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Encontros de Noaítas na Cidade de São Paulo

Participe dos encontros presenciais semanais de Noaítas (Bnei Noach/Filhos de Noé) na Cidade de São Paulo.

 

Os encontros são realizados no Bnei Noach Brasil São Paulo, no Brooklin.

Entrada gratuita.

Contato: (11) 5049-2311

 


Localização:

http://maps.google.com/maps?q=R%2E+Guararapes%2C+909S%2E+Paulo%2C+SP04561%2D001Brazil


 

Com o Rav Yacov Gerenstadt

Rav Yacov G.

· Sobre o Rav Yacov:

http://www.galeinai.com.br/sobre-o-rabino-yacov-gerenstadt

· Sobre o Gal Einai:

http://www.galeinai.com.br/sobre-gal-einai


· Anúncios sobre os encontros em:

http://www.bneinoach.com.br/category/anuncios/


· Assista as aulas postadas em:

http://m.youtube.com/user/galeinaibrasil

· Continuação das aulas postadas em:

http://m.youtube.com/channel/UC4HQ2w_eTzxUd2idW7b-xwA

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Seis textos especialmente selecionados para as questões

D’us existe?

Se sim, qual é a prova disso?

Se D’us existe, por que ELE não SE revela para a Humanidade?

O Judaísmo, invenção humana ou Revelação Divina?

Os judeus, povo de D’us?

Existe mesmo A Palavra de D’us?

E se sim, qual é Ela?

 “Qual é a finalidade da existência de um judeu? Por que será que o povo judeu ainda existe? Qual é a razão deste milagre? Uma vez, ouvi uma estória muito interessante que pode indicar o caminho da resposta. O imperador da Prússia, Frederico o Grande, era filósofo e escritor. Certa vez, durante uma discussão muito profunda com o seu pastor luterano, eles acabaram examinando a questão da existência de D’us. Toda “prova” argumentada pelo pastor era refutada imediatamente pela mente ágil de Frederico. O imperador estava ficando cansado dessa discussão interminável. Ele pediu ao pastor que desse apenas um sinal visível que ninguém pudesse contestar. O pastor fechou os olhos e ficou pensando esforçadamente por um longo tempo. Frederico ficou impaciente e perguntou de novo: “Afinal, há algo que eu possa ver com os meus olhos e que prove a existência de D’us?” O pastor abriu os olhos e respondeu com duas palavras: “Os judeus!”.

 Este relato nos dá um conceito muito importante. Se a sobrevivência do povo judeu for, de fato, um milagre, então tem de haver [um tal] que tenha feito este milagre. O milagre da nossa existência aponta diretamente para D’us. (…) Não somos nada menos do que testemunhas da própria existência de D’us. (…)

 O grande profeta Isaías expressou este conceito de modo muito conciso e atraente, ao proclamar: “Tu (povo de Israel) és a Minha testemunha, diz [HaVaYaH], e o Meu servo que EU escolhi, para que tu possas conhecer-ME e acreditar em MIM e compreender que EU sou [HaVaYaH]. Antes de MIM não houve nenhum D’us formado, e nenhum há de haver depois de MIM. EU, EU Mesmo, sou [HaVaYaH], e além de MIM não há outro salvador” (Isaías 43:10-11).

 (…) A nossa missão consiste em testemunhar a existência de D’us[.] (…) Enquanto a chama permanecer acesa, ardendo dentro de nós, estaremos espalhando a luz de D’us através do mundo inteiro. Este é o nosso segredo. É o nosso destino.” — Rav Aryeh Kaplan, Encontros entre o Céu e a Terra, Editora Maayanot, 2012, páginas 68 a 71.

E respostas mais detalhadas a essas perguntas na Tag: , em 6 textos especialmente selecionados para tratar desses assuntos.

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Revisitando o Jardim do Éden

‘E plantou HaVaYaH, D-us, um jardim no Éden, no Oriente, e lá colocou o homem que criou. E fez brotar da terra, HaVaYaH, D-us, toda árvore cobiçável aos olhos e apetitosa ao paladar, e nesse jardim estavam a Árvore da Vida e a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal’ (Gênese, 2: 8-9).

A história do Jardim do Éden – de Adão e Eva e a serpente, e da partilha do fruto proibido – é universal em seu escopo. Apesar de ser uma história da Torá, não é dirigida exclusivamente ao Povo Judeu. Envolveu pai e mãe de toda a humanidade, pertencendo, portanto, a todos os seres humanos de todas as gerações. De fato, o ocorrido no Jardim do Éden, não constituiu um evento singular em um passado longínquo; constitui uma história recorrente na vida de qualquer homem e qualquer mulher.

A Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal

O pecado de Adão e Eva é por demais conhecido. Enquanto viviam no Jardim do Éden, tinham permissão para comer de todas as árvores, exceto da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal. D’us previne Adão que a conseqüência de se violar a proibição seria a morte. Mas, a despeito do severo alerta, Eva se deixa seduzir pela serpente e partilha do fruto proibido, o qual, mais tarde, oferece ao marido e a todos os animais. Em decorrência disso, a morte é introduzida no mundo e Adão e Eva são banidos do Éden para sempre.

O mais peculiar em todo o incidente é a natureza da proibição, em si. Por que razão haveria de ser proscrito o conhecimento e associado ao pecado e à morte? A superioridade do homem perante os demais reinos reside não apenas em sua capacidade espiritual, mas também na mental. Com efeito, essa mesma Torá, que conta a história de Adão e Eva, exacerba o valor supremo do aprendizado e da busca pelo saber e pela verdade. Como diz o Talmud, quem possui conhecimento, tudo possui; quem não o possui, nada possui.

Outro problema intrigante é o argumento usado pela serpente para convencer Eva a provar do fruto proibido. Era verdadeira a sua alegação de que “No dia em que do fruto comeres, teus olhos se abrirão e serás como D’us, que conhece o bem e o mal”. Isto traz à tona a pergunta: por que razão D’us, que criou o homem à Sua imagem, não quis que desfrutasse de parte de Sua sabedoria?

Ao tentar responder a tais perguntas, é preciso, primeiro, conhecer mais sobre a natureza do primeiro homem e da primeira mulher. Antes de incidir em pecado, a existência física do homem era pura santidade. Como nos ensina Rabi Shimon bar Yochai, autor do Zohar, até o mais espiritual dos seres humanos na História não consegue se equiparar à estatura espiritual de Adão. Ele nasceu para ser imortal e para viver livre de preocupações, esforços e sofrimentos. Sua missão consistia em tornar o Éden mais perfeito e poderoso para que tal perfeição e força pudessem estender-se por todo o mundo.

Adão nasceu sem maldade; mas isso não significa que o mal não existisse no mundo. De fato, o antagonista na história – a serpente – era a própria encarnação do Mal. Os livros místicos sugerem que a serpente, que também personificava a Árvore do Conhecimento, estava exasperada pela imunidade humana ao mal. Ressentia-se do fato de o homem viver livre dos conflitos e tormentos, e, por isso, tentou atraí-lo para um círculo vicioso de luta e sofrimento. Várias outras são as explicações para o que teria levado a serpente a tentar Eva, mas esta, em especial, alinha-se com os ensinamentos cabalísticos de que o mal sente uma irresistível atração pela bondade. Parasita por excelência, o mal se alimenta de santidade e é a bondade o que lhe dá sustento e significado. Exemplificado de forma simplista: o homem malvado apenas ascende ao status de “super-vilão” quando se lança em guerra contra um “super-herói”; caso contrário, não passa de um simples malfeitor. De modo similar, o Mau Instinto não demonstra grande interesse nos indivíduos que com ele naturalmente se alinham. Ao invés disso, não mede esforços tentando atrair os bons e puros. Isto explica o ensinamento talmúdico de que “quanto maior o homem, maior seu instinto maligno”. É por isso que Adão e Eva foram presa fácil da tentação: o Mau Instinto sobre eles lançou potentes forças hostis que os levaram a pecar.

Uma das lições óbvias do episódio da Árvore do Conhecimento é que o homem tem atração pelo que lhe é proibido. A Torá reconhece que… “As águas roubadas são doces…” (Provérbios, 9: 17) – ou seja, é do gênero humano cobiçar o proibido. O fruto proibido se tornou uma metáfora, um símbolo da atração e do fascínio pelo pecado. Desde o Jardim do Éden, isto tem sido uma realidade na vida de praticamente todos os seres humanos. Para alguns, pode tratar-se de algo tão mundano quanto o alimento que não deve ser ingerido; para outros, pode ser uma tentação mais destrutiva, como um relacionamento proibido. Mas, qualquer tentação empalidece face ao que a serpente, falando em nome da Árvore do Conhecimento, ofereceu a Adão e Eva. O partilhar do fruto proibido significava a realização do maior desejo dos homens: a capacidade de se parecer a D’us – controlar o próprio destino e exercer poder sobre o mundo. Sem dúvida, a perspectiva mais atraente que pode ser oferecida a um ser humano: a possibilidade de “cruzar a barreira”, de ir além e se tornar divino. Desde os dias de Adão, o homem tem tentado fazê-lo. Atrai-o a magia, o conhecimento esotérico, o misticismo, tudo na esperança de se sobrepor às dimensões do humano.

À semelhança de outros vilões da história, a serpente foi fiel à sua palavra. Entregou o que prometera. Assim que Eva e Adão comeram do fruto da Árvore do Conhecimento, passaram a possuir algo que era reservado a D’us, algo com que nem mesmo os anjos mais elevados contavam – o livre arbítrio. Por ter provado do fruto do bem e do mal, descobriram dentro de si novas aptidões, tornando-se fatores mais dinâmicos no Universo. Como D’us, ganharam o poder de querer, criar e destruir.

A serpente demonstrou astúcia extraordinária, pois contou a verdade a Eva – mas não a contou por inteiro. Após daquele fruto comer, o homem efetivamente passou a conhecer o bem e o mal; mas, ao contrário do Criador e dos seres espirituais, ele interiorizou tal conhecimento. Os animais não são dotados de livre arbítrio, nem os anjos, que são meros mensageiros divinos, e, portanto, impenetráveis ao mal. O homem, vulnerável a qualquer influência, não tem o dom de conhecer o maligno e permanecer imune ao mesmo. Uma vez tendo provado do fruto proibido, pode continuar sendo boa pessoa, mas jamais recuperará a inocência perdida. Não há riqueza nem sabedoria, por maior que seja, que possa restaurá-la.

Em vista do que acabamos de discutir, podemos tratar do motivo para que o fruto da Árvore do Conhecimento fosse proscrito. Como se pode prever, as respostas são várias. Uma destas diz que o homem não foi criado para saber tudo. De fato, quantas pessoas excelentes e talentosas caíram vítima da confusão intelectual e espiritual, do vício e do comportamento destrutivo, simplesmente por buscarem conhecer e experimentar tudo o que a vida lhes tinha a oferecer? Adão foi proibido de comer da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal porque o homem não tem condições de se manter totalmente alheio e imune àquilo com o que tem contato. D’us sabia que se o homem viesse a conhecer a maldade os resultados seriam desastrosos, pois ele ficaria atraído pelo mal. E foi exatamente o que ocorreu. Após sentir o gosto do fruto proibido, bem e mal se fundiram no interior de Adão e Eva.

Na língua hebraica, a palavra lada’at – “conhecer, saber” – contém um elemento emocional. O versículo que aparece no mesmo capítulo do relato sobre a Árvore do Conhecimento – e que conta que “Adão conheceu Eva, sua mulher” – não contém um eufemismo, como se pensa. Pelo contrário. Conta-nos que um relacionamento físico entre duas pessoas nunca é completamente desvinculado de um elemento emotivo-relacional. Assim o ensinou Rashi, clássico comentarista da Torá: “Conhecer alguém é amá-lo”. E como o amor é um vínculo mais profundo do que qualquer ato da mente ou do intelecto, conhecer algo significa estabelecer uma conexão com este algo. O homem foi criado para jamais conhecer o mal, assim como há situações às quais nenhuma criança jamais deveria ser exposta. Mas desde o pecado de Adão e Eva, a maldade se tornou parte intrínseca de seus descendentes. Sequer importa o que se pensa sobre isto – se o indivíduo desfruta do mal ou se este o repulsa. O simples ato de conhecer implica em arcar com as conseqüências. D’us queria que o homem continuasse santificado, como fora criado, e que não caísse presa da tentação. Pois que a presença da maldade no homem, especialmente em pessoa boa e conscienciosa, é fonte de contínuo sofrimento. É difícil ser bom e, mais ainda, ser espiritual, pois, no decorrer da vida o ser humano freqüentemente se encontra diante da escolha entre duas alternativas terríveis: a frustração de um desejo não realizado ou – infinitamente pior – o amargo gosto do pecado, a dizer, a culpa e a vergonha e o temor da retribuição, quer humana quer Divina.

Desde que provou do fruto proibido, o homem se tornou uma mescla entre bem e mal, luz e escuridão. Explica o Tanya, obra clássica da Cabalá, que o mal se manifesta, no homem, de inúmeras formas: como desejo pelo proibido; como orgulho e raiva indevidos; como depressão e indisposição para fazer o certo; e, talvez o mais freqüente, como frivolidade e desperdício – em outras palavras, o uso inadequado da capacidade, energia e tempo que D’us confiou a cada um de nós. Somente Tzadikim Gamurim – homens e mulheres perfeitamente justos, como Avraham, Moshê Rabenu e Rabi Shimon bar Yochai – são totalmente destituídos de maldade. Mas, infelizmente, tais seres são raríssimos e mesmo esses podem errar. Ademais, mesmo o Tzadik Gamur é forçado a viver em um mundo em que coexistem bem e mal, no qual este ser “justo e puro” se vê cercado de situações em que sempre há uma opção reprovável, não importa em que ambiente se encontre. Consta que Moshê perdeu a paciência em várias ocasiões. Sua fúria, sem dúvida, foi uma falha de comportamento; mas as situações a que foi submetido não lhe permitiram agir de outro modo.

A expressão da raiva foi o único meio que encontrou para corrigir alguns dos problemas surgidos em meio ao povo judeu durante sua jornada de 40 anos a caminho da Terra Prometida.

Um dos temas atemporais na história de Adão e Eva é o fato de que, desde o Jardim de Éden, todos nós, em maior ou menor grau, mantemos um relacionamento de amor e ódio com a serpente. Como está na Torá, “Na porta jaz o pecado; e a ti fazer pecar é o desejo do Mau Instinto; mas tu podes dominá-lo” (Gênese, 4: 7). A serpente aparece de diferentes formas para diferentes pessoas. Muitos seres humanos, como o primeiro casal da Terra, sucumbem a seu encantamento. Outros conseguem dominá-la. Mas, à exceção dos Tzadikim Gamurim, os justos perfeitos, a humanidade é fascinada pela mesma. Isto explica a razão para a mídia e a indústria do entretenimento nos sufocarem de notícias e imagens, a cada dia mais violentas e impróprias: fazem-no porque atraem nosso interesse, mesmo que em sã consciência consideremos repulsivas as imagens – em outras palavras, a serpente. Se o homem apenas fizesse o que Eva devia ter feito, a dizer, ignorar a “tentação”, esta “serpente” perderia sua razão de existir e acabaria desaparecendo. Não nos referimos, aqui, ao mal que se manifesta de forma explícita no mundo e que deve ser combatido e vencido. Estamos falando da “serpente” que vive dentro de cada um de nós. Esta não pode ser vencida enquanto estivermos obcecados, nela pensando e falando. Esta se encolhe e morre somente depois que o homem transfere seu pensamento para outros assuntos, de preferência mais elevados, os quais, pela própria natureza, são diametralmente opostos aos argumentos e tentações lançados pelo Mau Instinto.

Banidos do Jardim do Éden

Pouco após comer da fruta da Árvore do Conhecimento, Adão e Eva são expulsos do Jardim do Éden, pois D’us não permitiria que o homem “estendesse sua mão, retirasse algo da Árvore da Vida, o ingerisse e vivesse para sempre”.

O motivo de sua expulsão traz à tona outra pergunta: por que o homem não podia comer da Árvore da Vida e viver para sempre, eliminando a maldição imposta pelo pecado inicial? Porque a Árvore da Vida não poderia servir como antídoto. Apenas agravaria o problema, pois, uma vez incorporado o mal no ser humano, a Vida Eterna significaria que também o mal viveria para sempre. Há uma história no Zohar que elucida a idéia. Consta que Rabi Acha, de Kfar Tarsha, tentou expiar uma pestilência em uma aldeia queimando incenso. Disseram-lhe que aquilo era inútil, pois os habitantes do vilarejo não haviam expiado seus próprios pecados. Tivessem eles demonstrado arrependimento, a oferenda do incenso promoveria a expiação; caso contrário, apenas serviria de paliativo para desaparecerem os sintomas, mas jamais traria cura à peste. De forma similar, o fruto da Árvore da Vida poderia curar a morte – sintoma do pecado – mas não o pecado em si.

Após o pecado de Adão e Eva, era preciso corrigir as conseqüências de seu ato. Os limites entre bem e mal tinham sido confundidos não só no homem, mas em todo o mundo. Daí ter D’us expulso o ser humano do Jardim de Éden para que fosse cultivar a terra. Para corrigir o dano que causara, o homem teria que refinar o mundo, extirpando o bem que havia no mal. Isto só é alcançado através do cumprimento dos Mandamentos Divinos, meio pelo qual Ele ensinou ao homem o que não fazer, de modo a não aumentar as forças do mal. E pelo qual também determinou quais as ações a realizar com a matéria física, de modo a que o bem que há no mundo pudesse ser espiritualmente elevado.

Neste ponto, a identidade do fruto proibido adquire relevância. Com certeza, esse fruto não era a maçã. Entre nossos Sábios predominava a opinião de que se tratava de uvas, que Eva comeu e utilizou para fazer vinho, que então serviu ao companheiro. Como as uvas foram o elemento físico envolvido no pecado inicial, ajudamos a retificar espiritualmente sua utilização imprópria mediante a oração do Kidush, com vinho – ao santificar o Shabat e as festas judaicas. E, assim fazendo, a mesmíssima fruta que foi consumida em pecado é usada em um ato de santificação – para proclamar que D’us é o Criador do mundo e para santificar Seus dias sagrados. A isto se chama, na Cabalá, Tikun – retificação espiritual. Esta retificação do mundo ocorre quando o homem santifica o mundo físico, utilizando seus elementos com propósito sagrado. Por exemplo, quando o couro é usado para fazer os Tefilin, realiza-se um ato de fissão espiritual: são liberadas as centelhas sagradas existentes na matéria física. Se isso ocorresse constantemente – se o ser humano apenas fizesse o certo sem nunca errar – a “serpente” definharia até a morte, por inanição. O pecado de Adão e Eva seria, então, retificado e suas conseqüências – luta e sofrimento e morte – deixariam de ser parte integral da vida.

O banimento do homem do Jardim do Éden acabou sendo mais uma conseqüência do que uma punição. Ele teria que trabalhar com afinco para reparar o dano causado a si próprio e ao mundo. E pode-se dizer que até mesmo a praga de que “com o suor de teu rosto comerás o teu pão” não veio isenta de alguma bênção em seu interior. Pois o trabalho é o que dá significado à vida do ser humano. E o que se consegue com muita facilidade, dificilmente é valorizado.

A serpente, grande vilã e instigadora, foi punida com exatamente o oposto – uma praga terrível que mais parece uma bênção. Diferentemente do homem que precisa se empenhar para ganhar o seu sustento, a serpente é amaldiçoada por D’us a buscar na terra a sua sobrevivência. De relance, isto parece uma bênção: como o solo é tão abundante, o réptil jamais passará fome. Mas, no íntimo, este decreto é o próprio significado do inferno. A serpente pode ser comparada a um filho que cometeu uma maldade tão monstruosa que leva o pai a expulsá-lo de casa. E lhe diz: “Eu o criei e, portanto, não posso deixá-lo morrer de fome. Por isso, dou-lhe agora todo o dinheiro de que necessitará, na vida, para que nunca mais me procure – pois jamais quero tornar a vê-lo ou saber de seu paradeiro”.

Aqui jaz outra grande lição na história do Éden. Por vezes, D’us provê pessoas malvadas de tudo o que necessitam e desejam porque Ele não deseja contatos com esses indivíduos. Ao mesmo tempo, muita gente boa passa por dificuldades na vida exatamente pelo fato de D’us se preocupar em ouvir suas preces. Ele sente falta desses Seus filhos e quer ver melhorar o seu comportamento, ligando sua alma a Ele por meio da prece, do estudo da Sabedoria Divina e da realização de atos de caridade e bondade.

A pergunta de D’us a Adão

Ao estudar a história do Jardim do Éden, não podemos esquecer um princípio básico no judaísmo: sob circunstância alguma acreditamos na existência de poderes independentes; nada, nem mesmo o Mal, consegue se opor a D’us. A serpente personificou o Mau Instinto, que é o próprio Anjo da Morte. E, por se tratar de um anjo – simples mensageiro de D’us – entranhado na carne de um animal, este não possuía livre arbítrio. O castigo da serpente simboliza a maldição que é lançada contra os malfeitores, especialmente aqueles que influenciam terceiros a fazer o mal.

Já que a serpente, agindo em nome da Árvore do Conhecimento, apenas desempenhava sua tarefa, podemos especular – como ousaram fazer alguns comentaristas – que D’us teria feito propositalmente com que Adão e Eva deslizassem, caindo em pecado. Pois se D’us não desejasse que o homem comesse do fruto proibido, por que razão teria criado a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal? A resposta não pode ser o “livre arbítrio”, porque vimos acima que antes do pecado original, o homem não fora agraciado com esse dom divino. E, assim, ao contrário do que sugerimos acima, talvez o homem não tenha nascido para viver livre do mal. Como ensinam os livros místicos, se D’us tivesse desejado que o homem fosse perfeito, que orasse e estudasse a Torá todas as horas do dia, ele poderia ter criado milhões de anjos mais, que nada fazem além de O servir e louvar. Ao invés disso, criou um ser diferente dos anjos e dos animais – uma criatura que pode livremente escolher entre o bem e o mal. Não fosse o pecado original, isto jamais teria sido possível.

Como explica o Tanya, D’us permitiu que existisse o mal porque sem este o homem viveria sem se esforçar. Se não houvesse batalhas, não haveria vitórias. A existência humana adquire significado na batalha entre o bem e o mal: a bondade ganha força quando luta e vence o Mau Instinto. Retornando a uma analogia acima utilizada, um vilão necessita de um super-herói para justificar sua existência. Mas o oposto também é verdadeiro: se não houver vilões, para que heróis? O homem é a jóia da coroa da Criação porque, contrariamente a todas as demais criaturas, ele pode vencer batalhas interiores, em sua alma, e optar por fazer o certo – a despeito de todas as tentações, interiores e exteriores, com que sempre se defronta.

Uma história que reflete o que talvez seja a maior mensagem que D’us nos transmite através do relato sobre o Éden envolve o autor do Tanya, Rabi Shneur Zalman de Liadi. Enquanto encarcerado em uma prisão russa – após a falsa acusação de atividades subversivas contra o Czar – ele foi submetido a intenso interrogatório. As autoridades carcerárias sabiam tratar-se de um grande erudito e filósofo, daí terem-no engajado em horas a fio de discussões teológicas e filosóficas. Certa vez, o investigador-chefe lhe perguntou: “Sua Torá relata que após o pecado de Adão, comendo do fruto da Árvore do Conhecimento, D’us o confronta com a pergunta: ‘Onde estás?’ D’us obviamente sabe onde estão os homens!” O Rebe, Baal HaTanya, retrucou: “Você acredita que a Torá é eterna e que suas lições se aplicam a todos os homens, em todas as épocas? Quando o russo respondeu que sim, o Rabi Shneur Zalman começou a explicar: ‘Onde você está’ é o chamado de D’us a todos os homens da Terra. Ele está perguntando: ‘Em que ponto de sua jornada você se encontra?’. Cada um de nós recebeu tantos dias e tantos anos na Terra, e portanto é necessário nos perguntarmos, constantemente, o que conseguimos realizar nesses anos e quanto de bem contribuímos ao mundo”.

A pergunta de D’us a Adão, pai de toda a humanidade, ecoa na eternidade. Continua a ser constantemente feita a todo ser humano. Quando o homem ousa respondê-la – quando percebe que não veio ao mundo por acaso, mas foi enviado por D’us para aqui cumprir uma missão Divina, ele atinge um nível mais alto de conscientização e embarca em um caminho que o levará a uma existência mais significativa. Esta percepção do homem – de que D’us o chama e sente sua falta, de que espera que ele faça algo construtivo e belo de sua vida e de seu mundo – esta percepção é o início de uma jornada longa e árdua, às vezes dolorosa, mas que o conduzirá de volta ao Jardim do Éden.

Por Instituto Morashá de Cultura

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É permitido a um não-judeu estudar a Torá?

É permitido a um não-judeu estudar a Torá?

Por Rabino Shamai Ende

No Talmud (Sanhedrin 59a) encontramos duas opiniões opostas sobre este assunto muito delicado, que ocorre com frequência na vida atual. Lá, conclui-se que a proibição de estudar a Torá com um não-judeu não se aplica às sete mitsvot (as chamadas leis dos filhos de Noé) que eles têm a obrigação de conhecer e cumprir.

Assim também Maimônides, em seu livro Mishnê Torá (hilchot melachim 8:10), escreve: “Nosso mestre Moshê transmitiu a Torá e seus mandamentos somente ao povo de Israel e aos que desejarem converter-se. Ele também nos ordenou, a mando de D’us, que devemos instruir todos os habitantes do mundo a receber sobre si as sete Mitsvot que os filhos de Noé (toda a humanidade) foram ordenados a cumprir. Aquele que aceitá-las e tomar o cuidado de cumpri-las é considerado um chassid (devoto) entre os povos, e tem parte no mundo vindouro, contanto que assim o fizer e aceitar, por ordem Divina explícita na Torá, por intermédio de Moshê, nosso mestre”.

No capítulo seguinte, Maimônides nos ensina a lista e os detalhes dos sete mandamentos de toda a humanidade a serem seguidos: 1. A proibição de praticar idolatria; 2. De blasfemar contra D’us; 3. De cometer homicídio; 4. De manter relações incestuosas e cometer adultério; 5. De roubar; 6. A obrigação de instituir um sistema judiciário; e 7. A proibição de ingerir um órgão de um animal que foi extraído ainda em vida.

Desta forma, temos a obrigação de ensinar a um não-judeu todas as leis dessas mitsvot, que incluem muitos detalhes, como estudos profundos que reforçam a fé em D’us; as leis de recato que nos levam a não transgredir atos imorais; as leis judiciais do Talmud aplicadas a todo ser humano; as minuciosas proibições de roubar, enganar e prejudicar o próximo; as leis de tsedacá e justiça social; reforçar atos de bondade etc.

O Rebe lançou uma campanha mundial para propagar essas mitsvot para toda a humanidade, e explicou que o fato de não termos notícias de que no último milênio os sábios judeus difundiram essa lei deve-se às inúmeras perseguições que nosso povo sofreu durante a história, sem que tivéssemos a possibilidade de exercer alguma in- fluência sobre as demais nações do mundo. No entanto, na época atual, quando deixamos de ser o povo perseguido e tornamo-nos muito influentes em vários setores, passa a ser uma obrigação de cada judeu cumprir essa lei, instruindo todos os povos a cumprir as suas.

O Rebe ainda frisou que essa é a melhor solução para vários problemas atuais, como a violência, a imoralidade, a decadência da educação, os conflitos etc., pois uma pequena luz pode dissipar muita escuridão. Desta forma estaremos construindo um mundo melhor, preparando a humanidade para receber a era messiânica, quando todos os povos habitarão em paz e harmonia, conforme consta (Yeshayahu [Isaías] 2:4): “Não levantará um povo sobre outro a espada, e não mais aprenderão a guerrear”, e juntos servirão a D’us, como disse o profeta (Tsefaniá [Sofonias] 3:9): “Então, transformarei todos os povos em uma nação com um idioma claro em que todos clamarão o nome de D’us e o servirão com igualdade”.

© Chabad

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Pode um homossexual venerar a Deus?

Pode um homossexual venerar a Deus?

 

Por Rav Yitzchak Ginsburgh

 

Toda pessoa pode reverenciar a D’us. Até mesmo aquele que não vive 100% nos caminhos de D’us e da Torá, ainda pode acreditar em D’us. À medida que se desenvolve sua crença em D’us, também se desenvolverá e fortalecerá sua convicção de observar os mandamentos Divinos. Não há nada que impeça uma pessoa de venerar O Único e Singular D’us de Israel.

No entanto, deve ficar muito claro que a condição que você descreve em sua carta é definitivamente proibida na Torá. Se é proibida, isso significa que esta não é uma condição natural, como muita gente acredita. Uma pessoa pode ser criada com alguma tendência, mas lhe é dada o poder em sua alma para dominar suas inclinações negativas. A condição que você descreve é uma inclinação muito negativa. Ao ordenar superar esta inclinação, a Torá dá à pessoa que crê em D’us e na Torá o poder espiritual para dominar essa tendência. Consequentemente ela pode adquirir uma tendência positiva, casar-se adequadamente como deseja a Torá e gerar filhos bons e saudáveis.

O Arizal descreveu uma grande quantidade de retificações para a homossexualidade. O principal é – “maalin bakodesh” – sempre ascender em santidade, de um nível para o nível seguinte. Que você tenha o mérito de fazê-lo com alegria em seu coração!

Se uma pessoa não pode superar ou tirar seus pensamentos dos sentimentos que você descreve, ela deve evitar as pessoas que fazem-na se sentir dessa maneira.

Concentrando-se no estudo da Torá, você pode superar totalmente esses sentimentos.

Quando seus pensamentos estão completamente concentrados na santidade, não há “espaço” para esses sentimentos. Seria importante também você se mudar para um novo lugar, preferivelmente Israel, se for judeu, onde possa conhecer gente nova e começar uma nova vida. Como sabemos – “meshane makom meshane mazal” – mude seu lugar, mude seu mazal!

Desejo-lhe muito êxito em seu empenho para desenvolver sua verdadeira conexão com o Divino.

 

© Rav Yitzchak Ginsburgh

 

Traduzido do espanhol por Noahidebr.

 

© Noahidebr 2015-2017

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O Caminho Especial para os não-judeus

O Caminho Especial para os não-judeus

 

Por Breslev Israel

 

Os não-judeus têm um caminho especial; eles não têm que se converter ao Judaísmo a fim de estabelecer uma relação pessoal significativa com O Criador

 

Os 7 Mandamentos Noaicos

 

Breslev Israel se sente feliz de apresentar aos nossos leitores os Sete Mandamentos Universais – o modo de vida dado por Nosso Criador para todas as nações do mundo. O Judaísmo não exige que um não-judeu se converta com o fim de aproximar-se do Criador, transformar o mundo no melhor lugar possível, e ter uma vida de moralidade, enriquecimento, tranquilidade e alegria. De fato, existe um caminho especial para os gentios.

As Leis Noaíticas, às vezes chamadas Os Sete Mandamentos Universais ou Shéva Mitsvót Hashém leBnei Nôah (Os 7 Mandamentos {As 7 Leis} de Hashém para os Filhos de Noé), são derivadas do Capítulo 9 de Bereshít ou Gênesis, que é parte do Pentateuco – os Cinco Livros de Moisés, que são uma parte de toda a Torá. Sim, a Torá não é apenas o Pentateuco. De fato, a Torá não é só um livro. Em uma definição mais ampla, são os Cinco Livros de Moisés, a Bíblia Hebraica (como os Salmos, os Provérbios, etc.), a Lei Oral (o Talmud, composto da Mishná e da Guemará), os Midrashim, o conjunto de “Perguntas e Respostas” (na qual rabinos qualificados respondem a perguntas sobre Judaísmo e Leis Judaicas), e o Zohar.

As Sete Leis Universais são:

1. Não adorar ídolos.

2. Não blasfemar ou maldizer a D’us.

3. Não assassinar.

4. Não roubar.

5. Não ter comportamento sexual ilícito.

6. Estabelecer cortes supremas de justiça.

7. Não comer o membro de um animal vivo.

Seis destas Leis existiram e eram conhecidas desde os tempos de Adám e Havá (Adão e Eva), mas a sétima, relacionada com o tratamento adequado aos animais, foi dada depois do Mabúl (Dilúvio) a Nôah (Noé) e a sua família, que foram escolhidos para repovoar a Terra, evento muito parecido ao de Adám e Havá. Essas são Leis básicas para todo ser humano – porque todos descendemos de Nôah e sua família, que receberam-nas. Também os judeus, até receberem a Torá no Monte Sinai, seguiram essas Leis. Se nós não-judeus (ou gentios) observamos estas Leis, temos parte no Olam Habá, ou o Mundo Vindouro (o Mundo por Vir). No entanto, é crucial entender muito bem que a ênfase no Judaísmo não está no Mundo Vindouro, mas em viver corretamente neste mundo. Obedecer os Sete Mandamentos Universais nos une com O Criador aqui e agora, enriquecendo enormemente nossas vidas, as dos que nos rodeiam, e o mundo em que vivemos. Isso também nos faz participar com os judeus na correção do mundo, mas segundo um caminho que foi designado especialmente para nós.

A Torá requer que os judeus cumpram 613 Mitsvót, ou Mandamentos. Da perspectiva da Torá, o trabalho (espiritual) de um judeu é diferente do de um gentio. Em termos muito simples, para cumprir nosso trabalho como não-judeus, a única coisa que devemos fazer é viver de acordo com os seis Mandamentos dados a Adám e Havá e o sétimo dado a Nôah e a sua família. Dentro do Judaísmo “ortodoxo” existem diferentes opiniões concernentes a até que ponto os gentios poderiam ir além dos Sete Mandamentos Universais. Isto pode ser muito confuso para os “Bnei Nôah” (Filhos de Noé), os gentios que se comprometem a viver em concordância com os Sete Mandamentos Universais. Alguns rabinos declaram enfaticamente que os gentios não deveriam ir de maneira alguma além de uma interpretação limitada das Sete Leis. No outro extremo, há rabinos que sustentam que os Bnei Nôah podem – em certos aspectos e em certas circunstâncias – viver segundo outras Leis da Torá. O melhor para um Ben ou uma Bat Nôah, ou seja, um Filho ou uma Filha de Noé, é ter o seu próprio rabino e proceder com cuidado sob sua orientação.

É importante notar que simplesmente crer na verdade da Torá não nos faz – a nós gentios – judeus. Para que um não-judeu se transforme em um judeu, ele ou ela deve converter-se ao Judaísmo. Até então nós somos gentios e devemos viver da maneira mais apropriada para nós. Você não tem que mudar seu velho modo de vida para se fazer um Ben ou uma Bat Nôah. Você o é simplesmente aceitando as Sete Leis e empreendendo uma vida conduzida por elas.

Alguns Bnei Nôah podem decidir viver uma vida espiritual rigorosa, aprendendo muita Torá de forma adequada para não-judeus, dedicando uma parte significativa do seu tempo à oração, trabalhando em estreita colaboração com rabinos, compartilhando – por solidariedade – do espírito de alegria sentido pelos judeus quando eles estão honrando o shabat ou celebrando suas (próprias) festividades, sempre de uma forma adequada para gentios – de uma forma determinada para Bnei Nôah. Este tipo de gente pode decidir criar um vínculo de camaradagem com a comunidade judaica, participar no desenvolvimento das comunidades e instituições de Bnei Nôah, aprender hebraico, etc. Ao contrário de muitas religiões, não há nenhuma obrigação para os crentes gentios irem a um lugar de culto e não temos cerimônias religiosas especiais. O caminho mais rigoroso pode enriquecer enormemente, mas não sem grandes desafios. Muitos rabinos nunca abordaram amplamente esta questão dos Sete Mandamentos Universais, por esse motivo é difícil para eles nos orientar propriamente. Encontrar uma comunidade pode não ser fácil para nós dado que, no presente momento, somos poucos. E como poderíamos nos incorporar às comunidades judaicas de forma adequada realmente ainda deve ser determinado. Para dizer em termos mais diretos, um Ben ou uma Bat Nôah pode ser visto como um verdadeiro pacote de problemas para um rabino “ortodoxo” ocupado, e digo isto com todo o devido respeito.

Outros Bnei Nôah podem decidir viver uma vida religiosa mais simples. Eles utilizam os Sete Mandamentos Universais como um padrão básico para viver uma vida reta. Usam oração simples, ditas com suas próprias palavras, para unirem-se com O Criador, manterem-se sóbrios, e desfrutarem da imensa beleza do mundo que D’us criou para nós. Esta também é uma existência maravilhosa e totalmente válida para o gentio. Não temos nenhuma obrigação de viver a complexa vida religiosa de um judeu “ortodoxo” para agradar Nosso Criador. Este é, em nossa realidade (não-judaica), um método muito mais fácil para viver de acordo com as Sete Leis, uma vez que o número de Bnei Nôah é todavia muito pequeno e que estão dispersos por todo o mundo, e, dada a complexidade, a partir de uma perspectiva “ortodoxa”, de judeus e Bnei Nôah vivendo juntos numa comunidade próxima.

 

© Breslev Israel

 

Traduzido do espanhol e editado por Noahidebr.

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OS TREZE PRINCÍPIOS DA FÉ JUDAICA

Noaísmo e A TORÁ E OS JUDEUS E O JUDAÍSMO


 

“Assim disse HaVaYaH dos Exércitos: ‘Naqueles dias, dez homens de diferentes línguas e de todas as nações segurarão a orla das vestes de um judeu, dizendo: Iremos contigo, porque sabemos que D’us está contigo!’” – Zechariá (Zacarias) 8:23

1° A VERDADE HISTÓRICA DA REVELAÇÃO DIVINA NO SINAI

2° A AUTORIA DA TORÁ

3° CONHECIMENTO E FÉ

4° OS FUNDAMENTOS DO JUDAÍSMO

5° A TORÁ ORAL

6° OS TREZE PRINCÍPIOS DA FÉ JUDAICA


 

OS TREZE PRINCÍPIOS DA FÉ JUDAICA

Os Treze Princípios de Fé Judaica de Maimônides são uma das declarações mais claras e concisas da crença judaica. São, de fato, sua pedra fundamental. Maimônides foi o maior codificador e filósofo na História Judaica. Também conhecido como Rambam (Rabenu Moshe ben Maimon), Maimônides estudou a totalidade da literatura judaica sagrada e codificou os princípios do judaísmo. O Povo Judeu aceitou esses princípios como a crença clara e inequívoca do judaísmo.

Nosso propósito aqui é apresentar e discutir brevemente cada um dos Treze Princípios de Fé de Maimônides. Esses treze enunciados são a essência da crença judaica. Ao estudá-los, aprendemos sobre o que torna único o judaísmo: aquilo no que nós, judeus, cremos; por que cremos no que cremos; e porque não é possível para o Povo Judeu adotar as crenças e práticas de outras religiões.

Os Treze Princípios de Fé Judaica

Primeiro Princípio:

“Creio com plena fé que D’us é o Criador de todas as criaturas e as dirige. Só Ele fez, faz e fará tudo”.

O Primeiro Princípio de Maimônides é a crença na existência de D’us. Este é o princípio fundamental do judaísmo, o pilar de todos os demais. O judaísmo se  inicia e termina em D’us. Como escreve Maimônides: “A base fundamental e pilar da sabedoria é a compreensão de que há um “Ser” inicial que fez todo o restante existir”. Tudo o mais nos Céus e na terra apenas existe como resultado da realidade de Sua existência (Yad, Yesodey HaTorah 1:1).

Segundo o judaísmo, D’us é a origem, essência e vida de tudo. D’us não é apenas um conceito religioso, mas a Realidade Absoluta. O judaísmo ensina que somente D’us é real, e a existência de tudo é tênue e condicionada à Vontade d’Ele. Muitas pessoas têm certeza de sua própria existência, mas questionam a existência Divina.

O judaísmo nos ensina que a existência Divina é certa e absoluta, ao passo que a de todo o restante é questionável. Ademais, o judaísmo afirma que D’us é completamente independente de toda a Sua criação, ao passo que tudo o que existe é completa e incessantemente dependente d’Ele. Isto significa que D’us não apenas criou tudo o que existe, mas Ele também o mantém, constantemente.  Nos livros sagrados judaicos encontramos com frequência que um dos nomes de D’us é HaMakom – “O Lugar”.  A razão para essa denominação, segundo o Midrash, é que “D’us é o lugar do mundo, mas o mundo não é o lugar de D’us”. Isso significa que o mundo existe dentro de D’us, e não que há um D’us nos reinos espirituais e um universo físico que existe fora d’Ele.

A Cabalá ensina que o maior milagre de todos, possibilitado por um D’us onipotente, é que um mundo finito existe dentro de um Ser Infinito sem se tornar inexistente pela infinitude.  O mandamento de acreditar em D’us é o primeiro dos Dez Mandamentos: “Eu sou HaVaYaH, teu D’us…”.

Segundo Princípio:

“Creio com plena fé que o Criador é Único. Não há unicidade igual à d’Ele. Só ele é nosso D’us; Ele sempre existiu, existe e existirá”.

A proclamação fundamental da fé judaica, que os judeus devem recitar diariamente, duas vezes ao dia, é o Shemá Israel, “Escuta, Israel! HaVaYaH é nosso D’us, HaVaYaH é um só!” (Deuteronômio, 6:4). Ao recitar o Shemá, afirmamos nossa fé em D’us e proclamamos Sua unicidade.

A unicidade Divina é um princípio central do judaísmo. A existência  e a unidade de D’us andam lado a lado. O judeu que não crê na unidade absoluta de D’us, na verdade não crê em D’us, ou melhor, crê em um deus que não existe.

A unicidade de D’us é um tema complexo, muito além do escopo deste trabalho; mas é essencial observar o seguinte. Crer na unidade Divina significa não atribuir poder a nada ou ninguém a não ser a D’us. Ele é o único Mestre do Universo. Não podemos sequer atribuir poder independente a anjos, muito menos a objetos inanimados, tais como  os corpos celestiais, ou a seres humanos.

Muitas religiões creem em D’us, mas também em outras forças independentes no universo, ou possuem um conceito diferente da unidade Divina. Cada nação tem seu próprio caminho para chegar a D’us e sua própria maneira de se relacionar com Ele. Contudo, como D’us Se revelou a todo o Povo Judeu no Monte Sinai e lhes deu a Sua Torá, Ele exige do Povo Judeu que acredite em Sua unicidade absoluta e incomparável.

O judaísmo ensina que a unidade de D’us não é como a de uma espécie, que engloba muitos indivíduos. Para um judeu atribuir a D’us qualquer tipo de divisão – mesmo entre as Sefirot – é pura idolatria. E este é um dos poucos pecados que um judeu não pode cometer nem ao custo de sua própria vida.

A unicidade de D’us significa que Ele é uno, singular e indivisível. Significa que Ele é a única Realidade e fonte de poder no mundo. Nada se compara a Ele, nem o anjo mais elevado nem o mais santo entre os humanos. Um judeu que questiona a unidade Divina viola o segundo dos Dez Mandamentos: “Não terás outros deuses diante de Mim” (Êxodo, 20:3).

Terceiro Princípio:

“Creio com plena fé que o Criador não possui um corpo. Conceitos físicos não se aplicam a Ele.  Não há nada que se assemelhe a Ele”.

O Terceiro Princípio é que D’us não é físico, não tem corpo. Como D’us é infinito, os conceitos de fisicalidade não se aplicam a Ele, em hipótese alguma, pois tudo o que é físico é, por definição, finito. O universo, por exemplo, em sua imensidão, é finito. O conceito de infinitude, portanto, apenas se aplica a D’us.

É importante observar que a Torá fala, com frequência, de D’us como se Ele tivesse atributos físicos (como “os olhos de D’us”) e como se Ele tivesse reações humanas (D’us “se recorda”, ou “se zanga”). Quando se refere a D’us, a Torá emprega metáforas para que até mesmo uma criança possa relacionar-se com seus ensinamentos. Se, em vez de dizer, “D’us se zangou”, a Torá dissesse que “o Atributo de Guevurá Divina foi despertado”, muitos de nós não entenderíamos o que a Torá estava a nos transmitir.

Podemos perguntar, “Se D’us  é Onipotente, o que o impede  de assumir forma física ou humana?” Na verdade, o princípio de que a fisicalidade não se aplica a D’us parece desafiar o conceito de que D’us é onipotente. Diante de tais paradoxos, devemos ter em mente que, pelo fato de D’us estar acima de quaisquer limitações, não podemos empregar a lógica humana para  O entender. Isso não significa que a crença em D’us é ilógica. Significa que como um ser finito não pode entender o Infinito, tudo o que podemos conhecer acerca de D’us  é o que Ele nos fez conhecer através de Sua Torá. Quanto a questionar  se D’us pode assumir forma física  ou humana, isso não é nada diferente do que perguntar se D’us pode cometer suicídio ou criar uma divindade mais forte do que Ele ou mesmo uma pedra que Ele mesmo não consiga levantar. Esses paradoxos não se aplicam a um Ser Onipotente e, de fato, são insolúveis e intermináveis. Considerem o seguinte: como D’us é Onipotente, Ele pode, sim, criar uma pedra que Ele Próprio não consiga levantar, mas, como Ele é Onipotente, após ter criado essa tal pedra, ele consegue levantá-la.

A mente humana, finita e falível, conhece apenas uma parte infinitesimal acerca do universo finito em que habitamos. Muito menos é o que sabemos sobre D’us.

O pouco que sabemos é o que D’us nos revelou através de Sua Torá. Na Torá, Ele nos diz que Ele não muda. Isso é fácil de entender: como D’us é atemporal, e a mudança é uma função do tempo, o conceito de mudança não se aplica a D’us. Portanto, Ele, por definição, não faz nada que possa causar uma mudança em Si mesmo. Sua infinitude, Sua onipotência, Sua unicidade, Sua eternidade e Sua não-fisicalidade, entre todos os Seus demais atributos, são atemporais e, portanto, eternos e imutáveis.

Quarto Princípio:

“Creio com plena fé que o Criador é o primeiro e o último”.

O Quarto Princípio envolve a eternidade absoluta de D’us. Nada mais compartilha Sua qualidade Eterna. A Torá discute esse ponto repetidamente.

No Terceiro Princípio acima, vimos que D’us é um Ser atemporal: os conceitos de tempo não se aplicam a Ele. Ele é o primeiro e o último, no sentido de que como Ele está além do tempo, os conceitos de antes, durante e depois não se aplicam a Ele. Ele não teve começo e não tem fim.

Muitas pessoas perguntam: “D’us criou tudo, mas quem O criou?”.  A resposta, obviamente, é: ninguém. A criação implica em um início, que é uma função de tempo. E D’us é atemporal, eterno: Ele sempre existiu e sempre existirá. Portanto, D’us não teve origem nem criador. O universo, no entanto, teve um início, e sua origem é D’us.

A Teoria da Relatividade nos ensina que o espaço e o tempo são atributos da matéria. Isso significa que quando D’us criou um universo físico, Ele também criou o espaço e o tempo. Como D’us precede a Sua criação, os conceitos de matéria, espaço e tempo não se aplicam a Ele, de forma alguma. Muitos perguntam: “Quanto tempo D’us esperou  antes de criar o universo?”.  A resposta, novamente, é que antes da criação do universo, o conceito  de tempo não existia. Não se pode falar de tempo antes da Criação. D’us criou tudo o que existe, inclusive o conceito de tempo, e continua a manter toda a Criação, incessantemente.

Quinto Princípio:

“Creio com plena fé ser adequado orar somente ao Criador. Não se deve rezar para ninguém ou nada mais”.

O Quinto Princípio nos ensina que é absolutamente proibido orar a qualquer outro que não seja D’us. Para o judeu, é pura idolatria orar até mesmo aos mais elevados anjos Divinos. Como D’us é a Realidade Absoluta – pois Ele é uno, ilimitado e Eterno – não há lugar para qualquer outro poder independente no universo. Como D’us é Infinito, está em toda parte e prontamente acessível a qualquer um. Por ser a única Realidade no universo, não apenas seria profano, mas também ilógico orar a qualquer outro que não Ele.

O judaísmo proíbe totalmente que haja um intermediário entre um judeu e D’us. Podemos pedir que alguém nos abençoe e mesmo que ore por nós, mas não oramos a nenhum intermediário – nem a um anjo, nem a outro ser humano, independentemente de quão santificado possa ser. Podemos pedir a outros que orem por nós, mas isso também não nos isenta de nossa obrigação diária de orar a D’us.

Sexto Princípio:

“Creio com plena fé que todas as palavras dos profetas são autênticas”.

O Sexto Princípio refere-se à profecia.

A profecia é um elemento necessário da religião, porque para que D’us Infinito e o homem finito tenham um relacionamento significativo, há que haver alguma forma de comunicação entre os mesmos. O homem não pode viver de acordo com a Vontade Divina a menos que D’us a revele a ele. A função do profeta é transmitir as mensagens Divinas, seja ao indivíduo seja às nações.

É importante observar que uma pessoa que realiza milagres ou prevê com precisão o futuro não é, necessariamente, um profeta. Os feiticeiros do Faraó também conseguiam realizar milagres – fazer a água virar sangue, entre outros – e, com certeza, não eram profetas de D’us. Um verdadeiro profeta judeu não é simplesmente alguém que consegue realizar milagres – mas um servo de D’us, totalmente devotado à Torá e a seus mandamentos.

A função de um profeta judeu é fortalecer a fé do povo no Todo Poderoso e em Sua Torá. Se alguém alegando ser profeta se opõe à Torá de qualquer maneira que seja, ele é um falso profeta, não importa quantos milagres consiga realizar.

Sétimo Princípio:

“Creio com plena fé que a profecia de Moshé Rabenu é verdadeira. Ele foi o mais importante de todos os profetas, antes e depois dele”.

Diferentemente das demais religiões, o judaísmo não atribui poder divino algum a seus patriarcas, profetas e líderes. A Torá ensina que Moshé, o maior de todos os profetas, era um simples ser humano, nascido de pais humanos como qualquer um de nós. Ele era o mais humilde dos homens e chegou ao mais elevado nível espiritual que um ser humano pode atingir. Ele soube compreender a Divindade em um grau que superou qualquer ser que existiu.

Diferentemente dos demais profetas, antes e depois dele, Moshé falou com D’us “face a face”, como amigos que conversam entre si. Ele foi, portanto, o canal usado por D’us para transmitir Sua Torá ao Povo Judeu. Moshé apenas repetiu o que D’us lhe disse, e, portanto, qualquer profeta que contradissesse suas palavras, estaria contradizendo as palavras do Altíssimo.

É fundamental observar, como ensina Maimônides, que o Povo Judeu não acredita em Moshé por causa dos milagres que realizou. Milagres não comprovam nada: feiticeiros e idólatras também conseguem realizar atos sobrenaturais. Acreditamos em Moshé não por causa das  10 Pragas e da Divisão do Mar, mas pelo ocorrido no Monte Sinai. A Revelação Divina no Sinai é a única prova real de que a profecia de Moshé foi verdadeira. A Torá ensina que D’us disse a Moshé: “Eis que Eu venho a ti, na espessura da nuvem, para que o povo ouça enquanto Eu falo contigo, e também em ti crerão para sempre” (Êxodo, 19:9). Milhões de judeus testemunharam essa Revelação Divina, que finalmente consolidou a alegação de Moshé de que ele era emissário de D’us.

Como ele foi o maior de todos os profetas – nem mesmo o Mashiach será um profeta de seu calibre – não aceitamos que qualquer pessoa que alegue ser profeta tente refutar sua profecia. Não o aceitaríamos, independentemente de quão grandes fossem seus milagres. Como cremos em Moshé devido à Revelação Divina no Sinai, e não devido aos milagres que realizou, os milagres realizados por outra pessoa não têm precedência sobre a Torá, em hipótese alguma.

Oitavo Princípio:

“Creio com plena fé que toda a Torá que se encontra em nosso poder foi dada a Moshé Rabenu”.

O Oitavo Princípio significa que a Torá que nos foi entregue por Moshé foi originada por D’us. A Torá é a “Palavra de D’us”, não de Moshé. D’us transmitiu a Torá a Moshé, letra por letra, e ele meramente as escreveu como um secretário que ouve um ditado. Ele foi o “secretário” de D’us.

Segundo o judaísmo, a Torá é a Sabedoria Divina. Como seu Autor é perfeito e eterno, assim é a Torá. Se um ser humano tivesse escrito a Torá, até alguém tão sagrado quanto Moshé, estaria sujeita a correções e mudanças. Como foi escrita por D’us, é imutável. É por isto que, segundo a Lei Judaica, um pergaminho de Torá não pode conter erro algum: se apenas uma única letra estiver faltando ou incorreta, todo o Sefer Torá fica invalidado.

Cada letra, palavra ou versículo da Torá são igualmente sagrados. O judeu que diz que D’us deu a Torá toda à exceção de uma única palavra, que foi composta por Moshé e não por D’us, é um cético da pior espécie.

Cada mandamento dado a Moshé no Monte Sinai foi entregue juntamente com uma explicação. Pois está escrito: (Sobe a Mim, ao monte…); e dar-te-ei as tábuas de pedra, a Torá e instruções” (Êxodo, 24:12). “Torá” refere-se à Torá Escrita, enquanto “instruções” são sua interpretação. A Torá Escrita não pode ser entendida sem sua interpretação. Essa interpretação é o que chamamos de Torá Oral.

Nono Princípio:

“Creio com plena fé que esta Torá não será alterada, e que nunca haverá outra dada pelo Criador”.

O Nono Princípio é o que verdadeiramente diferencia o judaísmo de todas as demais religiões. Esse princípio ensina que a Torá é permanente e imutável. Por esta razão os judeus não se podem converter a nenhuma outra religião – porque o judaísmo não aceita que se mude a Torá – Escrita e Oral – de forma alguma. D’us nos diz em Sua Torá: … “Não acrescentareis nem subtraireis nada disso” (Deuteronômio, 13:1).

A Torá tem 613 mandamentos. Nenhum ser humano, nem mesmo um grande profeta pode agregar, subtrair ou mudar qualquer um deles. Todas as leis rabínicas instituídas por nossos Sábios têm que ser uma ramificação de um desses 613 mandamentos  – não um novo mandamento em si mesmo. A Torá e seus mandamentos são a Constituição do Povo Judeu. Nossos sábios e juízes podem interpretar a Lei e reforçá-la. Contudo, não podem adulterá-la. Por exemplo, ninguém – nem um rabino nem mesmo um profeta – pode decretar que as leis de cashrut não mais se aplicam ou então mudar o dia em que guardamos o Shabat.  É permissível decretar leis rabínicas para fortalecer as leis bíblicas, mas está além do poder de qualquer ser humano modificar lei alguma da Torá.

D’us deu a Torá apenas ao Povo Judeu. Outras religiões adaptaram-na ou a modificaram. Isso pode ser aceitável para eles, mas certamente não para o Povo Judeu.  Alguém que alega ser profeta e tente mudar um pingo da Torá para o Povo Judeu, é um falso profeta. O mesmo se aplica se essa pessoa tentasse ensinar que os mandamentos dados ao Povo de Israel são temporários, e não perpétuos.

A Torá – Sabedoria e Vontade de D’us – é inalterável e intocável. Tentar encontrar falhas nela – mudá-la de alguma forma – é buscar falhas em seu Autor. Assim como D’us é Eterno e Imutável, também  o é a Torá. As circunstâncias que determinam as leis da Torá podem mudar – por exemplo, na ausência do Templo Sagrado, somos incapazes de cumprir muitos dos mandamentos da Torá. Da mesma forma, durante a Era Messiânica – uma era de paz e prosperidade universal – muitas das leis da Torá, tais como as relativas ao roubo e homicídio, deixarão de ser válidas. Mas isso não significa que a Torá mudará, e sim, que algumas de suas leis não mais serão aplicáveis.

Há uma declaração no Livro de Isaías sobre a entrega de uma nova Torá, no futuro. Isso significa que na Era Messiânica, nossa compreensão da Torá será tão mais profunda do que é hoje – já que a Sabedoria Divina cobrirá a Terra – que aparentará ser uma nova Torá. No entanto, será a mesma Torá, porque, apesar de ter mudado o mundo, D’us e Sua Sabedoria não mudarão.

Décimo Princípio:

“Creio com plena fé que o Criador conhece todos os atos e pensamentos do ser humano. Como está escrito (Salmos, 33:15), “Ele analisa os corações de todos e perscruta todas as suas obras”.

O Décimo Princípio diz que D’us é Onisciente: Ele sabe tudo o que ocorre no universo e tudo o que os homens fazem. Esse princípio nega a opinião daqueles que alegam que… “HaVaYaH abandonou o Seu mundo…” (Ezequiel 9:9).

Esse princípio é fundamental não apenas para o judaísmo, mas para qualquer religião, pois um D’us que não é onisciente não é D’us. Não conhecer todos os atos e pensamentos humanos implica em falibilidade e limitações, e D’us é infalível e ilimitado. Para poder julgar o homem com justiça, D’us precisa conhecer seus pensamentos, palavras e atos.

Décimo-primeiro Princípio:

“Creio com plena fé que o Criador recompensa aqueles que cumprem Seus preceitos e pune quem os transgride”.

O Décimo-primeiro Princípio nos ensina que D’us não é apenas o Criador do Universo e seu Legislador, mas também seu Juiz. O judaísmo rejeita, com veemência, o conceito do Deísmo – de que D’us criou o mundo e depois o abandonou. Sabemos perfeitamente que a justiça humana falha – vemos pessoas justas sofrerem e pessoas más prosperarem – mas o judaísmo nos ensina que, no fim das contas, nesta vida ou na outra, D’us aplica a justiça. É importante notar que como D’us é infinito e eterno, atemporal, também o são Suas recompensas e punições.

A maior recompensa Divina possível é o Mundo Vindouro, ao passo que o maior castigo possível é ser banido do mesmo. Portanto, D’us pode recompensar alguém com júbilo infinito ou sofrimento. Aqueles que perpetram a maldade neste mundo devem saber que, um dia, D’us os responsabilizará por seus atos e os punirá, de acordo. É importante que não interpretemos o conceito de recompensa e castigo do judaísmo de maneira infantil. Recompensa é a consequência direta de se ligar à Origem de Toda a Vida, ao passo que a punição é o sofrimento que se segue ao distanciamento da pessoa de D’us. Cada vez que um ser humano realiza um ato de bondade, de nobreza ou de santidade, ele fortalece sua conexão com D’us. Por outro lado, cada vez que ele comete uma ação reprovável ou viola a Vontade Divina, ele enfraquece essa conexão. O propósito dos mandamentos da Torá é fortalecer nosso vínculo com D’us.

Décimo-segundo Princípio:

“Creio com plena fé na vinda de Mashiach. Mesmo que demore, esperarei por sua vinda a cada dia”.

A crença na vinda do Mashiach é um dos princípios fundamentais  do judaísmo. Infelizmente, esse conceito criou muitas divisões e disputas entre indivíduos, nações e religiões. Cada pessoa e cada grupo religioso têm direito a ter suas próprias opiniões, inclusive sobre a identidade do Messias, sobre quando ele virá e sobre o que ocorrerá na Era Messiânica.

No entanto, é importante observar o seguinte: o judaísmo apresentou ao mundo o conceito do Mashiach. Portanto, se buscamos conhecer objetivamente o assunto, temos que procurar em sua fonte original.

Segundo o judaísmo, para que um homem seja o Messias, é necessário que preencha as seguintes condições: seus pais precisam ter sido judeus e ele precisa ser descendente da Casa de David. Portanto, o Messias e todos os seus antepassados paternos têm que pertencer à tribo de Yehudá. Um Cohen ou Levi, por exemplo, não pode ser o Messias.

O Mashiach será um grande  líder e um profeta, um Tzadik e um Sábio que irá seguir meticulosamente a Torá Escrita e a Torá Oral. Ele irá liderar todos os judeus de volta ao caminho do judaísmo e fortalecerá o cumprimento de suas leis.

Além de possuir tais qualidades, há certas coisas que o Messias precisa fazer para comprovar ser quem é. Precisa construir o Templo Sagrado de Jerusalém e reunir todos os judeus que vivem na Diáspora e levá-los à Terra de Israel. Ele, então trará uma era de paz para todo o mundo. Liderará este mundo à sua perfeição e levará todos os seres humanos – judeus ou não – a servirem a D’us em unidade.

Na Era Messiânica, não haverá idolatria, roubo nem injustiça. Não haverá guerras nem fome.  A inveja e a competição deixarão de existir, pois todas as coisas boas abundarão e todos os tipos de delícias serão comuns como o pó da terra. A principal ocupação da humanidade será conhecer D’us.  Nas palavras do profeta Isaías:  “… porque a Terra estará repleta do conhecimento de HaVaYaH, como as águas cobrem o mar” (Isaías, 11:9).

Décimo-terceiro Princípio:

“Creio com plena fé na Ressurreição dos Mortos que ocorrerá quando for do agrado do Criador”.

O Décimo-terceiro Princípio envolve a ressurreição dos mortos. A importância desse conceito é nos ensinar que na Era Messiânica D’us aperfeiçoará o mundo, mesmo retroativamente. Além de ninguém morrer, mesmo os já falecidos voltarão à vida.

A ressurreição dos mortos é um dos fundamentos do judaísmo.  O Décimo-terceiro Princípio nos ensina que apesar do histórico de guerras e sofrimento do mundo, tudo terminará com um final feliz. D’us recompensará os justos do mundo, judeus ou não, com uma recompensa eterna.

Conclusão

Neste trabalho, explicamos muito brevemente os Treze Princípios de Fé de Maimônides. Eles constituem os pilares do judaísmo (e por extensão, do Noaísmo).

Antes de concluir, temos de fazer a seguinte observação. O judaísmo pertence exclusivamente ao Povo Judeu. Os Treze Princípios de Fé de Maimônides, portanto, apenas têm relevância para os judeus (e por extenção, para os Bnei Noach, apenas exatamente enquanto Princípios de Fé). Outras religiões têm seus próprios profetas, livros sagrados e ideias sobre D’us.

O judaísmo ensina que não é necessário ser judeu para conseguir ligar-se a D’us, receber a recompensa Divina e ter um lugar no Mundo Vindouro. Basta ser uma pessoa justa e viver uma vida de integridade, justiça e bondade. D’us tem muitos filhos, e Ele tem diferentes expectativas de Seus filhos. O cristianismo é (considerado) o caminho certo para os cristãos, o Islã é (considerado) o caminho certo para os muçulmanos e o judaísmo é o único caminho para os judeus. É fundamental para todos os judeus entenderem e praticarem o judaísmo. Os Treze Princípios de Fé de Maimônides resumem a sua essência: aquilo em que nós, judeus, cremos, e por que o Povo Judeu deve permanecer fiel, para sempre, à Torá e a seus mandamentos.

 

Por Instituto Morashá de Cultura

 

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Para verificar a importância dos Treze Princípios para os Noaítas:

MANDAMENTOS DIVINOS PARA TODOS OS DESCENDENTES DE NOÉ

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