra. Tais casos de derramamento de sangue permitido estão no reino das legislações dos Estados.

 

4. A imoralidade sexual

Vários graus de relações sexuais são proibidos para noaítas. Estes incluem: a própria mãe, a esposa do pai, a irmã da mãe, uma filha, a esposa de um companheiro, irmãos, a homossexualidade, as relações com os animais (bestialidade).

A importância deste mandamento é derivada do fato de que o uso do potencial para criar vida deve permanecer dentro de certos limites para que possa elevar o homem e não degradá-lo. Santidade nas relações íntimas é o cumprimento da bênção de D’us: “Sede fecundos e multiplicai-vos; enchei a terra e sujeitai-a”, que foi dada a Adám.

A proibição de imoralidade sexual decorre das normas de conduta modesta e santa que são desejáveis para todos criados à imagem de D’us.

 

5. Roubo

É proibido para um noaíta roubar a propriedade do seu amigo. Inclue-se nesta proibição o seguinte: retenção de pagamentos do empregado, sequestro e escravidão, e roubar a mulher de outro homem.

A importância deste mandamento é derivado do fato de que a propriedade é, em certa medida, a extensão de sua alma. Isto é o que dizem os nossos sábios (Baba Kama 119a): “Se alguém rouba do seu companheiro uma p’ruta [uma moeda de pouco valor], é como se ele tomou a sua alma.” Portanto, a proibição do roubo é algo de uma prolongação da proibição de assassinato.

A proibição contra o roubo inclui dinheiro ou propriedade que é de pequeno valor – até mesmo menos de uma p’ruta.

 

6. Comer carne de um animal vivo

Os bnei noach não podem comer a carne de um animal que foi tirada enquanto ele estava vivo. Incluem-se nesta proibição comer mariscos e sangue de um animal vivo[*.

 

* Note que aqui diz “sangue de um animal vivo”, não o de um animal morto.]

 

A importância deste mandamento decorre da compaixão geral que a Torá tem para os animais vivos. Apesar de que aos seres humanos foi dado permissão para comer animais (devido à queda da humanidade durante a geração do Dilúvio), é proibido atuar contra eles de forma cruel.

Esta proibição também está vigente depois da morte de um animal que foi tratado com crueldade.

 

7. Tribunais de justiça

Aos noaítas é ordenado estabelecer um sistema judicial em cada sociedade.

Na opinião de Maimônides, este mandamento envolve o estabelecimento de um sistema judicial que se ocupe das transgressões dos seis mandamentos anteriores.

De acordo com Nachmânides, o mandamento requer o estabelecimento de um sistema judicial que irá organizar a ordem em todos os assuntos da sociedade humana, entre eles: os acordos governamentais e as leis do estado.

Em teoria, este mandamento inclui a possibilidade de invocar a pena de morte. Na prática, a punição deve ser imposta de acordo com cada situação particular, a sociedade específica e a progressão moral.

 

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Traduzido do espanhol por Noahidebr/Bnei Noach Brasil

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